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OS ARTEFATOS LÍTICOS 6

No documento EM UMA ÁREA DO PRÉ-COLONIAL (páginas 179-196)

O TRABALHO DE CAMPO

3 OS ARTEFATOS LÍTICOS 6

Em todos os sítios pesquisados os artefatos líticos ocorrem em quantida

-de muito reduzida. Os poucos exemplares disponíveis para uma análise por

-menorizada em laboratório (excetuando-se somente os do sítio GO-RV-66) impedem uma indicação percentual dos tipos. Apesar dos registros qualitati

-vos do material lítico em campo (não coletado), baseamos a seguinte descri

-ção naqueles exemplares provenientes das coletas exaustivas e das doações. Embora os tipos de artefatos líticos parecem ocorrer com uma realtiva uni -formidade em toda a área-piloto, a descrição a seguir deve ser tomada como

primeira aproximação. Em futuras investigações, o material lítico e os demais artefatos deverão receber também um tratamento quantitativo.

3.1 OBJETOS NÃO TRANSFORMADOS

• Bloco sem modificações em forma de laje

TÉCNICA DE MANUFATURA: bloco sem transformação.

FORMA: no plano principal:

 quadrangular e retangular;

no plano lateral:

 retangular;

no plano transversal:

 retangular.

DIMENSÕES: o comprimento varia de 8,5 a 15,5 cm; a

largura de 8,5 (+) a 11,5 (+) cm; e a espessura de 1,7 a 6 cm.

MATÉRIA-PRIMA: quartzito.

USO: parte dos exemplares descritos forma

encontrados em áreas de fogueiras, o que

sugere o seu uso como suportes.

63 Uma tabela comparativa, assinalando por sítio a ocorrência dos artefatos descritos e ob-servados, encontra-se no Anexo 12.

• Bloco irregular

TÉCNICA DE MANUFATURA: bloco sem transformação.

FORMA: irregular em todos os planos, devido à sua

condição fragmentada.

DIMENSÕES: no exemplar maior, o comprimento é 10 (+) cm;

a largura varia de 5 a 7 (+) cm; e a espessura de 4,5 a 8 (+) cm.

MATÉRIA-PRIMA: quartzo de filão.

OBS.: todos os exemplares encontram-se

fraturados, em parte por ação do fogo.

USO: não identificado.

• Bloco com depressão central (vide Figura 13 a)

TÉCNICA DE MANUFATURA: bloco não transformado.

FORMA: no plano principal:

 contorno irregular;

no plano lateral:

 aproximadamente retangular;

no plano transversal:

 levemente côncavo.

DIMENSÕES: comprimento: 19 cm; largura: 15,5 cm; e

espessura: 5 cm.

FORMA E DIMENSÕES

DA DEPRESSÃO: circular, com 3 cm de diâmetro e

MATÉRIA-PRIMA: diorito intemperizado, cor cinza escura.

USO: instrumento passivo: suporte para bater ou

esmagar.

• Seixo com depressão (vide Figuras 13 b, e d)

TÉCNICA DE MANUFATURA: seixo não transformado.

FORMA: plano principal:

 retangular, arredondado ou irregular;

plano lateral:

 retangular com bordos arredondados

ou levemente trapezoidal; plano transversal:

 aproximadamente circular ou

irregular.

DIMENSÕES: o comprimento varia de 6,0 a 10,5 cm; a

largura de 4,0 a 8,5 cm; e a espessura de 3,0 a 7,0 cm.

LOCALIZAÇÃO DE FORMA

DE DEPRESSÃO: circular, localizada na parte central de uma ou duas faces principais, como também em

uma ou duas faces laterais. O diâmetro das depressões varia de 1 a 2,5 cm e a

profundidade de 1 a 2 mm.

MATÉRIA-PRIMA: quartzo e diorito.

Seixo liso

TÉCNICA DE MANUFATURA: seixo não transformado.

FORMA: plano principal:

 levemente elipsoide;

plano lateral:

 levemente elipsoide;

plano transversal:

 circular ou levemente elipsoide.

DIMENSÕES: o comprimento varia de 1,8 a 3,5 cm; a

largura de 1,9 a 2,3 cm; e a espessura de 1,5 a 1,7 cm.

MATÉRIA-PRIMA: quartzo leitoso e quartzo hialino.

