PERFORMANCE REPRODUTIVA E PERFIL METABÓLICO DE BORREGAS SUFFOLK SUBMETIDAS A TRATAMENTO COM PRODUTO
HIPERGLICEMIANTE NO INÍCIO DO ENCARNEIRAMENTO Resumo
No presente trabalho se observou a performance reprodutiva e o perfil metabólico de borregas Sulffolk submetidas a tratamento hiperglicemiante no momento do encarneiramento. O grupo experimental foi constituído de 43 borregas, mantidas durante o verão e outono em campo nativo e, durante o inverno e primavera seguinte, em pastagens de Azevém (Lolium perannum) e Aveia (Avena sativa). Todas as borregas tiveram o estro sincronizado utilizando pessários intravaginais contendo 10 mg de Medroxiprogesterona e mantidos por sete dias. No momento da retirada dos pessários, os animais foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Ao grupo tratamento (T), (n=19) foi administrado 100 ml via oral de um produto contendo 20% de Propilenoglicol, 70% de glicerol e 10% de veículo, enquanto o grupo controle (C) (n=24), foi mantido sem tratamento. O peso dos animais foi coletado aos 2, 4 e 6 meses de idade, a condição corporal (CC) e amostras de sangue foram coletadas aos 2,4,6,9 e 11 meses de idade. Os metabólitos pesquisados no soro dos animais foram beta-hidroxibutirato (BHB), colesterol, uréia, albumina e proteínas totais. O peso e a CC das borregas aumentaram respectivamente de 41,3 kg e 2,83, aos cinco meses antes do encarneiramento, para 56,57 kg e 3,03 no momento do encarneiramento. A porcentagem média de prenhez do grupo experimental foi de 38%. O número e porcentagem de prenhez dos grupos T e C foram 9 (47,3%) e 7( 29,6%) respectivamente, sugerindo que o tratamento empregado não aumentou o número de ovelhas prenhes (P> 0,05). Os valores plasmáticos de BHB mantiveram-se dentro dos padrões normais para a espécie, mostrando elevação no início do encarneiramento (0,336 mmol/L) e no final da gestação (0,445 mmol/L). O colesterol e a uréia mostraram seus menores valores de 43,12 mg/dL e 15,20 mg/dL nas amostra coletadas aos três meses antes do encarneiramento, sugerindo déficit protéico. Conclui-se que, no rebanho estudado, borregas acasaladas no primeiro ano de vida mostram baixa taxa de prenhez e que o uso de produto hiperglicemiante, próximo ao período de ovulação não foi capaz de aumentar a porcentagem de prenhez. A flutução nos valores plasmáticos de certos
metabólitos, relacionados com o metabolismo energético (BHB) e protéico (colesterol e uréia), em período crítico da vida reprodutiva indicam que ocorreu variação nutricional, oque poderá comprometer seu pleno desempenho reprodutivo.
Palavras-chave: borregas, eficiência reprodutiva, perfil metabólico,
REPRODUCTIVE PERFORMANCE AND METABOLIC PROFILE OF YEARLING SUFFOLK EWES TREATED WITH A GLICOGENIC DRENCH
AT RAM INTRODUCTION TIME.
Abstract
In this work the reproductive performance and plasmatic profile of yearling Suffolk ewes treated with a glucogenic drench at ram introduction time was studied. The experimental group was constituted of 43 yearling lambs, grazed during the summer/autumn on natural pastures and on improved pastures (Lolium perenne+ Avena sativa) at winter/spring time. All animals have their estrus synchronized with intra-vaginal sponges containing 10 mg of Medroxiprogesteron, for 7 days. At the removing of the sponges the experimental group was divided on two groups. Group T (n=19) was drenched with 100 ml of a mixture of Propylene glycol (20%) and glycerol (70%). The control group (C) was kept untreated. The body weight was estimated at 2,4 and 6 mouth of age. Body condition score (CS) and bood samples were collected at 2,4,6,9 and 11 mouths of age. The plasmatic profiles assayed were beta-hydroxy-butirate (BHB), cholesterol, urea, albumin and total protein. The yearling ewes weight and CS increased from 41.3 kg and 2.83 at five months before mating to 56,57 kg and 3,03 at mating time. The pregnancy rate of the experimental group was 38%. The number and pregnancy rate of the T and C groups were 9 (47,3%) and 7 (29,6%), respectively, suggesting that the treatment used did not improved the pregnancy rate. The plasmatic level of BHB found were in accord with normal level for sheep, showing a increase at the beginning of the mating time (0,336 mmol/L) and at the end of gestation period (0,445 mmol/L). The low plasmatic levels of cholesterol and urea (43.12 mg/dL and 15,20 mg/dL) on samples collected at three months before the ram introduction suggests a protein deficit in this period. It is concluded that in the yearling Suffolk ewes flock studied, mated in their first year of age a low pregnancy rate was observed and the oral drench with a glucogenic product did not increased the pregnancy rate. Furthermore, the fluctuation on plasmatic level of some metabolites related with energy (BHB) and protein (cholesterol and urea) metabolism, on critical reproduction periods, may have compromised the plain reproductive performance of yearling ewes.
