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Capítulo 5. Resultados dos levantamentos em campo na região de Lajeado – Palmas Porto

5.3. As comunidades atingidas e os novos assentamentos

As comunidades rurais em vários municípios foram submersas pela represa: Pinheirópolis, Lajeadinho, Vila Canela, Pratinha, mais as cachoeiras Ilha da Ema e Carreira Comprida, que se localizavam num afluente do Tocantins, o Núcleo Familiar Brejão são as mais conhecidas.

Foto 1: Praia da Graciosa, agosto de 2000, na última temporada. Atualmente esse local está com mais de 8km de largura. Fonte Acervo do MAB

Foto 2: Área de lazer ‘Pratinha’, agosto de 2000,próxima à Praia da Graciosa, atualmente área toda submersa. Fonte: Acervo do MAB

Foto 3: : Ponte sobre o Tocantins e Praia de Porto Real, julho 2001 última temporada, atualmente área toda submersa. Fonte: Acervo do autor

Foto 4: Comunidade de Lajeadinho, no entorno da represa, um ano antes de ser inundado, Sr Omar (MAB) e 2 moradores, fev 1999 .Fonte: acervo do MAB

Foto 5: Núcleo familiar Brejão, 32 famílias. 3 famílias foram para o reassentamento da Prata, outras foram para periferia de Porto Nacional e reassentamento Brejo Alegre, fev 2001. Fonte:

acervo do MAB

Foto 6: Comunidade Ilha da Ema, área atualmente submersa, a maioria foram para o reassentamento, mundo novo, fev - 2001. Fonte: acervo do MAB

Em 1996, quando a empresa THEMAG, concluiu o EIA da UHE Lajeado, a empresa Agropastoril foi contratada pelo empreendedor para percorrer toda área de influência do reservatório, averiguando as terras com títulos definitivos, a fim de comprar essas propriedades pelo sistema “porteira fechada”, isto em 1998 e 1999.

Na mesma época, o empreendedor contratou uma outra empresa, chamada - Arque Engenharia, com a função de negociar as indenizações com os ribeirinhos, arrendatários, extrativistas, com as famílias das comunidades que iam ser atingidas; e para isto, tinham que levantar com mais detalhes e critério as terras de menor valor e as que não possuíam títulos de propriedade. Sabe-se na região que a maioria desses moradores foi prejudicada nas negociações.

Segundo informações passadas em fevereiro de 2002 pelo coordenador dos reassentamentos rurais - Sr. Omar Oster, por volta de 3.970 famílias foram atingidas pela represa de Lajeado; das quais aproximadamente 600famílias foram remanejadas para os 13 reassentamentos rurais (cerca de 15%). Outras 500 famílias foram reassentadas na zona urbana (13%), e o restante das famílias que foram atingidas, centenas dessas não foram indenizadas em virtude de não serem proprietários das terras onde viviam, ou porque eram somente terras arrendadas.

Os reassentamentos rurais foram divididos assim:

1(um) - Reassentamento na TO 010 entre Palmas e Lajeado (Canto da Serra). 2(dois) - Reassentamentos entre Miracema e Lajeado (Mundo Novo e Lajeadinho).

1(um) - Reassentamento na margem esquerda do rio Tocantins, próximo à antiga praia da graciosa - natural do rio Tocantins (Luzimangues).

3(três) - Reassentamentos na TO 050 (Mariana, Prata e São Francisco), entre Palmas e Porto Nacional

1(um) - Reassentamento em Brejinho de Nazaré

2(dois) - Reassentamentos rurais p/fins de olericultura em Porto Nacional próximo a ponte sobre o rio Tocantins (Olericultores e Pinheirópolis).

1(um) - Reassentamento entre Porto Nacional e Natividade (Flor da Serra). 1(um) - Reassentamento entre Porto Nacional e Monte do Carmo (Brejo Alegre). 1(um) - Reassentamento em Ipueiras - chamado Projeto 2000

Em visita ao reassentamento rural São-Francisco, fomos informados que ali foram reassentadas 52 famílias: as que foram consideradas como atingidas mesmo sem ter a escritura da terra ou viviam de forma de arrendamento, receberam 6ha, dos quais 4ha poderiam ser

explorados e 2ha são de preservação permanente; outras famílias receberam 4ha ou mais,

“lago” cobriu. Os proprietários das terras inundadas obtiveram mais benefícios, ganharam cerca de 1,75% a mais de área no novo ambiente, sendo 35% desse valor é de preservação permanente, ou seja, intocável, ou para reflorestamento.

Conforme o tipo de contrato incluído no PBA-23, o empreendedor deveria fornecer todos os insumos necessários para o manejo de agricultura e do plantio de hortaliças e legumes, para todos os reassentados rurais. Também nos meios para gradear a terra, instalar postos de saúde e centros comunitários para a comunidade reassentada, casas adequadas para moradia, e isentar os usuários de custos com água e energia por um determinado período. É desta mesma época, 2002, quando a represa já estava formada e recomeçava a vida para os reassentados, a abertura de Ação Judicial contra o empreendedor, com denúncias de várias irregularidades, que haviam sido constatadas pelo Ministério Público Estadual. Eram mencionados: atraso no fornecimento dos insumos agrícolas na maioria dos reassentamentos, comprometendo o plantio e colheita dos legumes; nos postos de saúde implantados, faltavam medicamentos e profissionais adequados; o centro comunitário continuava vazio sem atividades.

