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Numa primeira reunião de responsáveis, no ano de 1935, na casa do agricultor Jean Peyrat, foram lançadas as bases da nova escola, esboçou-se um programa, onde a formação dos jovens foi assentada em três aspectos: a formação técnica, a formação geral e a formação humana. Segundo Josserand o argumento, a justificativa da formação técnica era que a profissão do agricultor é complicada, minuciosa, cheia de imprevistos. Daí a necessidade de um longo aprendizado prático e de observações indispensáveis no terreno. É assim que as roças (poderíamos falar também a família, o povoado, a paróquia) constituem o livro mais importante do jovem estudante. Deve se levar em consideração que na profissão de agricultor, muitas vezes sozinho para assegurar o trabalho da roça, a ajuda mesmo parcial dos seus filhos é muito necessária. O jovem agricultor deve saber também o porque dos numerosos atos que tem de cumprir, o que muitos só fazem pôr rotina. Deve entender o

porque a gente faz assim e poder deste jeito melhorar suas técnicas se ele obtém um resultado melhor. Estudos teóricos impõem então ao jovem e isto sob a direção de um professor ou de um monitor competente.

A formação geral também era necessária para formar a personalidade, permitindo-lhe aprender com as técnicas, a história, a matemática, a se expressar pôr escrito e oralmente. A formação humana e cristã, os promotores dessa experiência, pais de famílias, queriam preparar seus filhos para a vida, obtendo êxito profissional e realização humana. Eles acreditavam que o êxito material apenas, não trazia felicidade.

Estava assim estruturados as bases, ou os eixos centrais, norteadores do Plano de Formação da proposta educativa que se iniciava. A parte técnica que o padre não dominava e que eles não podiam ainda contratar um professor, pois só tinham quatro alunos, ficou decidido que seria dada através do material dos cursos agrícolas pôr correspondência de Purpan. Estes cursos enviavam uma vez pôr mês um plano de trabalho e o padre ajudaria os jovens na realização dos seus trabalhos, se tornando de certa forma monitor e os pais se comprometeriam a deixar tempo livre para os seus filhos durante as três semanas passadas em casa para que estes pudessem fazer os seus deveres. Este era só o início, era preciso começar. Mais tarde quando houvesse mais alunos eles melhorariam as coisas, a estrutura.

Nesta mesma reunião resolveram o problema da hospedagem, da alimentação, dos gastos de pensão, que eles resolveram conjuntamente da seguinte forma: a hospedagem seria na casa paroquial de Sérignac Péboudou que era grande, e com uma ampla sala que serviria de dormitório, para alimentação cada família iria fornecer uma parte de gêneros necessários e uma quantia de 300 francos pôr aluno a ser paga pelas famílias cobriria os outros gastos de funcionamento.

Preocupados também com a cobertura jurídica legal, eles pensaram em uma simples inscrição dos alunos nos cursos pôr correspondências de Purpan, através do Sr. Arsene Couvreur, que ajudou na criação da Seção de Aprendizagem Agrícola do seio do SCIR, do qual era presidente. Esta foi instalada, e seu estatuto adotado no dia 17 de outubro de 1935.

Josserand destaca dois acontecimentos marcantes na criação dessa experiência pedagógica, uma conversa entre um pai, preocupado em dar ao seu filho uma formação adaptada e uma primeira reunião entre três pais e de futuros alunos que foram os acontecimentos decisivos na arrancada das Maisons Familiales.

De acordo com (Josserand, 1998), no decorrer de todos esses anos, a fórmula pôde ser adaptada, melhorada, desenvolvida e foi a partir daqueles dois acontecimentos portanto que foram adotados com precisão e minúcia os seguintes princípios: a responsabilidade dos pais e a condução pelas famílias, a pedagogia adaptada ao meio rural, uma formação total, e o apoio e a participação do meio rural

De acordo ainda com (Moreira, 2000) o processo histórico do qual emergiram as primeiras experiências educacionais em alternância, as “Maisons Familiales” será compreendido melhor se contextualizado com o desenvolvimento marginal reservado ao camponês, oriundo do modelo urbano industrial moderno, iniciado com a Revolução Francesa e com o seu percurso liberal rumo ao capitalismo nas primeiras décadas do século XIX, inicialmente na Europa. Esse modelo irá marcar profundamente o mundo rural, até os dias de hoje não só na Europa, mas também na América latina.

