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2. GESTÃO DO CONHECIMENTO

2.4 Processo de Gestão do Conhecimento

2.4.2 Armazenamento

O estágio de armazenamento do conhecimento refere-se ao processo de formação de memória organizacional, na qual o conhecimento é formalmente armazenado em sistemas físicos de memória e informalmente retido na forma de valores, normas e crenças, que se associam à cultura e estrutura organizacional (ALAVI; LEIDNER, 2001).

Grant (1996) aponta que o principal papel da firma está na integração do conhecimento especializado individual e que a coordenação hierárquica da firma falha no processo de integração, uma vez que grande parte do conhecimento é mantida no estado tácito. O autor sugere quatro tipos de mecanismos que estimulam a integração de conhecimento implícito (informal) e explícito (formal):

1. Regras que regulamentam as interações entre os indivíduos;

2. Sequenciamento, que se baseia na organização dos processos produtivos, visando à integração do conhecimento especializado e à otimização dos custos; 3. Rotinas que sustentam padrões complexos de interação entre os indivíduos; 4. Grupos de solução de problema que promovem alta interação por meio da comunicação – interação não padronizada.

A firma, nesse contexto, passa a ter conotação de repositório de conhecimento, caracterizando-se como um local físico que sustenta a criação e desenvolvimento, provendo um contexto social, econômico e político.

Lee e Cole (2003) trabalham com dois enfoques nesta perspectiva de repositório. O primeiro foca os indivíduos, ou seja, o conhecimento é gerado pela aprendizagem individual. E o segundo foca a firma, referindo-se ao tratamento do

conhecimento pela organização, a construção de capital intelectual, baseada em conhecimento tácito e explícito, além de alavancar vantagem competitiva.

Para Walsh e Ungson (1991), o processo de armazenamento do conhecimento promove o desenvolvimento de uma ‘memória’ organizacional que possui três papéis:

− Informacional: contribui para a eficiência do processo de tomada de decisão;

− Controle: reduz os custos de transação, associados com a implementação de uma nova decisão;

- Político: o controle da informação gera relações de poder entre aqueles que dominam a informação e os que não as detém.

Os autores identificam cinco tipos repositórios (‘bias’) de conhecimento. A primeira são os indivíduos que constituem a organização, que se baseiam em suas experiências e observações diretas. A cultura define o caminho de pensar e sentir os problemas por parte dos indivíduos. O terceiro repositório é o processo de transformação, que ocorre por meio do desenvolvimento, seleção e análise de novos métodos de trabalho, que, posteriormente, são socializados. A estrutura armazena o conjunto de regras, hierarquias e atribuições, que definem o modelo funcional da organização. E, por fim, a ecologia auxilia no processo de compartilhamento dentro da organização.

Walsh e Ungon destacam os benefícios e os desusos associados à memória organizacional. Em relação aos benefícios, destaca-se o papel facilitador na tomada de decisão, além de reduzir os focos resistivos, quando decisões são baseadas em experiências passadas. Em relação aos desusos, os autores argumentam que a memória pode gerar uma força de inércia que restringe a aprendizagem de novos conhecimentos. O ‘esquecimento’ de parte do conhecimento armazenado pode ser benéfico, pois possibilita que a organização desconsidere práticas que não obtiveram êxito ou que se tornaram obsoletas, promovendo a melhoria e a geração de novos conhecimentos (HOLAN; PHILIPS, 2004).

Lin (2007) explica que o armazenamento do conhecimento implica em um processo de conversão, envolvendo a organização, a estruturação, o armazenamento e, por fim, a combinação do conhecimento a fim de facilitar o uso futuro por parte dos interessados. Assim, TI aparece como ferramenta chave nesta fase, oferecendo três aplicações: (i) a codificação e o compartilhamento do conhecimento; (ii) a criação de diretórios corporativos do conhecimento; (iii) a criação de redes do conhecimento (ALAVI; LEIDNER, 2001).

Todavia, autores como Rowley (2001), Thompson e Walshman (2004) e Huysman e Wulf (2006) atenuam a importância da TI na fase de retenção do conhecimento. Huysman e Wulf (2006) explicam que as organizações precisam criar uma cultura que

encoraje o compartilhamento do conhecimento. Segundo Rowley (2001), nem todo o conhecimento tácito precisa, necessariamente, ser transformado em explícito, uma vez que estes dois tipos de conhecimento são complementares e interdependentes (GAO et al., 2008). Rowley (2001) ainda pondera:

Not all tacit knowledge needs to be made explicit; the organization needs to develop a shared understanding of which types of knowledge need to be articulated and shared (2001, p. 234)12.

Portanto, o armazenamento do conhecimento depende de dois agentes:

- Indivíduo: conhecimento associado com o entendimento, a prática e a percepção individual (conhecimento tácito);

- Sistemas: conhecimento mantido em bancos de dados (explícito).

Ainda tratando das limitações da TI, Rowley argumenta que existe uma tendência de apenas adicionar novos itens na base de dados de conhecimento sem que haja uma constante reflexão acerca do estado atual da arte. Corroborando as evidências da autora, Fiol e Lyles (1985) enfatizam que o conhecimento depende de habilidades cognitivas e conceituais do ser humano e, portanto, todo conhecimento carrega consigo uma parcela tácita para que possa ser manifestado em ações. Fahey e Prusak (1998) contribuem nesta discussão quando propõem que o conhecimento tácito é o meio pelo qual o conhecimento explícito é criado, capturado, assimilado e disseminado e Alavi e Leidner (2001) expõem que o conhecimento tácito assegura o know how necessário para que os indivíduos possam estruturar e desenvolver o conhecimento explícito, bem como utilizá-lo posteriormente.

Dessa forma, tanto a TI quanto à formação de redes sociais são fundamentais ao processo de armazenamento do conhecimento. Conforme citado por diversos autores nesta seção, não se deve confundir o processo de armazenamento com a simples codificação do conhecimento ou da informação, pois isto se refere apenas à parte explícita do mesmo. A outra parcela do conhecimento tácita, é armazenada no próprio indivíduo e, dessa maneira, é essencial a constante capacitação do indivíduo a fim de que o mesmo possa adquirir uma capacidade de absorção cada vez maior, e, conseqüentemente, possibilitando-o um acúmulo maior de conhecimento. O trabalho em grupo e as redes sociais dentro das organizações também são fatores organizacionais que promovem o maior armazenamento do conhecimento.

12 Nem todo conhecimento tácito precisa ser explicitado, a organização precisa desenvolver um entendimento