4 CAPÍTULO IV TEORIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DA AVALIAÇÃO
4.3 A Prática Avaliativa dos Docentes no Curso PROEJA
4.3.2 As aulas práticas e reflexões sobre o conceito ‘nota’
Pela análise dos usos de instrumentos avaliativos apontamos o índice atenuado de uso das provas práticas e orais. Desta forma, analisamos como o professor avalia seus alunos durante as aulas práticas. Em resposta à indagação: “Nas aulas práticas, de que forma você avalia o aluno?” (Questão 3.11), obtivemos as seguintes afirmações:
Conforme sua compreensão em relação aos conteúdos. (Part. 14).
Sempre procuro avaliar meus alunos através da observação da conduta durante o período letivo e evolução da aprendizagem. (Part 11).
Pontualidade, uso de roupas adequadas (equipamentos de proteção individual- EPI), interesse e relatório após as aulas. (Part. 10).
a) Voltadas ao enfoque da participação, item apontado em questão anterior como um dos quesitos mais considerados pelo professor no ato de avaliar:
Participação. (Part.07).
Verifico a participação, o empenho e assiduidade. (Part.08). Participação, iniciativa e desenvoltura. (Part 05)
Através da participação, interesse e interação no decorrer da aula (Part.01). Participação, interesse, comprometimento, vontade de aprender. (Part.06). Através da participação direta do aluno através de suas perguntas, observo a organização de suas idéias e a coerência que o conteúdo está tendo para o mesmo. (Part.04).
b) Observação no decorrer das aulas, mas destaque ao uso de instrumentos escritos para diagnóstico dessa aprendizagem.
Atuação durante a aula, produção de relatório, pesquisa complementar. (Part. 13).
Com relatórios, prova oral, discussão de situações hipotéticas, diário de bordo. (Part.12).
Pela sua desenvoltura e interesse. (Part.02).
Através da participação e desenvolvimento nas atividades abordadas. (Part.03).
Atribuição de um valor de acordo com critérios que envolvem diversos problemas técnicos e éticos cognitivos. (Part.15).
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O ENEM exame criado em 1998 e tem o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da escolaridade básica. Podem participar do exame alunos que estão concluindo ou que já concluíram o ensino médio em anos anteriores. <http://www.enem.inep.gov.br/enem.php>, visitado em: 21 de janeiro de 2011.
c) Professor afirma não ter utilizado aula prática: “Ainda não realizei aulas práticas. Porém, é fundamental verificar a participação e o interesse individual”. (Part.09).
A avaliação escrita tanto quanto a prática, e demais outras formas de avaliação, deveriam compor o processo avaliativo.
Em continuidade às indagações propostas no questionário, traçamos como objetivo do Item 3.15 possibilitar que os professores refletissem sobre a prática da avaliação e o conceito da expressão nota. Como, segundo as normas da instituição escolar, em destaque o IFTO Campus Araguatins, esse processo avaliativo tem de resultar num número, a que, se denomina, nota, média dos alunos, levamos à reflexão a seguinte proposição: “Com base na sua experiência, você acredita que as notas de seus alunos refletem, de fato, o nível de aprendizagem deles?” (Questão 3.15). O gráfico seguinte demonstra os resultados das afirmações dos professores:
Gráfico 6: A nota e seu reflexo sobre o nível de aprendizagem
SIM 27% NEM SEMPRE 67% NÃO 6%
Os professores que afirmaram que a nota reflete o nível de aprendizagem dos alunos justificam: “[...] cada aluno apresenta um grau de dificuldade (Part.01)”. “[...] eu não levo em consideração apenas uma prova escrita a qual não pode avaliar um aluno” (Part.02).
a) A visão de que a nota é o resultado do planejamento e acompanhamento realizado: “Se houve um planejamento e acompanhamento espera-se um resultado conforme os objetivos”. (Part.11).
b) Demonstra a objetividade e abordagem da avaliação: “Na avaliação é abordado o que foi trabalhado em sala de aula, a nota é o reflexo da aprendizagem”. (Part.06).
A prova escrita não pode avaliar o aluno? A opção prova escrita foi mencionada em itens anteriores como o instrumento mais utilizado e que melhor avalia a aprendizagem do aluno.
Entre a maioria das respostas, abordamos as justificativas dos professores que afirmaram que a nota nem sempre reflete a aprendizagem dos alunos.
a) A ideia implícita do conselho de classe: “Sendo a avaliação global e havendo muitas disciplinas, às vezes, a equipe de professores decide pela aprovação ou reprovação”. (Part. 04).
b) A dificuldade para analisar, atribuir nota ao trabalho em grupo. Por isso, a não aceitação da maioria por esse procedimento avaliativo: “Em trabalho em grupo, a nota às vezes não representa o nível de aprendizagem de todos” (Part. 07).
c) O enfoque aos tipos de ‘inteligências’ a serem observadas pelos professores: “Existem vários tipos de inteligências (motora, lingüística, interpessoal, etc) a serem desenvolvidas e observadas diante da exposição das metodologias de ensino”. (Part. 09).
d) A controvérsia da eficácia da prova escrita para verificar a aprendizagem dos alunos: Porque em uma prova escrita o aluno pode utilizar métodos de resolução indevidos (cola). (Part. 08).
Às vezes os alunos usam de artifícios para obter nota que não advêm do seu aprendizado. (Part. 10).
Pois, algumas vezes o nervosismo e a tensão na hora da prova podem induzir ao aluno a esquecer temporariamente o conteúdo, e assim ele não se sair bem na prova. (Part. 12).
