Capítulo 2- A gramática: construção e circulação
2.3. As gramáticas publicadas no Brasil oitocentista
A instalação de tipografias, o surgimento das livrarias, dos livreiros e editores, a publicação de jornais por todo o país e o aumento de escolas, grosso modo, provocaram uma produção em larga escala de livros didáticos no século XIX. Os compêndios de gramática da língua portuguesa foram publicados ao longo desse período, ora baseando-se em modelos portugueses, ora apropriando-se de ideias revolucionárias para a época, como as evolucionistas.
Apesar de ser a segunda metade do século XIX o momento em que novas ideias filosóficas e linguísticas européias encontraram terreno fecundo entre os intelectuais brasileiros41, assunto a ser discutido no capítulo 3, a construção de livros didáticos já era uma prática recorrente desde a chegada da comitiva imperial ao Brasil.
Geralmente, algumas gramáticas publicadas nesse período apresentavam problemas com a impressão no tocante a erros ortográficos e, às vezes, com o conteúdo, quase sempre constituído por “frias e estéreis nomenclaturas de regras ou definições, um formulário ou
41 “Com Tobias Barreto e a Escola de Recife, toma forma um ideário que sobreviveria até os princípios do século XX. É toda uma geração que começa a escrever por volta de 1875-1880 e afirmar o novo espírito crítico, aplicando-o às várias faces da nossa realidade: Capistrano de Abreu no trato da História; Sílvio Romero, cobrindo com sua fortíssima paixão intelectual a teoria da cultura, as letras, a etnografia e o folclore; Araripe Jr e José Veríssimo, voltados de modo intensivo para a crítica; Clóvis Bevilacqua, Lafayette Rodrigues Pereira e Pedro Lessa, juristas de sólida doutrina e gosto pelo fenômeno literário; Miguel Lemos e Teixeira Freitas, apóstolos do Positivismo sentido como ‘religião da Humanidade’; enfim, Joaquim Nabuco e Rui Barbosa, que exprimiram superiormente a vida social brasileira dos fins do século passado e dela participaram não só como escritores, mas também como grandes homens públicos de estirpe liberal’. (BOSI, 1980, p. 275).
resumo mais ou menos exato dos preceitos que os alunos devem reter” (ALMEIDA, 1989, p.159).
Algumas delas eram apontadas como exceções, a exemplo das obras do cônego J.C. Fernandes Pinheiro42, professor de Retórica do Colégio Pedro II, de Abílio César Borges – Barão de Macaúbas, famoso educador proprietário-diretor de dois estabelecimentos de instrução primária e secundária, um, no Rio de Janeiro e outro, em Barbacena, Minas Gerais – a de Sotero dos Reis, Grivet, Júlio Ribeiro, Noronha Nápoles Massa e da gramática de João Ribeiro – “consagrada pela popularidade, livro no qual os professores têm muito a aprender e que será, se já não for, o vade-mecum dos escritores, dos oradores, dos literatos que querem escrever e falar a língua portuguesa” (idem, p.160).
Esses são apenas alguns nomes que marcaram a produção gramatical brasileira do século XIX. Por meio de um levantamento não exaustivo43 dos compêndios e manuais didáticos de língua portuguesa, considerando-se apenas as obras publicadas no Brasil entre 1808 e 1899, verificou-se que muitas das gramáticas encontradas circularam apenas no local onde foram impressas ou, talvez, nas escolas nas quais o autor ensinava. O certo é que, somente um elenco de autores privilegiados foi alvo de pesquisas; muitas gramáticas ainda não foram sequer descritas do ponto de vista histórico, pois algumas delas são vistas como compilações por alguns pesquisadores.
