- O c´alculo dos valores esperados de qualquer operador de uma part´ıcula. Em outras palavras, podemos calcular quantidades experimentais relevantes;
- O c´alculo da energia do sistema no estado fundamental; - O c´alculo do espectro de excita¸c˜ao do sistema;
- Possui uma teoria robusta e sistem´atica para tratar pertuba¸c˜oes;
No caso de existir intera¸c˜ao, a fun¸c˜ao G0 pode ser usada para encontrar uma
fun¸c˜ao de Green do sistema interagente. Isso ´e feito perturbativamente atrav´es do teorema de Wick [97–99]. Ao aplicar o teorema de Wick na equa¸c˜ao (C.9) obtemos:
Gt(x, x′) = G0(x, x′) +
Z Z
d4x1d4x2G0(x, x1)Σ(x1, x2)Gt(x2, x′). (C.12)
Esta ´e a equa¸c˜ao de Dyson [97, 98]. O termo Σ ´e a chamado de autoenergia e contˆem informa¸c˜oes sobre as intera¸c˜oes do sistema. Aqui, o xi = (~ri, t) ´e uma vari´avel que depende
de coordenadas de espa¸co e de tempo. A fun¸c˜ao de Green ´e ´util na defini¸c˜ao de observ´aveis da situa¸c˜ao fora do equil´ıbrio.
C.3
As fun¸c˜oes de Green fora do equil´ıbrio(NEGF)
No caso de equil´ıbrio temos apenas uma fun¸c˜ao de Green. No caso fora de equil´ıbrio existem outras fun¸c˜oes de Green usadas na descri¸c˜ao deste caso [47]:
iGr(~r, t; ~r′, t′) = θ(t − t′)h{ ˆψ(~r, t), ˆψ†(~r′, t′)}i (C.13) iGr(~r, t; ~r′, t′) = −θ(t′− t)h{ ˆψ(~r, t), ˆψ†(~r′, t′)}i (C.14) iG>(~r, t; ~r′, t′) = h ˆψ(~r, t) ˆψ†(~r′, t′)i (C.15) iG<(~r, t; ~r′, t′) = h ˆψ†(~r′, t′) ˆψ(~r, t)i, (C.16) onde as chaves “{}” denotam o anticomutador. Note que n˜ao consideramos o termo hΨ0|Ψ0i no denominador, porque este termo desaparece ao usar o teorema de Wick e os
diagramas de Feynman para tratar os elementos da expans˜ao em s´erie perturbativa [98]. As fun¸c˜oes Gr,as˜ao chamadas de retardada e avan¸cada, respectivamente e pos-
C.3 As fun¸c˜oes de Green fora do equil´ıbrio(NEGF) 123 conhecidas como fun¸c˜oes de correla¸c˜ao. Do inglˆes, seus nomes s˜ao greater than e less than, respectivamente. Est˜ao fun¸c˜oes tem rela¸c˜ao com observ´aveis como a corrente e a densi- dade eletrˆonica. As fun¸c˜oes Gr e Ga s˜ao nulas em t > t′ e em t < t′, respectivamente, e
representam a resposta do sistema no tempo t devido a uma perturba¸c˜ao em t′. Da mesma
forma que a fun¸c˜ao de Gt, estas fun¸c˜oes obedecem a uma equa¸c˜ao do tipo Schr¨odinger
inomogˆenea. As fun¸c˜oes G< e G> s˜ao propagadores de el´etrons e buracos mudando do
ponto (~r, t) para (~r′, t′). As equa¸c˜oes diferenciais neste caso n˜ao s˜ao do mesmo tipo das
obtidas para Gr e Ga, por isso h´a diferen¸cas fundamentais entre a f´ısica representada por
G< e G> e pela f´ısica contida em Gr e Ga. Entretanto, estas fun¸c˜oes tˆem uma rela¸c˜ao
entre si:
Ga− Gr = G>− G<, (C.17) indicando que somente trˆes destas fun¸c˜oes s˜ao linearmente independentes. Futuramente veremos como quais s˜ao suas formas segundo os trabalhos de Keldysh [100] e Kadanoff- Baym [101]. Aqui podemos notar que a densidade pode ser expressa pela fun¸c˜ao de Green less than:
hn(~r)i = −ihG<(~r, t; ~r, t)i, (C.18) e que a fun¸c˜ao de Green causal (C.9) poderia ser expressa em fun¸c˜ao das fun¸c˜oes de Green definidas nesta se¸c˜ao, mostrando que as fun¸c˜oes de Green tem as mesmas informa¸c˜oes e n˜ao precisamos de todas. Isso ´e verdade apenas no caso da situa¸c˜ao de equil´ıbrio.
No caso de n˜ao equil´ıbrio, as fun¸c˜oes de Green G<,>,a,r tornam-se importantes
dependendo da situa¸c˜ao a ser estudada. Isto ocorre porque as fun¸c˜oes de Green s˜ao ordenadas segundo um contorno, conhecido como contorno de Keldysh. Na se¸c˜ao anterior fizemos a descri¸c˜ao da fun¸c˜ao de Green do sistema interagente com o auxilio do operador ˆS(−∞, ∞). Esse operador faz a evolu¸c˜ao do estado de part´ıculas livres num tempo remoto no passado para o de part´ıculas interagentes. Entretanto, podemos ver que o operador tamb´em admite que em tempo longos h´a a volta para o estado do passado. Obviamente isso nem sempre ´e verdade.
