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A Força Terrestre Componente foi constituída com a finalidade de interligar os meios da Força Terrestre à estrutura de Comando e ao esforço Conjunto das Forças Armadas nas operações de guerra e não-guerra (A. BRASIL, 2014, p. 1-1), estando diretamente inserida na Doutrina de Operações Conjuntas que vem sendo concebida desde a criação do Ministério da Defesa em 1999 (BRASIL, 1999, p. 1).

Para melhor compreensão da organização e emprego da FTC, e poder concluir sobre os elementos de apoio, objetos da presente pesquisa, com maior propriedade, é necessário entender os fundamentos básicos da Doutrina das

Operações Conjuntas no âmbito das Forças Armadas brasileiras, o que possibilita um melhor embasamento para a realização das análises (BRASIL, 2014b).

O emprego isolado de uma Força Armada não se faz aceitável no combate moderno, uma vez que o êxito nas operações militares, entre outros fatores, está intimamente ligado à correta e eficiente combinação de meios e convergência de esforços entre as forças existentes, buscando-se o máximo de rendimento para a obtenção da vitória militar (BRASIL, 2011, p. 18/128).

As Operações Conjuntas são caracterizadas pelo emprego ponderável de meios de mais de uma Força Singular sob um comando único, denominado Comando Operacional, sendo imprescindível a constituição de um Estado-Maior conjunto para o planejamento do emprego, controle e execução das ações, não sendo impositivo que o Comando Operacional seja conjunto, podendo este ser singular ou não (BRASIL, 2011, p. 37/128).

Para que a integração entre as Forças possa ser viabilizada, a unidade de comando no mais alto escalão e a mentalidade militar unificada em todos os níveis são essenciais, devendo compor, ainda, outras ideias, conforme destaca o Manual do Ministério da Defesa MD30-M-01 Doutrina de Operações Conjuntas:

a) cadeia de comando bem definida, com precisa e nítida divisão de responsabilidades;

b) delegação de autoridade adequada às tarefas determinadas; c) sistema de Comando e Controle (C²) que permita o exercício pleno do comando e comunicações seguras e confiáveis entre as forças em operação. (BRASIL, 2011, p. 18/128)

A composição das Forças em uma Operação Conjunta está estruturada a partir de um Comando Operacional Conjunto, de um Estado-Maior Conjunto e de suas Forças Componentes (F Cte): Força Naval Componente (FNC), Força Terestre Componente (FTC) e Força Aérea Componente (FAC), podendo essas forças serem singulares ou conjuntas, a critério do comandante operacional (BRASIL, 2011, p. 57/128).

Como se pode destacar na Figura 1 a seguir, as F Cte se integram ao Comando Operacional realizando a interligação com o nível tático nas operações, constituindo- se nos elos essenciais para a coordenação e integração das Forças Singulares, que apresentam especificidades complexas e variadas, sendo a FTC o órgão de ligação com a Força Terrestre.

Figura 11 – Estrutura do Comando Operacional Conjunto Fonte: BRASIL, 2011, p. 57/128

1Os Planos de Emprego Conjunto das Forças Armadas (PEECFA) preveem a ativação dos seguintes Comandos Operacionais, quando necessário: Comando do Teatro de Operações (Cmdo TO), Comando da Área de Operações (Cmdo A Op) e Comando da Zona de Defesa (Cmdo ZD). O tipo de Comando a ser ativado dependerá da amplitude da operação e da localização dentro do território nacional (BRASIL, 2014b, p. 2-3).

No âmbito das Operações Conjuntas, uma FTC constituída estará sempre subordinada a um Comando Operacional, realizando a integração e sincronização das Operações Terrestres com outras agências e Forças, enquadrando todos os meios terrestres que não estão sob responsabilidade de outra Força Componente, e sendo responsável pelo planejamento e execução das operações terrestres (BRASIL, 2014b, p. 3-1).