Os dados foram obtidos, principalmente, em Historiografia gramatical (CARDOSO (S), 1994) que traz uma lista das gramáticas cujas cópias estão arquivadas em bibliotecas de Portugal e/ou na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Com certeza, inúmeras gramáticas no Brasil circularam nessa época sem que uma cópia fosse para essas instituições. Daí, ter-se, apenas, uma visão aproximada em relação à quantidade dessas publicações. Por isso, os acervos do Real Gabinete Português de Leitura, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Banco de dados LIVRES/USP, da Biblioteca Nacional, da Fundação Casa de Rui Barbosa, da Academia Brasileira de Letras e da
42 “O Cônego J.C. Fernandes Pinheiro (...) deixou duas gramáticas: uma, intitulada Gramática da Infância, está escrita com clareza e simplicidade; os alunos aprendem e a compreendem facilmente e os institutores estão satisfeitos. Os exercícios que seguem cada parte do discurso são bem feitos. A única coisa que se estranha é o inútil aumento da tecnologia dos tempos dos verbos. A outra gramática, chamada Gramática Teórica e Prática da língua Portuguesa foi escrita sob o ministério do Conselheiro Paulino e é destinada aos alunos dos cursos secundários. É um livro bom e útil, mas já não está em harmonia com os métodos de ensino de Gramática. Nas mãos de institutores e professores inteligentes, as gramáticas do falecido Cônego Fernandes Pinheiro podem trazer grandes serviços à juventude brasileira”. (ALMEIDA, 1989, p. 159). 43 Para Fávero, a exaustividade é uma das dificuldades com as quais se depara um historiador. “Quanto maior o inventário, mais esfumaçada a noção de exaustividade...” (FÁVERO & MOLINA, 2006, p.26). Ainda sobre esse assunto, ver Fávero (1996).
Academia de Ciência de Lisboa foram também consultados, além do dicionário bio- bibliográfico sergipano de Armindo Guaraná (1925).
Alguns critérios foram utilizados no levantamento da produção gramatical do século XIX: a. gramáticas com registro de publicação nas tipografias brasileiras no período entre 1808 e 1899; e b. manuais cujos títulos fossem “gramática”, “epítomes”, “exercícios”, “postilas” da língua portuguesa. As edições, mesmo quando inúmeras, não foram relacionadas, pois o interesse maior está nos vários títulos que circularam nesse período. Apesar de serem encontrados títulos de dicionários e antologias, eles foram aqui omissos por, neste momento, não contribuírem com o objetivo deste trabalho.
Se levássemos em consideração as gramáticas que serviram de apoio pedagógico nas escolas públicas, publicadas em Portugal e para cá trazidas nos vapores, essa relação aumentaria em torno de 30%. Gramáticas, portanto, como as de Antônio José Baptista Compêndio de gramática e ortografia portuguesa, impressa na Viúva Neves, em 1816; as de Francisco Júlio Caudas Aulete, Gramática Nacional (curso elementar) adotada pelo Conselho Geral de instrução pública, impressa na Tipografia da Sociedade Tipográfica Franco-portuguesa, em 1864 e amplamente utilizada em terras brasileiras, foram descartadas da relação apresentada a seguir:
Tabela 1: Relação aproximada das gramáticas publicadas no Brasil, no século XIX, por autor.
Autor Título Local Editora Ano
A. E. Bandeira Gramática portuguesa prática Rio de Janeiro 1897
A. Estevão da Costa e Cunha
Manual do examinando de português: repertório filológico gramatical e literário da língua materna.
Rio de Janeiro Livraria Acadêmica de J. de Azevedo
1883 A. Estevão da Costa e
Cunha
Novo método teórico-prático de Análise sintática. Rio de Janeiro ? 1874 Adriano Grivet Gramática analítica da língua portuguesa Rio de Janeiro ? 1865 Adriano Grivet Nova gramática analítica da língua portuguesa Rio de Janeiro ? 1881 Alexandre José de
Melo Morais
Gramática analítica da língua portuguesa, ensinada por meio de quadros analíticos, método facílimo para aprender a língua.
