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Artigo 3 Produtividade e características das frutas de araçazeiro

Resumo

Produtividade e características das frutas de araçazeiros amarelos de 34 progênies oriundas da região Sudeste do Rio Grande do Sul

O objetivo para este trabalho é a obtenção de seleções promissoras de araçazeiro amarelo para que após mais avaliações, possam ser obtidas novas cultivares para plantios em pomares comerciais na região Sudeste do Rio Grande do Sul. Foram selecionadas 34 genitoras encontradas em ambiente natural em cinco municípios do sul do Rio Grande do Sul. Quinze mudas por progênie dos 34 acessos foram plantadas para avaliação em experimento no pomar do Centro Agropecuário da Palma-UFPel. Utilizou-se delineamento em blocos completamente casualizados com cinco repetições de três plantas da mesma progênie por parcela. Oito meses depois do plantio, as plantas iniciaram a floração e a frutificação. Após o final da floração, em início de janeiro fez-se a contagem das frutas por planta. Quando iniciou a maturação das frutas, procedeu-se a colheita de duas a três vezes por semana, pesagem e avaliação das frutas quanto ao diâmetro, comprimento, e aparência. No início do segundo ciclo de produção as plantas estavam com idade de 18 meses após plantio no pomar. No segundo ciclo de produção (2016/2017), a produtividade foi avaliada apenas pelo número de frutas por planta contadas em janeiro de 2017. Houve diferenças significativas (α≤0,05) entre as progênies, no primeiro ciclo de produção (2015/2016) quanto ao: número de frutas por planta; peso médio (g) das frutas, produtividade, diâmetro e comprimento das frutas. Devido a grandes variações entre os dados, resultando em altos coeficientes de variação, os resultados do número de frutas são de baixa consistência, nos dois ciclos de produção. Entretanto, as diferenças entre as progênies quanto ao peso, diâmetro e altura das frutas houve diferenças entre progênies. Por outro lado, o °Brix, pH, acidez titulável, e rendimento de polpa, devido à pouca quantidade ou ausência de frutas colhidas por data, foi necessário o armazenamento em freezers para atingir o volume necessário para análises dessas variáveis. Os resultados dessas análises podem ter sido influenciados pelo congelamento, portanto foram desconsiderados na comparação entre progênies. Cinco seleções promissoras foram obtidas as quais precisam ser melhor avaliadas usando plantas maduras, e avaliações quanto à composição química, valores nutracêuticos e medicinais. Portanto conclui-se que: houve relação entre o diâmetro máximo e altura nas frutas das plantas das progênies avaliadas; o tamanho e o número de frutas, produzidas no primeiro ciclo e segundo fluxo de produção do primeiro ano das plantas no campo e o número de frutas por planta no primeiro fluxo do segundo ciclo produtivo foram muito variáveis, mesmo entre plantas da mesma progênie; com a variabilidade da fenologia da floração e produtividade, foi possível selecionar cinco progênies promissoras que deverão ser melhor caracterizadas com mais idade, avaliando características como pH, °Brix, acidez titulável, vitamina C, e outros parâmetros.

Palavras chave: melhoramento genético; Psidium cattleyanum; frutífera nativa; myrtaceae.

Abstract

Productivity and fruit characteristics on 34 progenies of yellow cherry guava from the Southeast of Rio Grande do Sul.

Progenies of yellow cherry guava were evaluated with the objective of obtaining new selections with potential to be released as cultivars in the future. Seedlings originated from seeds from 34 trees found in natural environment conditions kept in a greenhouse until reach a height of 25 ± 3 cm when were selected aiming maximum uniformity, and planted in an experiment under field (orchard) conditions at Fazenda da Palma Experimental Station–UFPel. When the plants were eight months old in the orchard, blooming started. At about six months later started the fruit ripening. These were collected, weighted, measured (diameter and length), and were observed visually about their appearance. There were detected significant differences among progenies for: number of fruits; productivity in g/plant; weight; diameter and length of fruits. Significant differences between fruit number since the coefficient variation (CV) was 15.86%. In the second cycle of production, it was not repeated the same observation as used in the first cycle, and only the fruit number per tree were counted. There were differences about fruit number per plant among progenies. However the CV was 46.55, therefore the results were not consistent. Five new selections were chosen, which have to be better evaluated using older plants and subjected to chemical analysis of the fruits about pH, titratable acidity, total soluble solids, vitamin C and other parameters that could be important.

