CAPÍTULO III – O DISCURSO COMO ESTRATÉGIA
3.3 As especificidades do discurso jornalístico
Foucault (2008), ao conceber os discursos como algo disperso, constituídos por ele- mentos que não estão ligados por nenhum princípio de unidade, deixa transparecer seu caráter relacional, característica evidenciada pela presença de enunciados advindos de FD’s variáveis. Relações são constituídas no discurso e através do discurso na sociedade. Assim, ele não se limita apenas à cena midiática, mas perpassa a tessitura social, faz-se conhecer como estraté- gia desde as relações de força no interior dos dispositivos de poder-saber. Assim, o discurso não pode ser percebido como algo tácito, estático e perene, pelo contrário, configura estraté- gias e práticas que dependem das relações de poder estabelecidas entre os sujeitos e suas posi- ções ocupadas quando se pronunciam. O jornalismo, em sua prática produtora de notícias constitui-se como um agenciador de enunciados e detentor de um saber próprio, originando um discurso específico no qual é saliente a dispersão.
O discurso jornalístico é reconhecível através de sua materialidade na qual é possível verificar a reincidência de determinados enunciados. A formação discursiva jornalística (FDJ), por sua vez, é verificável através da determinação de quatro elementos: objetos, moda- lidades enunciativas, conceitos e estratégias (conforme aludido anteriormente) – itens verifi- cáveis através da análise do discurso noticioso. A FDJ é definida exatamente como um lugar de tensão entre ordem e dispersão de informações, de enunciados e de estratégias. Para Rin- goot e Utard (2005, p.43),
[...] Esta noção de dispersão permite pensar a heteronomia do jornalismo como constitutiva e intrínseca. [...] Dispersão, no quadro da formação discursiva, não sig- nifica separação: ela esta sempre circunscrita no jogo de relações. A tensão entre or- dem e dispersão do discurso e traduzida aqui na estabilidade das lógicas de atores diversos. Se se reconhece uma ordem de discurso jornalístico, se reconhece também uma dispersão extra-discursiva. [Tradução nossa]80.
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“[...] Cette notion de dispersion permet de penser l'heteronomie du journalisme comme constitutive et intrin- seque. [...] Dispersion, dans le cadre de la formation discursive, ne signifie pas eparpillement : elle est toujours circonscrite dans un jeu de relations. La tension entre ordre et dispersion du discours est traduite ici dans l'an- crage des logiques d'acteurs diversifies. Se l'on reconnait un ordre de discours journalistique, on reconnait aussi une dispersion extra-discursive. [...]”.
Os autores defendem a necessidade de se analisar sistematicamente as realizações edi- toriais tomadas na rotina produtiva, os discursos, as lógicas de atores e ações extra-discursivas e os dispositivos organizacionais e institucionais.
Conforme apresentado no capítulo anterior, os objetos próprios do jornalismo são os acontecimentos cotidianos, passíveis de atenderem a determinados critérios que os enquadrem como sendo noticiáveis. Assim, nem toda informação torna-se notícia e tornar-se notícia de- pende desses critérios (valores-notícia). Ora, então pode-se inferir que os objetos inerentes ao discurso jornalístico são os mais variados possíveis, pois dependem dos acontecimentos que tomam forma no corpo social. Diz-se, assim, que os objetos recorrentes ao discurso jornalísti- co são os objetos de realidade (OR), ou seja, aparente à realidade atual – matéria-prima do jornalismo.
Considerando-se a lógica discursiva adotada, os objetos de realidade jornalísticos (ORJ) possuem regularidade parcial em se tratando do assunto enunciado, pois dependem dos valores-notícia para alçarem o status de notícia e representar o discurso jornalístico. Os valo- res-notícia, assim, são os elementos que condicionam a existência dos ORJ. Um assunto pode ser recorrente no noticiário desde que atenda aos requisitos mínimos para lá permanecer (atua- lidade, interesse, etc.). Assim, os ORJ tem relação direta com a prática jornalística, já que sua existência depende do consenso editorial da organização jornalística e também do ethos pro- fissional, que compartilha dos mesmos valores e estratégias de produção. Uma notícia publi- cada legitima o assunto como ORJ pelo simples fato de reproduzir uma normatização, um modo de caracterização oriundo da técnica jornalística de produção. Muitas vezes o assunto abordado não condiz a nenhum critério noticioso, mas o simples fato de figurar no dispositivo jornalístico lhe confere a chancela de ser um ORJ.