A FTC tem a missão de vencer o combate terrestre e de cooperar com o Comando Operacional para cumprimento dos objetivos operacionais, podendo a missão ser expressa nas seguintes ações:

a) assessorar o C Op no planejamento das operações que envolvam o emprego do componente terrestre;

b) conduzir as Operações Terrestres (Op Ter), conforme o planejamento das operações conjuntas; coordenar suas operações com as outras Forças Componentes;

c) apoiar a logística conjunta quando determinado; e

d) empregar meios para aprofundar o combate. (A. BRASIL, 2014, p. 3-1)

A FTC não possui uma organização fixa, podendo ser estruturada com base em um Centro de Coordenação de Operações (CC Op) de Comando Militar de Área (C Mil A), em um comando de um Grande Comando Operativo (G Cmdo Op) ou, ainda, com base em um comando de uma Grande Unidade (GU).

A definição sobre em qual escalão de comando (CC Op/C Mil A, G Cmdo Op ou GU) a FTC estará estruturada, dependerá das demandas oriundas do planejamento no nível operacional (Comando Operacional), das disponibilidades do Exército e da capacidade de comando e controle (C²) do comando definido como base da FTC (BRASILb, 2014, p. 3-2).

Essa forma de organização proporciona grande flexibilidade para a estruturação de uma FTC, evitando esforços desnecessários que, por vezes, estruturas rígidas e fixas impõem no atendimento a demandas de menor complexidade.

A seguir encontram-se as possíveis estruturas organizacionais de uma FTC com base nos três escalões de comando já mencionados (CC Op/C Mil A, G Cmdo Op ou GU):

Figura 12 – FTC Estruturada com base em um CC Op de um C Mil A Fonte: BRASIL, 2014, p. 3.2

Figura 14 – FTC Estruturada com base em uma GU Fonte: A. BRASIL, 2014, p. 3.3

A organização não fixa de uma FTC atende às características exigidas, pela doutrina de operações conjuntas, de estruturas flexíveis, adaptáveis, modulares, elásticas e sustentáveis, tendo em vista a realidade dos conflitos atuais no amplo espectro, em que há a combinação de Operações Ofensivas, Defensivas, de Pacificação e de Apoio a Órgãos Governamentais, com o intuito de obter e manter resultados decisivos nas operações, seja em situações de Guerra ou de Não Guerra (BRASIL, 2014b, p. 4-4).

As operações no amplo espectro revelam um enorme conjunto de missões e tarefas que apontam para as capacidades essenciais à Força Terrestre, havendo a necessidade de que os elementos envolvidos se estruturem não mais de forma rígida para uma finalidade específica, mas de maneira flexível, por capacidades, a fim de que possam atuar conforme a demanda operacional exigida em cada caso, em meio a uma conjuntura de incertezas dos conflitos atuais (BRASIL, 2014b).

Nesse sentido, as características de flexibilidade e modularidade, na composição de meios para qualquer estrutura organizacional, tornam-se condições indispensáveis, a fim de garantir o máximo de efeito com o mínimo de riscos e perdas de material e pessoal (BRASIL, 2014b, p. 4-4).

Flexibilidade e modularidade são as características fundamentais para as estruturas organizacionais dos elementos de combate, no contexto das operações conjuntas, que servem de parâmetro para avaliar se uma estrutura organizacional está condizente com as exigências da Doutrina Militar Terrestre.

A fim de evitar estruturas rígidas e dispendiosas, incompatíveis com o ambiente de incertezas do mundo atual, o manual EB20-MF-10.102 (Doutrina Militar Terrestre) define claramente as características necessárias para os elementos de emprego da Força Terrestre, entre elas as características de flexibilidade e modularidade (BRASIL, 2014e, p. 6-12).

A flexibilidade é definida como a “característica de uma força que dispõe de estruturas com mínima rigidez preestabelecida, o que possibilita sua adequação às especificidades de cada situação de emprego considerado os fatores da decisão” (BRASIL, 2014e, p. 6-13).

A modularidade é definida como a “característica de um elemento de combate que lhe confere a condição de, a partir de uma estrutura básica mínima, receber módulos que ampliem seu poder de combate ou lhe agregue capacidades” (BRASIL, 2014e, p. 6-13).

