O TRABALHO DE CAMPO
3 OS ARTEFATOS LÍTICOS 6
Em todos os sítios pesquisados os artefatos líticos ocorrem em quantida
-de muito reduzida. Os poucos exemplares disponíveis para uma análise por
-menorizada em laboratório (excetuando-se somente os do sítio GO-RV-66) impedem uma indicação percentual dos tipos. Apesar dos registros qualitati
-vos do material lítico em campo (não coletado), baseamos a seguinte descri
-ção naqueles exemplares provenientes das coletas exaustivas e das doações. Embora os tipos de artefatos líticos parecem ocorrer com uma realtiva uni -formidade em toda a área-piloto, a descrição a seguir deve ser tomada como
primeira aproximação. Em futuras investigações, o material lítico e os demais artefatos deverão receber também um tratamento quantitativo.
3.1 OBJETOS NÃO TRANSFORMADOS
• Bloco sem modificações em forma de laje
TÉCNICA DE MANUFATURA: bloco sem transformação.
FORMA: no plano principal:
quadrangular e retangular;
no plano lateral:
retangular;
no plano transversal:
retangular.
DIMENSÕES: o comprimento varia de 8,5 a 15,5 cm; a
largura de 8,5 (+) a 11,5 (+) cm; e a espessura de 1,7 a 6 cm.
MATÉRIA-PRIMA: quartzito.
USO: parte dos exemplares descritos forma
encontrados em áreas de fogueiras, o que
sugere o seu uso como suportes.
63 Uma tabela comparativa, assinalando por sítio a ocorrência dos artefatos descritos e ob-servados, encontra-se no Anexo 12.
• Bloco irregular
TÉCNICA DE MANUFATURA: bloco sem transformação.
FORMA: irregular em todos os planos, devido à sua
condição fragmentada.
DIMENSÕES: no exemplar maior, o comprimento é 10 (+) cm;
a largura varia de 5 a 7 (+) cm; e a espessura de 4,5 a 8 (+) cm.
MATÉRIA-PRIMA: quartzo de filão.
OBS.: todos os exemplares encontram-se
fraturados, em parte por ação do fogo.
USO: não identificado.
• Bloco com depressão central (vide Figura 13 a)
TÉCNICA DE MANUFATURA: bloco não transformado.
FORMA: no plano principal:
contorno irregular;
no plano lateral:
aproximadamente retangular;
no plano transversal:
levemente côncavo.
DIMENSÕES: comprimento: 19 cm; largura: 15,5 cm; e
espessura: 5 cm.
FORMA E DIMENSÕES
DA DEPRESSÃO: circular, com 3 cm de diâmetro e
MATÉRIA-PRIMA: diorito intemperizado, cor cinza escura.
USO: instrumento passivo: suporte para bater ou
esmagar.
• Seixo com depressão (vide Figuras 13 b, e d)
TÉCNICA DE MANUFATURA: seixo não transformado.
FORMA: plano principal:
retangular, arredondado ou irregular;
plano lateral:
retangular com bordos arredondados
ou levemente trapezoidal; plano transversal:
aproximadamente circular ou
irregular.
DIMENSÕES: o comprimento varia de 6,0 a 10,5 cm; a
largura de 4,0 a 8,5 cm; e a espessura de 3,0 a 7,0 cm.
LOCALIZAÇÃO DE FORMA
DE DEPRESSÃO: circular, localizada na parte central de uma ou duas faces principais, como também em
uma ou duas faces laterais. O diâmetro das depressões varia de 1 a 2,5 cm e a
profundidade de 1 a 2 mm.
MATÉRIA-PRIMA: quartzo e diorito.
• Seixo liso
TÉCNICA DE MANUFATURA: seixo não transformado.
FORMA: plano principal:
levemente elipsoide;
plano lateral:
levemente elipsoide;
plano transversal:
circular ou levemente elipsoide.
DIMENSÕES: o comprimento varia de 1,8 a 3,5 cm; a
largura de 1,9 a 2,3 cm; e a espessura de 1,5 a 1,7 cm.
MATÉRIA-PRIMA: quartzo leitoso e quartzo hialino.
USO: instrumento ativo: os desgastes nos bordos
laterais sugerem seu emprego em processos de alisamento, eventualmente da cerâmica.