Fazendo leitura paralela de Foucault, pode-se inferir que são os ORJ, o formato dos textos e seu suporte de evidência que caracterizam o discurso jornalístico. Sendo assim, o formato jornalístico é representativo de uma realidade discursiva inerente à sua produção, originando um regime de verdade próprio. Fruto dos jogos de poder e das inúmeras coerções dentro da comunidade produtora do discurso jornalístico (sala de redação), pode-se afirmar que o discurso jornalístico segue determinadas etapas produtivas que o tornam legítimo em seu campo de produção e autorizado a fazer-saber e fazer-crer. Para Foucault (2005, p.112):
A verdade é deste mundo; ela é produzida nele graças à coerções múltiplas. E ela possui nele [mundo] efeitos regrados de poder. Cada sociedade tem seu regime de verdade, sua ‘política geral’ da verdade, isto é, os tipos de discurso que ela aceita e faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem dis- tinguir os enunciados verdadeiros ou falsos, a maneira como se sancionam uns e ou- tros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados para a obtenção da verdade; o estatuto daqueles que tem a função de dizer o que funciona como verdadeiro.
Se cada sociedade possui seus valores de verdade, estes devem ser reproduzidos e con- tinuamente visibilizados. O papel do jornalismo é dar visibilidade à realidade cotidiana, logo, seu discurso é representativo da verdade compartilhada. As rotinas produtivas jornalísticas refletem a busca pela contínua legitimação de seu espaço de poder na sociedade através da criação da necessidade de sua existência como ‘vitrine do real e do verdadeiro’. De certa for- ma o ethos jornalístico existe em função da necessidade de chancelar seu papel na sociedade, atribuir credibilidade ao seu discurso.
Com o passar do tempo o discurso jornalístico atingiu o status de crível, tornando-se sinônimo de verdadeiro. Esse fato permitiu que suas rotinas produtivas e lógicas discursivas fossem reproduzidas por outros sujeitos, em outras instâncias além das midiáticas, em busca de sua credibilidade enunciativa característica. Os periódicos analisados na presente tese fa- zem uso desta estratégia.
Seixas (2008) em seus estudos sobre a delimitação do gênero jornalístico, admite a e- xistência de três possíveis tipos de OR no contexto noticiável, verificáveis pela simples ob- servação: os objetos de acordo de fácil comprovação (oriundos de constatação pela presença); os objetos de acordo não passíveis de verificação (estatísticas, dados brutos) e os objetos abs- tratos impossíves de serem verificados (intenções de declaração). É importante ter em mente que os ORJ versam sobre assuntos variados e podem ser comuns a outras FD, contudo, o ob- jetivo é diferenciado e sua razão de existência dá-se em função da matéria noticiosa, ou seja, um OR torna-se ORJ quando sua abordagem é eminentemente jornalística.
Sobre os objetos, eles podem ser agrupados em categorias referentes às suas funções dentro da matéria jornalística, relacionados às suas razões de existência nas notícias. Assim, os objetos do jornalismo mais recorrentes são aqueles referentes à sua natureza material: as- suntos sobre os quais se fala, sujeitos sobre quem se fala e os saberes envolvidos (sejam eles já reconhecidos através das relações sociais e compartilhados ou aqueles obtidos através da apuração e/ou investigação jornalística). Conforme busca elucidar o quadro 2, na página se- guinte, dentro dos ORJ inserem-se os elementos: assuntos, sujeitos e saberes, verificáveis no discurso noticioso.