Keywords: breeding; Psidium cattleyanum; native fruit tree; myrtaceae.

4.3.1. Introdução

No Brasil, o araçazeiro (Psidium cattleyanum), pertencente à família Myrtaceae, ocorre desde o estado da Bahia até o Rio Grande do Sul, podendo atingir altura de três a seis metros (LEGRAND, 1968; LORENZI, 2002). A importância econômica do araçá amarelo, é atribuída à qualidade da fruta, quanto as propriedades medicinais e nutracêuticas, e possibilidade de industrialização na forma de sorvetes, geleias, sucos, licores, doce de polpa (araçazada) (BACKES,

2002). A casca da árvore possui tanino e a raiz apresenta propriedades antidiuréticas (PIO CORREA, 1984; LORENZI et al., 2006; SUGUINO et al., 2006).

As frutas de Psidium cattleyanum caracterizam-se por serem do tipo baga, com formato globoso, podendo ter forma redonda, redonda-achatada, oblonga ou piriforme, de tamanho variável, com casca de cor amarela, vermelha ou roxa (MATTOS, 1989;MIELKE et al., 1990). Em trabalhos realizados em Pelotas/RS, pela Embrapa Clima Temperado, foram observadas produções de 1,8 a 4,9 kg/planta em araçazeiros com idades de três a quatro anos (RASEIRA; RASEIRA, 1996).

Segundo João et al. (2002), baseado nos dados do levantamento da fruticultura comercial do Rio Grande do Sul, a cultura do araçá apresentou produção de 3 toneladas em 2001. Para esta espécie foi lançada a cultivar Ya-cy da Embrapa Clima Temperado, Pelotas/RS, resultado de seleção de genótipos do banco ativo de germoplasma localizado nessa instituição, sendo uma alternativa interessante para fruticultores devido ao potencial produtivo (4kg por planta), tamanho de fruta e sólidos solúveis totais (FRANZON et al., 2009). Com este trabalho teve-se por objetivo de avaliar a produtividade e as características físico-químicas das frutas de 34 progênies de araçazeiro amarelo (P. cattleyanum Sabine) no primeiro ano produtivo após plantados a campo, para futuros estudos de maneira a selecionar acessos (progênies) promissores para lançamento de cultivares.

4.3.2. Material e métodos

Plantas de araçazeiro amarelo (P. cattleyanum Sabine) procedentes de sementes de genitoras encontradas naturalmente a campo em áreas dos municípios de Santa Vitória do Palmar, Rio Grande, Arroio Grande, Pelotas, e Capão do Leão, foram implantadas em experimento localizado no pomar do Centro Agropecuário da Palma-UFPel. As plantas possuíam idade aproximada de 18 meses quando realizado o plantio na área experimental.

O experimento foi instalado segundo delineamento em blocos completamente casualizados com cinco repetições (blocos) e parcelas com três plantas. Assim,

foram plantadas em filas (blocos) segundo o espaçamento de 2,5m x 0,5m. Numa faixa de 1,20m nas filas foi colocado mulching plástico preto, ficando as plantas nas filas centralizadas na referida faixa. As plantas receberam irrigação por gotejo com espaço de 50cm entre gotejadores distribuídos entre as plantas nas filas.

Cada muda foi plantada juntamente com o substrato do pacote, adicionado de 300g de vermicomposto em cada cova. No final de julho de 2016, surgiram as primeiras flores, tendo a floração em plantas prolongada até meados de novembro daquele ano. No mês seguinte, observou-se a emissão de novos brotos nos quais apareceram novos botões florais em fase inicial.