Key words: yearling lambs ewes, reproductive performance, metabolic profile, propylene glycol/glycerol
Introdução
A obtenção de altos índices reprodutivos em ovinos depende de vários fatores como precocidade, prolificidade, longevidade reprodutiva e taxa de sobrevivência de cordeiros (OWEN, 1998). Em rebanhos puros, os criadores tentam acelerar a atividade reprodutiva expondo borregas ao encarneiramento já no primeiro ano de vida. Essa prática, muito utilizada em outros países, é recente em rebanhos brasileiros e seus resultados têm sido muitas vezes discretos com poucos registros na literatura.
Em estudos com rebanhos da raça Corriedale no Brasil, observando a idade e a estrutura dos rebanhos da região sul, Oliveira & Moraes (1991) concluíram que borregas devem ser tratadas diferentemente de fêmeas de outras categorias para que se consiga aumento da taxa de desmame.
Em estudo realizado em um rebanho Suffolk, na região Sudeste do país, Woehl et al. (1996) observaram que a idade média de borregas que conceberam no primeiro ano de vida foi de oito meses, com peso e escore corporais de 37,6 Kg e 3,3, respectivamente. Os autores afirmam ser possível antecipar a idade ao primeiro parto de borregas, sem prejuízos nas próximas estações reprodutivas.
A literatura tem registrado forte correlação entre o peso e a CC no encarneiramento com a prenhez, recomendando-se um melhor aporte nutricional (flushing) antes e durante o período do encarneiramento (RUSSEL, 1985; RIBEIRO, 2006). Smith (1988) menciona que mudanças nos níveis nutricionais podem influenciar todos os estágios da reprodução e o momento da ovulação é o mais importante deles. Segundo esse autor, é possível aumentar em 2% a taxa de ovulação para cada quilograma adicional no peso vivo das ovelhas.
Martin et al. (2004), mencionam que uma das vantagens dos pequenos ruminantes é que podemos aumentar ou diminuir sua taxa de ovulação manipulando sua dieta. Por exemplo, foi demonstrado que o oferecimento de tremoço a ovelhas por quatro dias, no estágio final do ciclo estral, leva a um aumento de 20 a 30% na freqüência de ovulações duplas (STEWART & OLDHAM, 1986). Mais recentemente, Rodriguez Iglesias et al. (1996), trabalhando na Argentina, verificaram que a administração oral de produto hiperglicemiante, no momento da retirada dos pessários vaginais impregnados com progesterona, levou a um aumento na taxa de ovulação.
Conforme citado anteriormente, há uma estreita relação entre o nível nutricional das ovelhas em períodos críticos, como encarneiramento e final da gestação, e entre a
eficiência reprodutiva. O monitoramento do estado nutricional das ovelhas pode ser feito através da avaliação da CC ou do peso corporal. Entretanto, Russel (1991) alerta que, no final da gestação, muitas vezes, uma redução na CC ou no peso pode ser notada tardiamente. Segundo esse autor, o método mais imediato de acessar o equilíbrio nutricional de ovinos em períodos críticos, seria a medida da concentração de determinados metabólitos na circulação.
Os objetivos deste estudo foram: (a) avaliar as variações de crescimento ponderal, peso e perfil metabólico de borregas Suffolk encarneiradas aos oito meses de idade e (b) verificar o efeito da administração, próximo ao momento da ovulação, de um produto comercial altamente glicogênico na eficiência reprodutiva de borregas.
Material e métodos
Animais – O grupo experimental foi constituído de 43 borregas puras da raça Suffolk nascidas em 2007, criadas na região do Planalto Médio do Rio Grande do Sul. O grupo foi mantido durante o verão e outono de 2008 em campo nativo e, durante o inverno e primavera seguinte, em pastagens de Azevém (Lolium peranum) e Aveia (Avena sativa). Todas a borregas foram identificadas com brincos onde constava o número, ano de nascimento e se as mesmas provinham de parto simples (s), duplo (d) ou triplo (t). O manejo sanitário seguiu recomendações convencionais como dosificação anti-helmíntica antes do encarneiramento e vacinação contra clostridiose.
