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5.6 O Parlamento Europeu e os Parlamentos Nacionais

ANEXO 1 As competências do PE segundo os Tratados

ANEXO 1 – As competências do PE segundo os Tratados

TRATADOS COMPETÊNCIAS

Tratado de Paris (1951)

• Competência consultiva;

• A Assembleia Comum detinha apenas poder de controlo;

• Poder de destituir a Alta Autoridades (futura Comissão Europeia).

Tratado de Roma (1957)

• A Assembleia Parlamentar Europeia detinha uma competência consultiva em matéria legislativa.

Tratado de fusão (1965)

• Competência orçamental do Parlamento Europeu (nome atribuído desde 1962).

Tratado de Luxemburgo (1970)

• Competência orçamental de escrutinar as contas de UE no final de cada exercício e de avaliar a aplicação criteriosa e correcta do orçamento comunitário por parte de Comissão.

Tratado de Bruxelas (1975)

• Competência orçamental de rejeitar o orçamento comunitário e de dar quitação à Comissão relativamente à aplicação do orçamento;

• Legitimidade democrática reforçada com a eleição por sufrágio directo e universal.

Acto Único Europeu (1986)

• Competência legislativa – introdução dos novos procedimentos de cooperação e de parecer favorável que lhe permitem condicionar a decisão final a obtenção da unanimidade no Conselho (cooperação) ou mesmo impedi-la (parecer favorável);

• Poder de aprovar as novas adesões à UE.

Tratado de Maastricht ou Tratado de União Europeia (TUE) (1992)

• Poderes enquanto órgão decisor, através da criação do chamado procedimento de «co- decisão»;

• É reforçado o grau qualitativo da sua intervenção nas matérias reguladas por procedimentos decisórios já estabelecidos;

• São reforçadas as suas possibilidades de solicitar a iniciativa normativa da Comissão;

• Tem o direito de convidar a Comissão a apresentar propostas legislativas em matérias que, em seu entender, requeiram nova legislação comunitária;

• É chamado a designar o Provedor de Justiça, bem como a pronunciar-se sobre a designação da Comissão, a qual, continuando a ser nomeada de comum acordo pelos governos dos Estados membros, depende de prévia aprovação parlamentar;

• São alargados as possibilidades de intervenção processual perante os órgãos jurisdicionais comunitários.

Tratado de Amesterdão (1997)

• Participação no procedimento legislativo;

• A extensão do procedimento de co-decisão, sobretudo, no âmbito do poder legislativo – os 14 casos previstos no tratado de Maastricht passa a 24, abrangendo algumas matérias novas, como, por exemplo, o emprego, a política social, a saúde pública ou a luta contra a fraude comunitária, mas também matérias antigas, como os transportes e a coesão económica e social;

• O processo de cooperação se mantém apenas no que se refere à união económica e monetária;

• A simplificação do próprio procedimento de co-decisão, pela supressão da terceira leitura, que assegurava uma posição de supremacia do Conselho em relação ao PE. O PE e o Conselho passam a estar numa posição de igualdade como verdadeiros co- legisladores;

• O Parlamento passou a ter o direito de aprovar o Presidente da Comissão;

• O procedimento de parecer mantém-se apenas relativamente às questões constitucionais ou internacionais, sendo retirado das matérias legislativas.

Tratado de Nice (2001)

• São aumentados os poderes legislativos e de supervisão

Tratado que estabelece uma constituição para a Europa (2004)

• Poderes reforçados, ao nível legislativo e orçamental;

• São simplificados os processos legislativos, o anterior processo de co-decisão passa a ser designado como processo legislativo ordinário, que se consagra como o processo legislativo normal, e os demais processos são agregados sob a designação de processos legislativos especiais;

• Cria-se um mecanismo de controlo da aplicação do princípio da subsidiariedade pelos Parlamentos nacionais, o que constitui uma inovação;

• Prevê-se um processo ordinário de revisão dos tratados e um processo de revisão simplificado. O primeiro contempla a possibilidade inovadora de o Parlamento Europeu poder apresentar projectos de revisão dos tratados (como já o podiam a Comissão e os governos dos Estados membros) e adopta o modelo da Convenção Europeia para futuras revisões. No segundo, um sistema de «cláusulas - ponte» permite ao Conselho, deliberando por unanimidade e após aprovação por maioria dos membros do Parlamento Europeu, alterar, no todo ou em parte, o articulado constante da terceira parte do tratado.