ORJ mais frequentes Categoria Exemplo
Assuntos
Fato dado:
-passível de constatação (verificável por simples observação); -passado recente ou histórico (comprovado coletivamente através de documentos ou registros);
Fato suposto: enunciado sem certeza de realização; Acontecimento convencionado: ocorrência agendada; Acontecimento em processo: em ocorrência ou a ocorrer;
Sujeitos
Declaração de fontes;
Declaração de autoridade (conhecimento, experiência ou testemunho); Opiniões num dado momento;
Estado psicológico de pessoas (não constatável);
Atores sociais (comportamento, crença, qualidade, estatuto);
Saberes
Estado de coisas;
Dados de saber especializado; “Verdades”:
-saberes tidos como verdadeiros;
-sistemas complexos de saberes em constante atualização (teorias científicas e conhecimentos partilhados e legitimados pela experiência);
- dados e estatísticas resultantes do saber científico; Saber comum à sociedade;
Normatizações:
-normas, regras e leis conhecidas pela sociedade; -normas, regras e leis de saberes especializados;
Quadro 3: Objetos de realidade jornalísticos mais comuns verificados na atividade noticiosa. Fonte: adaptado de Seixas (2008)
Em estudo sobre o jornal diário, que pode servir como analogia a qualquer outro dis- positivo jornalístico impresso da atualidade, Maurice Mouillaud (2002) afirma que as duas maiores funções do jornal diário são: fazer-saber e fazer crer. O fazer-saber é a finalidade do discurso do jornal; o fazer crer, por sua vez, permite ao periódico manter relação direta com o regime de verdade, para qual se utiliza do discurso do outro (fonte de informação).
(...) o recurso ao discurso do outro é um meio para tal [fazer crer], seja servindo co- mo ponto de apoio para uma derivação do discurso em direção a seu objeto, seja pe- lo recurso a um argumento de autoridade, que se fundamente na credibilidade do e- nunciador e na credulidade do leitor. (Id. Ibid.,p 27)
Uma das marcas registradas do discurso jornalístico e que caracteriza sua formação é justamente o uso da fala de fontes. Ancorando o texto na realidade compartilhada o discurso e o próprio dispositivo jornalístico tornam-se críveis porque baseiam-se no valor de verdade representado pelas declarações (comprovação de fatos ou acontecimentos).
O segundo elemento que caracteriza a FD são as modalidades enunciativas mais co- mumente praticadas pelo jornalismo, ou seja, as formas textuais mais utilizadas e visibilizadas
nos dispositivos jornalísticos. A manifestação dos enunciados é mais ou menos regular e se- gue tipologia textual mais ou menos fixa, variando de país para país. Os enunciados jornalísti- cos analisados no presente estudo fazem parte de duas matrizes culturais distintas, mas com origem semelhante. O desenvolvimento histórico das práticas jornalísticas na península ibéri- ca pode ser considerada antecessora do jornalismo no Brasil, e portanto, de grande influência para as rotinas produtivas e categorias de texto aqui utilizadas hoje. Tanto Espanha quanto Brasil seguem as mesmas lógicas jornalísticas, apresentando apenas algumas especificidades que, no entanto, não correspondem a diferenciações enunciativas contundentes.
Seguindo os moldes foucaultianos de compreensão dos discursos, a atenção volta-se para os enunciados e sua organização e padrões estabelecidos pelas ‘regras’ jornalísticas. Em se tratando dos tipos enunciativos mais utilizados, estes podem ser considerados regulares porque são produzidos por indivíduos com competência específica que detem a chancela or- ganizacional para desempenhar a atribuição de reproduzir os moldes discursivos institucio- nais. Os jornalistas ocupam um lugar institucional a partir do qual fazem uso de determinados instrumentos e práticas que os tornam reconhecidos pelo trabalho que realizam e também pe- los discursos que produzem. O fazer jornalístico outorga-lhes um lugar de poder somente o- cupado por indivíduos que compartilham do saber profissional - daí advém seu papel social.
