6.2. CARACTERÍSTICAS COMPOSICIONAIS E MORFOSCÓPICAS
6.2.2. Morfoscopia
6.2.2.2. Arredondamento e Esfericidade
O exame do grau de arredondamento de uma partícula é realizado mediante a observação da presença ou não da angularidade na superfície externa do grão, geralmente este grau aumenta de acordo com a duração do transporte e o retrabalhamento. Os graus de arredondamento são: muito anguloso, anguloso, subanguloso, subarredondado, arredondado e bem arredondado (SUGUIO, 1973).
A esfericidade é uma grandeza que tenta expressar o grau de aproximação da forma de uma partícula qualquer com aquela de esfera perfeita (figura 48), grãos mais arredondados e esféricos, revelam índices de grau de maturidade mais alto (SUGUIO, 1973).
Figura 48: Exemplo de grãos com alta e baixa esfericidade.
No setor 1, aproximadamente 82% das amostras mostraram esfericidade alta e 18%, esfericidade baixa. No setor 2, em aproximadamente 78%, os grão se mostram com esfericidade alta e 22% esfericidade baixa. A esfericidade se mostrou alta em 88% e 12% baixa nas amostras do setor 3 (figura 49).
O grau de arredondamento no setor 1 variou de subarredondado à anguloso, com predominância de grãos subarredondados (73%) e subangulosos (21%) (figura 50).
No setor 2, os dados obtidos revelaram graus de arredondamento subangulosos e subarredondados, com predominância de grãos
O grau de arredondamento ao longo do setor 3, predominou os grãos subangulosos (50%) e subarredondados (46%). Esses resultados (tabela 2) inferem que os grãos estudados foram submetidos à um longo processo de transporte ou retrabalhamento.
Figura 49: Percentual do grau de esfericidade dos setores 1, 2 e 3.
Tabela 02: Percentagem de arredondamento e esfericidade nos três setores. (A – anguloso, AS – subanguloso, SAR – subarredondado, AR – arredondado)
Setores Esfericidade (%) Arredondamento (%)
Alta Baixa A SA SAR AR
1 82% 18% 3% 21% 73% 3%
2 78% 22% - 28% 72% -
7. CONCLUSÕES
De forma sistêmica, a caracterização geoambiental mostrou-se uma ferramenta bastante eficaz do ponto de vista descritivo, pois foi possível identificar como o processo de ocupação e uso da orla na área de estudo interfere na dinâmica natural da praia. Ao cruzar informações referente às características geoambientais e geomorfológicas, é possível inferir que o controle morfológico do litoral varia em função dos anteparos naturais (beachrocks) e/ou artificiais (obras de proteção costeira).
A partir de caracterização geoambiental, foi possível medir o grau de vulnerabilidade da área de estudo. Os resultados mostraram a predominância de graus de vulnerabilidade alta em áreas de maior urbanização, uma vez que em locais com ausência de influência antrópica, a vulnerabilidade se apresentou baixa. A alta urbanização e ocupação desordenada no ambiente praial, impermeabiliza o cordão holocênico (areias brancas), impedindo que o mesmo mantenha-se em equilíbrio. Uma vez que o ambiente praial não tenha interferências antrópicas, dificilmente esse cordão entrará em desequilíbrio e a praia não experimentaria erosão. Levando a entender que na área de estudo, a elevada urbanização seja um dos maiores fatores para o desenvolvimento da erosão.
A caracterização sedimentológica possibilitou visualizar dados referentes ao diâmetro médio, assimetria, desvio padrão e curtose. Segundo o diâmetro médio, observou-se nos três setores a dominância da fração areia fina e em menor proporção areia média, o que sugere que as praias do litoral sul de Pernambuco estão sujeitas a uma baixa energia hidráulica. A presença de areia média em alguns pontos, pode ser justificada pela presença de pequenas aberturas entre os beachrocks, pois estas aberturas permitem maior ação da energia das ondas na praia, retirando a areia fina. Foi possível perceber que a percentagem de areia fina nas amostras diminui de sentido norte para sul, enquanto que a proporção de areia média aumenta, diante disso pode-se afirmar que a energia diminui de sul para norte.
Os valores de assimetria predominantes no setor 1 são positivos, enquanto nos setores 2 e 3 são negativos. Esses dados sugerem que no setor 1
houve a predominância de deposição de material fino, enquanto nos demais setores ocorreu a predominância da remoção de materiais finos, concordando com os resultados anteriores referente ao diâmetro médio.