USO: instrumento ativo: os desgastes nos bordos

laterais sugerem seu emprego em processos de alisamento, eventualmente da cerâmica.

Fragmento de seixo

TÉCNICA DE MANUFATURA: seixo eventualmente preparado na parte

dos bordos ativos.

FORMA: plano principal:

 aproximadamente triangular,

secção de uma elipse; plano lateral:

 retangular;

plano transversal:

 retangular.

DIMENSÕES: o comprimento é de 8,5 cm; a largura de

FORMA DE DIMENSÕES DOS

BORDOS ATIVOS: os dois bordos ativos encontram-se em um

ângulo de 120 graus, tendo ambos um comprimento de 5 cm e uma largura de 2,5 cm.

MATÉRIA-PRIMA: quartzo hialino, presença de córtex em

todas as faces, com exceção dos bordos ativos.

USO: instrumento ativo: desgaste acentuado nos

dois bordos ativos resultantes de abrasão

sobre superfície dura.

3.2 OBJETOS LASCADOS

• Lascas brutas

TÉCNICA DE MANUFATURA: lascas produzidas por percussão direta com

percutor duro e mole; em algumas lascas, presença de córtex.

FORMA: plano principal:

 predominantemente triangular;

plano lateral:

 convexo-côncavo e triangular;

plano transversal:

 predominantemente lenticular e

com menos frequência triangular.

O ângulo do plano de percussão varia de 45º a 90º.

DIMENSÕES: o comprimento varia de 1,1 a 8 (+) cm; a

largura de 0,7 a 6,5 cm; e a espessura, de 0,2 a 3 cm.

MATÉRIA-PRIMA: predomina o quartzo hialino. Somente

poucos exemplares ocorrem em calcedônia e diorito.

USO: Nenhuma dessas lascas apresenta sinais evidentes de uso, mas na sua maioria podem ser empregadas potencialmente para cortar e desbastar.

• Núcleos (vide Figura 12 f)

TÉCNICA DE MANUFATURA: núcleos resultantes de percussão direta.

FORMA: plano principal:

 semi-discoidal, trapezoidal ou aproximadamente retangular; plano lateral:  frequentemente plano-convexo; plano transversal:  aproximadamente triangular ou retangular.

DIMENSÕES: o comprimento varia de 2,0 a 5,6 cm; a

largura de 1,5 a 4,5 cm; e a espessura de 1,5 a 3,8 cm.

MATÉRIA-PRIMA: quartzo hialino ocorre com maior

frequência, sendo os núcleos de calcedônia menos frequentes.

USO: alguns dos exemplares indicam o seu uso

em atividades de raspar e desbastar. Os sinais de uso encontram-se na antiga

plataforma de percussão, como também

sobre os seus bordos.

• Instrumentos sobre lascas (vide Figuras 12 a, 12 b, 12 c, 12 d, 12 e, e gr.)

TÉCNICA DE MANUFATURA: lascas produzidas por percussão direta

com percutor duro e mole, ocasionalmente bordos retocados.

FORMA: plano principal:

 elipsoide, trapezoidal, triangular;

plano lateral:

 plano-convexo, convexo-côncavo,

lenticular ou com tendência retangular;

plano transversal:

 plano-convexo, lenticular e

triangular.

DIMENSÕES: o comprimento varia de 1,4 a 7,0 cm; a

largura de 1,3 a 4,5 cm; e a espessura de 0,3 a 3,4 cm.

MATÉRIA-PRIMA: predominam os instrumentos sobre lascas de quartzo hialino. Somente no sítio

GO-RV-66 registrou-se um instrumento sobre lasca de diorito e outro sobre lasca de basalto.

BORDOS ATIVOS: sinais de uso sobre um ou dois bordos laterais e/ou também na parte distal da lasca.

USO: instrumento ativo para cortar e raspar:

alguns dos exemplares apresentam nítidos

traços de uso, indicando seu emprego sobre

matérias-primas relativamente duras, como

madeira ou osso.

OBS.: uma distinção entre traços de uso e bordos

retocados, por sua vez, requer estudos experimentais detalhados da matéria-prima em questão.

3.3 OBJETOS ALISADOS E PICOTEADOS

• Polidor com canaleta larga (vide Figura 13 c)

TÉCNICA DE MANUFATURA: bloco picoteado na superfície externa e alisado na superfície interno pelo uso.

