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Capítulo 3 – AS FESTAS CÍVICAS ESCOLARES

3.1 AS FESTAS QUE OCORRIAM NO INTERIOR DA ESCOLA

Consideradas como aquelas que ocorrem no interior da escola e que mais especificamente estão relacionadas com as atividades desenvolvidas diretamente por estas instituições de ensino, como por exemplo as festas de encerramento do ano letivo, de colação de grau e de aniversário da escola.

O Ginásio Municipal “São Francisco de Salles”, em novembro de 1934 comemorou o encerramento do ano letivo, como que divulgando a propagação do ensino com uma festa de demonstração dos serviços que poderia prestar e de civismo pelas principais ruas de Teresina,

[...] hoje aquelle estabelecimento em festas das quaes participaram, numa mesma nota de oralidade e de júbilo, a direção e os corpos docente e discente. Como demonstração pública de regosijo e de efficiencia do Gymnasio, o corpo de alumnos realisou hoje, pela manhã, uma grande parada pelas ruas da cidade, tendo sido visitadas, no curso das evoluções feitas com grande brilhantismo, as altas auctoridades, os demais institutos de ensino secundários, os quartéis e as redações dos jornaes. (Fonte: Jornal O Tempo, 21/novembro/1934, nº 324, p.1).

Na Teresina de então, de certo causava enorme admiração algo que fugisse à normalidade da morna rotina, que precisava vez ou outra ser rompida, desenfastiando o tédio, como que dando sentido à vida. Evidente que nem todos sabiam que aquela forma

de rompimento com a mesmice tinha um alto custo político, ideológico, cultural que marcaria significativamente a vida de todos, os que diretamente estavam envolvidos com a festa e os que eram apenas cenários naquela ilusão participativa,

Os movimentos executados pelos alumnos, cuja formatura se fazia preceder por uma banda de música, despertaram execpcional movimento de curiosidade nas ruas agglomerando-se sempre a massa popular à sua passagem. Em frente de cada um dos edifícios visitados, os alumnos faziam paradas e executavam evoluções rigorosas ou cantavam hymnos patrióticos. (Fonte: Jornal O Tempo, 21/novembro/1934, nº 324, p.1).

Neste mesmo ano de 1934, o Professor Felismino Weser Freitas, então Diretor Geral da Instrução Pública, organizou festas comemorativas de encerramento do ano letivo para todas as escolas do Estado, constando da programação, a exposição nos salões da Escola Normal Oficial, de acordo com o noticiário local:

Mereceram elogios por parte da Directoria da Instrucção, além da maravilhosa exposição, que esteve aberta durante alguns dias nos salões da Escola Normal e na qual se viam trabalhos de todos os municípios do Estado, reveladores da alta comprehensão dos professores que acudiram, com presteza louvável ao apello da Directoria no grande certame, as festas levadas no dia 25, pela manhã, no pateo da Escola. (Fonte: Jornal O Tempo, 04/dezembro/1934, nº 335, p.1).

Era comum também nas escolas a realização de exposições dos trabalhos manuais feitos durante o ano, o jornal Diário Oficial recebeu convite para este evento e assim o noticiou:

Acha-se franqueado a público, desde ontem, a exposição dos trabalhos manuais executados durante o ano letivo pelos alunos da Escola de Adaptação.

Hoje à tarde tivemos oportunidade de visitá-la, colhendo ótima impressão do aproveitamento demonstrado pelos escolares daquela casa de ensino, entre os quais se encontram verdadeiras revelações artísticas.

A Escola de Adaptação solenizará o encerramento de suas aulas com uma festa que se realizará em sua sede, no próximo domingo, 26, às 9 horas da manhã. (Fonte: Jornal Diario Oficial, 22/ novembro /1933, nº 261, p.1).

