Capítulo 1 – Os ervais de Mbaracayú
1.4 As fronteiras dos guaranis e dos monteses
Foi costume corrente, principalmente a partir do século XIX, que, em análises de fronteiras étnicas, os dados fossem interpretados considerando-se as fronteiras políticas atualizadas de cada Estado. Ora, culturas e economias contemporâneas não seguem fronteiras de Estados nacionais, muito menos do gentio no período colonial. Porém, isto não significa que não houvesse delimitações de territórios, apesar da dificuldade de sua caracterização. Não eram territórios acordados tacitamente e estiveram em contínua readequação durante o
227 Balaio ou ajaka (em guarani). Montoya disse que a erva colhida pelos índios era colocada em zarzos (çarços)
(MONTOYA, Antonio Ruiz de. Conquista Espiritual…, op. cit., p. 8)
228 Uma arroba paraguaia correspondia a 25 libras de peso ou a 11,502 quilos (Biblioteca Virtual del Paraguay).
Todas as referências à arroba nesta dissertação corresponderão a esta quantidade.
229 AGUIRRE, Juan Francisco. Discurso Histórico..., op. cit., p. 409-410, nota 214. 230 Ibidem, p. 412.
período colonial. Estabelecer limites espaciais ou temporais rígidos perde, portanto, o sentido científico. Por sua vez, a segmentação do espaço regional representa nesse caso apenas um instrumento de análise que pode ser útil, considerando, contudo, que costuma ser transpassado por variadas modalidades de conflitos. Outro problema colocado para esta dissertação, no entanto, foi conseguir ressignificar análises sincrônicas para verificar sucessões ocorridas em temporalidades mais largas. No excelente trabalho de Curt Nimuendajú, o Mapa Etno- Histórico232 (FIG. 14), as parcialidades chaqueñas foram situadas nas margens do rio Paraguai e as guaranis nas margens do rio Paraná e no centro-sul do Paraguai oriental. Foi resultado de pesquisas de campo que fez entre os anos de 1909 e 1913 e de extensa pesquisa bibliográfica. Estas informações podem ser combinadas com a reconstrução diacrônica para “elaborar uma explicação que não esteja prejudicada por qualquer visão unilateral”233.
FIG. 14. Trecho do “Mapa Etno-Histórico de Curt Nimuendajú”. Rio de Janeiro: IBGE. ed. fac-similar. (1981) 2002. Encarte.
232 A terceira versão do mapa foi encaminhada ao Museu Nacional em 1944, mas só foi publicada em 1981,
numa edição conjunta do IBGE e Fundação Pró-Memória. Um pequeno volume acompanhou o mapa, que incluiu, além de observações do autor e índices, cinco artigos: de Virgílio Corrêa Filho, de Luiz de Castro Lima, de Rodolpho Pinto Barbosa, um das linguistas Charlotte Emmerich e Yonne Leite e o de George de Cerqueira Leite Zarur. Roque Laraia (A Morte e as Mortes de Curt Nimuendajú, 1988. In: Ciência Hoje, v. 8, n. 44), diz que esse mapa constitui “uma das poucas entidades mitológicas da etnologia brasileira”.
Esta dissetação busca mostrar a sucessão de domínios e invasões nesses territórios com a utilização de uma perspectiva histórica. As figuras apresentadas aqui têm o objetivo de auxiliar a explicação das apropriações, domínios e posses nessa região de fronteiras em mudanças constantes. Antes, é necessário esclarecer que, apesar da consulta às fontes ter sido extensa, não se esgotou a questão e os desenhos devem sofrer adequações e ajustes. Afinal, recursos estáticos foram utilizados para explicar processos. A ausência de algumas informações fundamentais e as dificuldades para interpretar dados que aparecem, às vezes, pontualmente, em diferentes disciplinas, foram fatores que serviram de motivação. Adotou-se, como prioridade, examinar diferenças entre as diversas denominações utilizadas para se referir às populações nativas.
