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3. Análise quantitativa

3.1 Aplicação do programa «Lexicon»

3.1.2 As classes gramaticais

Graças à ferramenta do «Lexicon» denominada «Verificar Classes Gramaticais», e às tabelas subsequentemente compostas pelo programa, é possível classificar, ordenar e comparar os vocábulos presentes nas três obras estudadas em termos linguísticos.

Assim, e a partir de uma primeira leitura, podemos apresentar uma comparação em termos quantitativos (percentagens), quanto ao número de palavras presentes em cada classe gramatical dos romances em análise.

Neste sentido, o quadro abaixo apresentado contém os dados percentuais relativos ao número de substantivos15, nomes próprios16, adjectivos17, advérbios18, artigos19,

15

O substantivo […] permite a representação linguística “objectivizada” de coisas, processos, relações, propriedades. Gramaticalmente, os substantivos caracterizam-se por serem flexionáveis (género e número), determináveis e actualizáveis pelo artigo e pelos determinantes, especificáveis pelos adjectivos, capazes de funcionar na frase e com possibilidade de realizarem quase todas as funções sintácticas […] e disponíveis para ocupar qualquer posição, de acordo com a função, na frase

(Vilela 1999: 180).

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[…], diz-se que os nomes próprios são nomes “vazios” de significado: perderam a sua “intenção” e mantêm apenas a sua “extensão” (= referência a um objecto único). A designação do

conjunções20, numerais21, preposições22, pronomes23 e verbos24 presentes nos três textos, destacando-se a negrito a maior percentagem por cada classe.

nome próprio resulta não do significado mas de uma convenção: é um designador rígido, mantendo o seu referente seja qual for a sua aplicação (Ibidem: 195).

17

O adjectivo […], é, depois do substantivo e do verbo, a classe mais representada na língua. Caracteriza-se gramaticalmente como uma categoria não autónoma sintacticamente e dotada de flexão e graduação sob o ponto de vista morfológico; semanticamente designa qualidades, propriedades ou relações. Estes valores semânticos não ocorrem de forma independente na realidade: são seleccionados a partir das coisas a que estão umbilicalmente ligados e depois armazenados no saber linguístico como propriedades, qualidades ou relações (Ibidem: 228-229).

18

Embora a designação advérbio […] aponte para um determinada relação destas palavras com o verbo (“aplicado ao verbo”) – e por isso mesmo tem sido tratado como o “adjectivo do verbo” –, contudo, os advérbios não modificam apenas os verbos, mas também adjectivos e mesmo outros advérbios e frases totais: […] (Ibidem: 239).

19

O artigo apresenta-se como o grau “zero” da determinação nominal e é um dos instrumentos de relação na frase, indicando suplementarmente o género e o número do substantivo: é que as categorias género e número se sobrepõem, frequentemente, sob o ponto de vista material (= sincretismo) e, por vezes, não se manifestam materialmente no substantivo. O artigo tem ainda como função a de substantivar qualquer outra categoria gramatical: […] (Ibidem: 196).

20

«A conjunção é outro dos meios de que a língua dispõe para estabelecer a ligação entre palavras, grupos de palavras e frases e, simultaneamente, para exprimir determinadas relações semânticas entre as unidades ligadas» (Ibidem: 253).

21

Os ordinais são adjectivos que indicam uma determinada ordem, um dado lugar numa série. Podem ser usados substantivamente, como aliás, acontece com os adjectivos. Os outros grupos, os multiplicativos, os fraccionários, funcionam com as mesmas regularidades que os adjectivos normais. Os cardinais indicam uma quantidade certa, têm função de adjectivo, o que acontece normalmente, e, por vezes apenas de substantivo […] (Ibidem: 238).

