CAPÍTULO III – METODOLOGIA
12.4. As ações ofensivas contra defesas abertas
Na Tabela 7 estão apresentadas as IC identificadas, o número de sujeitos (N) e a discriminação desses para a questão 9 (APÊNDICE A), em consonância com as ECH rotuladas.
Tabela 7 - Caracterização das ideias centrais, número de ocorrências de cada ideia central (N) e sujeitos que compartilham de tais ideias. Questão: Diante de adversários que adotam sistemas defensivos abertos (como o
3:3, 4:2 ou 5:1), o que você espera que seus jogadores façam?
IC N Sujeitos
1 Mudança temporária de sistema ofensivo 4 S1, S2, S3, S4
2 Desmarque 1 S1
3 Jogar em função do pivô 2 S1, S2
4 Bloquear os defensores da 2ª linha 1 S1
5 Mudança de direção da trajetória 2 S1, S3
6 Buscar a superioridade numérica 2 S1, S2
7 Prevalência do jogo dos armadores 2 S1, S2
8 Realizar passa e vai 2 S2, S4
No Quadro 5 estão apresentadas as construções dos DSC de acordo com as IC apresentadas na Tabela 7 e em conformidade com as ECH identificadas no APÊNDICE B1.
Quadro 5 - Ideias centrais e discursos do sujeito coletivo da questão: Diante de adversários que adotam sistemas defensivos abertos (como o 3:3, 4:2 ou 5:1), o que você espera que seus jogadores façam? Ideia Central 1:
Mudança temporária de sistema ofensivo
Discurso do Sujeito Coletivo 1:
Sempre que um jogador da armação, preferencialmente, faça a transição de segundo pivô. Sempre os armadores vão fazer a função de segundo pivô. Além dos desdobramentos. Nós vamos cair aqui. Situações de circulação de jogador sem bola, as mais eficientes sem bola geralmente são as contrárias à bola, então a bola vem da esquerda para a direita, o jogador circula do lado contrário. Ali eu gosto de ver bastante desdobrar o central sem bola pra ver o que acontece com o avançado, se vai pra direita, se vai pro meio, se vai pra esquerda. Eu gosto que o central desdobre pra onde está o pivô e o pivô troca de posição. Nós vamos cair aqui. Situações de circulação de jogador sem bola, as mais eficientes sem bola geralmente são as contrárias à bola, então a bola vem da esquerda para a direita, o jogador circula do lado contrário.
Ideia Central 2:
Desmarque Discurso do Sujeito Coletivo 2: Individualmente o desmarque. Acho que o desmarque sem bola é importantíssimo, não tanto com a bola na mão. O desmarque sem bola é mais importante.
Ideia Central 3:
Jogar em função do pivô
Discurso do Sujeito Coletivo 3:
O pivô sempre do lado oposto da bola, sempre correndo do lado oposto da bola, se ele for no sentido da bola com certeza vai fechar os espaços. Ainda nesse 5:1 eu gosto que elas observem se o base lateraliza ou não conforme o posicionamento do pivô. Então aí nós já sabemos que repartiu um pouco a defesa, e é uma outra situação. Então o avançado se está alto ou baixo e o pivô se está carregando ou não o base para um dos lados.
Ideia Central 4:
Bloquear os defensores da 2ª linha
Discurso do Sujeito Coletivo 4:
Com bloqueio só nos jogadores avançados.
Ideia Central 5:
Mudança de direção da trajetória
Discurso do Sujeito Coletivo 5:
A mudança de direção de trajetória é importantíssima, porque quando você tem uma defesa avançada, ela segue muito o setor da bola, soma o máximo de defensores possível na linha da bola. Quando é mais aberta nós vamos ter muito mais deslocamentos.
Ideia Central 6:
Buscar a superioridade numérica
Discurso do Sujeito Coletivo 6:
Eu acho que se você conseguir seguir essa bola e mudar essa direção um pouco mais rápido, com certeza você vai ter um espaço maior produzido. O ataque ao ímpar, do central, então o central tem uma profundidade importante deixando o seu avançado e trabalhar no 2º da direita e no 2º da esquerda, que a gente chama de ataque ao ímpar ou ataque ao 2.
Ideia Central 7:
Prevalência do jogo dos armadores
Discurso do Sujeito Coletivo 7:
Você leva bastante a bola para as laterais, não aprofunda na ponta. Então você tem esses armadores potentes aí. E de novo é um espaço muito importante no 5:1, e no 6:0 com basculação também aparece, que é o armador direito e esquerdo aproveitarem o espaço entre 1 e 2.
Ideia Central 8:
Realizar passa e vai Discurso do Sujeito Coletivo 8: Então uma coordenação muito legal entre passador e receptor, atacar os espaços interdefensivos né, essa é uma outra situação que deve acontecer, aparecem ali as tabelas, eu gosto muito de fazer quando a bola está em um setor que circule o
setor contrário, e em resposta disso aconteça a ocupação de espaço pelo posto mais próximo, então um equilíbrio dos postos específicos e sempre mantendo a profundidade e a largura. Além de trabalhar o 1-2 com o pivô. Então são situações de passa e vai.
Ideia Central 9:
Buscar a finalização dos pontas
Discurso do Sujeito Coletivo 9:
Sabemos que o 3:3 provoca um espaço muito produtivo nas laterais, então o jogo para fora entre armadora e ponta também deve aparecer, com o 2x2 nas laterais com os pontas. Trabalhar o 2x2 para fora.