FORMA: plano principal:

 não identificado, mas com

tendência para retangular; plano lateral:

 côncavo-convexo e plano-convexo;

plano transversal:

 côncavo-convexo e plano-convexo.

DIMENSÕES: o comprimento varia de 6 (+) a 10 cm; a

largura de 9,0 a 7,0 cm; e a espessura de 3,0 a 7,5 cm.

MATÉRIA-PRIMA: quartzito pouco silificado.

USO: instrumento passivo: polir e abrasar.

• Grande polidor com canaletas (vide Figura 12 h)

TÉCNICA DE MANUFATURA: bloco picoteado na face reversa e alisado no

anverso, onde se encontram as canaletas polidas pelo uso.

FORMA: plano principal:

 aproximadamente quadrangular;

plano lateral:

 retangular;

plano transversal:

 retangular.

DIMENSÕES: o comprimento é de 40 cm; a largura de

32 cm; e a espessura de 5 cm.

DISPOSIÇÃO E DIMENSÕES

DAS CANALETAS: no anverso, encontram-se ao todo 13 canaletas, formando 2 conjuntos de sulcos paralelos que se dispõem obliquamente.

O comprimento das canaletas varia de 31,5

profundidade de 0,2 a 0,5 cm. Nas suas

extremidades as canaletas afinam

acentuadamente e sua secção transversal é

em “U”.

MATÉRIA-PRIMA: diorito intemperizado e áspero.

USO: instrumento passivo: polir e alisar.

• Pequeno polidor com canaletas

TÉCNICA DE MANUFATURA: bloco alisado com canaletas polidas pelo uso.

FORMA: plano principal:

 elipsoide;

plano lateral:

 elipsoide;

plano transversal:

 elipsoide.

DIMENSÕES: o comprimento é de 5,6 cm; a largura de 3,5 cm; e a espessura de 2 cm. Os pequenos

sulcos apresentam uma largura de 1 a 2 mm, sendo o seu comprimento limitado pelas dimensões do próprio artefato, não

ultrapassando 5,6 cm. Os pequenos sulcos polidos ocorrem em todas as superfícies, sem nenhuma disposição definida, mas não

se entrecruzam.

MATÉRIA-PRIMA: serpentinita de coloração marrom escura.

3.4 OBJETOS PICOTEADOS E POLIDOS

• Mão de mó (vide Figura 14 j e 14 k)

TÉCNICA DE MANUFATURA: instrumento picoteado, semipolido e polido.

FORMA: plano principal:

 trapezoidal, cilíndrico e quadrangular.

plano lateral:

 geralmente retangular, raramente

trapezoidal; plano transversal:

 redondo, ovalóide e eipsóide.

DIMENSÕES: o comprimento varia de 5,5 a 2,5 cm; a

largura, de 2,7 a 7,5 cm; e a espessura máxima, de 2,7 a 5 cm.

MATÉRIA-PRIMA: diorito de cor cinza clara e cinza escura.

USO: instrumento ativo: bater, esmagar, moer,

bater (?).

• Lâminas de pedra polida com garganta (vide Figura 14 a)

TÉCNICA DE MANUFATURA: lâmina semipolida e polida no gume.

Parcialmente lascada no gume para provável reutilização.

FORMA: plano principal:

 bioconvexo;

plano lateral:

 biconvexo;

plano transversal:

 elipsoide.

O talão é levemente arredondado e o gume

A garganta encontra-se 3,5 cm abaixo do talão e tem uma profundidade de 0,6 cm e uma largura de 2 cm.

MATÉRIA-PRIMA: diorito de cor cinza clara.

USO: instrumento ativo: cortar, esmagar;

provável enacabamento.

OBS.: o exemplar descrito foi encontrado por um

dos moradores nas proximidades do sítio GO-RV-48, porém sem associação de outros

artefatos.

• Lâmina de pedra polida (vide Figuras 14 b, 14 c, 14 d, 14 e, 14 f, 14

g, 14 h e 14 i)

TÉCNICA DE MANUFATURA: lâmina picoteada, semipolida e polida,

principalmente na parte do gume. Alguns exemplares apresentam lascamento na

parte do gume para possível reutilização.

FORMA: plano principal:

 trapezoidal;

plano lateral:

 biconvexo;

plano transversal:

 elipsóide.