No início de janeiro de 2016, iniciou a maturação e colheita das primeiras frutas. Duas a três vezes por semana realizou-se colheita, pesagem e anotação de alguns aspectos das frutas (cor, forma e sanidade). A colheita ocorreu até início de junho de 2016 (final do ciclo 2015/2016). As contagens das frutas nas plantas foram realizadas no início de janeiro nos dois ciclos, sendo que no primeiro ciclo foram contadas as frutas dos dois fluxos de produção, e no segundo ciclo somente as frutas do primeiro fluxo de produção.

As frutas coletadas no primeiro ciclo de produção das plantas foram mantidas congeladas após serem pesadas e medidas quanto ao diâmetro e comprimento, e no final da colheita foram utilizadas 30 frutas de cada progênie (acesso) para as seguintes avaliações: peso médio por fruta; peso de 50 sementes; número médio de sementes por fruta; rendimento de polpa/100g de fruta; e medida do epicarpo + mesocarpo.

4.3.3. Resultados e discussão

Observa-se na Tabela 4 que houve diferenças significativas de produtividade média em número de frutas entre progênies no primeiro ciclo. No primeiro ano (ciclo 2015/2016), o que também ocorreu no segundo semestre de 2016. No primeiro ciclo (2015/16) houve muita variação dos dados (Tabela 1), tendo alto valor no coeficiente de variação (CV= 56,13%). Esse fato faz com que se considere muito baixa a

confiabilidade dos resultados. A variação é visível mesmo só verificando as diferenças entre as médias.

No segundo semestre de 2016 (ciclo 2016/2017), também ocorreu grande variabilidade entre os resultados (Tabela 2). Quatro acessos (A22; A09; A24; e A29) foram os que tiveram mais altas médias de número de frutas por planta, não havendo diferença significativa entre os mesmos, sendo A22 a que teve maior número de frutas por planta. Entretanto, também nesse segundo período produtivo, o coeficiente de variação foi muito alto, logicamente que houve grande variabilidade nos resultados que os torna pouco confiáveis. Mas, por outro lado, mesmo sem comparação com base estatística, observa-se o aumento do número médio de frutas por planta. No segundo ciclo, isso parece fato normal, pois o aumento da idade e principalmente pelo maior tamanho das plantas, o potencial produtivo aumentou. Entretanto como não era o objetivo comparar a produtividade de um ciclo com o outro, não havia motivo de analisar estatisticamente para comparar um ciclo de produção com o outro.

Se considerarmos o peso médio das frutas do ciclo anterior (2015/16), pode- se calcular que se colhidas todas as frutas contadas por planta, obter-se-ia produtividades altas, se comparadas com a literatura (RASEIRA; RASEIRA, 1996).

Quanto ao peso médio das frutas produzidas no ciclo 2015/2016 (primeira produção das plantas) verificou-se que próximo a 40% das progênies (13 acessos) produziram frutas significativamente maiores do que 21 progênies, as quais não apresentaram diferenças estatísticas entre si (Tabela 3). Neste caso, o coeficiente de variação foi de 15,86%. Entretanto, de modo geral, as frutas foram relativamente pequenas, se considerado que em trabalho com seleções de araçazeiro amarelo, o peso médio geral das frutas atingiu de 15 a 20g (RASEIRA; RASEIRA, 1996). Entretanto, os autores não referem a idade das plantas que produziram frutas com esses pesos médios. Não foram encontradas referências bibliográficas sobre a influência da idade das plantas no peso médio ou tamanho das frutas que produzem, mas em outras frutíferas como a macieira, o tamanho das frutas é geralmente maior em plantas novas. Assim não se pode afirmar que as frutas relativamente pequenas produzidas pelas progênies testadas neste trabalho, seja devido à pouca idade das plantas. Popenoe (1920) relata que as plantas de araçazeiro produzem poucas

frutas no segundo ou terceiro ano após o plantio, e que o crescimento das plantas é lento. Em consequência disso, este autor relata que boas colheitas não podem ser esperadas até que as plantas atinjam cinco ou seis anos de idade.