Comumente as matérias podem ter como enunciadores ou a pessoa do jornalista que produz os textos ou a própria instituição jornalística. Os formatos comuns ao gênero informa- tivo reproduzem estrutura semântica que anuncia ou denuncia algo; no caso do gênero opina- tivo a estrutura prevê que o enunciador pronuncie-se sobre o assunto. Em se tratando das ma- térias jornalísticas produzidas e do espaço ocupado pelos sujeitos para serem enunciadores desse discurso em particular, deve-se ter em mente os formatos e gêneros dos textos. São con- siderados neste estudo os textos produzidos para o formato impresso (jornal e revista) inte- grantes dos gêneros81
O terceiro elemento definidor da FDJ são os conceitos, o “a partir do que se fala”. O ponto de partida é a maneira como aparecem e circulam os arranjos dos enunciados. O jorna-
informativo e opinativo, de acordo com o esquema representado abaixo (quadro quatro). O quadro evidencia o enunciador dos principais formatos de texto considera- dos na pesquisa. Segue-se a classificação de gêneros propostas por Melo e Assis (2010) em releitura da obra de Marques de Melo a partir dos objetivos dos diferentes formatos textuais.
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Gênero é o “conjunto de parâmetros textuais selecionados em função de uma situação de interação e de expec- tativa dos agentes do fazer jornalístico, estruturado por um ou mais propósitos comunicativos que resulta em unidades textuais autônomas, relativamente estáveis, identificáveis no topo do processo social de transmissão de informações por meio de uma mídia/suporte” (MARQUES DE MELO; ASSIS, 2010, p. 47)
lismo como, “atividade profissional que tem por objeto a apuração, o processamento e a transmissão periódica de informações da atualidade, para o grande público ou para determina- dos segmentos desse público, através de veículos de difusão coletiva (jornal, revista, rádio, televisão, cinema, etc.)”(RABAÇA e BARBOSA, 200, p.405), como atividade intelectual de importante relevância social para as sociedades democráticas (TRAQUINA, 2005), como fazer saber (MOUILLAUD, 2002), instaura-se como um fazer que transpassa a tessitura soci- al, ecoando discursos-outros. O que constitui sua importância é justamente o papel que de- sempenha junto à sociedade, de aglutinador de informações e divulgador de segmentos de realidade.
Gêneros Formato Enunciador Informativo
Nota IJ ou outra IJ
Notícia Jornalista e IJ ou outra IJ Reportagem Jornalista e IJ
Entrevista IJ, jornalista e ator social
Opinativo
Editorial IJ
Comentário Jornalista Artigo Ator social Coluna Colunista
Resenha Jornalista e IJ ou outra IJ Crônica Ator social
Carta Ator social
Quadro 4 - Gêneros, formatos e enunciadores dos textos jornalísticos. Fonte: adaptado de Seixas (2008). Legenda: IJ = instituição jornalística
O lugar de poder que institucionaliza tanto o fazer jornalístico quanto o seu dis- curso determina sua condição de existência e também sua finalidade junto à sociedade: lugar historicamente definido e reconhecido, que diariamente reafirma um pacto de co-dependência com as instituições e indivíduos. O dispositivo jornalístico, composto por formatos, linhas, traços, tipos de enunciados, imagens, qualificações, representa esse arranjo existente e legiti- mado socialmente. O dispositivo jornalístico é fruto da atividade profissional desempenhada e também do que a sociedade espera que ele apresente.
Fala-se de um lugar específico, reconhecido e legitimado pela sua procedência (com- petência histórica e profissional prévia), endossado tanto pela organização como pela própria sociedade. Os conceitos que caracterizam a formação discursiva jornalística estão explícitos na maneira própria da manifestação a partir dos formatos e também dos objetivos desses tex- tos. Assim, elementos que constituem a linguagem utilizada pelo jornalismo instituem os for- matos e os espaços por eles ocupados dentro do periódico. A regularidade dos conceitos é
garantida pela linguagem utilizada e também pelo enunciador do discurso, que se tornam re- presentativos do modo de ser discursivo da profissão.