Referente à seleção, houve a predominância de sedimentos moderadamente selecionados em toda a área de estudo (setores 1, 2 e 3), sugerindo que não houve energia suficiente para um bom selecionamento dos grãos.
Composicionalmente os sedimentos das praias são constituídos por dois tipos principais de componentes, os grãos detríticos e os grãos bioclásticos. Dentre os grãos detríticos predominam os de quartzo, e subordinadamente os de minerais acessórios. Os grãos bioclásticos, são constituídos por carapaças de gastrópodes, espículas de esponjas, espinhos de equinoides, pequenas conchas inteiras, tubos de vermes, entre outros. Esses resultados sugerem que a composição das areias refletem a grande influência do aporte fluvial e da presença de beachrocks nas proximidades.
Referente à textura superficial dos grãos, foram identificados apenas grãos desgastados, com o domínio de grãos de quartzo brilhantes, inferindo que o transporte dessas partículas foi realizado dominantemente por meio subaquoso.
O grau de arredondamento e esfericidade, revelou a predominância de grãos subarredondados com alta esfericidade, esses resultados sugerem que os grãos estudados foram submetidos à um longo processo de transporte ou retrabalhamento.
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ANEXO 1
Tabela 1: Aspectos geoambientais do setor 1.
PONTOS
CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS
CARACTERÍSTICAS NATURAIS
INFLUÊNCIA MARINHA INFLUÊNCIA ANTRÓPICA
TIPO DE ORLA BERMA BEACH ROCK VEGE- TAÇÃO INDICADOR DE EROSAÕ INDICADOR DE ACÚMULO URBANIZAÇÃO DA ORLA ESTRUTURAS DE PROTEÇÃO COSTEIRA 1 A Ausente Presente Presente Ausente Ausente Alta Presente 2 E Presente Ausente Presente Ausente Presente Alta Presente 3 E Presente Ausente Presente Ausente Presente Alta Presente 4 E Presente Ausente Presente Ausente Presente Alta Presente 5 A Ausente Presente Presente Presente Ausente Alta Presente 6 A Ausente Presente Ausente Presente Ausente Alta Presente 7 A Ausente Presente Presente Presente Ausente Alta Presente 8 A Ausente Ausente Presente Presente Ausente Alta Presente 9 E Presente Ausente Presente Ausente Ausente Alta Ausente 10 E _______ Ausente Presente _______ _______ Alta Ausente 11 S.A. Ausente Presente Presente Presente Ausente Alta Ausente 12 A Presente Presente Presente Presente Ausente Alta Presente 13 A Ausente Ausente Ausente Presente Ausente Alta Presente 14 A Presente Presente Presente Ausente Presente Alta Presente 15 A Ausente Ausente Ausente Presente Ausente Alta Presente 16 A Presente Ausente Presente Presente Ausente Alta Presente 17 A Presente Ausente Ausente Ausente Ausente Alta Presente 18 E Presente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 19 A Presente Presente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 20 S.A. Presente Presente Presente Presente Ausente Baixa Ausente 21 S.A. Presente Presente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 22 A Presente Presente Presente Ausente Ausente Média Ausente 23 A Presente Presente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 24 A Presente Presente Presente Presente Ausente Média Presente 25 A Ausente Presente Ausente Presente Ausente Alta Ausente 26 A Presente Presente Ausente Ausente Ausente Média Ausente 27 A Ausente Presente Ausente Presente Ausente Média Ausente 28 S.A. Presente Presente Presente Presente Ausente Alta Ausente 29 S.A. Ausente Presente Presente Presente Ausente Média Ausente 30 A Ausente Presente Presente Presente Ausente Média Presente 31 A Presente Ausente Presente Presente Ausente Média Presente 32 A Ausente Presente Presente Presente Ausente Média Presente
