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As categorias de estudo

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Por se tratar de um estudo com base teórico-metodológica no materialismo histórico- dialético é imprescindível definirmos algumas categorias dialéticas para análise. Ao mesmo tempo em que, para uma melhor sistematização dos dados recolhidos, adotemos pontos de partidas para essas análises enquanto categorias instrumentais.

Ao nos aproximarmos, no âmbito da teoria do conhecimento, do materialismo histórico-dialético, consideramos categorias que agrupam elementos que são interdependentes no campo social. Elas figuram expressões essenciais, que buscam se apoderar da realidade pela postura dialética diante do objeto de estudo.

40 As categorias implicadas nesse esboço balizam as fundamentações teóricas eleitas e nos remetem às questões históricas, que constroem a educação profissional no Brasil, atendendo as suas relações com o mundo do trabalho. Propomos categorias que darão referências para incrementar a discussão sob o referencial teórico, bem como para a discussão metodológica. Para tanto, após definido o objeto de estudo, representado aqui na questão: como o componente curricular educação física se insere na formação do aluno de uma escola de formação profissional, considerando as incursões políticoeconômicas deferidas neste tipo de escola e as escolhas pedagógicas dispostas pelo professor e a própria escola; daí encontramos o trabalho como categoria fundamental. E abordamos essa categoria, reconhecendo seu valor enquanto estruturadora das relações sociais.

Nomeamos também, enquanto categorias filosóficas, a possibilidade e a realidade; e travamos um desafio teórico singular nesse momento, quando nos propomos a discutir o cotidiano, entendendo-o como espaço essencial para desenvolver resistências individuais e/ou coletivas, ou seja, de fomentar condições de materialidade e, assim, transformar o real.

Nesse sentido, a categoria possibilidade é entendida como

[...] as formações materiais, propriedades, estados, que não existem na realidade, mas que podem manifestar-se em decorrência da capacidade das coisas materiais (da matéria) de passar umas nas outras. A possibilidade, realizando-se, transforma-se em realidade, e é por isso que podemos definir a realidade como uma possibilidade já realizada e a possibilidade como realidade potencial (CHEPTULIN,1982, p. 338).

Essas categorias são vistas aqui enquanto base de análise dialética, propostas para subsidiar nosso olhar sobre uma formação material concreta, em que as determinações históricas e o cotidiano, como lugar privilegiado de apreensão do processo histórico (HELLER, 2008), representam um objeto desenhado pelas tensões movidas no seio da sociedade capitalista. Sendo o processo educativo vinculado a essas tensões, encontramos nessas categorias, um referencial que permite pensar e motivar uma prática social transformadora.

Cheptulin afirma que “a possibilidade tem, efetivamente, uma existência real, mas somente como propriedade, capacidade da matéria de transformar-se em condições correspondentes, de uma coisa ou de um estado qualitativo em um outro”(CHEPTULIN, 1982, p. 338).

Este autor ainda reflete sobre

a possibilidade transformar-se em realidade não em qualquer momento, mas somente nas condições determinadas, que são um conjunto de fatores necessários à realização da possibilidade. E diz que toda atividade prática dos homens baseia-se exatamente nessa lei. (…) Se a atividade prática dos homens baseia-se na utilização consciente da transformação da possibilidade em realidade, torna-se indispensável analisar a fundo essas leis e estudar as possibilidades sob seus diferentes aspectos (CHEPTULIN, 1982, p. 340-341).

Então, refletir sobre as opções pedagógicas dos professores nas escolas de formação técnica profissional torna-se um desafio essencial, visto que podemos identificar graus de acomodação, resistência ou lutas travadas no interior de uma sociedade de cenário capitalista

41 em que o trabalho é explorado como mercadoria barata; tratada a partir de uma prática social, em nosso caso a Educação Física e, que portanto, aponta para diferentes modos e intenções na formação humana. Nesse sentido, a contradição é representada e perpassa essas categorias dialéticas, apontando para o jogo de força entre os diversos interesses e visão de sociedade.

No contexto sociopolítico apresentado no primeiro capítulo, em que discutimos a constituição do modelo capitalista e sua capacidade de se estabelecer sobre o domínio das forças de produção, definimos uma contradição fundamental em que o mundo do trabalho se transforma e se reestrutura, desmobilizando e enfraquecendo a classe-que-vive-do-trabalho. A partir desse movimento posto, onde a luta de classe se estabelece em sua essência, recortamos a realidade da educação técnica profissional e buscamos identificar as escolhas pedagógicas dos professores de Educação Física.

Buscamos eleger, também, algumas categorias de instrumentalização, mais específicas e mais concretas (MINAYO, 2002), tais com: as questões que se referem a identificação pelo professor das políticas na educação técnica profissional; as mudanças no mundo do trabalho e as articulações com a escola e o entendimento dos professores sobre o componente curricular educação física. Essas categorias instrumentais foram definidas a partir do roteiro de entrevistas, de acordo com os objetivos da pesquisa e a discussão teórica desenvolvida até aqui. Identificaremos, portanto, nas falas dos professores, os textos que se referem às relações apontadas pelas categorias. E assim, teremos de modo concreto o entendimento sobre as questões maiores que delineiam o nosso objeto de estudo. No entanto, é possível ampliarmos a compreensão dessa realidade, a partir de leituras que podem ir além do que pré-definimos como um ponto de partida sob essas categorias, mas que são possíveis pela discussão e reflexão teórico-metodológica que assumimos.

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