A crise universitária de maio de 68 atingiu duramente o IHEAL em suas
estruturas administrativas e, principalmente, econômicas. As reviravoltas da reforma
universitária resultaram na divisão da Universidade de Paris em 13 universidades,
reduzindo consideravelmente o papel federal do Instituto previsto desde sua criação
em 1954.
O IHEAL, que era ligado à Universidade de Paris (até esse momento, uma
única universidade), encontrou-se a partir de então ligado unicamente à
Universidade de Paris III dita Sorbonne Nouvelle (uma das 13 universidades) com
um simples status de unidade de ensino e de pesquisa (UER): l'UER de língua e
civilização latino-americanas n°113 puis n° 13. (CHONCHOL e MARTINIÈRE, 1985,
p. 166). Dessa forma, o Instituto perdeu não só o status de Instituto de estudos
latino-americanos a nível federal, mas perde também economicamente, porque não
havia mais razão para investir pesadamente em um instituto de estudos
latino-americanos. Se a Sorbonne se dividiu em 13, o orçamento também se dividiu.
Nesse sentido, apesar de estimular a democratização do acesso à
universidade, o maio de 68 desarticulou a importância nacional que o IHEAL tinha.
Com a divisão da Sorbonne, ao invés de ser um instituto de todas as universidade
de Paris, o IHEAL tornou-se o instituto da Universidade de Paris 3 Nouvelle
Sorbonne. Com isso, o prestígio, o reconhecimento e os financiamentos da IHEAL
diminuíram.
O Instituto buscou então desenvolver mecanismos para encontrar seu lugar
nessas mudanças ocorridas na França. Ele lança em 1968, a revista Les Cahiers
des l'Amériques latines (Os Cadernos das Américas Latinas) no lugar do Cahier des
Instituts (Cadernos dos Institutos). Uma revista bem voltada para a produção
latino-americanista e que contribui para a concentração de uma grande parte da produção
acadêmica francesa sobre essa região. (CHONCHOL; MARTINIÈRE, 1985, p. 164).
Essa crise do instituto durou até 1985, quando o professor e geógrafo
Romain Gaignard, que compunha o Ministério de Savary - ainda ministro da
educação nacional - deu um novo status ao IHEAL pelo decreto de 28 de novembro
de 1985 e criou o Institut Pluridisciplinaire pour les Études de l'Amérique-latine
IPEALT, em Toulouse
35. A partir de então o instituto passa a receber financiamento
conforme o número de estudantes. Como ele tinha muitos estudantes porque
continuava a ser o lugar para onde os estudantes latino-americanos se dirigiam para
realizar seus estudos, bem como os estudantes franceses que pesquisavam sobre a
América Latina, esse passou a receber uma quantidade regular de dinheiro para sua
manutenção.
Do ponto de vista do status, entre 1970 e 1985 foi o pior período para IHEAL. Antes havia dinheiro, havia um papel específico, uma função. Aqui havia essa espécie de função acolher os estudantes latino-americanos e também os professores. Por que o Instituto superou a crise? Por causa de duas coisas que aconteceram: o novo status em 1985 [dado por Gaignard] e porque passou a ser dado um financiamento regular ao IHEAL em função do número de estudantes. Percebe? Como os tínhamos, nós tivemos esse um financiamento regular. Antes [durante esse período de crise] não tínha-mos nada. As bibliotecárias aqui, elas vendiam fotocopias para comprar
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IPEAT. Institut Pluridisciplinaire pour les Études sur les Amériques à Toulouse Disponível em : <
http://ipeat.univ-tlse2.fr/accueil/presentation/>. Acesso em : 12 de março de 2013: O Institut Pluri-disciplinaire pour les Études de l'Amérique-latine (IPEALT), em Toulouse foi criado em 1985 pelo decreto de 28 de novembro. Em 2010 ele foi substituído pelo IPEAT. Ele é o único instituto dese tipo, fora de Paris e Rennes, a propor um diploma de Mestrado pluridisciplinar especializado nos estudos latino e ango-americanos.
pel e canetas. Você não pode imaginar o estado em que se encontrava es-se instituto. (Entrevista com Huerta, 2013; Tradução nossa)