Manejo reprodutivo – para este estudo, todas as borregas tiveram o estro sincronizado utilizando-se pessários intravaginais contendo 10 mg de Medroxiprogesterona (MAP) que foram mantidos por um período de sete dias, coforme protocolo já utilizado por Rodríguez Iglesias et al. (1996). No momento da retirada dos pessários, as borregas foram expostas a um carneiro para cada 10 fêmeas durante 45 dias, iniciando em 05 de abril de 2008.
Coleta de dados – as coletas de peso e CC e das amostras de sangue do grupo experimental foram realizadas conforme mostra a Tabela 1.
Tabela 1. Momento (idade/meses) em que foram coletados dados de peso, condição corporal (CC) e amostras de sangue para avaliação do perfil metabólico das borregas do experimento.
Idade (meses)
Atividade 0 2 4 6 9 11
Peso x x x x
CC x x x x x
Coleta sangue x x x x x
Avaliação da Condição Corporal (CC) - A avaliação foi feita seguindo o método proposto por Russel et al (1969), que consiste em verificar a quantidade de músculo e gordura que cobrem os processos dorsais e torácicos das vértebras lombares. Assim, foi usada uma escala de 1 a 5, onde um representa uma ovelha caquética e cinco uma ovelha obesa.
Tratamento – no momento da retirada dos pessários, o grupo experimental foi dividido aleatoriamente em dois grupos homogêneos quanto à CC e peso. O grupo tratado (T) recebeu uma dose oral de 100 ml de produto hiperglicêmico contendo 20% de Propilenoglicol, 70% de glicerol e 10% de veículo (q.s.p.). O grupo controle (C) foi mantido sem tratamento.
Diagnóstico de gestação - O diagnóstico de gestação foi realizado aos 50 dias após a retirada dos carneiros, sendo as fêmeas examinadas em estação, contidas em brete a 40 cm do chão. O exame foi realizado na região inguinal direita do animal com um aparelho de ultrassonografia Pie Medical equipado com um transdutor linear de 5,0 Mhz.
Perfil Metabólico - No momento das avaliações da CC, foram coletadas amostras de sangue, por punção da veia jugular, usando tubos vacutainer (Becton-Dickinson, Rutherford,NJ,USA) de 10 ovelhas de cada grupo, tomadas ao acaso. As amostras permaneciam à temperatura ambiente até a separação do coágulo, após era retirado o soro e armazenado em tubos Eppendorf de 1,5 ml, para posterior congelamento a -20ºC e envio ao laboratório. Os parâmetros metabólicos analisados e os métodos utilizados foram os seguintes: Beta-Hidroxibutirato (BHB) pelo método cinético enzimático (Randox Laboratories, UK), colesterol pelo método da colesterol esterase oxidase, uréia pelo método da urease, albumina pelo método do verde de bromocresol e proteínas totais pelo método do biureto.
Minitab 15.0 – Microsoft. Foram comparados os grupos de ovelhas vazias e gestantes, quanto à utilização ou não do tratamento, a partir do teste de Qui-quadrado. Foi utilizada análise de variância para determinar diferenças entre escores de CC e a concentração sangüínea dos componentes do perfil entre os grupos de ovelhas tratadas e não tratadas e entre os diferentes períodos.
Resultados
A Tabela 2 mostra os dados do peso e da CC das borregas antes do encarneiramento. Durante esse período houve um aumento gradativo do peso e CC dos animais. O peso médio do grupo, no momento do encarneiramento, (mês zero) foi de 56,57(±6,6) kg o que corresponde a 75% do peso médio das ovelhas adultas do rebanho.
Tabela 2. Média e desvio padrão da condição corporal (CC) e peso (kg) de borregas Suffolk antes do encarneiramento (N=43).
Meses antes do encarneiramento
5 3 0
Peso 41,3a ±8,3 46,41b ±9,1 56,57c ±6,6
CC 2,83 ±0,6 2,95 ±0,6 3,03 ±0,5
Letras diferentes na mesma linha indicam diferença significativa (p<0,05).