Tratado de Lisboa (2009)

• O PE é co-legislador de pleno direito e em estrita igualdade com o Conselho em praticamente todos os domínios relevantes da actividade da União Europeia, com a (importante) excepção de alguns dos domínios específicos, como é o caso da Política Externa de Segurança Comum no decurso do processo de co-decisão que foi alargado a mais de 40 novas áreas legislativas;

• Contribui para a elaboração de nova legislação, dado que tem de examinar o programa de trabalho anual da Comissão, determinando quais os novos actos legislativos que são necessários e solicitando à Comissão que apresente propostas nesse sentido;

• Quando considera que determinada proposta legislativa é má e que não é possível melhorá-la, tem competência para rejeitar o texto no seu todo;

• Os deputados dispõem de um direito de iniciativa política que lhes permite pedir à Comissão que apresente propostas legislativas; e convidam regularmente a Comissão e o Conselho de Ministros a desenvolverem as políticas existentes ou a prepararem novas políticas para ser implementadas;

• Um milhão de cidadãos possa tomar a iniciativa de convidar a UE a propor novas leis;

• Os processos de consulta, de parecer favorável e de cooperação são agrupados sob a designação de "processos legislativos especiais";

• O processo de consulta aplica-se, nomeadamente, em domínios como a concorrência, as questões fiscais e a revisão dos Tratados;

• É conferido ao Parlamento o direito de propor alterações ao Tratado e são introduzidos novos processos de revisão simplificados para alterar, por decisão unânime, determinadas disposições do Tratado, com a aprovação dos parlamentos nacionais;

• Haverá um Serviço para a Acção Externa único, composto por funcionários da Comissão e do Conselho e dos serviços diplomáticos nacionais, que apenas poderá ser instituído pelo Conselho com a aprovação da Comissão após consulta do Parlamento;

• É também consultado sobre decisões importantes em matéria de política externa não tendo poder de decisão nesta matéria;

• Os deputados podem questionar as políticas do Conselho e emitir recomendações.

• Os deputados vigiam igualmente a gestão da moeda única da União, o euro, convidando o presidente do Banco Central Europeu (BCE) a explicar as suas políticas perante a Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento;

• A nomeação do presidente do BCE e dos outros membros do directório dessa instituição apenas pode ter lugar depois de o Parlamento ter sido consultado;

• O Parlamento Europeu é consultado pelo Tribunal de Contas na nomeação dos seus membros, o Conselho sendo a instituição que nomeia por maioria qualificada os membros do Tribunal de Contas;

• O Parlamento Europeu é competente para emitir um parecer favorável, em certos domínios legislativos, nomeadamente, no domínio da ratificação de certos acordos negociados pela União Europeia, tais como, por exemplo, os acordos de alargamento da UE;

• Outra obrigação dos deputados consiste em formular recomendações à Comissão Europeia relativamente a negociações comerciais travadas no âmbito da Organização Mundial do Comercio (OMC), sendo a sua opinião fundamental para aprovar os resultados das mesmas;

• Necessitam de aprovação do Parlamento diversas decisões, como por exemplo, a decisão de lançar uma cooperação reforçada; a utilização da cláusula de flexibilidade; a decisão relativa à utilização das cláusulas -ponte gerais da passagem da unanimidade à maioria qualificada ou de processos legislativos especiais ao processo legislativo ordinário; certas decisões que permitem alargar o campo de aplicação de bases jurídicas previstas nos Tratados, como as que se referem à Procuradoria Europeia ou à cooperação judiciária em matéria penal;

• A introdução de uma «cláusula de saída» para os Estados-Membros (artigo 50.o do TUE) - o acordo que estabelece as disposições para a retirada de um Estado-Membro da União não pode ser concretizado enquanto o Parlamento não tiver dado a sua aprovação;

• Várias disposições dos Estatutos do Sistema Europeu de Bancos Centrais (SEBC) e do BCE podem ser modificadas após consulta do Parlamento;

• O procedimento de cooperação aplica-se agora, exclusivamente, ao domínio da União Económica e Monetária e à PESC;

• A influência do Parlamento é estendida a todo o orçamento. O Parlamento Europeu e o Conselho fixem em conjunto todas as despesas, suprimindo a anterior distinção entre despesas «obrigatórias» (por exemplo, as ajudas agrícolas directas) e despesas «não obrigatórias»;

• O quadro financeiro plurianual necessita da aprovação do Parlamento Europeu. No processo orçamental, os poderes do Parlamento aumentam, uma vez que este processo se torna semelhante ao "procedimento legislativo ordinário", mas apenas com uma única leitura e uma conciliação entre o Parlamento e o Conselho;

• Tem poderes acrescidos em matéria de prioridades orçamentais e controlo das despesas comunitárias;

• Pode rejeitar o orçamento proposto, quando isto acontece, tem de ser reiniciado todo o processo orçamental;

• O Parlamento Europeu, com a ajuda do Tribunal de Contas Europeu, verifica constantemente a gestão eficaz do orçamento e zela por que sejam combatidas eventuais fraudes.

• Nomeia o Presidente de Comissão e os seus membros. Toda a Comissão Europeia, incluindo o Alto Representante para a Política Externa e Segurança Comum, necessita da aprovação do Parlamento Europeu;

• O Parlamento aprova a Comissão, enquanto colégio, através de um voto de confiança. Pode obriga-la a demitir-se em bloco por meio de uma moção de censura;

• É permitido aos parlamentares europeus por questões sobre qualquer assunto, tanto a Comissão como ao Conselho;

• As Comissões Permanentes do Parlamento Europeu seguem a pratica de convidar os membros da Comissão a comparecer perante elas para lhes expor ou seus projectos ou intenções sobre problemas pendentes, e responder as suas perguntas.

• O Parlamento Europeu pode apresentar resoluções e propostas de recomendação ao Conselho e a Comissão;