Houve correlação positiva significativa (p≤0,01) entre diâmetro médio e altura média das frutas de todas as progênies (Tabela 4), o que permite sugerir que no geral, para as 34 progênies há uma tendência das frutas serem redondas. Entretanto, considerando o diâmetro e altura das frutas isoladamente para um grupo de progênies, podem ser usados em alguns casos para caracterizar a forma das frutas. Isso pode ser observado nas progênies A09, A22, A28 e A29, que produziram frutas com formato piriforme com maior comprimento que diâmetro comparando com as demais progênies que possuem formato arredondado (Tabela 4). Esses acessos provavelmente são da espécie, citada por Mattos (1989), P. cattleyanum var. litorrale (Raddi). As frutas das progênies 31, 32, 33 e 34, também podem ser destacadas por terem formato achatado e pouca diferença entre diâmetro e comprimento em relação às demais progênies (Tabela 4). A relação entre diâmetro e comprimento com todas as progênies pode dificultar a observação, uma vez que havendo poucas progênies com frutas piriformes, a diferença fica diluída no total. Portanto, seria interessante separar as que visualmente são diferentes para analisar criteriosamente. Como exemplo, separar as de frutas piriformes e verificar quais destas possuem características importantes para seleção, e realizar o mesmo com as progênies de frutas redondas.

Outras observações quanto às características das frutas como °Brix e acidez julgou-se inconsistentes, tendo em vista que as frutas colhidas permaneceram congeladas por cerca de três meses, o que se considera fato negativo, já que não há informações sobre a ocorrência de mudanças, principalmente quanto à acidez da polpa. A pouca idade e primeiro ano de produção das plantas provavelmente influenciaram no longo período de colheita das frutas, com poucas frutas por data de colheita, acarretando em pouco material disponível por data, sendo necessário congelamento das frutas até atingirem número suficiente para avaliações no laboratório. Além disso, as análises foram realizadas em grupos de 30 frutas colhidas por progênie e não por parcela de três plantas. Portanto, os dados são apenas para dar uma noção dos níveis de °Brix e de acidez das frutas de cada

progênie. Em geral o pH foi em torno de 3,5 para todas as progênies. Por outro lado, os níveis de açúcares das frutas, variaram bem mais, entre 9 e 13 °Brix. Infelizmente os dados em °Brix, pH e acidez titulável do suco não puderam ser utilizados, pelas razões anteriormente mencionadas, pois que aparentemente seriam importantes nas comparações entre as progênies. Entretanto, os dados de rendimento de polpa, número de sementes por fruta, peso de 50 sementes e medida do epicarpo + mesocarpo servem de informação complementar (Apêndice J).

Observações preliminares quanto ao comprimento e largura das folhas, possibilitaram detectar que existem variações na forma e tamanho das folhas entre as progênies. Entretanto, essa variável deveria ser medidas em folhas de plantas adultas, uma vez que as características das folhas de plantas novas mudam com o amadurecimento (envelhecimento) das plantas, pois plantas juvenis mudam caracteres quando passam para a fase adulta (TAIZ; ZEIGER, 2002).

Selecionaram-se cinco progênies com características interessantes. Os acessos A26, A30 e A36 foram selecionados pelo sabor, tamanho e peso médio das frutas, sementes pequenas, rendimento de polpa e produtividade em número de frutas (segundo ciclo de produção), enquanto que os acessos A22 e A29 foram selecionados pela forma piriforme das frutas, sabor, sementes pequenas, e produtividade em número de frutas (segundo ciclo de produção).

4.3.4. Conclusões

Existe relação entre o diâmetro e a altura média nas frutas das progênies, mas a forma das frutas pode ser melhor caracterizada separando em grupos com frutas medidas e de maneira visual.

O tamanho e o número de frutas produzidas no primeiro ciclo e segundo fluxo de produção do primeiro ano das plantas no campo e o número de frutas por planta no primeiro fluxo do segundo ciclo produtivo são muito variáveis, mesmo entre plantas de mesma progênie.

Mesmo com a variabilidade da fenologia da floração e produtividade, é possível selecionar cinco progênies promissoras (A22; A26; A29; A30; e A36) para futuras cultivares.