Não obstante, pela desproporção acentuada entre a população espanhola e de gentios, justifica-se abordar simultaneamente os territórios conquistados por espanhóis e portugueses e os territórios ocupados pelos nativos. Um documento anônimo234 de 1612, citado por Pablo Pastells, calculou em 500 os encomenderos e 9.000 os índios cristãos no Paraguai, um terço deles como originarios235 em Asunción. Em Mbaracayú havia 30 espanhóis que colhiam e beneficiavam a erva. O mesmo clérigo que atendia essa povoação, também dava atenção às outras três que estavam próximas. As quatro tinham aproximadamente 500 moradores. Em Xerez viviam 600 cristianos yanaconas y 3.000 infieles encomendados que hablan el Niguará. Para se ter uma idéia, em Corrientes havia 40 ou 50 espanhóis apenas e em Santa Fe, 1.500 índios cristãos, segundo a mesma fonte. No início da conquista, os carios ocupavam o espaço geográfico entre os rios Manduvirá e Tebiquary. Os carios litorâneos, os mbiazá de Santa Catarina e os chandules das ilhas dos rios Paraná e Uruguai foram extintos no fim do século XVI. Foram eles os primeiros guaranis que se aliaram aos espanhóis no início da conquista. Mbayás e payaguás foram os inimigos mais constantes dos guaranis. Conforme a carta ânua do padre Diego Ferrer236, de 1633, gualachos eram todas las naciones que no tienen por própria la lingua guarani, como os guayarapos, os sarayes e nambiquacurus, que atingiram Santa Cruz de la Sierra, os gualachos do rio Paraguay, acima de Itatin, que tienen mucho arroz que recojen por su lagunas.
234 PASTELLS, Pablo. Historia de la Compañía..., op. cit., v. 1, 1912, p. 384-387.
235 A diferença fundamental entre originarios e mitayos é que os primeiros viviam e trabalhavam na chácara ou
estância de seu encomendero, por isso eram chamados yanaconas, e os segundos, viviam nos pueblos e nas reduções. Os originarios tinham a condição de servos perpétuos, mas, ao contrário dos escravos negros, não podiam ser comprados ou vendidos (GARAVAGLIA, Juan Carlos. Mercado Interno..., op. cit., p. 272).
236 CORTESÃO, Jaime. Jesuítas e Bandeirantes no Itatim..., op. cit., p. 29-59, VII – Ânua do Padre Diego
As visitas dos governadores às povoações ervateiras eram anuais e o empadronamiento sempre inquietava aos guaranis. Quando os moradores de Villa Rica tiveram que abandonar o rio Ivaí, evadindo-se dos assaltos, emigraram até a zona entre os rios Jejuí-miri e o Jejuí-guazú. Em razão disto, os monteses das nucleações de Mbaracayú237, temeram pela perda de suas terras, as mais abundantes em ervais silvestres.
Os itatines povoaram a região entre os rios Aquidabán e Miranda e organizaram as primeiras entradas até a cordilheira dos Andes. Essa nucleação, formada inicialmente por Caaguazú, Taré e Mboymboy, obedeceu aos interesses dos encomenderos para que os índios fossem servir mita em Asunción. Nenhuma colônia de espanhóis foi assentada em suas terras. Porém, o fracassado projeto da vizinha província de Xerez a influenciou negativamente. Según el informe detallado del P. Justo Montello de 1659, los jesuitas entraron en la zona itateña en el año 1631, quando os remanescentes itatines viviam em pequenas comunidades esparsas. A maior parte tinha emigrado no século XVI para o lado ocidental do rio Paraguai, formando el estrato tribal de los guarayú-itatines238. A intenção dos jesuítas de consolidar as antigas comunidades de Ñacumytan, Ycaroig, Yutay e Taragüí239 nas povoações de Los Angeles de Taruaty, San Joseph, San Benito e Natividad de Nuestra Señora de Fe, respectivamente, não teve êxito por causa do ataque dos portugueses. Muitos dos itatines cruzaram a margem do rio Paraguai e se estabeleceram nas terras anteriormente conhecidas sob o nome de Guacanit e depois como Yvytyryqua. Voltar a juntar os índios dispersos das povoações foi uma árdua tarefa para os jesuítas. A ordem do bispo Cárdenas para o empadronamiento das parcialidades motivou outra dispersão240. Os encomenderos de Asunción perderam o direito aos mitayos itatines241, quando as duas povoações remanescentes, Aguaranamby e Caaguazú, foram finalmente incorporadas às missões ao sul do Paraguai. O governo, por outra parte, perdeu um núcleo de resistência contra os portugueses.