Rio de Janeiro ? 1869
Alfredo do Nascimento e Silva
Gramática Portuguesa elementar. Rio de Janeiro 1888
Alfredo Gomes Gramática portuguesa44 Rio de janeiro J. G. de Azevedo 1895
Antônio Alves Pereira Coruja
Compêndio da Gramática da língua nacional, dedicado à mocidade rio-grandense
Porto Alegre ? 1835
Antônio Alves Pereira Coruja
Compêndio da Gramática da língua nacional, dedicado à mocidade rio-grandense
Rio de Janeiro Tipografia Francisco 1847 Antônio da Costa
Duarte (Pe).
Compêndio de gramática portuguesa para uso das escolas de primeiras letras, ordenado segundo a doutrina dos melhores gramáticos, por...45
Maranhão ? 1829
Antônio de Morais Silva
Epítome da gramática portuguesa Recife 1821
Antônio de Morais Silva
Epítome de gramática da língua portuguesa Rio de Janeiro Tipografia de Silva Porto & Cia
1824 Antônio José dos Reis
Lobato
A arte da gramática da língua portuguesa Rio de Janeiro 1812
Augusto Freire da Silva
Compêndio da gramática portuguesa para uso dos alunos de Humanidades, que freqüentam a aula de português.
São Paulo Jorge Seckler & Comp.
1883
Augusto Freire da Silva
Novo método de ensinar a ler a escrever São Paulo Jorge Seckler & Comp 1874 Augusto Freire da
Silva
Rudimentos da gramática portuguesa: para uso dos alunos de primeiras letras
São Paulo Jorge Seckler & Comp 1888 Batista Caetano de
Almeida Nogueira
Rascunhos sobre a gramática da língua portuguesa
Rio de Janeiro 1881
Cirilo Dilermando da Silveira
Compêndio de gramática da língua portuguesa Rio de Janeiro ? 1855 Cirilo Dilermando
Silveira
Exercícios de análise lexicografia ou gramatical e de análise sintática e lógica
Rio de Janeiro 1870
Domiciniano (Cônego) H. Perdigão Cardoso
Compêndio de gramática portuguesa Pará Tavares Cardoso & Cia
1889 Emilio Achilles
Monteverde
Nova arte da gramática portuguesa para uso das escolas de instrução primária
Rio de Janeiro 1857
Emílio Allain Novo método de análise Rio de Janeiro 1881
Ernesto Carneiro Ribeiro
Gramática portuguesa filosófica Bahia 1881
Ernesto Carneiro Ribeiro
Serões gramaticais ou nova gramática portuguesa
Bahia 1890
F. M. Raposo de Almeida
Elementos de gramática portuguesa (1ª). Pernambuco ? 1866
Felisberto Rodrigues Pereira de Carvalho
Exercícios de língua portuguesa,
correspondentes à gramática elementar. (4ed)46
Rio de Janeiro Livraria Clássica Alves & Cia
1896 Continua...
44 A sétima edição é de 1897.
45 A segunda edição foi impressa em 1840 e a terceira, em 1853.
...continuação
Autor Título Local Editora Ano
Felisberto Rodrigues Pereira de Carvalho
Elementos de gramática portuguesa para uso dos alunos de instrução primária.
Rio de Janeiro Livraria Clássica Alves & Cia.
1896 Filipe José Alberto
Júnior
Gramática eletivo-rudimentária da língua portuguesa (5ª)
Bahia ? 1858
Filipe Pinto Marques Gramática elementar da língua portuguesa, extraída dos melhores autores e coordenada por...(2ed)
Pará C. Seidl 1875
Francisco Ferreira de Vilhena Alves
Gramática portuguesa... (curso superior) Pará Tipografia de Pinto Barbosa e Cia.