O poder de combate de uma força militar está fundamentado e constituído a partir de oito componentes indissociáveis que são: as funções de combate Movimento e Manobra, Inteligência, Logística, Fogos, Proteção, Comando e Controle; a

Liderança; e as Informações; que permeiam todos os elementos de “combate”, de

“apoio ao combate” e de “apoio Logístico” que constituem os meios disponíveis para emprego de uma determinada força (BRASIL, 2014a, p. 3-20).

No contexto da composição e geração do poder de combate, os elementos de apoio ao combate são aqueles que permitem incrementar ou complementar a capacidade operativa das unidades de combate, ou que atuam contra o inimigo utilizando sistemas de fogos indiretos (BRASIL, 2014a, p. 3-26).

A FTC, como o comando enquadrante de todos os meios terrestres que não estão sob a subordinação de outra força componente, deve ser constituída de um Comando Base e de elementos que lhe proporcionem as capacidades essenciais de Comando e Controle, Inteligência e Logística (BRASIL, 2014a, p. 5-2). Estes elementos complementam, de modo eficiente, a sua capacidade operativa, e entre eles estão os elementos de Engenharia, que necessitam ser estruturados para integração junto à composição variável da FTC.

A necessidade de meios de apoio ao combate em uma FTC estará condicionada aos imperativos do planejamento operacional, variando para cada missão. Contudo, para adjudicação de meios, serão priorizados os já existentes no Comando Militar de Área em que será ativado o TO/A Op, podendo serem solicitados novos meios ao Ministro da Defesa, caso se julgue insuficiente os já existentes (BRASIL, 2014a, p. 5-1).

No entanto, não há parâmetros claros que definam módulos e dosagens para o emprego de meios de apoio ao combate Engenharia em uma FTC, a não ser as referências anacrônicas das antigas estruturas fixas das companhias e batalhões de

engenharia e grupamento de engenharia, com pouca flexibilidade e sem definição modular, que parecem contrapor a nova Doutrina Militar Terrestre, na qual apresenta foco no combate em amplo espectro, revelando a necessidade de reestruturações a partir de uma nova lógica doutrinária que contempla a flexibilidade e a modularidade para viabilizar o emprego somente dos meios necessários a cada situação.

5.2 O ENQUADRAMENTO DA ENGENHARIA NA FTC

Uma vez que a Engenharia exerce sua atividade sobre um fator sempre presente - o terreno - deve haver, em cada escalão, uma Engenharia capaz de modificar as condições do mesmo, de acordo com a manobra adotada (BRASIL, 2016c).

A organização da Engenharia tem por base a centralização dos meios nos escalões mais elevados, permitindo que os mesmos possam suprir as deficiências de Engenharia dos escalões subordinados, em face das necessidades específicas de cada situação e, ainda, atender ao apoio em profundidade, de modo a liberar os escalões subordinados de encargos na retaguarda adotada (BRASIL, 2016c).

Uma ação coordenadora do escalão superior de engenharia sobre os escalões subordinados se faz necessária e é realizada por meio dos canais técnicos de engenharia. Segundo a NCD, o funcionamento adequado desses canais técnicos constitui-se em dos principais fatores para a eficiência do apoio, permitindo que os escalões subordinados possam conduzir o planejamento necessário e receber apoio adicional do escalão superior, quando for o caso.

Neste sentido, a Engenharia é organizada no TO da seguinte forma: Engenharia do Comando Logístico do Teatro de Operações (Eng/CLTO); Comando de Engenharia da Força Terrestre Componente (CEFTC), no caso de emprego de duas DE; Engenharia Divisionária (ED); e Engenharia de Brigada (E Bda) adotada (BRASIL, 2016c).

Lembrando que os escalões de Engenharia são constituídos pelos seguintes elementos de emprego: pelotões de engenharia (Pel Eng), companhias de engenharia (Cia Eng), batalhões de engenharia (Btl Eng) e grupamentos de engenharia (Gpt E), além das tropas de engenharia especializadas adotada (BRASIL, 2016c).

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