• Nenhum resultado encontrado

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.2 AS INDÚSTRIAS CERÂMICAS E A QUESTÃO AMBIENTAL

41 Tanque de lodo: tanque que armazena o lodo gerado no tanque de pré-decantação e no decantador, de onde o lodo é enviado para o filtro-prensa.

Filtro-prensa: filtra e prensa o lodo, retirando aproximadamente 75% da água. Após esse processo o que foi prensado chama-se “torta de lodo”.

Disposição final: carregamento da torta de lodo para armazenamento no parque fabril.

A fábrica da Portobello S/A chega a gerar em média 54 toneladas de resíduos por dia proveniente da etapa de polimento do porcelanato. Até a data da coleta, o resíduo permanecia armazenado em galpões locados no pátio fabril, sendo posteriormente encaminhado ao seu destino final, o aterro industrial (PORTOBELLO, 2007).

ambientais deste setor estão na extração de matérias-primas, na pigmentação das peças cerâmicas e no lodo gerado das Estações de Tratamento de Efluentes (ETE).

A etapa de extração das matérias-primas naturais apresenta diversos problemas: mão de obra desqualificada e de alta rotatividade; extração sem planejamento e predatória, que pode levar a um mau uso e desperdício da reserva natural; pesquisa geológica deficiente, a qual não garante a qualidade da matéria-prima natural e pode prejudicar o melhor aproveitamento da matéria-prima e a minimização de impactos ambientais (FERRARI, 2000). Os problemas encontrados nesta primeira etapa da cadeia produtiva interferem diretamente nas etapas seguintes da produção.

A quantidade de água e de matéria-prima empregadas depende do tipo de matéria-prima utilizada, do processo de fabricação envolvido e das propriedades do produto desejado (OLIVEIRA & MAGANHA, 2006). Assim, a produção de cerâmicas por via seca, onde a mistura de matéria-prima é umedecida entre 7 e 12 % do peso seco, consome-se menos água, conseqüentemente produz menos efluente. Este processo é o mais utilizado atualmente. Ao contrário da via úmida, a matéria-prima é misturada com água até um conteúdo de umidade de 42% do peso seco. Após a granulação, o material é secado até um conteúdo de umidade de 5-6%, consumindo muito mais água e energia para realizar a secagem (OLIVEIRA &

MAGANHA, 2006).

Outro aspecto importante é a elevada perda de matéria-prima e insumos durante o processo de produção. Segundo Grego (1998), verifica-se uma perda de até 15% desde a matéria-prima ao produto acabado. As quebras, presença de trincas ou bolhas, a queima indevida e irregularidades nas peças são causas desde elevado número de perda, conseqüentemente maior consumo de matéria-prima e insumos para o processo fabril. Isto poderia se evitado com um maior controle e treinamento técnico.

Outra etapa da produção da fabricação de revestimentos cerâmicos com grande potencial poluidor é a pigmentação das placas cerâmicas. Nos colorifícios, Figueiredo Filho et al (1999) constataram o elevado consumo de água durante a fabricação de fritas e o consumo de metais tóxicos na composição dos insumos para decoração. Durante a preparação do esmalte são

43 introduzidos na suspensão um ou mais produtos químicos com a finalidade de proporcionar ou corrigir determinadas características. Entre eles podemos citar ligantes, plastificantes, defloculantes, fluidificantes e antiespumantes. Além destes aditivos, para conferir coloração aos esmaltes, são adicionados corantes, que em geral são óxidos de ferro, de cobalto, de manganês, de cobre, de cádmio, de chumbo e de selênio (OLIVEIRA et al, 2006). Sendo que alguns desses elementos contribuem negativamente na questão ambiental das indústrias de fabricação de placas de revestimentos cerâmicos, pois acarretam a geração de resíduos tóxicos (ABCeram, 2007).

A emissão atmosférica é mais um problema ambiental da indústria de revestimentos cerâmicos. As principais fontes de poluentes são: a moagem da matéria-prima, onde ocorre a emissão de partícula de argila, quartzo e feldspato; a queima ocorre a emissão de gases como o NO2, CO e CO2 e compostos orgânicos voláteis (COVs); na prensagem das peças também tem-se emissão de particulados (OLIVEIRA et al, 2006).

Os efluentes, numa indústria cerâmica, são produzidos basicamente em três setores:

preparação de massa, preparação de esmaltes e linhas de esmaltação. A geração desses resíduos deve-se à limpeza de equipamentos e sobras de produção. No caso de resíduos de massa, estes provem de peneiramentos da barbotina antes da atomização da massa (BERNARDIN et al, 2006; FERNANDES, 2002).

O setor de porcelanato e grês polido, que fazem parte da indústria de revestimentos cerâmicos, também sofre com a grande geração de resíduos, provenientes em sua maioria do tratamento dos efluentes desta etapa, que não podem ser utilizados na mesma linha de produção (FERNANDES, 2002; PEREIRA, 2004).

A medida mais comumente adotada pelas indústrias de cerâmicas é o tratamento (seja físico-químico ou biológico) dos efluentes gerados. Para o tratamento desses efluentes gerados no decorrer dos processos industriais, são implantadas as Estações de Tratamento de Efluentes (ETE), de onde resulta o lodo que, depois de prensado em filtro-prensa, é compactado em blocos chamados comumente de torta de lodo ou apenas torta; enquadrados como resíduos

sólidos perigosos ou não-perigosos. Sua disposição tem um custo elevado e pode afetar as características ambientais da região caso seja disposto indevidamente.

Os resíduos que se produzem nos processos de fabricação de revestimentos cerâmicos esmaltados são de aproximadamente 6% em peso das matérias-primas utilizadas no processo.

Não obstante, somente 10% destes resíduos, das lamas do tratamento de água, podem ser tóxicos e perigosos, o restante são resíduos inertes (MONFORT et al, 1996).

A indústria de revestimento cerâmico gera resíduos, alguns enquadrados na classificação de resíduo sólido IIa (não-inerte), que devem ter um tratamento especial, pois seu armazenamento inadequado pode apresentar sérios riscos à saúde humana e ao meio ambiente, necessitando de tratamento prévio antes de seu descarte (FERNADES, 2002;

LORENZI, 2005; KUMMER, 2007).

Devidos as crescentes restrições aos descartes de resíduos industriais, ao desmatamento e à qualidade do ar, água e solo, impostas pelas leis ambientais, é cada vez maior o número de indústrias em busca da correta destinação ou do reaproveitamento dos rejeitos gerados em seus processos (FERNANDES, 2002).

O conceito de reutilização e de reciclagem vem sendo empregado como solução ao destino final da enorme quantidade de rejeitos gerados na maioria das indústrias. Contudo, deve-se ter o mínimo de cautela na aplicação desta metodologia. Por isso, estudos devem ser realizados para analisar cientificamente este potencial de reciclagem dos resíduos industriais, entre eles uma avaliação toxicológica. Nas avaliações ecotoxicológicas é importante utilizar mais de um organismo teste, pois diferentes organismos fornecem diferentes tipos de informações a respeito da toxicidade da água e do sedimento (CHEUNG et al., 1997).

A elaboração de um modelo de desenvolvimento auto-sustentável, na questão ambiental, vem sendo considerado como objetivo principal dentro de uma sociedade consciente.

45

Documentos relacionados