1895 Francisco Ferreira de
Vilhena Alves
Primeira gramática da infância Pará Tipografia de Pinto Barbosa e Cia
1897 Francisco Ferreira de
Vilhena Alves
Segunda gramática da infância Pará Tipografia de Pinto
Barbosa e Cia
1897 Francisco Ferreira de
Vilhena Alves
Compêndio de análise moderna, lexicologia e sintática
Pará Tipografia do diário Oficial
1895 Francisco José das
Chagas Soares
Arte da gramática portuguesa, composta e oferecida à sociedade promotora da instrução na corte do Brasil.
Rio de Janeiro Tipografia fluminense de Brito & Cia
1835
Francisco Julio Caldas Aulete
Gramática nacional Rio de Janeiro ? 1875
Francisco Silveira d’Avila Pimentel
Breves noções de gramática para se aprender praticamente a ler, a escrever e a analisar o português- fonologia
Rio de Janeiro ? 1870
Francisco Sotero dos Reis
Gramática portuguesa, acomodada aos princípios gerais da palavra, seguidos de imediata aplicação prática.
Maranhão Tipografia de
Bellarmino de Matos
1866
Francisco Sotero dos Reis
Postilas de gramática geral, aplicadas à língua portuguesa pela análise dos clássicos. Dedicadas ao Sr dr Pedro Nunes Leal47.
Maranhão Tipografia de
Bellarmino de Matos
1863
Frederico Adão Carlos Hoefer.
Resumo da Gramática da língua nacional adequado ao ensino metódico dos principiantes.
Porto Alegre Tipografia do Jornal Deutsche Zeitung
1863 Frederico Carlos da
Costa
Exercícios de análise portuguesa, lexicologia e sintática. Precedidos de estudos indispensáveis à análise sintática.
Rio de Janeiro ? 1888
Guilherme António Lopes.
Língua Portuguesa. Resumo explicativo de gramática portuguesa para uso das escolas de instrução primária.
Rio de Janeiro Tipografia do G. Globo
1845
H. C.Taylor Gramática da língua nacional. Compendio adaptado ao ensino nas aulas de instrução primaria.
Recife Tipografia de Santos
& Cia.
1871
I. J. Cordeiro Nova gramática da língua portuguesa ou arte de falar e escrever com propriedade...
Rio de Janeiro ? 1844
Inácio Felizardo Fortes (Pe).
Arte de gramática portuguesa, que para uso dos seus discípulos compôs, etc.
Rio de Janeiro Impressão Régia 1816 Isidoro José Lopes Compêndio de gramática da língua portuguesa,
ordenado segundo a doutrina dos melhores gramáticos.
Rio Grande ? 1834
Jerônimo Soares Barbosa (e outros)
Compêndio de gramática portuguesa extraídos de suas obras. Aprovado para uso do antigo Liceu e atualmente das escolas públicas da província.
Recife ? 1876
João Alexandre da Silva Paz
Gramática elementar e metódica da língua portuguesa.
Rio de Janeiro ? 1836
Continua...
...continuação.
Autor Título Local Editora Ano
João de Veiga Murici Gramática geral Bahia Tipografia
Constitucional de França Guerra
1864
João Fernandes de Lima Cortes
Resumo da gramática portuguesa Rio de Janeiro Livraria de J. J. de Azevedo
1888 João Ribeiro Gramática portuguesa. Curso médio. 2º ano de
português
Rio de Janeiro Livraria Clássica 1888 João Ribeiro Gramática portuguesa. Curso superior. 3º ano de
português.
Rio de Janeiro Livraria Clássica 1888 Joaquim Caetano
Fernandes Pinheiro
Gramática da infância: dedicada aos senhores professores de instrução primária. (3ed)
Rio de Janeiro B. L. Garnier/Paris, Tipografia Portuguesa Simão Raçon & Cia.
1864
Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro
Gramática teórica e prática da língua portuguesa Rio de Janeiro Tipografia Francisco Alves de Sousa
1870 Joaquim do Amor
Divino Caneca
Breve compêndio de Gramática portuguesa48 Recife Tipografia Mercantil 1875 Joaquim Frederico
Kiappe da Costa Rubin
Novo método da gramática portuguesa composto em verso rimado, aprovado e adotado para as aulas da província do Ceará pelo conselho diretor da instrução pública da mesma província.
