Pobreza por pobreza (Gonzaguinha)
Meu sertão vai se acabando Nessa vida que o devora
Pelas trilhas só se vê gente boa indo embora Mas a estrada não terá o meu pé pra castigar Meu agreste vai secando
E com ele vou secar
Pra que me largar no mundo Se nem sei se vou chegar A virar em cruz de estrada Prefiro ser cruz por cá
Ao menos o chão que é meu Meu corpo vai adubar
Se doente sem remédio, remediado está Nascido e criado aqui
Sei o espinho onde dá Pobreza por pobreza
Sou pobre em qualquer lugar
A fome é a mesma fome que vem me desesperar E a mão é sempre a mesma que vive a me explorar
O trem (Você se lembra daquela nega maluca que desfilou nua pelas ruas de Madureira?) (Gonzaguinha)
Uma prece a quem passa, rosto ereto Olhar reto, passo certo pela vida, amém! Uma prece, uma graça, ao dinheiro recebido, Companheiro, velho amigo, amém!
Uma prece, um louvor ao esperto enganador Pela espreita e a colheita, amém!
Eia! E vai o trem num sobe serra Desce serra, nessa terra
Vai carregado de esperança, amor, Verdade e outros "ades"
Tantos males, pra onde vai? Quem quer saber?
Sem memória e sem destino Eu ergo o braço cego ao sol De um mundo meu, eu só
Me reflito, pé descalço, a mão de lixa A roupa rota, o sujo, o pó, o pó, o pó, o pó.
Morte ao gesto de uma fome, é mentira! Morte ao grito da injustiça, é mentira! Viva em vera igualdade: o valor. Eia! E vai o trem num sobe serra Desce serra, nessa terra
Vai carregado de esperança, amor, Verdade e outros "ades"
Tantos males, pra onde vai? Quem quer saber?
Sob as luzes da cidade há cor alegre Há festa, a vida ri sem fim
Nem meu dedo esticado traz um pouco do gosto Do doce, o mel pra mim, pra mim, pra mim, pra mim. Viva o tempo sorridente que me abraça!
Viva o copo de aguardente que me abraça! Morte ao trabalhador sem valor!
Eia! E vai o trem num sobe serra Desce serra, nessa terra
Vai carregado de esperança, amor, Verdade e outros "ades"
Tantos males, pra onde vai? Quem quer saber?
Uma prece, um pedido,
Um desejo concedido a você na omissão, amém! Uma prece, uma graça,
Pelo pranto sem espanto e a saudade consentida, amém! Minha prece, meu louvor
Ao adeus, mão contra o vento Na partida desse trem, amém! Eia! E vai o trem num sobe serra Desce serra, nessa terra
Vai carregado de esperança, amor, Verdade e outros "ades"
Tantos males, pra onde vai? Quem quer saber?
Um abraço terno em você, viu, mãe? (Gonzaguinha)
Eu olhei a terra ardendo Qual fogueira de São João...
Sobre as cabeças, na fumaça desses aviões fenomenais Sob mil pés, o terremoto de expansões industriais
É o progresso em nossa mão – Viva a civilização! Um abraço terno em você, viu, mãe?
Nas avenidas, as buzinas gritam alto a nova explosão Numa vitrine está à mostra seu novo tipo de coração É o progresso em nossa mão – Viva a civilização! Um abraço terno em você, viu, mãe?
É, mas eu não sei se esse ano vai chover ou não no meu sertão Eu não sei se vou poder ficar ou pegar um caminhão
Meu Padim Ciço, minha devoção,
Dê-me o seu braço imenso, sua proteção
É que eu não sei de nada, nada desse mundo seu Eu só sei da vida crua que esse chão duro me deu Meu cavalo aboio, minha sela e meu gibão
E o abraço terno de você, viu, mãe?
Entre as paredes acabadas dessa nova construção piramidal Minha sanfona geme rindo na alegria triunfal
É o progresso em nossa mão – Viva a civilização! Um abraço terno em você, viu, mãe?
Eu olhei a terra ardendo Qual fogueira de São João... Viu, mãe? Viu, mãe?
O amor é o meu país (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)
Eu queria, eu queria, eu queria Um segundo lá no fundo de você Eu queria me perder, ah! me perdoa Porque eu ando à toa sem chegar Quão mais longe se torna o cais, Lindo é voltar
É difícil meu caminhar, Mas vou tentar
Não me importa qual seja a dor, Nem as pedras que eu vou pisar Não me importo se é pra chegar Eu sei, eu sei
De você fiz o meu país Vestindo festa e final feliz Eu vim, eu vim
O amor é o meu país Sim, eu vim
Agora (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)
Eu me lembro
Quando noite adentro, eu Eu me lembro
Foi você, silêncio, eu Eu me lembro
Você nem viu Você nem viu
Que eu era festa pra você Que eu era gente qual você Por isso, agora
Eu sei a sua história Melhor do que você Meu cativeiro
Foi seu corpo inteiro Eu vou, agora
Sem ou, sem hora
Por um segundo (Gonzaguinha)
Por um segundo Num sorriso seu
Fez-se festa infinita em minha vida E a estrada longa, inteira
Num giro da mente eu vi Por um segundo
Em um beijo seu
Tive todo universo em meu corpo E eu fui dono das estrelas
Guardei no meu peito pra dois Manso riacho nos levando Abraço calmo e quente Corrente aumentando Mergulhar sem fim Por um segundo Um segundo só
Explodiu o nosso amor Por sobre o mundo E nós fomos só a alegria
Depois o silêncio, depois o silêncio Depois o silêncio e então
Eu quero (Gonzaguinha)
Eu quero Eu quero ver
Eu quero ver a cruz Eu quero ver a cruz vazia Eu quero o som da alegria Eu quero a cor da tua fantasia Eu quero
Eu quero ter
Eu quero ter a vida
Eu quero ter a vida inteira Eu quero o som da brincadeira Eu quero a cor da tua terça-feira O carnaval, o feriado nacional Da vida em festa
Fenomenal, sensacional Eu quero o sorriso
Liso, belo (e) preciso da loucura ocidental
Me deixa em paz (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)
Me deixa em paz
Que eu já não aguento mais Me deixa em paz
Sai de mim Me deixa em paz Vai...
Hoje o fogo se apagou Nosso jogo terminou Vai pra onde Deus quiser Já é hora de você partir Não adianta mais ficar