Foi possível verificar “in loco” várias casas construídas com materiais de segunda mão e mal acabadas, confirmando os comentários dos próprios moradores. Sabe-se que o reassentamento São Francisco visitado é o melhor em infra-estrutura, dentre os treze feitos, com melhor localização geográfica, vista privilegiada, fazendo divisa com uma Área de Proteção Ambiental - APA , a Serra do Lajeado.46

Sobre os assentamentos urbanos: foram relocadas cerca de 500 famílias para a zona urbana (ARSE 64) uma área residencial ao Norte de Palmas, conforme o PBA 22. Foi verificado “in loco” que os moradores estavam insatisfeitos, em condições precárias de vida. O restante dos atingidos que foram indenizados receberam indenizações variando entre R$ 1.000,00 e R$ 105.000,00 dependendo da atividade agricultável e da área alagada em sua propriedade.

46 O senhor Omar Oster, informou que: 1(um) hectare, que o empreendedor comprou para formar esse reassentamento, saiu por R$600 um total de 1.720 hectares ou 353 alqueires. Verificamos, também, que as terras foram compradas baratas pelo empreendedor comparadas com as áreas dos reassentamentos das UHEs da região Sudeste e Sul. Nesse período, também, o Ministério Público Estadual estava com outra Ação Judicial contra o empreendedor, alegando que alguns reassentamentos eram terras pertencentes ao Estado e que foram adquiridos de maneira ilícita.

Acreditamos que os atingidos que não foram reconhecidos por parte do empreendedor e saíram sem qualquer apoio ou compensação estão morando nas periferias de Porto Nacional, de Palmas e de Miracema. Em 2002, os problemas se multiplicavam na região.47

No dia 24 de maio de 2002, o Ministério Público Federal de Palmas encaminhou um Oficio a Defensora Pública Geral da União - Anne Elisabeth de Oliveira, em Brasília, encaminhando expediente e fita de vídeo, em que “trata da situação vivida por algumas famílias situadas no

setor São Vicente, município de Porto Nacional-TO. Com a Formação do Lago da UHE Lajeado, os impactos sofridos por aquele setor são gritantes, como poderá ser verificado através da fita de vídeo, porém, apesar dos danos causados aos moradores, nenhum tratamento foi dispensado por parte da executora da obra - INVESTCO, aos mesmos. Diante da urgência da questão, solicito-lhe que seja nomeado um Defensor Público da União, para atuar no caso. Procurador Chefe da PR/TO - Mário Lucio de Avelar (OF.N°536/02/PR-TO)”.

(Vide maiores detalhes no anexo 2 da dissertação)

Alguns reassentamentos estão mais reestruturados, como o São Francisco, as famílias receberam, durante o período de contrato entre empreendedor e reassentados rurais: sementes, área gradeada para plantar e insumos agrícolas em geral e produzem variedades de legumes e vedem na feira da Arno 33 - área residencial Norte em Palmas. Na época em que estivemos por lá, os contratos com o empreendedor estavam chegando ao final e eles já estavam buscando alternativas e soluções para se tornar independentes do empreendedor.48

47 No mês de junho, quando estávamos em Palmas, buscando outras informações necessárias para a dissertação e no dia 03/06/2002 encontramos no centro de Palmas com vários ribeirinhos e extrativistas que viviam às margens do rio Tocantins e que tiveram que serem relocados para os reassentamentos. Eles também vendiam seus produtos nas feiras de Palmas como: mangas de várias espécies, murici, buriti. De seus canaviais faziam e rapaduras do formato tijolo; tinham também pomares de laranjas e roças de milho verde, que lhes davam muito lucro. Dialogando nesse dia com a senhora Marieta Rodrigues Gomes de Souza, que morava na gleba3 com 2 filhos, que localizava cerca de 3km da antiga balsa de travessia Palmas-Paraíso. Essa família foi remanejada juntamente com seus vizinhos para o reassentamento Luzimangues. (v. anexo 2 da dissertação)

48 Seguindo indicação fornecida no dia da defesa da dissertação, foi buscado contato com o Ministério da Integração Nacional - SIN e também com a Secretaria de Recursos Hídricos/TO: a informação é de que existe um projeto de irrigação chamado de São João, que pretende atender uma área de 5.000 ha na região Central do Estado do Tocantins. Uma parte do recurso desse projeto se destina a um dos reassentamentos da UHE Lajeado, o Luzimangues, mas isto ainda depende de decisões judiciais, pois existem pendências entre os atingidos e o

5.4. Os prejuízos e as manifestações dos barraqueiros, garçons, balseiros, canoeiros,