O número e porcentagem de prenhez das borregas dos grupos T e C é apresentado na Tabela 3. Do total de 43 borregas encarneiradas somente 16 (38%) conceberam. Destas, nove pertenciam ao grupo T e sete ao grupo C, valores sem significado estatístico. Os dados sugerem que o tratamento empregado não aumentou o número de ovelhas prenhes.
Tabela 3. Número e porcentagem de borregas Suffolk prenhes no grupo tratado (T) com substância glicogênica (Propilenoglicol 20% + Glicerol 70%) e no grupo controle (C).
Grupo Prenhes (%) Vazias (%) Total (n)
T 9a (47,36) 10a (52,63) 19
C 7a (29,16) 17a (70,83) 24
Total (n) 16 (38) 27 (62) 43
Letras diferentes na mesma coluna indicam diferença significativa (p < 0,05).
A Tabela 4 contém os valores de diferentes metabólitos e da CC das borregas, coletados desde o período que antecedeu o encarneiramento até o fim da gestação.
Os valores de BHB para o período que antecedeu o encarneiramento mostraram-se dentro dos parâmetros descritos para borregas no RS (RIBEIRO et al., 2003). Foi
observado, entretanto, uma elevação do valor desse metabólito (P<0,001) no período do encarneiramento, o que indica mobilização de gorduras. O nível plasmático de colesterol, embora tenha mostrado diferença significativa (P<0,001) entre as amostras coletadas aos cinco e aos três meses que antecederam o encarneiramento, apresentou valores que estão dentro dos padrões para a espécie. Os índices de uréia flutuaram, sendo notado um decréscimo acentuado entre a primeira e a segunda coleta e aumento próximo ao encarneiramento, o que indica um desregulação dos níveis protéicos nestes períodos. A albumina revelou valores sempre abaixo ou próximo do limite mínimo sugerido por AITKEN (2007), chegando a valores normais apenas no momento do encarneiramento (P<0,001). Os níveis de proteína total, apesar de manterem-se próximos ou dentro da normalidade, mostraram um incremento no valor referente à amostra coletada no período do encarneiramento.
Não foram observadas diferenças significativas entre os valores médios de CC e metabólitos no soro de borregas no início da gestação e de ovelhas vazias (Tabela 4). Os valores dos metabólitos mantiveram-se dentro dos padrões normais para ovinos. Finalmente, os dados mostram que a CC média das borregas prenhes não indicam diferença significativa ao longo da gestação, mantendo-se sempre acima de 3,0. Entretanto, foram observados aumentos nos valores séricos do BHB, colesterol e uréia (p<0,001).
Tabela 4. Média e desvio padrão da condição corporal (CC) e perfil metabólico de borregas Suffolk, antes do encarneiramento e na gestação.
Meses antes do Encarneiramento Gestação
5 3 0 Início Fim
Prenhes (16) Vazias (26) Prenhes (16)
CC 2,83±0,6 2,95±0,6 3,03±0,5 3,37±0,40 3,29±0,5 3,46±0,42 ß-hidroxibutirato (mmol/L) 0,249a±0,062 0,246a±0,072 0,336b±0,077 0,286a±0,09 0,297a±0,10 0,445b±0,112 Colesterol (mg/dL) 60,94a±14,85 43,12b±8,0 58,71a±12,14 54,64a±10,4 52,75a±8,43 68,17b±14,02 Uréia (mg/dL) 32,97a±10,32 15,20b±3,15 46,08c±5,98 44,71a±5,99 45,94a±10,31 59,19b±6,01 Albumina (g/L) 26,07a±2,65 24,37a±4,17 28,97b±3,23 31,14a±2,14 30,21a±3,38 31,83a±2,06 Proteínas totais (g/L) 57,7a±6,2 63,1ab±13,8 70,1b±9,7 66,40a±10,0 68,5a±10,8 70,4a±7,0 ( ) = n
Discussão
No presente trabalho foi observado o peso e a CC de borregas Suffok dos dois meses de idade até o encarneiramento. Os dados mostram que houve um desenvolvimento marcante dos animais, que atingiram o período de encarneiramento com 56,5kg e CC ao redor de 3,0. Woehl et al. (1996) observando rebanho Suffolk no Paraná, citam peso médio e CC de 47,2kg e 3,0 para borregas que conceberam no primeiro ano de vida, portanto inferior ao observado no presente estudo. Os dados mostram também que houve um aumento no peso das borregas especialmente nos três meses antes do encarneiramento, quando o peso médio variou de 46, 41kg para 56,57kg.