Diante de sistemas defensivos abertos há a opção, pelo SC, na mudanca temporária do sistema ofensivo (a partir da ocupação do posto de pivô pelos armadores e pontas), com o principal intuito de provocar mudanças bruscas nos sistemas defensivos adversários (“eu gosto de ver bastante desdobrar o central sem bola pra ver o que acontece com o avançado, se vai pra direita, se vai pro meio, se vai pra esquerda”) e, diante dessas, buscar situações que favoreçam a superioridade numérica (“O ataque ao ímpar, do central, então o central tem uma profundidade importante deixando o seu avançado e trabalhar no 2º da direita e no 2º da esquerda, que a gente chama de ataque ao ímpar ou ataque ao 2”) e os arremessos de zonas favoráveis. As mudanças de direção das trajetórias também aparecem como um importante meio a ser utilizado contra esse tipo de defesa, segundo o SC, “porque quando você tem uma defesa avançada, ela segue muito o setor da bola, soma o máximo de defensores possível na linha da bola”. Sendo assim, no início da circulação da bola os atacantes podem induzir os defensores à aglomeração em uma zona distante daquela pretendida para o arremesso. A partir da circulação rápida da bola e das mudanças repentinas e sucessivas das trajetórias dos atacantes, esses poderão surpreender os defensores com ocupações espaciais inteligentes e finalizações da zona oposta da quadra, sendo uma das possibilidades apontadas por Antón García (1998) para o desenvolvimento dessa forma de jogo.
Há a preferência, pelo SC, por manter um jogo mais centrado nos armadores principalmente com a prevalência de um jogo que tende para as pontas (“E de novo é um espaço muito importante no 5:1, e no 6:0 com basculação também aparece, que é o armador direito e esquerdo aproveitarem o espaço entre 1 e 2”), verificado também quando o SC cita a busca pela finalização dos pontas (“Sabemos que o 3:3 provoca um espaço muito produtivo nas laterais, então o jogo para fora entre armadora e ponta também deve aparecer, com o 2x2 nas laterais com os pontas. trabalhar o 2x2 para fora.”). Essa preocupação é justificável, tendo em vista que a disposição espacial dos defensores dentro de cada sistema adotado prioriza algumas ações
ofensivas. Dessa forma, quanto maior o número de linhas defensivas, mais espaços disponíveis terão os pontas para arremessarem ao gol.
Essa distância maior entre os defensores gera outras possibilidades de interações entre os atacantes a partir de fixações (par, ímpar e par-ímpar), tais como o desenvolvimento do passa e vai (“atacar os espaços interdefensivos [fixação par-ímpar] né, essa é uma outra situação que deve acontecer, aparecem ali as tabelas”) e dos bloqueios (“só nos jogadores avançados”), conforme citado pelo SC.
Frente aos sistemas defensivos abertos o SC espera que, como importante princípio do jogo ofensivo, haja uma ocupação temporária do posto de pivô a partir da circulação dos jogadores32 da 1ª linha ofensiva (armadores), com a premissa de produzir espaços preferencialmente na zona central da quadra: “gosto de ver bastante desdobrar o central sem bola pra ver o que acontece com o avançado, se vai pra direita, se vai pro meio, se vai pra esquerda”, local este que é mais propício aos arremessos.
A constante busca dos armadores pelo posto (temporário) de pivô justifica-se ainda pela tentativa brusca de mudança de conformação do sistema defensivo adversário ou ainda, caso tal situação não se concretize, que o armador que ocupou esse posto tenha liberdade suficiente para receber a bola em condições de finalização. O mesmo objetivo é posto, então, quando os pontas buscam essa ocupação temporária do posto de pivô. Contudo, frente aos sistemas abertos espera-se que em alguns momentos o marcador direto do ponta o acompanhe quando este ocupa o posto de pivô. Esse deslocamento do defensor (chamado de deslizamento) produz um importante espaço na ponta para ser aproveitado pelo armador mais próximo. Quando o SC aponta em “trabalhar o 2x2 para fora”, que seria a atuação do ponta e do armador contra seus dois marcadores, a busca pela eficácia nessa situação dependerá do fato de o ponta desenvolver suas ações sem a posse da bola, como o deslocamento referido anteriormente para a ocupação temporária do posto de pivô.
Outro aspecto importante destacado pelo SC funda-se no jogo dependente da posição do pivô e das suas possibilidades de intervenção no jogo, seja pelo fato de alguns defensores acompanhá-lo (“eu gosto que elas observem se o base lateraliza ou não conforme o
32 Para Antón García (1998, p.135) a circulação de jogadores tem como objetivo “surpreender o adversário no novo espaço ou colaborar com seus companheiros facilitando as penetrações ou ações perigosas de arremesso”, além de permitir a coordenação “de qualquer outro meio [...] coletivo (cruzamentos, passa e vai, bloqueio, etc.) com companheiros situados em postos não vizinhos” (ibidem, p.136)
posicionamento do pivô”) ou mesmo na sua intervenção direta com a posse da bola, como da realização de um passa e vai aliado às ocupações temporárias de pivô descritas anteriormente (“gosto muito de fazer quando a bola está em um setor que circule o setor contrário, e em resposta disso aconteça a ocupação de espaço pelo posto mais próximo”).