Os guarambarés provisionaram com fartura aos primeiros expedicionários espanhóis nos tempos das entradas espanholas no Chaco, nas primeiras décadas da conquista. Eles tinham suas reduções entre os rios Ipané e Aquidabán e parte deles participou das migrações
237 SÚSNIK, Branislava. Los Aborigenes..., op. cit., p. 175. 238 SÚSNIK, Branislava. El Indio Colonial..., op. cit., v. I, p. 193.
239 Desde o rio Mbotetei até os Xaraiés se estende o país em vastas campanhas, habitadas antigamente pelos
guaycharapos e itatines, desde a lagoa Taragüí, por cinquenta léguas até Santa Cruz, la vieja. A lagoa Taragüi, que se oculta grande parte entre bosques e matas, vai até perto da lagoa dos Orejones (CORTESÃO, Jaime.
Jesuítas e Bandeirantes no Paraguai..., op. cit., p. 16. Cap. I - Diario de un viaje emprendido en 1703, para
descubrir una comunicacion entre las Misiones del Paraguay, y las de Chiquitos).
240 ANA-SH, 45, n. 4, f. 48, apud SÚSNIK, Branislava. El Indio Colonial..., op. cit., v. I, p. 144. 241 Idem.
pré-hispânicas até o Candiré242. Ipané e Guarambaré eram duas povoações que manifestaram desenvolvimento econômico notável. Duas revoltas surgidas em sua zona manifestaram, no entanto, o caráter independente destas parcialidades. Mostraram-se vingativos na rebelião do cacique Tavaré por causa do enforcamento de Acararé por ordem de Álvar Núñez Vera Cabeza de Vaca. Os guarambarés, no governo de Pedro de Ovelar, estavam em outra de suas rebeliões e para enfrentá-los foi enviado o capitão Pedro Hurtado de la Puente. O visitador começou pelo pueblo de Jejuí243, encontrou a parcialidade do cacique Yacaré em novembro de 1616. Os rios Curuguaty e Jejuí estavam cheios de balsas que transportavam erva de Mbaracayú. Esteve também nos pueblos de Atyrá, Pytun (Ipané) e Guarambaré. Por volta de 400 índios estavam rebelados nas matas de Petin, Piraí e Itatin244. O pueblo de Perico também estava amotinado e, pouco depois da visita de Hurtado, foi abandonado.
Segundo declarações dos caciques Tambá e Guarambaré245, os guaranis não reduzidos, descendentes de guarambarés, tiravam mulheres dos novos pueblos de indios. Os ipanés tinham suas reduções entre os rios Jejuí e Ipané. Jejuí albergava alguns caciques cuja gente vivia nas matas, sem que eles tivessem autoridade para reduzi-los. Quando esse pueblo foi destruído pelos payaguás, seus habiatantes, apesar de terem sido considerados rebeldes durante o século XVI, mantinham boas relações com os espanhóis e preferiram los pueblos a los montes. Tanto pela pressão das bandeiras de S. Paulo, quanto pelas incursões dos mbayás, os guaranis itatines, guarambarés, ipanés e tobatines foram transladados pelos jesuítas para costa abajo, ficando sua tradicional região despovoada até os anos setenta do século XVIII. Os tobatines moravam em um único povoado, entre os rios Manduvirá e Jejuí.