Pensava-se no campo no início do processo urbano industrial, como sendo fornecedor:

... de alimentos e de matérias-primas baratas, garantindo o ganho crescente das indústrias [...] fornecedor de mão-de-obra barata abundante, desqualificada e portanto sem grandes exigências salariais, o que explicaria o êxodo rural e a expropriação dos camponeses. Também caberia ao campo comprar produtos industrializados, remunerando os capitais investidos nas industrias Linhares & Silva, citado pôr (Moreira, 2000 p.63).

É nesse cenário e contrário a ele que emergiu as idéias acerca da Pedagogia da Alternância, em 1935 a partir da iniciativa de três agricultores e um padre de um pequeno vilarejo da França que, de um lado, prestaram atenção na provocação de um adolescente de quatorze anos que rejeitava a escola na qual tinha sido matriculado e, de outro, estavam atentos a seu meio, que queriam promover e desenvolver. O padre Abbé Granereau, reunindo-se com os agricultores de Sérignac Pepoudon, província de Lauzuan, inicia as discussões sobre o descaso do Estado com a educação dos camponeses, manifestado, sobretudo pela quase ausência de escolas no meio rural.

A educação que o estado oferecia aos camponeses era, segundo Granereau, citado por (Moreira 1977, p.19), uma educação que levava os jovens a abandonarem o campo à procura de dias melhores em um mundo- as cidades – ao que tudo levava a crer, promissor e formador de uma identidade a altura do status social digno daquela atualidade.

Estava clara a necessidade de uma educação que buscasse acima de tudo resgatar a identidade sócia cultural do camponês e que recolocasse o campo no projeto de desenvolvimento sócio-econômico da modernidade. A discussão então era por uma escola que se ocupasse da cultura e dos conhecimentos necessários à sobrevivência do campo, respeitando a realidade e a vocação para as atividades agropastoris, as experiências e valores, não desvinculando o jovem do seu meio.

A solução veio com a criação, em 21 de novembro de l935, da primeira “Maison Familiale”. Essa escola funcionou inicialmente na casa do padre Abbé Granereau, local onde os alunos permaneciam durante uma semana por mês, refletindo essencialmente sobre os conteúdos técnico-agrícolas, auxiliados pelo padre. À parte de formação geral consistia em uma orientação, também do padre sobre os valores religiosos e culturais do homem do campo.

Assim, segundo (Gimonet, 2000.) sem estruturas escolares estabelecidas e sem referência a qualquer teoria pedagógica, eles imaginariam um conceito de formação que proporcionaria a seus filhos educação, formação e preparação para suas futuras profissões. Eles criaram

empiricamente uma estrutura de formação que seria da responsabilidade dos pais e das forças sociais locais, partindo do pressuposto no qual os conhecimentos a adquirir se encontrariam, sem dúvida, na escola, mas também e antes de tudo, na vida cotidiana, na produção agrícola, na comunidade da vila, ou seja, no fazer, na experiência concreta, partindo ainda da premissa de que “a vida ensina mais do que a escola”.

De acordo ainda com (Gimonet, 2000) inicialmente eram apenas quatro jovens pioneiros a viver essa inovação educativa, no ano seguinte dezessete e dois anos mais tarde passaram a ser quarenta jovens, sendo necessário estruturar o empreendimento nascente, motivando os agricultores a se agruparem numa associação, contraindo empréstimo bancário, compraram uma casa, batizaram-na de “A Casa Familiar de Lauzuan” (em homenagem à pequena cidade na qual ela foi implantada) também contrataram um formador, sendo assim criada em 1937, a primeira Casa Familiar.

A história das Casas Familiares Rurais na França é vista por (Nosella 1977), em dois períodos distintos: O primeiro período (de 1935 a 1943) caracterizou algumas idéias principais da Pedagogia da Alternância que as Maisons conservam até hoje, como a participação dos agricultores na vida administrativa da escola. Conforme Pessotti citada pôr (Moreira, 2000, p. 65), A própria denominação de Casas Familiares prendeu-se ao fato de que os pais, além de instrutores de seus filhos na propriedade familiar, também acumulavam a responsabilidade da administração desse novo tipo de escola. Outro aspecto é a idéia do internato na qual os alunos ficavam na casa do padre. No início ficavam três dias por mês, depois passaram a ficar uma semana por mês. Outro aspecto é a relação das Casas Familiares com os movimentos progressistas organizados da sociedade civil (como sindicatos rurais, partidos, etc) e com a igreja; sobretudo com o movimento da ação católica francesa, Juventude Agrícola Francesa (JAC): Isso significa que a Maison Familiale nunca foi uma escola isolada da ação e do desenvolvimento sócio-econômico de seu meio. (Moreira, 2000, p. 65).Citando Nosella.