O setor elétrico brasileiro também foi influenciado pelas mudanças ocorridas no âmbito nacional, que o tornou mais competitivo. Principalmente, na década de 1990, com o programa de desestatização do setor e criação de novos players e estrutura para o setor, com destaque para a criação do órgão regulador independente do governo e das empresas, a ANEEL.
obrigatoriedade de investimento de P&D nos contratos de concessão e por meio da publicação de manuais do Programa de P&D, visando contribuir para o desenvolvimento do SEB.
Neste contexto, foi identificada a percepção dos Gerentes de Programa de P&D com relação à contribuição da criação da ANEEL e seu Programa de P&D para o SEB para o fortalecimento das equipes e atividades de P&D nas concessionárias de energia elétrica, com base nos resultados apresentados na tabela 07.
Tabela 07 – Resultado da Média de Intervalo de Confiança (MIC) da contribuição da ANEEL e seu Programa de P&D.
Nº AFIRMATIVAS 1 2 ☺ ☺☺ ☺ 3 ☺☺ ☺☺ ☺☺ ☺☺ 4 MIC 04
A criação da ANEEL contribuiu para o fortalecimento das estruturas de P&D das concessionárias.
0 0 2 6 3,75
05
Os produtos oriundos do Programa de P&D da ANEEL têm sido compatíveis com as tecnologias utilizadas pelas empresas do setor elétrico.
0 0 6 2 3,25
06
As diretrizes do Programa de P&D da ANEEL têm contribuído para a qualificação dos especialistas do setor elétrico.
0 0 4 4 3,50
07
As diretrizes do Programa de P&D da ANEEL têm contribuído para a manutenção dos especialistas nas empresas do setor elétrico.
0 3 5 0 2,63
08
As diretrizes do Programa de P&D da ANEEL têm contribuído para a ampliação da capacidade de produção científica e tecnológica pelas empresas do setor elétrico.
0 1 4 3 3,25
Fonte: O autor
O resultado da afirmativa 04 demonstra que existe um alto grau de concordância (3,75) de que a criação da ANEEL contribuiu para o fortalecimento das estruturas de P&D nas empresas do SEB. Entretanto, um dos respondentes fez o seguinte comentário na questão aberta do questionário: “Não foi a criação da ANEEL que alavancou os investimentos em PD&I, mas sim a Lei nº 9.991/2000 que tornou o investimento de 1% da ROL obrigatório em PD&I”.
Todavia, o comentário aparentemente evidencia um equívoco na interpretação da questão, pois a avaliação do impacto das políticas públicas para o
crescimento de investimento em PD&I é tratada na afirmativa 01. Além disso, conforme a revisão bibliográfica, a ANEEL, criada em 1996, inicialmente incluiu obrigações de investimento em P&D nos contratos de concessões, posteriormente a obrigatoriedade foi incluída nos manuais publicados em 2000, 2001, 2006 e 2008 (GUEDES, et al., 2010; ANEEL, 2008, SOUZA, 2008). O programa de P&D da ANEEL contribui para que as concessionárias invistam mais em suas estruturas de P&D e façam frente aos desafios tecnológicos e de mercado, pois tem como uma de suas competências o estímulo e a participação nas atividades de P&D (GUEDES et al., 2010; GOMES, 2003; SOUZA, 2008).
No que se refere à compatibilidade dos produtos de P&D gerados com as tecnologias utilizadas no SEB, o resultado da percepção dos respondentes (afirmativa 05), apresenta uma alta concordância (3,25) da compatibilidade dos produtos gerados por meio do Programa de P&D da ANEEL com as tecnologias utilizadas pelas empresas do setor elétrico e difere do resultado apresentado da pesquisa realizada por Guedes et. al. (2010). Segundo essa pesquisa, realizada em setembro de 2009, com base nos projetos executados e aprovados nos últimos cinco anos do Programa de P&D anterior da ANEEL (2006), a maioria das inovações geradas era incremental de processos e apenas 35% com aplicação prática, devido à incompatibilidade das tecnologias desenvolvidas com os sistemas em uso nas empresas. Os autores atribuíram essa divergência à falta de planejamento.
Portanto, o resultado da pesquisa citada não se confirma no resultado desta questão. Como ainda não há produtos gerados a partir de projetos executados pelo atual Programa (2008), surge a necessidade de um aprofundamento em futuras pesquisas sobre a efetiva aplicabilidade dos produtos gerados, comparada com os resultados de programas anteriores, para verificar se as alterações no Programa atual contribuem para uma maior aplicabilidade dos produtos gerados.
Considerando que a qualificação técnico-científica é de fundamental importância para o sucesso dos resultados da pesquisa em inovação tecnológica, mola mestra do Programa de P&D da ANEEL, o alto grau de concordância (3,50) na afirmativa seis demonstra que as diretrizes da ANEEL, que promovem a qualificação dos especialistas envolvidos no Programa de P&D, como incentivos para a formação de especialistas, mestres e doutores, estão na direção correta e é percebida pelos respondentes.
manutenção dos especialistas no SEB, o resultado da afirmativa 07 apresenta um grau de concordância menor dentre as afirmativas desta seção ( 2,63). Destaca-se que dos oito participantes da pesquisa, três discordam desta afirmativa, o que corresponde a 38% dos pesquisados. Devido ao impacto da qualificação e manutenção de especialistas nos resultado da gestão do Programa de P&D das empresas do SEB, uma pesquisa específica sobre a realidade deste quesito e a suficiência dos atrativos para manutenção dos especialistas no SEB parece ser viável e producente.
O alto grau de concordância da afirmativa 08 (3,25) demonstra que as diretrizes do Programa de P&D da ANEEL têm contribuído para a evolução da produção científica e tecnológica. Entretanto, mesmo com o avanço brasileiro em relação aos demais países da América Latina e na escala mundial, ficou evidenciado no referencial teórico que a distribuição da produção científica e tecnológica, por área de conhecimento e região geográfica, não é homogênea. Portanto, uma oportunidade de melhoria para que a ANEEL possa analisar e planejar ações para uma distribuição mais equitativa das áreas de conhecimento e regiões geográficas no âmbito nacional.