Tabela 2: Aspectos geoambientais do setor 2. PONTO CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS CARACTERÍSTICAS NATURAIS
INFLUÊNCIA MARINHA INFLUÊNCIA ANTRÓPICA
TIPO DE ORLA BERMA BEACH ROCK VEGE- TAÇÃO INDICADOR DE EROSAÕ INDICADOR DE ACÚMULO URBANIZAÇÃO DA ORLA ESTRUTURAS DE PROTEÇÃO COSTEIRA 1 A Ausente Presente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 2 A Ausente Presente Presente Presente Ausente Média Presente 3 A Ausente Presente Presente Ausente Ausente Média Ausente 4 S.A. Presente Presente Presente Ausente Ausente Média Ausente 5 S.A. Ausente Presente Ausente Ausente Ausente Baixa Ausente 6 E Ausente Ausente Ausente Ausente Ausente Média Ausente 7 E Presente Ausente Ausente Presente Ausente Média Presente 8 E Ausente Ausente Ausente Presente Ausente Média Presente 9 S.A. Presente Presente Presente Presente Ausente Média Presente 10 A Ausente Presente Ausente Presente Ausente Média Presente 11 S.A. Presente Presente Presente Ausente Ausente Média Ausente 12 E Presente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 13 E Presente Ausente Ausente Ausente Ausente Baixa Presente 14 E Ausente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 15 A Presente Presente Presente Presente Ausente Baixa Presente 16 A Presente Presente Presente Presente Ausente Média Presente 17 A Ausente Presente Ausente Presente Ausente Média Presente 18 E Presente Ausente Presente Ausente Ausente Média Ausente 19 A Ausente Presente Presente Presente Ausente Média Presente 20 E Presente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 21 A Ausente Presente Presente Ausente Ausente Média Presente 22 E Presente Ausente Presente Presente Ausente Média Presente 23 S.A. Presente Ausente Presente Ausente Ausente Média Presente 24 S.A Ausente Ausente Presente Presente Ausente Baixa Presente 25 E Presente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 26 E Presente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 27 E Presente Ausente Presente Presente Ausente Média Presente 28 ____ ________ _______ _______ __________ _________ __________ __________ 29 E Presente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 30 E Ausente Ausente Presente Presente Ausente Média Presente 31 A Presente Presente Presente Presente Ausente Média Presente 32 A Presente Presente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente
Tabela 3: Aspectos geoambientais do setor 3. PONTO CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS CARACTERÍSTICAS NATURAIS
INFLUÊNCIA MARINHA INFLUÊNCIA ANTRÓPICA
TIPO DE ORLA BERMA BEACH ROCK VEGE- TAÇÃO INDICADOR DE EROSAÕ INDICADOR DE ACÚMULO URBANIZAÇÃO DA ORLA ESTRUTURAS DE PROTEÇÃO COSTEIRA
1 S.A. Ausente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 2 A Ausente Presente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 3 A Ausente Presente Ausente Presente Ausente Média Presente 4 S.A Ausente Presente Ausente Presente Ausente Média Presente 5 A Presente Presente Presente Presente Ausente Média Presente 6 E Ausente Ausente Presente Presente Ausente Média Presente 7 E Ausente Ausente Ausente Presente Ausente Média Presente 8 E Ausente Ausente Ausente Presente Ausente Média Presente 9 E Presente Ausente Ausente Presente Ausente Média Presente 10 E Presente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 11 E Presente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 12 E Presente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 13 E Presente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 14 S.A Presente Presente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 15 S.A. Presente