Os paranás, entre os rios Tebiquari e Paraná, apesar de resistirem aos espanhóis, foram reduzidos pelos jesuítas246. Os guayránis247, que já sofriam a hostilidade dos guañanas e pressão dos encomenderos espanhóis de Villa Rica e Ciudad Real para trabalharem nos ervais, ficaram expostos aos ataques dos portugueses em busca de escravos. Os índios da província de Iguazú, com a expansão das missões de Guayrá, foram reduzidos próximo às nascentes do rio Tibagi pelos jesuítas.
242 Paitíti, ou Candiré era uma cidade lendária cheia de riquezas, que teria servido de refúgio a incas que
escaparam da conquista espanhola, supostamente oculta a leste dos Andes.
243 Tanimbuguazú (ceninza grande) era nombre de un cacique principal por quien también llaman los españoles
las tierras del Xejuí (AGUIRRE, Juan Francisco. Discurso Histórico..., op. cit., p. 311, nota 164).
244 Ibidem, p. 310.
245 SÚSNIK, Branislava. El Indio Colonial..., op. cit., v. I, p. 195.
246 SÚSNIK, Branislava. Etnohistoria del Paraguay. Etnohistoria de los Chaqueños y de los Guaranies. Bosquejo
sintético. p. 32. In: Suplemento Antropológico. Asunción: CEPAG/ Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asinción”, v. XXIII, n. 2, Dic, p. 7-50, 1988.
Na figura a seguir (FIG. 15), estão mostrados os territórios das províncias guaranis de Guarambaré, Ipané e Tobati. A província de Itatin, apesar do assédio dos mbayás e payaguás, foi território guarani até a retirada de sua população para costa abajo. No entanto, as províncias de Mbaracayú e Guayrá tinham parte de seu território habitado pelos caaiguás248, que dominavam as duas margens do rio Paraná, entre os rios Ivaí e Iguaçu249.
FIG. 15. Territórios guaranis: séc. XVI. Elaborada pelo autor desta dissertação com base nas folhas 8 e 9 da Carta do Estado de Mato Grosso e regiões circunvizinhas (RONDON, Cândido Mariano da Silva, 1952).
A última migração dos guaranis se deu entre 1820 e 1912. Alfred Metraux identificou como causa “a aspiração obstinada de encontrar um mundo melhor”, desconsiderando outras explicações e interesses. As parcialidades que, em razão do movimento religioso, abandonaram suas terras foram os apapocúva e os tañiguá, que habitavam o sul do rio Iguatemi, e os oguauíva que estavam estabelecidos ao sul do rio Mbaracay. Os tañyguá foram os primeiros a partir, em 1820. Atravessaram o Paraná na altura da foz do rio Ivaí e avançaram em direção a leste; chegaram a Itapetininga e foram reduzidos
248 Hablan la lengua Guarani, pero con dificuldad entiende e son entendidos (CORTESÃO, Jaime. Jesuítas e Bandeirantes no Tape..., op. cit., p. 66. VI – Carta Ânua das Missões do Paraná e do Uruguai, realtiva ao ano
de 1633, pelo padre Pedro Romero.
249 Y regresando a Villarrica, reanudaron durante dos meses sus tareas apostolicas, y luego acudieron al
socorro y conquista espiritual de los ybirayáras, sumamente feroces, sacrificadores y antropófagos, antes amigos y en este tiempo [1597] alzados de los españoles de Villarrica, de cuya ciudad distaban 30 leguas. Contaba esta parcialidad 10.000 indios de guerra (PASTELLS, Pablo. Historia de la Compañía..., op. cit., v. 1, 1912, p. 82, nota).