Rio de Janeiro Tipografia cearense 1860
José Alexandre de Passos
Compêndio da gramática portuguesa pelo método analítico, etc.
Rio de Janeiro Tipografia de M. A. da Silva Lima
1848 José Alexandre de
Passos
Da gramática, etc Rio de Janeiro Tipografia Nacional 1863
José Antonio Pessoa de Barros
Ensaios gramaticais da língua portuguesa (2ed) Maranhão Tipografia de Ramos d’Almeida e Cia.
1894 José Bernardino de
Sena
Lições de gramática portuguesa, destinadas ao uso dos alunos de ambos os sexos, que freqüentam...
Recife ? 1847
José de Noronha Nápoles Massa49
Gramática analítica da língua portuguesa, composta e oferecida aos brasileiros...
Rio de Janeiro H. Lombaerts 1888 José Joaquim
Alencastro
Resumo das quatro partes da gramática portuguesa.
Rio de Janeiro ? 1828
José M. Ortiz e Pardal Gramática analítica e explicativa da língua portuguesa
Rio de Janeiro ? 1871
José Ventura Boscoli Gramática portuguesa. (2ed) Rio de Janeiro Livraria Alves 1899 José Ventura Boscoli Gramática portuguesa: estudo raciocinado
segundo os princípios hodiernos da ciência da linguagem
Rio de Janeiro Livraria Alves 1894
Júlio Ribeiro Gramática portuguesa50 São Paulo Tipografia Jorge
Sekler
1881 Laurindo José da
Silva Rabelo
Elementos de gramática portuguesa. Adotados nas escolas regimentais do Exército. Terceira edição revista e melhorada por Felix Ferreira.
Rio de Janeiro Feliz Ferreira & Cia 1872
Laurindo José da Silva Rabelo
Compêndio de gramática da língua portuguesa Rio de Janeiro ? 1872 Leopoldo da Silva
Pereira
Sintaxe da língua portuguesa. Rio de Janeiro ? 1898
Continua...
48 Para Fávero (1999, p. 89), essa gramática “tem o mérito de ter sido uma das primeiras, senão a primeira, gramática pedagógica escrita por um brasileiro”.
49 Foi o sétimo pároco da Paróquia Catedral do Divino Espírito Santo/RS entre 1855 e1864.
...continuação
Autor Título Local Editora Ano
Lourenço Trigo de Loureiro.
Gramática razoável da língua portuguesa, composta segundo a melhor doutrina dos gramáticos antigos e modernos de diferentes idiomas.
Rio de Janeiro Tipografia Imperial e nacional
1828
Luís da Silva Alves de Azambuja Susano
Compêndio da gramática portuguesa para uso das escolas primárias.
Rio de Janeiro Tipografia de Laemmert
1851 Manuel Domingos de
Carvalho
Elementos de gramática portuguesa para uso dos alunos do mesmo estabelecimento
Bahia Tipografia Poggetti 1863
Manuel Olímpio Rodrigues da Costa
Gramática Portuguesa Rio de Janeiro Tipografia da Escola 1887
Manuel Olímpio Rodrigues da Costa
Gramática portuguesa destinada ao curso do 1º ano do Imperial Colégio de Pedro Segundo
Rio de Janeiro ? 1876
Manuel Pacheco da Silva Junior e Lameira de Andrade
Noções de gramática portuguesa de acordo com o programa oficial para os exames de
preparatórios do corrente ano
Rio de Janeiro ? 1887
Manuel Pacheco da Silva Junior e Lameira de Andrade
Gramática da língua portuguesa para uso dos ginásios, liceus e escolas normais...
Rio de Janeiro Livraria Clássica de Alves
1894
Manuel Soares da Silva Bezerra
Compêndio de gramática filosófica por... (do liceu nacional).