Presente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 16 A Ausente Presente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 17 E Ausente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 18 E Presente Ausente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 19 A Presente Presente Presente Ausente Ausente Baixa Ausente 20 A Presente Presente Presente Presente Ausente Média Ausente 21 A Presente Presente Presente Presente Ausente Média Ausente 22 A Ausente Presente Ausente Presente Ausente Alta Presente 23 E Presente Presente Presente Presente Ausente Média Presente
ANEXO 2
Tabela1: Análise morfoscópica e composicional do setor 1. Bar – bem arredondado, Ar – arredondado, SAr – subarredondado, AS – subanguloso, A – anguloso, MA – muito anguloso; ND – não desgastado, D – desgastado, B – brilhante, F – fosco; BC – bioclastos, Qz – quartzo, MA – minerais acessórios, P – ponto. AMOS TRAS ARREDONDAMENTO ESFERICIDADE TEXTURA SUPERFICIAL COMPOSIÇÃO
BAr Ar SAr SA A MA Alta Baixa
ND D Clástico BC SETOR 1 B F Qz MA P1 X X X 99% 0 1% P2 X X X 99% 0 1% P3 X X X 98% 0 2% P4 X X X 99% 0 1% P5 X X X 77% 0 22% P6 X X X 88% 0 12% P7 X X X 95% 0 5% P8 X X X 93% 0 7% P9 X X X 94% 6% P10 X X X X 57% 43% P11 X X X X 62% 38% P12 X X X X 74% 26% P13 X X X 89% 1% 10% P14 X X X 73% 27% P15 X X X X 66% 44% P16 X X X 92% 3% 5% P17 X X X 97% 0% 3% P18 X X X X 87% 10% 3% P19 X X X 97% 1% 2% P20 X X X 98% 0% 2% P21 X X X 96% 2% 2%
P22 X X X 92% 6% 2% P23 X X X 92% 6% 2% P24 X X X 98% 1% 1% P25 X X X 92% 3% 5% P26 X X X 96% 3% 1% P27 X X X 100% 0% 0% P28 X X X 97% 2% 1% P29 X X X 99% 0% 1% P30 X X X 98% 0% 2% P31 X X X 99% 0% 1% P32 X X X 97% 0% 3%
Tabela 2: Análise morfoscópica e composicional do setor 2. Bar – bem arredondado, Ar – arredondado, SAr – subarredondado, AS – subanguloso, A – anguloso, MA – muito anguloso; ND – não desgastado, D – desgastado, B – brilhante, F – fosco; BC – bioclastos, Qz – quartzo, MA – minerais acessórios, P – ponto. AMOSTRAS ARREDONDAMENTO ESFERICIDADE TEXTURA SUPERFICIAL COMPOSIÇÃO
BAr Ar SAr SA A MA Alta Baixa
ND D Clástico BC SETOR 2 B F Qz MA P1 X X X 87% 12% 1% P2 X X X 99% 0% 1% P3 X X X 80% 0% 20% P4 X X X 88% 2% 10% P5 X X X 96% 1% 3% P6 X X X 91% 4% 5% P7 X X X 91% 4% 5% P8 X X X 97% 0% 3% P9 X X X X 89% 6% 5% P10 X X X 72% 13% 15% P11 X X X 78% 15% 7% P12 X X X 94% 2% 4% P13 X X X 88% 5% 7% P14 X X X 89% 0% 11% P15 X X X 95% 0% 5% P16 X X X 85% 0% 15% P17 X X X X 100% 0% 0% P18 X X X 95% 4% 1% P19 X X X 95% 3% 2% P20 X X X 82% 1% 17% P21 X X X 85% 0% 15% P22 X X X 99% 0% 1% P23 X X X 94% 0% 6% P24 X X X 95% 1% 4% P25 X X X 95% 3% 2% P26 X X X 86% 9% 5%
P27 X X X 91% 6% 3% P28 X X X 89% 7% 4% P29 X X XX 79% 18% 3% P30 X X X 72% 26% 2% P31 X X X 65% 17% 18% P32 X X X 85% 2% 13%
Tabela 3: Análise morfoscópica e composicional do setor 3. Bar – bem arredondado, Ar – arredondado, SAr – subarredondado, AS – subanguloso, A – anguloso, MA – muito anguloso; ND – não desgastado, D – desgastado, B – brilhante, F – fosco; BC – bioclastos, Qz – quartzo, MA – minerais acessórios, P – ponto. AMOSTRAS ARREDONDAMENTO ESFERICIDADE TEXTURA SUPERFICIAL COMPOSIÇÃO
BAr Ar SAr SA A MA Alta Baixa
ND D Clástico BC SETOR 3 B F Qz MA P1 X X X 81% 1% 8% P2 X X X 68% 2% 30% P3 X X X 72% 2% 26% P4 X X X 52% 3% 45% P5 X X X 87% 3% 10% P6 X X X 60% 2% 38% P7 X X X X 40% 1% 59% P8 X X X X 17% 3% 70% P9 X X X 97% 0% 3% P10 X X X 99% 0% 1% P11 X X X 98% 0% 2% P12 X X X 93% 5% 2% P13 X X X 91% 8% 1% P14 X X X 94% 6% 0% P15 X X X 86% 14% 0% P16 X X X 96% 3% 1% P17 X X X 88% 0% 12% P18 X X X 75% 6% 9% P19 X X X 88% 4% 8% P20 X X X 88% 0% 12% P21 X X X 83% 0% 17% P22 X X X 78% 8% 14% P23 X X X 80% 4% 16%