a escravos pelos colonos. Nimuendajú os assentou em 1912 dentro da reserva de Araribá. Os oguauíva saíram em 1830 e fizeram o mesmo percurso. A migração dos apapocúva foi por grupos isolados que partiram por rotas diferentes. Em 1910, uma parcela deles também foi assentada em Araribá. Outra parte remontou o Tietê em 1890, em direção ao mar. Uma epidemia os destruiu por aqueles tempos. Os sobreviventes voltaram ao Iguatemi, para empreender nova campanha. Os emigrantes atravessaram o rio Ivinhema e uma grande parte do Estado do Paraná. Em 1905 seu chefe morreu. Nimuendajú os recolheu em Piraju e os assentou em Araribá. Outro grupo foi pela margem esquerda do rio Paraná até encontrar os caiapós, estabelecendo-se ao sul do rio Tietê. Outro grupo veio andando pela margem do rio Paraná e na altura da foz do Tietê entraram para o interior de Mato Grosso. Em 1912, Nimuendajú os encontrou em São Paulo e os reuniu aos outros guaranis. A migração dos tañiguá não foi a primeira que historicamente aconteceu na região. Antes deles, houve o êxodo dos guaranis do Cerro de Ypehú, na atual fronteira do Paraguai250.
Fundados e estabelecidos os povoados, provinciais e missioneiros, somando em 1660 um total aproximado de 60.000 habitantes251, vastas zonas antes povoadas com nucleações mais ou menos densas ficaram quase despovoadas. O grande refúgio dos monteses252 estendia-se pela zona não colonizada nessa época, frequentemente transitada por ervateiros. Compreendia a área entre a cordilheira de Mbaracayú, ao norte, e o rio Ñacunday, ao sul, e entre as serras de San Joaquín, Ybytyrusú, San Rafael e o rio Paraná. Entre eles achavam-se muitos prófugos cristãos e os refugiados das revoltas fracassadas. O padre Dobrizhoffer, ao falar do Mbaeverá, especificou ainda mais os principais refúgios: Yguazú, Igatimí, Caremá, Curyý, Acaray, Monday253. Até a primeira metade do século XVII, os monteses viviam
250 METRAUX, Alfred. Migrations Historiques dês Tupi-Guaraní. Paris: Librarie Orientale et Americaine;
Maisonneuve Frères, Editeurs, 1927, p. 16-18. Migrations des Tañyguá des Oguaiúva et des Apopocaúva.
251 SÚSNIK, Branislava. Los Aborigenes..., op. cit., p. 180.
252 Hacia las cabeceras del rio Ygatimí hay 22 tolderias pequeñas de esta nación (de los índios monteses o
caayguás) que se extiende por los montes que median entre los rios Paraná y Paraguay, hasta cerca de los campos de Xerez, como también por toda la impropriamente llamada Cordillera de Mbaracayú, y por la costa oriental del rio Paraná, y orillas del Xexuí y Aguaray, y hasta los pueblos de Curuguaty, San Joaquín y San Estanislao están rodeados de ellos (AZARA, Felix de. Geografía, física y esférica..., op. cit., p. 407).
253 Entre las rocas más ásperas situadas contra el río Tebiquary miri y en derredor de la pequeña ciudad de
Villarrica, habitan naturales a los cuales los Españoles denominan Quaycuruti a causa del color blanco de su cara. Estos son altos de cuerpo y se arman de flechas y mazas. Frecuentemente bajan en cuadrillas desde sus sierras a las llanuras colindantes, matan a flechas y mazazos los caballos y mulares de los Españoles, los destrozan en pedazos y los llevan sobre los hombros a sus casas para comerlos allá en un festín opíparo. No tocan ni vacunos ni ovejas, no he oído tampoco que alguna vez hubieran muerto un hombre. Como hacían tantos estragos entre los caballos y mulares, resolvieron al último los Españoles investigar sus paraderos y trasladarlos cautivos o matarlos. Se emprendió seriamente una expedición con mucho alboroto, pero que resultó tan breve como infructuosa, pues ya en el primer día, cuando comenzaron a trepar por la roca empinada, fueron asaltados por tal terror, que sin tardanza volvieron a sus casas sin haber hecho nada. En cuanto tuve noticia de esto en la localidad de S. Joaquín, me propuse llegar a estos naturales, pero los Españoles en la opinión que este viaje sería tan peligroso como inútil, me aconsejaron de desistir de ello. Ellos temían irritar avispas.
marginalizados, conscientemente, evitando qualquer contato com sua periferia colonizada ou terra dos guaranis poblados. “Constituíram uma contraposição de dois tipos culturais, ambos com poderosos fatores dissociativos, próprios já de uma fase adaptativa ou de um estado de respectivo temor”254.