Às vezes o aluno fica nervoso e esquece o conteúdo. Também depende se a prova está ou não bem elaborada. (Part. 03).
e) A atribuição da possibilidade de a nota nem sempre refletir a aprendizagem, a partir da culpabilidade dos alunos: “Alguns alunos não se preocupam em estudar e vem para a aula como forma de diversão”. (Part. 14).
f) A aceitação de que a prova escrita tem as suas falhas: “Não conheço método 100%. Você conhece?” (Part. 13).
Houve um participante que afirmou que a nota não reflete o nível de aprendizagem do aluno: “A nota, só ela, não reflete o nível de aprendizagem, porém, faz parte do processo” (Part.15).
É importante analisar na fala dos professores nesse item a ênfase que eles dão à prova. Suas respostas levam a compreender que para muitos a nota é a que vem da prova, sendo a mais importante no processo avaliativo. Porém, algumas afirmações deixam clara a vulnerabilidade da prova escrita. Embora, a própria instituição dê ênfase a exame escrito.
No item 3.12 questionamos aos professores sobre a reação destes quando uma turma, em grande maioria, tira nota baixa em uma prova. A que este atribui à ocorrência e o que faz? a) As respostas dos docentes que buscavam justificar os motivos que podem permitir que essa situação, a maioria da turma tirar nota baixa, aconteça, foram:
Pode ou não ser que a turma não tenha absorvido o conteúdo em sua totalidade. (Part. 03).
A metodologia utilizada ou a falta de base da turma. (Part. 05).
Acho que o problema poderá estar com os alunos que não se prepararam bem para a avaliação. O professor não tem culpa de exigir mais do aluno. Salvo raras exceções. (Part. 10).
Esse fato pode ser devido a dois pontos principais: primeiro- os alunos não dão importância à disciplina; segundo- o professor não está conseguindo passar o conteúdo de uma forma mais didática. (Part. 09).
Existem várias explicações para isso. Falta de comprometimento. Metodologia inadequada. O nível de ensino está fora da zona de desenvolvimento proximal, entre outros. (Part. 08).
Antes de tudo é preciso conhecer seus alunos, obter um diagnóstico da turma. (Part. 11).
A falta de sintonia entre professor e alunos. (Part. 06).
Especialmente tratando-se do PROEJA, as razões podem ser diversas, tendo em vista as particularidades de cada aluno. (Part. 02).
Falta de atenção durante a explicação do conteúdo. (Part. 07).
b) Inassiduidade dos alunos: “No caso do PROEJA é falta de tempo para estudar e assiduidade que é pouca”. (Part. 01).
c) Respostas que apontavam alternativas para que grande parte da turma não tire nota baixa em um prova.
c.a) Recuperação paralela e realização de outras provas:
[...] Quando ocorre, procuro realizar recuperação paralela, utilizando o mesmo ou outro instrumento avaliativo. (Part. 02).
Quando isso acontece reviso o conteúdo com exercício e busco utilizar outras práticas. (Part. 14).
[...] É de costume que se reexplique o assunto e repita a avaliação. (Part. 06). [...] Costumo revisar os assuntos e fazer outra avaliação. (Part. 03).
c.b) Revisão de metodologia utilizada em aula e método avaliativo:
Tento observar se o método avaliativo foi adequado ao nível de conhecimento ao longo de um processo de aprendizagem. (Part. 04).
[...] Replanejar a minha metodologia e/ou realizar aulas extras de reforço. (Part. 05).
[...] Tento rever meus conceitos de ensinar e adotar melhores práticas para ter a atenção do aluno durante a explicação da matéria. (Part. 07).
[...] Ministrar novamente o conteúdo com uma nova metodologia conscientizando os alunos. (Part. 08).
[...] Se ocorre uma situação assim é preciso rever a metodologia, buscar outras formas de aplicabilidade dos conteúdos. (Part. 11).
Isto nunca aconteceu comigo, mas se acontecer tenho que mudar meus métodos de dar aulas. (Part. 12).
Rever meu método aplicado em sala e tentar sanar a problemática. (Part. 13). c.c) Busca de soluções em conjunto com a turma: “[...] No meu caso, tento discutir com a turma e assim descobrir o problema, e depois resolvê-lo”. (Part. 09).
d) Posicionamento do docente que acredita que a resposta ao questionamento dependerá da verificação do contexto e relação professor/conteúdos X e metodologia/objetivos:
Uma questão desta não é passível de resposta sem verificação dos objetos envolvidos, ou seja: professor/alunos/conteúdos x metodologia/objetivos. Entendo que somente assim teríamos uma resposta plausível. Não daria para supor respostas sem verificação. (Part. 15).
Nas respostas dos professores houve percentual atribuído à necessidade do docente rever a metodologia utilizada em sala e até mesmo os métodos de avaliação. Nesse aspecto, notamos que a avaliação tornou-se um “meio” para a melhoria do processo de aprendizagem. A análise de que a turma não está com boas notas e a proposição dos professores a rever sua metodologia, sua prática pedagógica e até mesmo de ministrar aulas de reforço e/ou rever os instrumentos avaliativos apontam indicadores de que a avaliação está contribuindo no processo ensino/aprendizagem e que o resultado da avaliação tem implicância direta na prática educativa.
Como visto no capítulo dois desse trabalho, o qual realiza uma revisão de literatura sobre avaliação, teóricos apontam para a necessidade da avaliação ser um procedimento que deve estar presente desde o início até o final do trabalho. Logo, há uma conceituação e prática errônea que a avaliação é medida e análise do fim do processo.
4.4 Análises sobre Avaliação e Metodologia Avaliativa Apresentadas pelos