O aumento no peso corporal ou na CC, no período anterior ao acasalamento é altamente desejado em ovinos e deveria levar a um aumento na taxa de ovulação, que resultaria num aumento na porcentagem de ovelhas fertilizadas e um incremento na prolificidade. Entretanto a taxa de prenhez observada nos dois grupos foi de somente 38%, considerada baixa para animais geneticamente selecionados e com desenvolvimento corporal apropriado.
A taxa de concepção em cordeiras, referida por uma série de autores (GORDON, 1967; DYRMUDSSON, 1973; EDEY et al., 1978) situa-se entre 20 a 40% inferior a observada em ovelhas adultas que é de 92%. Seguindo esse raciocínio, a taxa de concepção encontrada para borregas no presente trabalho (38%) estaria bem próxima da porcentagem de 40%, que seria a máxima citada para esta categoria.
A administração de substância glicogênica (Propilenoglicol 70% + Glicerol 20%) no momento da retirada dos pessários não levou a um aumento na porcentagem de ovelhas prenhes, embora a porcentagem de ovelhas prenhes no grupo T fosse de 47,36%, contra 29,16% do grupo C. Pode-se especular que o reduzido número de animais no grupo experimental (n=16) não permitiu evidenciar diferença estatisticamente significativa.
O aumento na taxa de ovulação pela administração de substância glicogênica próximo ao momento da ovulação, segundo Rodrigues Iglesias et al. (1996), estaria relacionado a um maior aporte de glicose próximo do pico de LH. No presente estudo, o nível plasmático do BHB, no momento do encarneiramento, experimentou uma elevação significativa, indicando desbalanço energético, o que leva a metabolização de gorduras. Além disso, o nível plasmático de uréia aos três meses antes do encarneiramento foi bastante baixo (15,20 mg/dL) o que indica deficiência protéica no
período, o que poderia ter causado um atraso no desenvolvimento ovariano, prejudicando a taxa ovulatória.
Os níveis de albumina mantiveram-se sempre abaixo ou próximos do limite mínimo para a espécie (AITKEN, 2007), chegando a valores normais apenas no momento do encarneiramento, o que sugere, mais uma vez, uma crise de aporte de proteína procedendo ao período reprodutivo. Assim, é possível que a administração do produto glicogênico não fosse capaz de suprir o desbalanço energético. Ainda, como foi sugerido acima, a baixa ingestão de proteína nos meses que antecederam ao encarneiramento poderia ter contribuído para anular o efeito hiperglicemiante em aumentar a taxa de ovulação e conseqüentemente a taxa de prenhez, indicando que na propriedade deve haver um maior cuidado no manejo nutricional do rebanho durante a gestação.
Os dados de perfil metabólico durante a gestação mantiveram-se dentro dos valores normais para ovinos e a CC das borregas durante a gestação manteve-se crescente e sempre acima de 3,0. No final da gestação foi observado um aumento no nível plasmático do BHB, causado por maior demanda energética para manutenção do crescimento fetal, que ocorre nesse período.
O nível plasmático de metabólitos seria um bom parâmetro para estimar o estado nutricional de borregas no período gestacional. Na ovelha, concentrações plasmáticas de BHB entre 0,700 e 1,094 mmol/L, nas últimas seis semanas de gestação, não levariam a redução do peso ao nascer de cordeiros ao ponto de comprometer sua sobrevivência ou mesmo o seu desenvolvimento. Os valores de BHB no final da gestação, observados no presente estudo (0,445 mmol/L), situam-se abaixo dos referidos por Russel et al. (1977), mas próximo aos obtidos por Ribeiro (2002), que foram 0,336 mmol/L, em ovelhas mantidas a campo no RS e pelos valores médios encontrados por Brito (2004) em ovelhas leiteiras, no final da gestação que apresentaram índice de 0,380 mmol/L.
Os dados aqui apresentados mostram que no rebanho estudado, borregas acasaladas no primeiro ano de vida mostraram uma baixa taxa de prenhez. O uso de produto hiperglicemiante, próximo ao período de ovulação não foi capaz de aumentar a porcentagem de ovelhas prenhes. Os valores de certos metabólitos relacionados com o metabolismo energético e protéico em períodos críticos da vida reprodutiva das borregas poderão ter comprometido seu pleno desempenho reprodutivo. Novos trabalhos com borregas deverão ser conduzidos para verificar o efeito de produtos
semelhantes e dos desbalanços metabólicos aqui apontados, sobre a eficiência reprodutiva desse grupo de animais.
Referências
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