As plantas avaliadas possuem aproximadamente dois anos de idade no pomar. Para melhores resultados, plantas com cinco a seis anos de idade pós- plantio possivelmente fornecerão dados mais consistentes.

Referências bibliográficas

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TAIZ, L.; ZEIGER, E. Plant physiology. 3.ed. Sunderland: Sinauer Associates, 2002. 690p.

Tabela 1. Número médio de frutas (primeiro ano de produção), produtividade por planta, e produtividade estimada por hectare de progênies de araçazeiro amarelo. Pelotas/RS, 2017.

Acesso Número médio de frutas por planta

Produtividade por planta

(g)

Produtividade estimada por hectare** (Kg ha-1) A10 68,47 a* 670,85 a 1677,13 A06 54,93 a 578,74 a 1446,85 A04 53,53 a 507,59 a 1268,98 A37 49,27 a 498,63 a 1246,58 A27 48,00 a 473,19 a 1182,98 A24 43,93 a 404,22 a 1010,55 A20 41,67 a 403,88 a 1009,70 A15 41,40 a 435,85 a 1089,63 A23 41,20 a 384,48 a 961,20 A35 39,33 a 461,31 a 1153,28 A21 38,73 a 373,98 a 934,95 A05 38,07 a 373,49 a 933,73 A12 37,27 a 344,51 a 861,28 A08 35,00 a 374,52 a 936,30 A16 34,67 a 366,48 a 916,20 A25 33,67 a 382,50 a 956,25 A11 31,00 b 341,00 a 852,50 A28 30,87 b 269,62 b 674,05 A13 30,60 b 317,45 a 793,63 A29 28,33 b 241,63 b 604,08 A07 26,67 b 254,13 b 635,33 A09 26,47 b 209,42 b 523,55 A30 26,40 b 313,01 a 782,53 A17 24,33 b 253,14 b 632,85 A26 21,60 b 243,25 b 608,13 A19 21,53 b 217,05 b 542,63 A22 21,53 b 183,89 b 459,73 A18 21,47 b 207,73 b 519,33 A31 20,47 b 178,59 b 446,48 A36 19,73 b 256,44 b 641,10 A14 10,93 b 121,92 b 304,80 A33 10,40 b 97,18 b 242,95 A32 8,87 b 73,16 b 182,90 A34 4,13 b 18,65 b 46,63 CV 15,86% 56,13%

(*) Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste Scott & Knott (p≤ 0,05).

A22 280,8 a* A09 265,8 ab A24 257,2 bc A29 254,2 bc A11 238,0 cd A05 231,8 d A14 228,6 de A10 226,6 de A04 224,8 de A06 213,2 ef A36 211,0 ef A30 202,6 f A26 201,6 f A23 199,8 f A37 194,8 fg A07 194,4 fg A15 194,4 fg A17 194,2 fg A28 193,0 fg A12 192,4 fg A13 189,8 fg A08 181,4 g A18 181,0 g A19 178,8 g A27 170,4 gh A35 160,4 h A20 159,6 h A21 142,8 i A25 138,8 i A16 136,8 i A32 120,2 j A34 116,6 jk A33 108,2 jk A31 104,8 k CV 46,55%

(*) Médias seguidas com mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo Teste de Tukey (p≤ 0,05)

Tabela 3. Peso médio das frutas de progênies de 34 acessos coletados em diferentes localidades na região Sudeste do Rio Grande do Sul, Pelotas/RS, 2017.

Acesso Peso médio

(g) A36 12,87 a* A14 12,85 a A30 12,27 a A35 12,02 a A25 11,73 a A16 11,66 a A26 11,66 a A11 10,97 a A13 10,84 a A07 10,82 a A15 10,77 a A08 10,74 a A17 10,65 a A20 10,51 b A06 10,41 b A18 10,39 b A04 10,22 b A37 10,15 b A10 10,15 b A27 10,03 b A05 9,95 b A31 9,95 b A19 9,92 b A21 9,88 b A12 9,50 b A24 9,38 b A33 9,36 b A23 9,30 b A34 9,26 b A29 9,04 b A28 8,69 b A22 8,63 b A32 8,23 b A09 7,55 b CV 15,86%

(*) Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste Scott & Knott (p≤ 0,05).

Acesso médio (cm) (cm) A36 2,85 a* 3,13 a A14 2,75 a 3,00 a A30 2,85 a 3,08 a A35 2,81 a 3,11 a A25 2,72 a 3,07 a A16 2,70 a 2,97 a A26 2,71 a 3,01 a A11 2,77 a 3,02 a A13 2,70 a 2,93 a A07 2,64 a 2,94 a A15 2,67 a 2,87 a A08 2,66 a 2,93 a A17 2,64 a 2,87 a A20 2,63 a 2,86 a A06 2,70 a 2,94 a A18 2,86 a 3,13 a A04 2,62 a 2,89 a A37 3,01 a 2,98 a A10 2,65 a 2,94 a A27 2,70 a 2,93 a A05 2,64 a 2,84 a A31 2,63 a 2,62 b A19 2,68 a 2,91 a A21 2,52 b 2,80 a A12 2,53 b 2,78 a A24 2,59 a 2,83 a A33 2,31 b 2,30 b A23 2,67 a 2,91 a A34 2,55 b 2,57 b A29 2,48 b 3,24 a A28 2,25 b 3,05 a A22 2,25 b 2,92 a A32 2,32 b 2,36 b A09 2,36 b 2,69 b CV 9,94% 9,11%

(*)Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste Scott & Knott (p≤ 0,05).

5. Considerações finais

Atualmente, existem apenas duas cultivares de araçazeiro lançadas na região Sudeste do Rio Grande do Sul. São as cultivares Ya-cy (produtora de frutas amarelas) e Irapuã (produtora de frutas vermelhas). Foram lançadas pela Embrapa Clima Temperado, comprovadamente pela excelência em sabor, tamanho de semente, produtividade, tamanho da fruta, °Brix e acidez. O estudo para lançamento dessas cultivares foi importante para valorização de espécies nativas no Brasil; contribuir para o conhecimento do araçazeiro; e para a utilização como alimento e por suas propriedades nutracêuticas e medicinais.

A obtenção de novas cultivares, produtivas e com frutas de boa qualidade, a partir de genitoras encontradas no ambiente natural, é importante para a evolução desta espécie como cultura, principalmente para a implantação de pomares comerciais. Um aspecto importante é a determinação do grau de apomixia das genitoras e de seleções de progênies destas, pois que com alto grau ou totalmente apomíticas, as seleções e cultivares poderão ser multiplicadas por semente, tendo em vista que a propagação assexuada do araçazeiro tem sido difícil e com resultados muito insatisfatórios e variáveis. Essa determinação do grau de apomixia de plantas encontradas no meio natural, como de cultivares e seleções existentes ou novas é inclusive importante para gerar conhecimentos básicos para obtenção de material genético. Materiais genéticos com menor grau de apomixia possivelmente terão descendentes com maior variabilidade que é importante para a seleção de cultivares alternativas, uma vez que se forem altamente ou totalmente apomíticas as chances de obtenção de novas cultivares é menor.

O tempo disponível para a realização deste trabalho foi insuficiente para a obtenção de resultados mais consistentes. Desde a seleção das genitoras, coleta e

germinação das sementes, formação das mudas, plantio do experimento e início da primeira florada, foram gastos aproximadamente dois anos e meio. Enquanto que a colheita das frutas desse primeiro ciclo produtivo terminou quando as plantas estavam com três anos. Assim, no ciclo 2016/2017, apenas foi possível fazer as observações fenológicas da floração, enquanto que a produtividade, apenas pôde ser avaliada pelo número de frutas por planta, mas não houve tempo para a colheita e avaliação das frutas. Entretanto, mesmo com a insuficiência de tempo de avaliação das progênies, o trabalho foi interessante, pois foi formada uma base para continuidade das avaliações com plantas com idade de cerca de três anos após o plantio no pomar. Portanto, dados mais uniformes das variáveis utilizadas na avaliação das progênies poderão até mesmo levar ao lançamento de alguma(s)

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