Ceará Tipografia Social 1861
Maximino de Araújo Maciel
Gramática analítica baseada nas doutrinas modernas satisfazendo às condições do atual programa...
Rio de Janeiro Tipografia central 1887
Maximino de Araújo Maciel
Gramática descritiva baseada nas doutrinas modernas/ por.... língua portuguesa.
Rio de Janeiro ? 1895
Meneses Vieira Noções de gramática Rio de Janeiro ? 1897
Miguel Alves Feitosa Gramática das escolas, dedicada à província de São Paulo sobre o plano de P.Larousse
Campinas Gazeta de Campinas 1883 Olímpio Rollemberg
de Oliveira Chaves
Resumo da Gramática Portuguesa51. P. S. Livro de exercícios para aprender os elementos
da gramática portuguesa.(3ed0
Porto Alegre L. P. Barcelos & Cia. 1898 Paulo Perestrelo da
Câmara
Gramática das Gramáticas da língua portuguesa Rio de Janeiro ? 1850 Pedro José de
Figueiredo
Arte da Gramática portuguesa, ordenada em método breve, fácil e claro, oferecido a sua alteza real o ser.mo ser. D. António, príncipe da Beira.
Bahia 1817
Policarpo José Dias Cruz
Compêndio de gramática portuguesa Rio de Janeiro ? 1865
Policarpo José Dias Cruz
Postilas de gramática portuguesa Rio de Janeiro ? 1859
Raimundo Câmara Bettencourt
Epítome da gramática filosófica da língua portuguesa
Rio de Janeiro Editores E. & H. de Laemmert
1862 Salvador Henrique de
Albuquerque
Compêndio de Gramática portuguesa52 Recife Tipografia Universal 1858
Sem autor Gramática pitoresca, ou, o Sistema gramatical explicado pela árvore da ciência; mapa apenso aos preliminares de gramática da escola brasileira.
Rio de Janeiro 1864
Zillah do Paço Mattoso Maia
Gramática da língua portuguesa Rio de Janeiro ? 1899
51 Apesar de não ter encontrado um exemplar dessa gramática, consta na bibliografia de seu autor que “apesar do título despretensioso desta obra, o autor estendeu-se bastantemente no desenvolvimento do assunto”. (GUARANÁ, 1925, p. 445).
52 Esse compêndio também foi publicado no Rio de Janeiro em 1874. Levei em consideração apenas a que corresponderia à primeira edição.
No século XIX, como se pode notar, houve uma intensa produção gramatical, reflexo de uma política linguística que tentava não só organizar e regular o uso da língua literária, como também sistematizar o saber linguístico (conhecimento metalinguístico) a fim de educar para civilizar. Foram 90 obras, entre compêndios, gramáticas, ensaios, exercícios etc., publicadas no Brasil no século XIX. Esse número, porém, não corresponde à quantidade real das gramáticas publicadas nesse período. Muitas delas, como as de Olímpio Rollemberg de Oliveira Chaves, Manuel Joaquim de Oliveira Campos, em 1839, Juvêncio de Siqueira Montes, Joaquim Maurício Cardoso, de cujas notícias se têm em dicionários biobibliográficos, não foram encontradas em nenhum acervo oficial. Além disso, há também a imprecisão das datas das primeiras edições, uma vez que nem sempre estão disponíveis nas instituições de pesquisa. Se as datas das primeiras edições fossem conhecidas, ter-se-ia uma ideia mais exata da produção desses compêndios por ano e depois poder-se-ia cruzar esses dados com as exigências das políticas educacionais. Entretanto, fica a pequena contribuição para pesquisas posteriores.
Outro problema diz respeito às tipografias onde foram impressas essas gramáticas. As referências, quando as há, não apresentam, muitas vezes, o nome da tipografia ou do editor. Como se pode observar na tabela, em quase 40% das gramáticas listadas, não se tem