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50 2 Articulação entre serviços públicos e institucionais

3. Alinhamento e empenho político bilateral para remover obstáculos legais existentes 4. Existência de programas de incentivos às empresas exportadoras mais eficazes 5. Reforço da equipa diplomática

6. Reforço da equipa técnica e respetivas competências 7. Autonomia de decisão dos serviços da embaixada 8. Dotação orçamental dos serviços da embaixada 9. Condições de resposta do Ministério da Economia

10. Condições de resposta do Ministério dos Negócios Estrangeiros

Para além das perguntas/respostas de carácter aberto, o questionário foi estruturado com um conjunto de afirmações cuja resposta tem cinco níveis possíveis, a saber:

Grau de concordância Nível atribuído

Discordo totalmente 1

Discordo 2

Não concordo, nem discordo 3

Concordo 4

Concordo totalmente 5

Quadro 3.1 Escala dos níveis de concordância do inquérito on-line 3.1 Avaliação das embaixadas

Começando pela avaliação dos resultados na ótica das embaixadas, é-nos possível aferir que a classificação global é de 4,02 com avaliações positivas em todas as perguntas colocadas:

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Em linha com as perceções obtidas em algumas entrevistas que fiz a alguns embaixadores, a avaliação dos resultados obtidos pela implementação desta nova política de diplomacia económica é bastante satisfatória, sendo que a vertente da informação disponilizada, do número de empresas envolvidas em missões e da intervenção diplomática na resolução de problemas legais que afetam as exportações portuguesas, foi o mais valorizado pelos nossos diplomatas. Aliás, o reforço das relações institucionais com as autoridades competentes em processos aduaneiros, como por exemplo a assinatura de acordos em matéria de azeite e produtos frutícolas para o Brasil, foi um dos aspetos qualitativos mencionados no inquérito que foi aplicado às embaixadas. Já a abordagem inovadora da promoção económica de Portugal no mercado local e a cedência de espaços das embaixadas para efeitos de promoção dos produtos portugueses, embora de nota positiva, obteve a pior classificação, aproximando-se de uma posição mais neutra (não concordo nem discordo). É também interessante fazer a análise do total de embaixadas quanto à avaliação que fazem dos resultados desta nova política. São três, aquelas que pontuam acima de 4,5 na globalidade, mais concretamente a embaixada da China (com nota máxima de 5,0) e ainda a Índia e a Colômbia com 4,5. Embora sem evidência científica, estes resultados podem sugerir que a pontuação é tanto mais alta quanto maior for a intensidade (e/ou recência) das visitas de altas figura de estado, dado que estes três países têm tido um foco muito intenso do governo de Portugal, com diversas visitas oficiais acompanhadas de missões empresariais, quer na ótica da internacionalização das empresas portuguesas, bem como na captação de investimento, sendo o caso da China o mais emblemático.

Ainda na análise dos resultados e percebendo agora a distribuição das opiniões entre as embaixadas auditadas, é fácil perceber que a percentagem de embaixadas que classificaram as afirmações sobre os resultados de “concordo totalmente” e “concordo” excede claramente os 50%, exceto na rubrica sobre o aumento do número de cedências dos espaços das embaixadas para efeitos de promoção dos produtos portugueses, que totaliza 50% de opiniões favoráveis.

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Finalmente e ainda à pergunta colocada às embaixadas sobre que balanço fazem da experiência vivida nos últimos dois anos do novo modelo de diplomacia económica, 20% assinala como muito positivo e 73% como positivo, sendo que apenas 7% respondem de forma mais neutra.

Quanto às necessidades identificadas para tornar a política de diplomacia económica mais eficiente, a tendência de opinião das embaixadas foi de carácter mais neutro, obtendo uma pontuação de global de 3,3. Como se pode verificar no gráfico seguinte, apenas o reforço da equipa técnica/comercial e respetiva dotação orçamental, obtiveram um grau de concordância mais assertivo (4,2 e 4,0 respetivamente). Sendo que em sentido inverso, as embaixadas tenderam a discordar quanto à necessidade de haver maior alinhamento e empenho político.

Ainda na análise das medidas a tomar para que os resultados possam vir a ser melhores, é bem visível a distribuição de opiniões concordantes e altamente concordantes nas rubricas da maior dotação orçamental (com 67%) e na necessidade de reforço da equipa técnico/comercial com 79% das embaixadas. De realçar ainda, que esta rubrica é a única que possui uma pontuação abaixo dos

Figura 3.3 Balanço do novo modelo de diplomacia económica – visão das embaixadas

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20% (14%, mais concretamente) da classificação “não concordo, nem discordo”, o que acentua ainda mais a maioria absoluta de opiniões favoráveis ao reforço das equipas técnicas.

