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AS CANÇÕES DE GONZAGUINHA E IVAN LINS (CAP 1)

Pobreza por pobreza (Gonzaguinha)

Meu sertão vai se acabando Nessa vida que o devora

Pelas trilhas só se vê gente boa indo embora Mas a estrada não terá o meu pé pra castigar Meu agreste vai secando

E com ele vou secar

Pra que me largar no mundo Se nem sei se vou chegar A virar em cruz de estrada Prefiro ser cruz por cá

Ao menos o chão que é meu Meu corpo vai adubar

Se doente sem remédio, remediado está Nascido e criado aqui

Sei o espinho onde dá Pobreza por pobreza

Sou pobre em qualquer lugar

A fome é a mesma fome que vem me desesperar E a mão é sempre a mesma que vive a me explorar

O trem (Você se lembra daquela nega maluca que desfilou nua pelas ruas de Madureira?) (Gonzaguinha)

Uma prece a quem passa, rosto ereto Olhar reto, passo certo pela vida, amém! Uma prece, uma graça, ao dinheiro recebido, Companheiro, velho amigo, amém!

Uma prece, um louvor ao esperto enganador Pela espreita e a colheita, amém!

Eia! E vai o trem num sobe serra Desce serra, nessa terra

Vai carregado de esperança, amor, Verdade e outros "ades"

Tantos males, pra onde vai? Quem quer saber?

Sem memória e sem destino Eu ergo o braço cego ao sol De um mundo meu, eu só

Me reflito, pé descalço, a mão de lixa A roupa rota, o sujo, o pó, o pó, o pó, o pó.

Morte ao gesto de uma fome, é mentira! Morte ao grito da injustiça, é mentira! Viva em vera igualdade: o valor. Eia! E vai o trem num sobe serra Desce serra, nessa terra

Vai carregado de esperança, amor, Verdade e outros "ades"

Tantos males, pra onde vai? Quem quer saber?

Sob as luzes da cidade há cor alegre Há festa, a vida ri sem fim

Nem meu dedo esticado traz um pouco do gosto Do doce, o mel pra mim, pra mim, pra mim, pra mim. Viva o tempo sorridente que me abraça!

Viva o copo de aguardente que me abraça! Morte ao trabalhador sem valor!

Eia! E vai o trem num sobe serra Desce serra, nessa terra

Vai carregado de esperança, amor, Verdade e outros "ades"

Tantos males, pra onde vai? Quem quer saber?

Uma prece, um pedido,

Um desejo concedido a você na omissão, amém! Uma prece, uma graça,

Pelo pranto sem espanto e a saudade consentida, amém! Minha prece, meu louvor

Ao adeus, mão contra o vento Na partida desse trem, amém! Eia! E vai o trem num sobe serra Desce serra, nessa terra

Vai carregado de esperança, amor, Verdade e outros "ades"

Tantos males, pra onde vai? Quem quer saber?

Um abraço terno em você, viu, mãe? (Gonzaguinha)

Eu olhei a terra ardendo Qual fogueira de São João...

Sobre as cabeças, na fumaça desses aviões fenomenais Sob mil pés, o terremoto de expansões industriais

É o progresso em nossa mão – Viva a civilização! Um abraço terno em você, viu, mãe?

Nas avenidas, as buzinas gritam alto a nova explosão Numa vitrine está à mostra seu novo tipo de coração É o progresso em nossa mão – Viva a civilização! Um abraço terno em você, viu, mãe?

É, mas eu não sei se esse ano vai chover ou não no meu sertão Eu não sei se vou poder ficar ou pegar um caminhão

Meu Padim Ciço, minha devoção,

Dê-me o seu braço imenso, sua proteção

É que eu não sei de nada, nada desse mundo seu Eu só sei da vida crua que esse chão duro me deu Meu cavalo aboio, minha sela e meu gibão

E o abraço terno de você, viu, mãe?

Entre as paredes acabadas dessa nova construção piramidal Minha sanfona geme rindo na alegria triunfal

É o progresso em nossa mão – Viva a civilização! Um abraço terno em você, viu, mãe?

Eu olhei a terra ardendo Qual fogueira de São João... Viu, mãe? Viu, mãe?

O amor é o meu país (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)

Eu queria, eu queria, eu queria Um segundo lá no fundo de você Eu queria me perder, ah! me perdoa Porque eu ando à toa sem chegar Quão mais longe se torna o cais, Lindo é voltar

É difícil meu caminhar, Mas vou tentar

Não me importa qual seja a dor, Nem as pedras que eu vou pisar Não me importo se é pra chegar Eu sei, eu sei

De você fiz o meu país Vestindo festa e final feliz Eu vim, eu vim

O amor é o meu país Sim, eu vim

Agora (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)

Eu me lembro

Quando noite adentro, eu Eu me lembro

Foi você, silêncio, eu Eu me lembro

Você nem viu Você nem viu

Que eu era festa pra você Que eu era gente qual você Por isso, agora

Eu sei a sua história Melhor do que você Meu cativeiro

Foi seu corpo inteiro Eu vou, agora

Sem ou, sem hora

Por um segundo (Gonzaguinha)

Por um segundo Num sorriso seu

Fez-se festa infinita em minha vida E a estrada longa, inteira

Num giro da mente eu vi Por um segundo

Em um beijo seu

Tive todo universo em meu corpo E eu fui dono das estrelas

Guardei no meu peito pra dois Manso riacho nos levando Abraço calmo e quente Corrente aumentando Mergulhar sem fim Por um segundo Um segundo só

Explodiu o nosso amor Por sobre o mundo E nós fomos só a alegria

Depois o silêncio, depois o silêncio Depois o silêncio e então

Eu quero (Gonzaguinha)

Eu quero Eu quero ver

Eu quero ver a cruz Eu quero ver a cruz vazia Eu quero o som da alegria Eu quero a cor da tua fantasia Eu quero

Eu quero ter

Eu quero ter a vida

Eu quero ter a vida inteira Eu quero o som da brincadeira Eu quero a cor da tua terça-feira O carnaval, o feriado nacional Da vida em festa

Fenomenal, sensacional Eu quero o sorriso

Liso, belo (e) preciso da loucura ocidental

Me deixa em paz (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)

Me deixa em paz

Que eu já não aguento mais Me deixa em paz

Sai de mim Me deixa em paz Vai...

Hoje o fogo se apagou Nosso jogo terminou Vai pra onde Deus quiser Já é hora de você partir Não adianta mais ficar

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