Como exemplo, imagine que no tempo t = −∞ exista um plasma de part´ıculas livres e uma superf´ıcie de algum material usado como substrato para crescimento. Ao jogar o plasma sobre a superf´ıcie, h´a o resfriamento do plasma e um crescimento de uma nova estrutura. Com o conhecimento que temos deste tipo de processo, sabemos que o sistema obtido n˜ao evoluir´a para um plasma e uma superf´ıcie no tempo t = ∞, mostrando que a
C.3 As fun¸c˜oes de Green fora do equil´ıbrio(NEGF) 124
Figura C.1: Representa¸c˜ao de contornos de ordenamento temporal na situa¸c˜ao de n˜ao equil´ıbrio.
situa¸c˜ao inicial (t = −∞) ´e diferente da situa¸c˜ao final (t = ∞). Logo, temos um sistema fora do equil´ıbrio.
No caso de Keldysh, consideramos que o estado de part´ıcula livre evolui do passado at´e um estado no tempo t0, cont´em as informa¸c˜oes f´ısicas de interesse, depois vol-
tamos o estado ao passado remoto. A aten¸c˜ao neste caso est´a em tomar um ordenamento temporal nas fun¸c˜oes de Green que obede¸ca e esta situa¸c˜ao que descrevemos. Isso ´e feito com o operador TC. Este ´e um ponto importante porque cada uma das fun¸c˜oes de Green
que vimos at´e aqui fazem a evolu¸c˜ao temporal em intervalos de tempo espec´ıficos e sem o operador de ordenamento correto estar´ıamos calculando fun¸c˜oes de Green incorretamente. Desta forma, a fun¸c˜ao de Green pode ser definida da mesma forma que no caso de equil´ıbrio, mas com operador de ordenamento temporal sobre um contorno semelhante ao da figura C.1(b):
iG(~r, t; ~r′, t′) = hTC{ ˆφH(~r, t) ˆφ†H(~r ′
, t′)}i, (C.19)
onde o contorno ´e definido pela figura C.1(b). A equa¸c˜ao C.19 permite v´arios caminhos poss´ıveis. Um caminho que pode ser percorrido ´e do tempo t0 at´e t′1 passando por t1 e do
tempo t′
1 para o tempo t0. Por outro lado, este n˜ao ´e a ´unica possibilidade, poderia ser
feito um trajeto de t0 para t′1 e de t′1 para t0 passando por t1. Neste caso em que temos
dois pontos, podemos ter 4 possibilidades. Isso porque o contorno apresenta dois ramos, o da ida (C1) e o da volta (C2), permitindo a existˆencia de 4 fun¸c˜oes de Green. Lembrando
C.3 As fun¸c˜oes de Green fora do equil´ıbrio(NEGF) 125 num diferente: iG(~r, t; ~r′, t′) = Gt(~r, t; ~r′, t′) t, t′ ∈ C 1 G>(~r, t; ~r′, t′) t ∈ C 2,t′ ∈ C1 G<(~r, t; ~r′, t′) t ∈ C 1,t′ ∈ C2 G˜t(~r, t; ~r′, t′) t, t′ ∈ C 2 (C.20)
Aqui temos a fun¸c˜ao anti-causal que ´e semelhante a fun¸c˜ao causal definida no caso do equil´ıbrio, mas com um operador ˜T que tem uma fun¸c˜ao oposta a de T.
Agora vemos claramente que a fun¸c˜ao de Green do nosso sistema tem muitas fun¸c˜oes de Green, com valores diferentes, mostrando a diferen¸ca com o caso do equil´ıbrio. Novamente, a fun¸c˜ao de Green esta na representa¸c˜ao de Heisenberg, por isso devemos mudar para a representa¸c˜ao de itera¸c˜ao para podermos usar o teorema de Wick. Da mesma forma que no caso do equil´ıbrio podemos fazer:
iG(~r, t; ~r′, t′) = hT{ ˆSH Cφˆh(~r, t) ˆφ†h(~r′, t′)}i, (C.21) onde definimos, ˆ SCH = exp −i Z C dt′′Hˆ′ h(t′′) . (C.22)
O contorno C usado ´e o mesmo da figura C.1(b). Ao usar o teorema de Wick na equa¸c˜ao (C.21), obtemos [102], G(x1, x′1) = G0(x1, x′1) + Z C dx2 Z C dx3G0(x1, x2)Σ(x2, x3)G(x3, x′1), (C.23)
Esta ´e a equa¸c˜ao de Dyson, onde novamente a autoenergia Σ contˆem a informa¸c˜ao das intera¸c˜oes. Fizemos novamente a contra¸c˜ao xy = (~ry, ty).
A equa¸c˜ao (C.23) pode ser trabalhada com um procedimento chamado de continua¸c˜ao anal´ıtica de Langreth [47, 103, 104], permitindo obter:
G< = (1 + GrΣr)G<0(1 + ΣaGa) + GrΣ<Ga. (C.24) Esta ´e a equa¸c˜ao de Keldysh [47, 97, 98].
O primeiro termo da equa¸c˜ao (C.24) tem rela¸c˜ao com o decaimento inicial do sistema e o segundo esta relacionado ao espalhamento. No caso estacion´ario o primeiro termo acaba desaparecendo. O mesmo procedimento usado para o c´alculo da equa¸c˜ao (C.24) pode ser usado para calcular outras fun¸c˜oes de Green: