Um conjunto de sete artigos foi localizado na temática, equipamentos Celulares em atividades educativas. Os artigos foram encontrados na Iª e IIª edições do TICEDUCA e na IXª edição do ENPEC. Artigos relacionados ao uso de Aparelhos Celulares em atividades educativas:
ANO TITULO DO ARTIGO NOME
2010 Enquadramento teórico para a integração de tecnologias móveis em contexto educativo
Moura e Carvalho
Telemóvel6 I TICEDUCA 2012 As tecnologias móveis no ensino da
multimédia
2012 As tecnologias móveis no processo de ensino e aprendizagem da língua inglesa: um
2012 O uso de dispositivos móveis durante a aula:
analise de um recorte da realidade de 2012 Tecnologias Móveis com conexão sem fio na
Escola e a Organização do Trabalho
QUADRO 8 - ARTIGOS SOBRE TECNOLOGIAS MÓVEIS FONTE: O AUTOR, 2014.
Moura e Carvalho (2010) avaliaram como os estudantes aprendem em atividades com suporte de tecnologias móveis visando à melhoria do processo de ensino e de aprendizagem ou como essas tecnologias podem promover o sucesso educativo. Para as pesquisadoras os dispositivos móveis que andam nos bolsos dos estudantes podem fazer parte das práticas pedagógicas, substituindo as políticas de proibição, por ter tamanho reduzido esses dispositivos podem ser levados para diferentes locais promovendo a interação social, a troca de dados e a colaboração com outros utilizadores.
A pesquisa das autoras foi fundamentada no paradigma educacional mobile learning (m-learning) que é a conjugação de um estudante atuante a um artefato móvel usado como ferramenta de apoio ao ensino, mediado pela ação pedagógica, que de forma interativa leva à interiorização de conhecimentos novos ressignificando o uso do Celular e exploraram experiências de integração no ambiente escolar (m-learning) e investigaram a forma de apropriação de conteúdos pelos estudantes, que
6 Em Portugal o Aparelho Celular é chamado de telemóvel e, o TICEDUCA é um evento que ocorre lá, portanto esta palavra chave foi inserida na busca.
usaram o Celular para completar tarefas escolares e de apoio aos estudos. De acordo com os dados recolhidos os Aparelhos Celulares impactaram a aprendizagem dos estudantes, influenciaram na motivação, no envolvimento dos alunos em relação às atividades e na mudança de opinião sobre a escola e os estudos. Também, as autoras perceberam que os Aparelhos Celulares podem ser integrados em diferentes atividades de aprendizagem, podendo vir a ser fonte de motivação dos alunos pela escola e no processo de ensino e de aprendizagem.
Raminhos et al (2012) revisaram a literatura referente a importância das tecnologias móveis (Celulares e outros equipamentos) no ensino e na aprendizagem, para explorar o conceito de Móbile Learning e identificar sua utilização na educação e localizaram 39 artigos. Após análise dos artigos, elaboraram uma intervenção didática para estudantes de um curso profissionalizante para investigar como as tecnologias móveis podem apoiar a aprendizagem.
Na intervenção didática os pesquisadores perceberam que existem duas visões na utilização do m-learning: a visão do ensino protagonizado pelo professor e a visão da aprendizagem cujo alvo será o estudante que mostra grande interesse em utilizar o m-learning como ferramenta de estudo.
Na conclusão os autores deixam evidente que Mobile Learning não resolve os problemas de ensino e aprendizagem, contudo concluíram que o levantamento bibliográfico sobre o tema pode contribuir para investigações futuras. Reiteraram que m-learning é interessante para a educação, e que outros autores pesquisados por eles concordam que é uma opção a mais para entusiasmar, envolver e compreender a aprendizagem dos estudantes atuais.
Lobato e Pedro (2012) trataram de dificuldades educativas percebidas por formandos de um centro de formação profissional, esses foram expostos às dinâmicas da sala de aula e a métodos de ensino diferenciados. A ideia era desenvolver conceitos usando estratégias motivadoras sem ficar restritos a caminhos curriculares pré-definidos. Nesse sentido os Aparelhos Celulares foram usados como ferramentas de ensino para construir a aprendizagem, funcionando como parceiros para o professor e para os estudantes.
As autoras consideraram que vivemos na “Era da Conexão” (p.2), na qual o acesso à informação deixou de estar confinado ao computador pessoal e se estendeu aos Aparelhos Celulares, os estudantes de hoje são “nativos digitais” e o
cotidiano sem tecnologia não faz sentido. Para esta geração não possuir telemóvel (Aparelho Celular) é quase fator de exclusão social.
Aplicaram um questionário com objetivo de analisar concepções dos professores de inglês de um centro de formação profissional sobre a utilização de Aparelhos Celulares em contexto escolar.