Nas respostas qualitativas, as embaixadas selecionaram outras necessidades para que existisse uma melhoria nos resultados obtidos, tais como a abertura da representação do turismo de Portugal em alguns mercados. A necessidade de ter uma abordagem mais focada, setorial e com objetivos hierarquizados, para que se defina com o máximo de finura o que se pretende e o que se pode atingir em cada mercado. Maior rapidez de resposta e aprovação das propostas apresentadas pelas embaixadas a Lisboa. E finalmente, a necessidade de se encontrar agentes locais em alguns mercados que trabalhem e desenvolvam as marcar portuguesas.

Na sequência do novo modelo de diplomacia económica, foi também perguntado às embaixadas que descrevessem os casos de sucesso e insucesso dos últimos dois anos. Na vertente positiva e de forma global, apontaram os valores records de exportação e como isso tem sido um fator motivador para continuarem a apostar no caminho seguido. Em termos mais particulares destacam as apostas no vinho e no azeite, sendo os maiores destaques oriundos da Índia e do Brasil, onde existem sucessos evidentes da intervenção política e diplomática na redução das tarifas sobre as importações de vinho português, bem como o estabelecimento de um memorando de entendimento para validação de análises do azeite e dos produtos frutícolas. No caso do Brasil, a embaixada destaca a IDE da Embraer/cluster aeronáutico em Évora, bem como o aumento do apoio aos investimentos portugueses no Brasil. Existem ainda oportunidades em função do estágio de desenvolvimento de cada mercado, como é o caso da cooperação no setor da saúde na Líbia e Emirados Unidos. Em mercados mais próximos, como por exemplo na Irlanda, é destacado o sucesso das medidas locais para promover o turismo de Portugal.

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Os casos de insucesso relatados são essencialmente resultante do protecionismo e barreiras que determinados países fazem para impedir a exportação, como é o caso de peixe e laticínios no mercado Chinês ou dos vinhos nos Estados Unidos da América. As embaixadas destacam ainda a retração de algumas empresas portuguesas para o processo de internacionalização, bem como o desinteresse de algumas associações empresariais em Portugal de olharem para o mercado ou colaborarem com as embaixadas. Finalmente, apontam ainda o desinteresse ou a reduzida participação das maiores empresas desses países no processo de privatizações em Portugal.

3.2 Avaliação dos empresários

Tal como explicado no início deste capítulo, as empresas auditadas provêm da listagem que cada embaixada forneceu, fruto dos contatos diplomáticos dos últimos dois anos. Com este critério de escolha, existe a certeza de receber feedback de empresas que sentiram diretamente a aplicação da nova diplomacia económica e mais concretamente dos atores associados às embaixadas. Aos mais de cento e trinta contatos empresariais fornecidos pelas embaixadas, apenas quarenta e duas empresas responderam ao inquérito. Ainda que a amostra seja mais pequena do que o desejável, os dados disponíveis permitem cruzar perceções entre quem presta o serviço de diplomacia económica (as embaixadas e demais instituições governamentais) e para quem ele se destina (as empresas e os empresários). Assim, o inquérito aplicado às empresas é quase igual ao aplicado às embaixadas, excetuando as perguntas que as empresas não possuem meios para responder, concretamente sobre o aumento dos contatos bilaterais e a qualidade do business plan que as embaixadas receberam do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da AICEP.

Na avaliação global que as empresas fazem dos resultados obtidos, é interessante verificar que o nível de perceção é algo diferente (12% para pior) das embaixadas, com um resultado de 3,6 (vs. 4,02).

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Com exceção do número de cedências dos espaços das embaixadas (pouco pontuado pelas embaixadas e muito pontuado pelas empresas), a perceção das empresas é sempre pior, comparativamente à perceção das embaixadas, sendo que a intervenção diplomática na resolução de problemas legais que afetam as exportações portuguesas e a informação disponibilizada às empresas portuguesas, sobre oportunidades de negócio nesse país são as que maior diferença possuem entre as duas partes, 0,7 e 0,8 de diferença, respetivamente.

Quanto à distribuição das opiniões sobre os resultados alcançados, é perfeitamente evidente o efeito da resposta “não concordo, nem discordo” que naturalmente canaliza a média para muito próximo dos 3,0

O efeito da classificação neutra é ainda maior quando perguntado o balanço sobre os últimos dois