• Fragmento de seixo
TÉCNICA DE MANUFATURA: seixo eventualmente preparado na parte
dos bordos ativos.
FORMA: plano principal:
aproximadamente triangular,
secção de uma elipse; plano lateral:
retangular;
plano transversal:
retangular.
DIMENSÕES: o comprimento é de 8,5 cm; a largura de
FORMA DE DIMENSÕES DOS
BORDOS ATIVOS: os dois bordos ativos encontram-se em um
ângulo de 120 graus, tendo ambos um comprimento de 5 cm e uma largura de 2,5 cm.
MATÉRIA-PRIMA: quartzo hialino, presença de córtex em
todas as faces, com exceção dos bordos ativos.
USO: instrumento ativo: desgaste acentuado nos
dois bordos ativos resultantes de abrasão
sobre superfície dura.
3.2 OBJETOS LASCADOS
• Lascas brutas
TÉCNICA DE MANUFATURA: lascas produzidas por percussão direta com
percutor duro e mole; em algumas lascas, presença de córtex.
FORMA: plano principal:
predominantemente triangular;
plano lateral:
convexo-côncavo e triangular;
plano transversal:
predominantemente lenticular e
com menos frequência triangular.
O ângulo do plano de percussão varia de 45º a 90º.
DIMENSÕES: o comprimento varia de 1,1 a 8 (+) cm; a
largura de 0,7 a 6,5 cm; e a espessura, de 0,2 a 3 cm.
MATÉRIA-PRIMA: predomina o quartzo hialino. Somente
poucos exemplares ocorrem em calcedônia e diorito.
USO: Nenhuma dessas lascas apresenta sinais evidentes de uso, mas na sua maioria podem ser empregadas potencialmente para cortar e desbastar.
• Núcleos (vide Figura 12 f)
TÉCNICA DE MANUFATURA: núcleos resultantes de percussão direta.
FORMA: plano principal:
semi-discoidal, trapezoidal ou aproximadamente retangular; plano lateral: frequentemente plano-convexo; plano transversal: aproximadamente triangular ou retangular.
DIMENSÕES: o comprimento varia de 2,0 a 5,6 cm; a
largura de 1,5 a 4,5 cm; e a espessura de 1,5 a 3,8 cm.
MATÉRIA-PRIMA: quartzo hialino ocorre com maior
frequência, sendo os núcleos de calcedônia menos frequentes.
USO: alguns dos exemplares indicam o seu uso
em atividades de raspar e desbastar. Os sinais de uso encontram-se na antiga
plataforma de percussão, como também
sobre os seus bordos.
• Instrumentos sobre lascas (vide Figuras 12 a, 12 b, 12 c, 12 d, 12 e, e gr.)
TÉCNICA DE MANUFATURA: lascas produzidas por percussão direta
com percutor duro e mole, ocasionalmente bordos retocados.
FORMA: plano principal:
elipsoide, trapezoidal, triangular;
plano lateral:
plano-convexo, convexo-côncavo,
lenticular ou com tendência retangular;
plano transversal:
plano-convexo, lenticular e
triangular.
DIMENSÕES: o comprimento varia de 1,4 a 7,0 cm; a
largura de 1,3 a 4,5 cm; e a espessura de 0,3 a 3,4 cm.
MATÉRIA-PRIMA: predominam os instrumentos sobre lascas de quartzo hialino. Somente no sítio
GO-RV-66 registrou-se um instrumento sobre lasca de diorito e outro sobre lasca de basalto.
BORDOS ATIVOS: sinais de uso sobre um ou dois bordos laterais e/ou também na parte distal da lasca.
USO: instrumento ativo para cortar e raspar:
alguns dos exemplares apresentam nítidos
traços de uso, indicando seu emprego sobre
matérias-primas relativamente duras, como
madeira ou osso.
OBS.: uma distinção entre traços de uso e bordos
retocados, por sua vez, requer estudos experimentais detalhados da matéria-prima em questão.
3.3 OBJETOS ALISADOS E PICOTEADOS
• Polidor com canaleta larga (vide Figura 13 c)
TÉCNICA DE MANUFATURA: bloco picoteado na superfície externa e alisado na superfície interno pelo uso.
