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4.7 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

4.7.1 As Interações Sociais e o Compartilhamento do Conhecimento

Observa-se que diversas pesquisas não fazem distinção entre o conhecimento tácito e explícito. A presente pesquisa, que faz distinção entre os dois tipos de conhecimento, apontou uma significância positiva e bastante relevante (Beta = 10,08) entre as interações sociais e o CC tácito – confirmando a hipótese H1a, porém não demonstrou significância direta com o CC explícito, refutando a hipótese H1b. Ou seja, no contexto desta pesquisa há apenas uma significância indireta (mediação total por meio do CC tácito) entre as interações sociais e o compartilhamento do conhecimento explícito.

A interpretação desse resultado sugere que o compartilhamento do conhecimento explícito tende a acontecer independente dos indivíduos terem uma relação mais próxima e frequente. Isso pode ser observado em situações que pessoas voluntariamente criam e/ou disponibilizam uma documentação escrita para uso comum, onde não há necessariamente uma interação social entre quem documentou e quem fez uso do conhecimento. O resultado da presente pesquisa, no que tange a hipótese H1b, sugere estar alinhada com pesquisas anteriores que não distinguem o tipo de conhecimento (AHN e KIM, 2017; LEFEBVRE et al., 2016; HSU e CHANG, 2014) e que apontam as interações sociais como uma influencia indireta no CC.

Por outro lado, a confirmação da hipótese H1a, indicando a influência das interações sociais no CC tácito, reforça tanto resultados de pesquisas seminais na área de GC como pesquisas mais atuais. Nonaka (1994) com sua espiral do conhecimento, já apontava que a socialização era parte fundamental na conversão do conhecimento tácito para explícito e vice-versa; Davenport e Prusak (1998), por sua vez, indicava a relevância das interações sociais para criação de novos conhecimentos.

Estudos mais recentes indicam que mesmo em contextos virtuais, como no caso da pesquisa de Hsu (2015), aplicado em comunidades online, as interações sociais tem significativa influência no CC tácito. Já a pesquisa de Chang e Chuang (2011), também no contexto de comunidades online, aponta que as interações sociais tem relevante importância na qualidade CC tácito. Já na pesquisa de Akhavan e Hosseini (2016), no contexto de times de P&D, indica significância das interações sociais na intenção de CC.

Entende-se que o CC tácito tende a ser mais trabalhoso que o CC explícito, pois pode despender recursos como tempo, estrutura física e aptidões de comunicação. No momento que as pessoas já estão em um cenário propício para relações sociais (sejam elas presenciais ou virtuais), já está estabelecida uma situação de proximidade e de disponibilização do tempo.

A interpretação desses resultados indica que as organizações, por meio de seus líderes, podem facilitar o CCT ao criar situações que proporcionem a interação entre as pessoas por meio de eventos formais e informais e pela disponibilização de espaços e momentos para que as pessoas interajam. Para situações onde as pessoas estão localizadas próximas fisicamente, algumas atividades presenciais podem ser

utilizadas como forma de estimular a interação entre as pessoas, como por exemplo reuniões onde uma ou algumas pessoas compartilham conhecimento (seja ele relacionado ao trabalho ou não) e que estimulem a participação das outras pessoas. A existência de espaços físicos e momentos mais informais como por exemplo celebrações (aniversários, comemorações relacionadas a entregas de projetos, datas especiais, etc) e existência de ambientes comuns como áreas de refeições/café, salas de jogos e espaços que possibilitam o relaxamento também tendem a aproximar as pessoas e facilitar interações futuras. Nos casos em que as pessoas não estão fisicamente próximas, não permitindo o contato face a face, o uso de tecnologia pode ajudar a conectar pessoas. O uso de ferramentas como mídias sociais foi apontado em diferentes contextos de pesquisa (PANAHI; WATSON; PARTRIDGE, 2016; KAYA; SAGSAN, 2015) como um facilitador para o compartilhamento do conhecimento, pois facilitam a interação informal e instantânea. Recursos como salas virtuais em mídias sociais e vídeo conferências podem auxiliar a encurtar distâncias.

Tanto para situações presenciais como virtuais, atividades como, por exemplo, reuniões onde pessoas compartilham conhecimento (seja ele relacionado ao trabalho ou não) podem ser estimuladas. Uma forma de estimular as interações sociais é o uso de dinâmicas. Em um grupo de pessoas, pode-se fazer perguntas como por exemplo, qual o seu passatempo preferido, qual seu sonho de férias, etc. Encontros temáticos, onde pessoas podem mostrar objetos ou mencionar alguma curiosidade sobre o tema apresentado, também é um exemplo simples de dinâmica. Essas dinâmicas podem fazer com que pessoas encontrem afinidades entre elas e essas afinidades podem facilitar futuras interações. Uma questão a ser observada é o estímulo para que as pessoas interajam também com pessoas além do seu grupo principal, para que novos laços sejam estabelecidos. Seguindo recomendações de Kwon e Adler (2014), é preciso ter cuidado com a coesão excessiva proveniente de redes predominantemente endógenas.

Outra forma de interação social e compartilhamento de conhecimento praticada em organizações são as Comunidades de Prática (CoP). Segundo o conceito revisitado por Wenger (2011), a CoP consiste em grupos de pessoas que tem um interesse comum e que se reúnem regularmente para que juntas possam aprender mais e fazer melhor. Sugere-se que, quando possível, e principalmente quando existem assuntos mais complexos envolvidos ou o conhecimento for altamente tácito,

que as interações sociais sejam face a face. Os recursos tecnológicos, embora sejam eficazes em diversas situações, ainda apresentam limitações quando comparados a riqueza de detalhes oferecida pela comunicação face a face (PANAHI; WATSON; PARTRIDGE, 2016; ISA; ABDULLAH; SENIK, 2010).