Os resultados evidenciaram que em alguns momentos os Aparelhos Celulares são considerados como potenciais elementos de distração que perturbam a concentração dos alunos nas tarefas escolares, porém defendem que esta tecnologia de fácil acesso pode trazer benefícios para a educação, permitindo aos estudantes aprender para além dos limites da sala de aula, pois os estudantes têm cada vez mais acesso à informação e ao conhecimento e os Aparelhos Celulares podem ser aliados dos professores.
Santos et al (2012) observaram que o uso de dispositivos móveis (chamados ciberinstrumentos7) presentes nas salas de aula do ensino superior vêm aumentando nos últimos anos. O objetivo dos autores foi avaliar e discutir o uso de ciberinstrumentos durante as aulas, em três turmas de diferentes universidades públicas brasileiras sediadas no Estado da Bahia.
Os instrumentos para a constituição dos dados incluíram um questionário respondido por 46 estudantes e anotações de campo (descritivas e analíticas).
Os resultados mostraram que entre os pesquisados o número de ciberinstrumentos supera o número de computadores desktops, os mais usados em sala de aula são os notebooks e os Celulares que podem facilitar os processos de construção do conhecimento.
Os autores também investigaram os efeitos colaterais da tecnologia e observaram que os ciberinstrumentos, podem ser objetos de distração. Os que mais distraem os estudantes são as redes sociais e SMS. A maioria dos estudantes concordou que houve algum grau de prejuízo de concentração durante as aulas, e sugeriram um controle de uso do wi fi.
Costa, Gioppo e Camargo (2012), apresentaram uma proposta preliminar sobre o uso do Celular como ferramenta de ensino que auxilia na prática de sala aula para ensinar ondas eletromagnéticas, a motivação inicial foi: o constante e
7De acordo com Santos et al 2012 ciberinstrumentos (SANTOS; DURAN; BURNHAM, 2010) são lap tops; Aparelhos Celulares; ou qualquer tecnologia com acesso wifi.
excessivo uso do Celular durante o período letivo. Um questionário foi aplicado para 200 estudantes para entender o uso dos Aparelhos Celulares. De posse dos resultados elaboraram uma intervenção didática com abordagem investigativa sobre ondas eletromagnéticas, na qual participaram 27 estudantes. Utilizaram filmes sobre interferência das ondas eletromagnéticas em aparelhos eletrônicos, e observaram a interferência do recebimento de mensagem no Celular em caixas de som e, avaliaram a aprendizagem com questões para verificar se houve apropriação dos conteúdos de eletromagnetismo.
Na conclusão os autores ressaltaram que a maior parte dos estudantes usufrui da tecnologia do Celular e o faz na escola, porém não para fins didáticos, mostrando que há necessidade de mais pesquisas na área. Na atividade de intervenção didática os autores perceberam que houve vários problemas como de interpretação das questões, a cópia de respostas do livro didático, a falta de um delineamento mais robusto da atividade que parece ter ficado em aberto e ainda havia necessidade de proposta para transformá-la em uma sequencia didática. Para os autores o Aparelho Celular é uma tecnologia que não deve ser desperdiçada no contexto escolar e que pode ser usada no processo de ensino e de aprendizagem. O Celular pode ser um agente motivador dos estudantes para aulas diferenciadas, possibilitando a compreensão das possibilidades e limites da tecnologia, mas é importante que se faça uma análise crítica do processo mostrando também outras interfaces com a saúde, a política de telecomunicações, etc.
Santos et al (2012), investigaram sobre o uso de tecnologias móveis em sala de aula e perceberam que é pouco explorada. O objetivo do trabalho foi realizar uma revisão bibliográfica da temática apontando as principais questões tratadas. A partir de buscas em sítios eletrônicos como o ISI Web of Science e Google Scholar e encontraram 13 artigos, cinco deles identificam como estudantes usam seus ciberinstrumentos em sala de aula, e os oito restantes falam da relação entre o uso de ciberinstrumento móvel envolvendo comportamento multitarefas e o desempenho acadêmico dos estudantes. Também investigaram como os estudantes percebem o uso não de ciberinstrumentos, segundo os autores é difícil avaliar quão aplicável é o uso livre de ciberinstrumentos móveis nas salas de aula ou a quanto afeta a aprendizagem.
De acordo com os autores os principais apontamentos encontrados nos trabalhos foram, como: 1º) o trabalho em grupo é pouco valorizado nas dinâmicas de
sala de aula nos processos de construção coletiva do conhecimento, isto é, valorizam a esfera individual em detrimento da coletiva; 2º) não há estudos envolvendo variados tipos de ciberinstrumentos, os trabalhos encontrados estão concentrados no uso de tablets, laptops e Celulares; 3º): O foco das pesquisas foi a de apontar vantagens ou desvantagens; 4º) é necessário enriquecer as pesquisas com abordagens qualitativas.
Os autores concluíram que a maioria dos trabalhos se concentra em avaliar a relação do uso, do comportamento multitarefas com o desempenho acadêmico de estudantes usando abordagens qualitativas.
2.8 PROJETOS QUE UTILIZAM O APARELHO CELULAR COMO FERRAMENTA