FORMA: plano principal:
não identificado, mas com
tendência para retangular; plano lateral:
côncavo-convexo e plano-convexo;
plano transversal:
côncavo-convexo e plano-convexo.
DIMENSÕES: o comprimento varia de 6 (+) a 10 cm; a
largura de 9,0 a 7,0 cm; e a espessura de 3,0 a 7,5 cm.
MATÉRIA-PRIMA: quartzito pouco silificado.
USO: instrumento passivo: polir e abrasar.
• Grande polidor com canaletas (vide Figura 12 h)
TÉCNICA DE MANUFATURA: bloco picoteado na face reversa e alisado no
anverso, onde se encontram as canaletas polidas pelo uso.
FORMA: plano principal:
aproximadamente quadrangular;
plano lateral:
retangular;
plano transversal:
retangular.
DIMENSÕES: o comprimento é de 40 cm; a largura de
32 cm; e a espessura de 5 cm.
DISPOSIÇÃO E DIMENSÕES
DAS CANALETAS: no anverso, encontram-se ao todo 13 canaletas, formando 2 conjuntos de sulcos paralelos que se dispõem obliquamente.
O comprimento das canaletas varia de 31,5
profundidade de 0,2 a 0,5 cm. Nas suas
extremidades as canaletas afinam
acentuadamente e sua secção transversal é
em “U”.
MATÉRIA-PRIMA: diorito intemperizado e áspero.
USO: instrumento passivo: polir e alisar.
• Pequeno polidor com canaletas
TÉCNICA DE MANUFATURA: bloco alisado com canaletas polidas pelo uso.
FORMA: plano principal:
elipsoide;
plano lateral:
elipsoide;
plano transversal:
elipsoide.
DIMENSÕES: o comprimento é de 5,6 cm; a largura de 3,5 cm; e a espessura de 2 cm. Os pequenos
sulcos apresentam uma largura de 1 a 2 mm, sendo o seu comprimento limitado pelas dimensões do próprio artefato, não
ultrapassando 5,6 cm. Os pequenos sulcos polidos ocorrem em todas as superfícies, sem nenhuma disposição definida, mas não
se entrecruzam.
MATÉRIA-PRIMA: serpentinita de coloração marrom escura.
3.4 OBJETOS PICOTEADOS E POLIDOS
• Mão de mó (vide Figura 14 j e 14 k)
TÉCNICA DE MANUFATURA: instrumento picoteado, semipolido e polido.
FORMA: plano principal:
trapezoidal, cilíndrico e quadrangular.
plano lateral:
geralmente retangular, raramente
trapezoidal; plano transversal:
redondo, ovalóide e eipsóide.
DIMENSÕES: o comprimento varia de 5,5 a 2,5 cm; a
largura, de 2,7 a 7,5 cm; e a espessura máxima, de 2,7 a 5 cm.
MATÉRIA-PRIMA: diorito de cor cinza clara e cinza escura.
USO: instrumento ativo: bater, esmagar, moer,
bater (?).
• Lâminas de pedra polida com garganta (vide Figura 14 a)
TÉCNICA DE MANUFATURA: lâmina semipolida e polida no gume.
Parcialmente lascada no gume para provável reutilização.
FORMA: plano principal:
bioconvexo;
plano lateral:
biconvexo;
plano transversal:
elipsoide.
O talão é levemente arredondado e o gume
A garganta encontra-se 3,5 cm abaixo do talão e tem uma profundidade de 0,6 cm e uma largura de 2 cm.
MATÉRIA-PRIMA: diorito de cor cinza clara.
USO: instrumento ativo: cortar, esmagar;
provável enacabamento.
OBS.: o exemplar descrito foi encontrado por um
dos moradores nas proximidades do sítio GO-RV-48, porém sem associação de outros
artefatos.
• Lâmina de pedra polida (vide Figuras 14 b, 14 c, 14 d, 14 e, 14 f, 14
g, 14 h e 14 i)
TÉCNICA DE MANUFATURA: lâmina picoteada, semipolida e polida,
principalmente na parte do gume. Alguns exemplares apresentam lascamento na
parte do gume para possível reutilização.
FORMA: plano principal:
trapezoidal;
plano lateral:
biconvexo;
plano transversal:
elipsóide.