Novamente os gêneros são decisivos para a delimitação das regularidades. O informa- tivo tem estrutura mais ou menos fixa representada pelo uso do lead82
Finalmente, as estratégias formam o quarto elemento representativo da determinação da FDJ. Estão diretamente ligadas ao desenvolvimento da prática jornalística e do próprio jornalismo como profissão no decorrer da história. As relações de poder que tomam forma no campo de ação jornalístico determinam o caráter do jogo bem como os jogadores que dispu- tam premência sobre a produção discursiva da área. Interesses políticos que tomam forma dentro da redação, interações entre os repórteres e as fontes de informação, delimitação de assuntos a serem abordados e tantos outros elementos intangíveis constituem o arcabouço de saberes e práticas que delimitam esse campo e lhe conferem a regularidade discursiva. O mo- do de funcionamento da organização jornalística subjugada à instituição é que conduz o dis- curso à sua regularidade.
, a partir do qual se alo- cam outros enunciados (que podem ser advindos de outras FD’s) com o intuito de esclareci- mento sobre o assunto. O formato reportagem é aquele que mais faz uso do transpassamento com outras formações discursivas pois seu principal objetivo é levar mais informações à audi- ência através de explicações, descrições e inferências aprofundadas. Os formatos opinativos apresentam flexibilidade estrutural maior por não estarem submetidos à estrutura do lead. Por outro lado, integram o gênero cuja manifestação de diferentes enunciadores é mais prolífica: jornalistas, atores sociais, instituição jornalística e colaboradores da organização jornalística. O que torna os diferentes gêneros reconhecidos e representativos de modos enunciativos es- pecíficos nos periódicos impressos é o espaço que ocupam no jornal ou revista (página e loca- lização por coluna), fator que também reitera as especificidades conceituais da FDJ.
Os elementos recorrentes responsáveis pela constituição da formação discursiva jorna- lística devem se percebidos a partir de sua sincronia e como etapas de produção de um discur- so que pode ser considerado como inato às lógicas produtivas do fazer jornalístico. São rela- ções intrínsecas a esse campo que o caracteriza e o delimita perante os demais, situando-o num locus espaço-temporal e histórico, permitindo que seja reconhecido em qualquer lugar.
O discurso jornalístico é produzido por organizações cuja principal finalidade é infor- mar a audiência sobre acontecimentos noticiosos dentro de sua área de abrangência e de acor- do com sua periodicidade. Os periódicos essencialmente jornalísticos que integram os corpo-
82 Primeiro parágrafo das matérias informativas onde se pretende responder de maneira rápida aos principais questionamentos que um indivíduo possa ter sobre o assunto (o que, quem, quando, onde, como e por quê).
ra (Diário de Santa Maria e Diario de Sevilla) são representativos desse discurso, integrando a
FDJ, analisados com vistas a determinar quais os valores-notícia agenciados na produção no- ticiosa que mencionam as regiões da Quarta Colônia e Aljarafe-Doñana.
Contudo, não são somente as organizações inseridas nos grandes conglomerados co- municacionais que fazem uso da FDJ na produção de seu material. Existem as assessorias de imprensa, “serviço prestado a instituições públicas e privadas, que se concentra no envio fre- quente de informações jornalísticas, dessas organizações, para os veículos de comunicação em geral” (FENAJ, 2007, p. 06). Considera-se que o serviço prestado pelo assessor de imprensa é de caráter exclusivamente jornalístico, diferentemente daquele prestado pela assessoria de comunicação, cujas atividades são desenvolvidas em conjunto por profissionais de jornalismo, publicidade e propaganda e relações públicas.
Assessorias de imprensa e de comunicação podem prestar seus serviços de maneira terceirizada ou a partir de setor constituído dentro da própria empresa ou instituição. Como parte dos corpora da tese tem-se periódicos produzidos por assessorias de imprensa (gabinete de prensa) da ARA e Adad. O Caderno Quarta Colônia constitui-se como informe comercial, produzido nos moldes de assessoria, mas desenvolvido pelo setor comercial do jornal Diário de Santa Maria, constituindo-se como uma especificidade. Partindo-se dessas especificações atinentes à produção dos periódicos, discorre-se sobre a metodologia empregada no estudo.