O gume apresenta-se em forma de bisel

duplo que em alguns exemplares, está

bastante gasto pelo uso.

DIMENSÕES: o comprimento varia de 7 a 14,5 cm; a

largura de 3,5 a 6,5 cm; e a espessura máxima de 2,5 a 7,5 cm.

USO: instrumento ativo: cortar, esmagar. Em

alguns exemplares, nítidas evidências de

encabamento.

• Recipientes rasos (vide Figura 13 f)

TÉCNICA DE MANUFATURA: recipiente com bom alisamento em ambas as superfícies.

FORMA: Esses artefatos se assemelham a “pratos” e

“tigelas” rasas. O contorno é simples, a borda no plano horizontal é circular, o

ângulo de inclinação da parede varia de 23º

a 67º, o lábio é arredondado e a base aplanada. DIMENSÕES: o diâmetro da borda varia de 14 a 28 cm;

a profundidade, medida na parte interna, varia de 1,5 a 3,0 m; a espessura

predominante da parede é 1,5 cm, mas podem ocorrer também fragmentos com

espessuras de 2,5 cm.

MATÉRIA-PRIMA: serpentinita de cor cinza clara e esverdeada.

USO: desconhecido; devido à fragilidade e ao

baixo grau de dureza (1 na escala de Mohs) esses recipientes não permitem o seu

emprego em atividades que exigem a

aplicação de força vertical ou empregam elementos duros para esmagar ou triturar.

• Recipientes fundos (vide Figura 13 e)

TÉCNICAS DE MANUFATURA: recipiente com superfície externa picoteada

e com presença de diversas irregularidades.

FORMA: assemelha-se a uma “tigela” funda ou um

pequeno “pilão”. O contorno simples, o

ângulo da inclinação da parede varia de 67º a 90º, a forma da borda, no plano

horizontal, é circular ou levemente

elipsóide, o lábio redondo e a base arredondada.

DIMENSÕES: o diâmetro da borda varia de 20 a 24 cm. Os

fragmentos não permitem precisar a

profundidade dos recipientes, porém essa é

a maior entre os anteriormente descritos. A espessura da parede varia de 3,5 a 4,5 cm; e a da base pode atingir 4 a 9 cm.

MATÉRIA-PRIMA: serpentinita de cor cinza clara a cinza

esverdeada.

USO: desconhecido (vide recipientes rasos).

• Rodelas de fuso (vide Figura 13 h)

TÉCNICA DE MANUFATURA: objeto fusiforme, alisado em todas as superfícies, bem como na parte central do orifício.

FORMA: plano principal;

 redondo ou levemente elipsoide;

plano lateral:

 plano-convexo, elipsóide ou

aproximadamente retangular com bordos arredondados;

plano transversal:

 plano-convexo, elipsóide ou

aproximadamente retangular com bordos arredondados.

DIMENSÕES: o diâmetro varia de 3 a 6 cm e a espessura, de 1,5 a 3,2 cm.

FORMA E DIMENSÕES

DO ORIFÍCIO: o orifício encontra-se na parte central. No

plano horizontal apresenta-se circular e em secção transversal, as paredes são convexas-côncavas ou paralelas, o diâmetro varia de 0,5 a 1 cm, e o seu peso varia de 24,4 a 127,5 gramas.

MATÉRIA-PRIMA: serpentinita de cor cinza clara e cinza

esverdeada. Provável peso empregado no

processo de fiar fibras vegetais.

• Objeto losangular

TÉCNICA DE MANUFATURA: objeto losangular com polimento em todas as superfícies.

FORMA: plano principal:

 aproximadamente losangular com

uma de suas secções mais alongadas; plano lateral:

 idem;

plano transversal:

 circular.

DIMENSÕES: ao longo do eixo longitudinal a simetria é

perfeita; comprimento: 5,5 cm; largura

máxima: 3 cm; e largura mínima 0,7 cm. MATÉRIA-PRIMA: serpentinita.

USO: desconhecido.

OBS.: o artefato foi encontrado pelos moradores

no sítio GO-RV-72 em associação com

Figura 12. Objetos não transformados

Figura 13. Seixos

Figura 14. Lâminas

4 FUNÇÕES ATRIBUÍDAS AOS ARTEFATOS CERÂMICOS

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