O gume apresenta-se em forma de bisel
duplo que em alguns exemplares, está
bastante gasto pelo uso.
DIMENSÕES: o comprimento varia de 7 a 14,5 cm; a
largura de 3,5 a 6,5 cm; e a espessura máxima de 2,5 a 7,5 cm.
USO: instrumento ativo: cortar, esmagar. Em
alguns exemplares, nítidas evidências de
encabamento.
• Recipientes rasos (vide Figura 13 f)
TÉCNICA DE MANUFATURA: recipiente com bom alisamento em ambas as superfícies.
FORMA: Esses artefatos se assemelham a “pratos” e
“tigelas” rasas. O contorno é simples, a borda no plano horizontal é circular, o
ângulo de inclinação da parede varia de 23º
a 67º, o lábio é arredondado e a base aplanada. DIMENSÕES: o diâmetro da borda varia de 14 a 28 cm;
a profundidade, medida na parte interna, varia de 1,5 a 3,0 m; a espessura
predominante da parede é 1,5 cm, mas podem ocorrer também fragmentos com
espessuras de 2,5 cm.
MATÉRIA-PRIMA: serpentinita de cor cinza clara e esverdeada.
USO: desconhecido; devido à fragilidade e ao
baixo grau de dureza (1 na escala de Mohs) esses recipientes não permitem o seu
emprego em atividades que exigem a
aplicação de força vertical ou empregam elementos duros para esmagar ou triturar.
• Recipientes fundos (vide Figura 13 e)
TÉCNICAS DE MANUFATURA: recipiente com superfície externa picoteada
e com presença de diversas irregularidades.
FORMA: assemelha-se a uma “tigela” funda ou um
pequeno “pilão”. O contorno simples, o
ângulo da inclinação da parede varia de 67º a 90º, a forma da borda, no plano
horizontal, é circular ou levemente
elipsóide, o lábio redondo e a base arredondada.
DIMENSÕES: o diâmetro da borda varia de 20 a 24 cm. Os
fragmentos não permitem precisar a
profundidade dos recipientes, porém essa é
a maior entre os anteriormente descritos. A espessura da parede varia de 3,5 a 4,5 cm; e a da base pode atingir 4 a 9 cm.
MATÉRIA-PRIMA: serpentinita de cor cinza clara a cinza
esverdeada.
USO: desconhecido (vide recipientes rasos).
• Rodelas de fuso (vide Figura 13 h)
TÉCNICA DE MANUFATURA: objeto fusiforme, alisado em todas as superfícies, bem como na parte central do orifício.
FORMA: plano principal;
redondo ou levemente elipsoide;
plano lateral:
plano-convexo, elipsóide ou
aproximadamente retangular com bordos arredondados;
plano transversal:
plano-convexo, elipsóide ou
aproximadamente retangular com bordos arredondados.
DIMENSÕES: o diâmetro varia de 3 a 6 cm e a espessura, de 1,5 a 3,2 cm.
FORMA E DIMENSÕES
DO ORIFÍCIO: o orifício encontra-se na parte central. No
plano horizontal apresenta-se circular e em secção transversal, as paredes são convexas-côncavas ou paralelas, o diâmetro varia de 0,5 a 1 cm, e o seu peso varia de 24,4 a 127,5 gramas.
MATÉRIA-PRIMA: serpentinita de cor cinza clara e cinza
esverdeada. Provável peso empregado no
processo de fiar fibras vegetais.
• Objeto losangular
TÉCNICA DE MANUFATURA: objeto losangular com polimento em todas as superfícies.
FORMA: plano principal:
aproximadamente losangular com
uma de suas secções mais alongadas; plano lateral:
idem;
plano transversal:
circular.
DIMENSÕES: ao longo do eixo longitudinal a simetria é
perfeita; comprimento: 5,5 cm; largura
máxima: 3 cm; e largura mínima 0,7 cm. MATÉRIA-PRIMA: serpentinita.
USO: desconhecido.
OBS.: o artefato foi encontrado pelos moradores
no sítio GO-RV-72 em associação com
Figura 12. Objetos não transformados
Figura 13. Seixos
Figura 14. Lâminas
4 FUNÇÕES ATRIBUÍDAS AOS ARTEFATOS CERÂMICOS