É pertinente ressaltar que no ano de 1931, o periódico oficial já apresentava destaque das festividades de exposição de trabalhos manuais que eram produzidos pela escola, conforme o registro abaixo:

Esteve hontem, nesta redação, a distinta professora Henriqueta Teixeira Figueiredo, Inspetora do Grupo Escolar “Teodoro Pacheco”, desta capital, acompanhada de diversas alunas daquele estabelecimento, que nos veio convidar para uma visita à exposição de trabalhos daquela casa de ensino. Referida exposição começara hoje até o dia 14, da esperamos o êxito que sempre vem alcançando em todos os anos, o Grupo “Teodoro Pacheco”. Agradecidos. (Fonte: Jornal Diario Oficial, 14/ novembro /1931, nº 254, p.1).

A professora aposentada Dona Constância (2008), colaboradora desta pesquisa, remexendo seus baus de antigas lembranças de seus tempos de criança relembrou das exposições escolares:

[...] eu me lembro só do Grupo, eram trabalhos bordados, eu fiz uma toalha muito bonita e todo mundo admirou, a toalha era grande e eu era pequena, toda vida eu era pequena ainda hoje sou pequena, e eu pequena com aquela toalha enorme [...].

Havia neste comemorar uma grande quantidade de eventos e estes se caracterizavam pelo seu desenrolar, como o que segue no aniversário da Escola Normal Oficial: “iniciou-se com uma conferência pronunciada pela professora de Psycologia daquella Escolla, srtª Lelia Avelino, versando sobre a fundação e história do Estabelecimento que tantos serviços vem prestando à Instrucção do Piauhy”. As festas guardam semelhanças, dadas as especificidades de cada uma e a programação pode prosseguir da mesma forma como esta que tem uma festa dentro de outra, pois logo na sequência “tomaram posse, os membros eleitos das novas diretorias das sociedades locais, Liga da Escola Nova e Club de Leitura Firmina Sobreira, tendo usado da palavra nesta occasião, as respectivas oradoras officiais srtªs. Branca Miranda e Esther Carvalho”. (Fonte: Jornal: O Tempo,15/maio/1935, nº467, p.1).

Com seus calendários específicos, cada escola cuidou ano a ano da elaboração destas comemorações, fundando e reforçando ao longo deste processo de criação do sentido da educação escolar na vida de cada piauiense, através de todos os grupos construídos e de sua expansão, dos conteúdos trabalhados em sala de aula, mas também por meio das comemorações cívicas, de fora ou de dentro da escola, cada uma contribuiu significativamente para esta tradição.

Na colação de grau da Escola Normal Oficial, em 1932, o discurso da normalista oradora Liduina Lima, em nome de sua turma,

[...] Vamos para o magistério. Saimos de uma escola para outra escola. Aprende-se com a inteligência. Ensina-se com o coração. A professora primária tem que ser um modelo de bondade, de paciência e de dedicação. [...] O mestre mais eficiente, o professor mais útil, mais querido, mais apreciado, não é o que sabe mais, mas o que ensina melhor, o que tem método, o que tem vocação, o que tem gosto, o que tem assiduidade, o que se faz amar e compreender pelos alunos. [...] A arma da professora não é mais a palmatória. É a brandura, é a suavidade, é o zelo, é o sacrifício, é o devotamento, é a energia mansa e aveludada, que vence e se impõe, sem ofender nem irritar. [...] As crianças são flores que desabrocham à mão das professoras. Precisam de carinho, de luz e de bondade, e não de asperezas que maltratam e irritam. Educar é a mais difícil das artes, a mais sublime das profissões. [...] Ensinando-se, serve-se à família, à religião, à pátria, à comunhão social.[...] E a nossa pátria, a nossa terra, espera de nós o cumprimento sereno do dever sagrado de educadoras.[...] Vamos! Para o futuro, pela pátria e pela glória do magistério primário do Piauí! (Fonte: Diário Oficial, 22/dezembro/1932, nº 285, p.5).

O discurso, acima referido, além de enfatizar o papel do professor, diz ainda das suas obrigações que, deveriam repassar os ensinamentos que aprenderam e propagados aos seus futuros alunos, cientes da missão que a partir daquele teriam, de formar as futuras gerações de piauienses, tornando-os homens e mulheres de bem, nacionalistas, patriotas e educados dentro dos princípios cívicos.

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