Quando a busca por novos ervais silvestres se tornou mais intensa, ficaram mais frequentes os contatos com guaranis não reduzidos, que também eram designados como monteses ou caaiguás e, raramente, especificamente como tarumás ou caremás. Na zona de Caazapá e San Joaquín os caaiguás permaneciam em seu estado cultural neolítico, com alguns contatos ocasionais com os guaranis poblados e hispanizados. Na zona nordeste, além dos não reduzidos, havia muitos fugitivos que anteriormente estavam em contato com os espanhóis de Villa Rica e com guaranis missioneiros de Guayrá. Súsnik afirmou que se tratava de pequenas comunidades do tipo "casa comunal" e não de grandes aldeias. Segundo uma informação do cabildo de Villa Rica, em 1699 os soldados encontraram, patrulhando o caminho real, “cantidad de indios infieles con casas y sementeras pobladas que se les resistieron en armas y puestos en huida...” 255.
Nas matas entre os rios Aguaray-guazú e Itanará, os itanarás mantiveram sua independência256, apesar dos contatos com os espanhóis de Villa Rica e dos enclaves territoriais caaiguás. A nucleação guarani entre as nascentes do Jejuí e as margens do rio Paraná constituía enclaves-colônias, pois os monteses, se bem que parcialmente marginalizados, eram suficientemente numerosos e agressivos para dominar sua área até o rio Itambey257. Na época colonial “chegou a ser formada a consciência unitária dos caremás, intermediando as aldeias de diferentes territórios étnicos vizinhos” 258. As duas províncias no rio Jejuí259, Yuruquizaba e Tanimbú, assinaladas por Aguirre, coincidem com essa área, conforme descrição da etnóloga Branislava Súsnik. Ela colheu subsídios no trabalho de
Preferían temer que buscar a estos naturales. […]Las inmensas llanuras, los laberintos de las selvas, los más inaccesibles escondrijos junto al Yquazu, Ygatimi, Carema, Curyi, Acaray, Monday, etc. hierven todos los indios que en mayoría son Guaraníes, pero según el lugar de su paradero, llevan nombres diferentes. Cien lenguas no me alcanzarían para referir las costumbres y nombres de todas estas tribus menores (DOBRIZHOFFER, Martin. Historia de los Abipones..., op. cit., v. I. De la singular fidelidad con que los guaranies han servido siempre en el ejercito español).
254 SÚSNIK, Branislava. Los Aborigenes..., op. cit., p. 181.
255 ANA-SH, 43, n. 8, f. 1 e 54, apud SÚSNIK, Branislava. El Indio Colonial..., op. cit., v. I, p. 146.
Particularidades de algunos pueblos y los guaraníes-monteses.
256 Essa nucleação movia-se dos rios Itanará, Curuguaty e Corrientes até as nascentes dos Jejuí-guasú e Jejuí-
miri.
257 Yvytyrokai.
258 SÚSNIK, Branislava. Los Aborigenes..., op. cit., p. 32.
259 Se hallan en el título que libró a Sebástin de León cuando le comisionó la pacificación costa arriba del
Paraguay. Su fecha es de 9 de diciembre de 1577 [...] en este documento tenemos claras las dos provincias de Yuruquizaba y Tanimbú, la primera del río Xexuy al Sur y la otra del mismo al Norte (AGUIRRE, Juan Francisco. Discurso Histórico..., op. cit., p. 210-211).
Rengger e realizou exaustivos trabalhos de campo por muitos anos. Dobrizhoffer situou-os mais próximos do rio Paraná, entre os rios Itambey e Acaray. É factível que tenha havido esse