• Nenhum resultado encontrado

6 ANÁLISE DESCRITIVA DOS RESULTADOS QUANTO AO PAPEL

6.4 As dificuldades do gestor enquanto avaliador

Em ocasião da falta de preparo para atuar como avaliador é de se esperar que surjam dificuldades em compreender totalmente o processo de avaliação, seja ele qual for. Neste sentido, fez-se necessário ouvir os gestores escolares e pontuar as principais dificuldades que sugiram no decorrer do processo avaliativo dos docentes em estágio probatório, com vistas a oferecer subsídios para o empreendimento de possíveis formações para esses profissionais enquanto avaliadores.

O GE1 não especificou suas dificuldades, apenas generalizou que o fato de avaliar alguém já é, em si, muito difícil, conforme discurso que se segue:

Avaliar o outro sempre é muito difícil, prefiro conversar com a pessoa e mostrar a ela os pontos fracos e desafiá-la a prosseguir em processo de mudança no futuro e até agora deu certo (GE1).

Essa dificuldade se revela mais como um desafio ou até mesmo com a insegurança em suas sugestões serem aceitas ou não. Quanto a essa insegurança, Fernandes (2008) pontua que pode gerar tensões pelo fato de os avaliados não reconhecerem competência aos avaliadores e, por isso, não ouvirem ou não aceitarem as suas opiniões. De todo modo, se a avaliação é considerada como um instrumento de melhora é essencial que o avaliador apresente uma postura de fato colaborativa para o desenvolvimento profissional dos avaliados durante todo o processo avaliativo.

Vianna (2014, p. 200), entende que “avaliar o professor é sempre tarefa difícil e ingrata, mas deve ser feita, desde que com competência e, sobretudo, bom senso”. E foi exatamente o que o GE2 destacou em sua fala ao relatar sobre as estratégias para conduzir o processo avaliativo, mesmo em meio às dúvidas:

Não tenho dificuldades porque procuro agir dentro do bom senso e tiro as dúvidas com a coordenadora pedagógica, que tem muita experiência como gestora escolar (GE2).

Por mais que tenha afirmado não ter dificuldade, o fato de procurar tirar dúvidas com a coordenadora pedagógica, mesmo esta tendo mais experiência na função, já mostra uma dificuldade que poderia ser resolvida, caso esse mesmo gestor tivesse recebido uma formação específica para avaliar os docentes na condição de estágio probatório. Sem essa formação, os gestores escolares continuarão “executando, desse modo, as suas atividades de

maneira amadorística e na base de uma possível experiência pessoal. É o fazer pela imitação ou o fazer pela reprodução de práticas tradicionais no ambiente escolar” (VIANNA, 2014, p. 60).

A GE3 foi mais enfática ao revelar suas dificuldades em relação ao preenchimento do instrumental avaliativo, conforme relato transcrito abaixo:

sim! Sinto sim, porque vejo muitos casos subjetivos que é muito difícil saber mensurar. Alguns itens têm respostas que são muito próximas e as pontuações são diferentes. Tem item que já está incluso em outro (GE3).

Pela fala da GE3, percebe-se que não há clareza acerca do instrumental avaliativo, o que pode prejudicar todo o processo de avaliação. Pois, por mais que esta avaliadora tenha a intenção de avaliar corretamente os docentes, a dúvida, ao atribuir a pontuação (in)devida, pode causar a desconfiança do avaliado e, ainda, um sentimento de insatisfação por parte da gestora. Essa dificuldade revela a necessidade de transparência ou até mesmo de atualização do instrumental, como as GE3 e GE6 haviam sugerido anteriormente.

Fernandes (2008) apresenta a transparência como um dos elementos essenciais para a eficácia da avaliação, explicando que

O processo de avaliação tem de ser transparente, prevendo a definição de critérios claros, simples e relevantes que contemplem as dimensões mais significativas e estruturantes das ações dos professores. Têm de ser construídos e debatidos por todos e serem do conhecimento de todos. As relações entre avaliadores e avaliados devem ser definidas e estabelecidas com clareza e obedecer a princípios claros (FERNANDES, 2008, p. 24).

Quanto mais transparente for o processo avaliativo, maiores serão as oportunidades de crescimento profissional não só para o avaliado, mas também para o avaliador. Vianna (2014) esclarece que os padrões de avaliação devem ser revistos, periodicamente, elaborados à luz de experiências e modificados, quando for o caso, e até mesmo suprimidos se não mais corresponderem à realidade socioeducacional e não atenderem às exigências e necessidades da sociedade.

Neste sentido, é de fundamental importância que os avaliadores participem da construção dos instrumentos avaliativos e, caso não seja possível essa participação, é imprescindível que haja momentos de apropriação anteriores à aplicação para que a avaliação não ocorra de forma mecânica e insatisfatória.

O GE4 já havia demonstrado suas dificuldades em questões anteriores, tornando a falar que

Quem fica responsável pela avaliação é a coordenadora pedagógica e ela me deixa a par dos resultados. Mas a gente sempre conversa antes e depois. Eu sempre tento falar com os professores querendo ajudar (GE4).

Como se pode notar no discurso do GE4, suas dificuldades em avaliar não são pontuadas justamente porque este processo não é realizado diretamente por ele. Neste caso, a oportunidade de participar de uma formação específica para avaliar os docentes pode ser propícia para que este gestor se sinta mais encorajado e seguro para assumir essa função e estar disposto a contribuir melhor com o desenvolvimento profissional dos docentes de sua unidade de ensino.

Dentre os gestores escolares entrevistados, a GE6 mostrou maior segurança em avaliar os docentes, mesmo tecendo críticas ao instrumental atualmente utilizado. Esta gestora afirmou claramente que “não há dificuldades em avaliar porque a avaliação é muito dialogada”. Pode-se dizer que o diálogo é uma das maiores estratégias para se compreender o outro, em qualquer relação humana.

Vianna (2014) enfatiza que a avaliação deve ser um diálogo de todo o sistema com a sociedade e do qual o professor participa, mostrando os resultados do seu trabalho, inclusive reconhecendo possíveis erros, mas ao mesmo tempo, procurando apresentar novas ideias para que a escola se revele uma instituição criativa, capaz de superar os obstáculos da burocracia que, muitas vezes, a sufoca.

É através do diálogo que se fundamenta um feedback adequado, principalmente, nesse contexto de avaliação de professores. Por esta razão, será apresentado no tópico seguinte a importância desse elemento no processo avaliativo através da prática realizada pelos gestores escolares junto aos docentes avaliados durante o estágio probatório.