1. INTRODUÇÃO
2.6 As Diferentes Formas de Tratamento da Dor
A Teoria da Porta propiciou uma melhor compreensão dos numerosos fatores envolvidos e que contribuem para a percepção e resposta à dor. O conhecimento das múltiplas influências exercidas sobre as células de transmissão (T) do sistema nervoso central, tem
implicações terapêuticas importantes. No que concerne ao tratamento da dor, a combinação de vários métodos terapêuticos é, em geral, mais eficaz do que quando utilizamos um método de cada vez isoladamente (MELZACK; WALL, 1982).
Bernardo (2000) reconhece que nos últimos anos tivemos avanços importantes com relação à compreensão dos mecanismos dolorosos e o seu controle, entretanto, a falta de conhecimento e o medo excessivo dos profissionais da saúde acerca dos analgésicos constituem uma barreira para o tratamento de todos os tipos de dores, principalmente a dor pós-operatória. Lupinacci e Guatelli ( 1994) acreditam que o manejo da dor no pós-operatório é insatisfatório, pois estudos mostram que cerca de 40% dos clientes que recebem a terapêutica convencional referem dor de intensidade moderada a forte.
Pimenta et al (1998) relatam que as razões do não controle da dor aguda e da dor crônica são diversas. Apontam a falta de informação da comunidade e entre os profissionais encarregados da assistência à saúde como as principais entre as múltiplas causas do insatisfatório alívio das queixas álgicas, especialmente as crônicas. O medo exagerado da dependência psíquica e de outros efeitos colaterais dos analgésicos morfínicos também tem contribuído para o inadequado alívio da dor nos clientes em geral, especialmente os idosos e oncológicos. O risco do desenvolvimento da dependência psíquica ou adição na utilização de morfina tem sido pequeno em clientes não usuários de drogas. Schoeller (s.d) reforça que vários estudos demonstram que a adição é rara. Numa pesquisa realizada com 12.000 clientes que receberam opióides, somente quatro manifestaram situações de dependência bem documentadas.
A dor pós-operatória pode ser aliviada parcial ou totalmente através da utilização de vários métodos, tais como: analgésicos por via sistêmica, opióides por via espinhal, analgesia regional com anestésicos locais, estimulação elétrica transcutânea (TENS), acupuntura, hipnose, auto-relaxamento, musicoterapia e outras drogas como tranqüilizantes e antidepressivos.
A acupuntura é um método terapêutico utilizado no oriente há 5000 anos. A palavra acupuntura origina-se do latim acus que significa agulha e punctura que significa puncionar, se refere à inserção de agulhas através da pele nos tecidos subjacentes em pontos estratégicos do corpo para produzir os efeitos desejados. Já foram descritos 1000 pontos de acupuntura. No ocidente, ela ganhou credibilidade, principalmente por seu efeito no alívio da dor, sendo
esta uma das razões para a ênfase atual da pesquisa no estudo dos mecanismos analgésicos da acupuntura. O foco de atenção tem sido o papel dos opióides endógenos neste mecanismo. Observou-se um aumento de concentração de endorfinas e de serotonina no liquido céfalo raquidiano de clientes submetidos à acupuntura.
Com relação ao tratamento medicamentoso, enfatiza o uso de drogas pela via endovenosa, a intervalos regulares e não aplicadas quando necessário, principalmente quando se tratar de opióide, pois este, ao ser administrado irregularmente, tem sua eficácia comprometida devido às variações nas concentrações plasmáticas (DRUMMOND, 2000). Wright (1989), em consonância com Drummond (2000), acrescenta que as medicações analgésicas em horários regulares evitam que a dor se torne severa, além de eliminarem a lembrança da dor e a angustiante expectativa do seu retorno. Refere que o enfermeiro deve orientar os clientes a solicitarem a medicação antes que a dor se torne muito intensa, quando isto ocorre, muitas vezes torna-se necessária uma dose mais elevada de analgésico para o seu alívio.
Novamente nos reportamos à Teoria da Porta, e podemos compreender como a aplicação destes conhecimentos pode ajudar a equipe de enfermagem no tratamento da dor. As atividades que envolvam massagens, aplicação de calor e frio, vão estimular as fibras nervosas de grande calibre na pele, promovendo um estímulo inibitório para o fechamento da porta. De outra forma, quando distraímos os clientes, por exemplo, com uma televisão, uma música, imaginação orientada, uma conversa ao realizarmos uma técnica que provoque dor, proporcionamos um impulso inibitório oriundo do tronco cerebral que promove o fechamento da porta. Uma outra atividade que proporciona impulsos inibitórios provenientes do córtex cerebral e tálamo se dá quando através da orientação aos clientes diminuímos sua ansiedade (WRIGTH,1989). Acrescento que a interação enfermeira/cliente contribui para proporcionar segurança aos clientes e conseqüente diminuição da ansiedade. O cliente que recebe da enfermeira e equipe de enfermagem mais carinho, atenção e percebe que pode contar com a equipe se mostra menos ansioso, conseqüentemente tem uma real possibilidade de vivenciar menos dor.
A equipe de enfermagem, por estar com o cliente 24 horas, pode interagir mais freqüentemente com o mesmo, ampliando suas possibilidades de avaliá-lo, podendo, neste sentido, recomendar modificações nas prescrições de analgésicos de acordo com a necessidade de cada cliente e promover terapias alternativas para o alívio da dor. Sabendo-se
que o tratamento farmacológico engloba um amplo arsenal de medicamentos de potências diversas e de diferentes mecanismos de ação é importante que a enfermeira tenha um conhecimento farmacológico para entender as interações entre as drogas e os benefícios para os clientes, bem como, observar seus possíveis efeitos colaterais. A enfermeira precisa estar ciente dos processos que envolvem o estímulo, a percepção e a resposta à dor, assim como, do seu caráter subjetivo, as diversas maneiras de avaliá-la e as diferentes formas de tratamento, farmacológico e não-farmacológico. Acredito, que somente desta forma poderá ocupar o seu lugar no tratamento aos clientes que vivenciam a dor. Cuidar de forma humanizada do cliente com dor no pós-operatório requer ainda da enfermeira uma presença genuína. Neste estar-
com e fazer-com, procurando compreender o significado e a multidimensionalidade da