22

A “preposição” (= pré + posição) serve de instrumento de ligação entre dois segmentos do enunciado, em que a sequência colocada após a preposição fica dependente de “um certo modo” da sequência que precede a preposição. […] As preposições, como aliás as conjunções, têm como função ligar elementos linguísticos e caracterizar determinadas relações semânticas entre esses elementos. Tanto as preposições como as conjunções são palavras de ligação, são invariáveis e não podem funcionar como elementos frásicos (Ibidem: 249-250).

23

A própria designação PRO – NOMEN aponta para o valor “relação” entre esta categoria gramatical e o nome (ou substantivo). […] Os pronomes encontram assim a sua definição no discurso, apontando para pessoas, seres vivos, objectos ou estados de coisas, em que a relação fixada na materialidade do pronome é deduzida da conexão da frase, do texto ou da situação do discurso

(Ibidem: 207).

24

O verbo é a categoria gramatical que configura os processos da realidade objectiva no seu

enquadramento temporal. Esta configuração faz-se por meio da combinação do lexema verbal com os morfemas gramaticais ou com os verbos auxiliares, com que se atribui ao verbo, nas formas finitas, uma ordenação categorial em pessoa, número, tempo, voz ou género. A semântica do lexema verbal determina o modo de ser ou acontecer, e simultaneamente constitui a base para o decurso (= aspecto) do processo e para a valência do semema verbal. A chave para a compreensão do verbo na frase

Sei lá Não há coincidências Alma de Pássaro N.º total de palavras 59.838 64.364 62.185 Substantivos 3,87% 3,04% 2,98% Nomes próprios 0,22% 0,12% 0,13% Adjectivos 1,51% 1,19% 1,03% Advérbios 0,40% 0,32% 0,26% Artigos 0,05% 0,04% 0,04% Conjunções 0,03% 0,03% 0,03% Numerais 0,06% 0,04% 0,04% Preposições 0,13% 0,12% 0,12% Pronomes 0,52% 0,50% 0,51% Verbos 6,81% 6,21% 5,74% TOTAL 13,60% 11,61% 10,88%

Quadro 13 – Comparação da quantificação das classes gramaticais

A interpretação do quadro revela, assim, que o romance Sei lá é o mais rico ao nível lexical, por apresentar, quantitativamente, os maiores valores percentuais nas classes gramaticais observadas.

Contudo, a aplicação do programa «Lexicon» permite, apenas, proceder a uma análise quantitativa dos dados lexicais.

Face ao exposto, e com a finalidade de completar objectivamente o nosso estudo, utilizámos outro programa computacional que nos permite fazer uma análise quanti- qualitativa do vocabulário utilizado, o «Stablex».

resulta tanto da semântica do lexema verbal como das categorias constituídas pelos morfemas gramaticais (Ibidem: 60-61).

4. ANÁLISE QUANTITATIVA E QUALITATIVA

De forma a apresentar uma análise lexical25 quantitativa e qualitativa, utilizámos ainda o programa computacional «Stablex».

Relativamente ao programa em si, o seu criador, André Camlong, explica o seu nome – «Stablex», da seguinte maneira:

[c]omme son nom l’indique, c’est tout à la fois “Sta” comme statistique, “tab” comme tableau et tableur, “lex” comme lexique et enfin “t…ex” comme texte. C’est un ensemble de fonctions complémentaires qui permettent de traiter “quantitativement” et “qualitativement” un texte pour en produire le lexique avec les renseignements numériques afférents, pour en extrair eles séquences naturelles permettant de confectionner automatiquement le “dictionnaire” – stricto sensu – d’un texte ou d’un ensemble des textes, et de le manipuler à volonté en tant que tel (Camlong 1991: 21-22).

Este método de estudo baseia-se, assim, na «estatística paramétrica», isto é, uma estatística descritiva que nos permite interpretar o texto. A análise estatística torna-se, deste modo, um meio. Com efeito, a partir do levantamento das formas e das palavras, conseguimos chegar ao texto, e através do mesmo, ao discurso propriamente dito.

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