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As intervenções do revisor e do supervisor

CAPÍTULO IV.............................................................................................................. 50

5.1 O Corpus

5.1.2 As intervenções do revisor e do supervisor

eleitores. Ou seja, houve aí um elemento incluído no texto, como se estivesse entre parênteses, pois é alheio ao que se estava dizendo. É nesse sentido que se pode dizer que há inclusão.

No entanto, em termos de textualidade, o agradecimento feito – e não apenas a palavra inclusive – não se faz adequado à construção da textualidade que se deseja coesa e coerente. É desse modo, porém, que o deputado disse o que disse. Sua maneira de dizer reflete discursivamente sua intenção política, e isso dificulta o trabalho do revisor, que teria de fazer toda essa análise discursiva antes de decidir retirar ou modificar um trecho ou palavra do texto original. O que o taquígrafo poderia ter feito, nesse caso, seria deixar o texto tal como foi dito, para que o revisor, com todo o texto nas mãos, pudesse revisá-lo, optando, discursivamente, e não apenas gramatical e estilisticamente, por modificá-lo ou por deixá-lo como estava. No discurso, como vimos, tramitam ideologias, intenções e discursos que se relacionam a outros discursos, e o revisor deve ter o cuidado de manter essas relações, até em nome do interesse dos possíveis leitores dos deputados e de suas escolhas políticas.

Já a mudança do tempo do verbo “ser”, na penúltima linha, do infinitivo para o presente do subjuntivo só poderia ser efetivada se o termo antecedente se referisse ao trabalho desempenhado pelo Deputado na Câmara, o que não ocorreu. Isso mostra que, nem sempre, numa análise rápida, tanto o taquígrafo quanto o revisor podem chegar a uma boa alternativa de revisão do discurso parlamentar. Como já dito, é necessário que os pronunciamentos sejam considerados em sua íntegra e que a revisão tenha em conta, mais do que a adequação do discurso à norma culta, suas implicações discursivas.

encaminhado pela revisão, bem como a sugestão da Coordenação.

Para facilitar a análise, os trechos analisados são reproduzidos na íntegra no corpo deste trabalho, com suas linhas numeradas. A intenção, aqui, não é fazer uma análise exaustiva dos discursos, mas mostrar que as intervenções dos agentes da revisão dos discursos parlamentares nem sempre são as mais adequadas discursivamente.

Muitas vezes, o que o parlamentar disse, com que intenção disse, de que modo disse e por que disse do modo como disse não são itens considerados no momento da revisão, em que tem mais ênfase a gramática normativa e o estilo de redação. Abaixo, temos o texto número 5 e as versões de cada agente da revisão parlamentar que participaram do trabalho:

Texto 5

Versão do taquígrafo 1

2 3 4

Em 1970, o Brasil conquistou o tricampeonato de futebol. Havia uma canção na época, “noventa milhões em ação, para frente Brasil do meu coração...”, que fez com que esse número ficasse bem fixado na memória de nossa população.

5 6 7

Em 2002, estamos com 180 milhões de habitantes. Nasceram, aproximadamente, 90 milhões de habitantes em apenas 32 anos, a população brasileira, então, praticamente duplicou.

8 09 10 11 12

É evidente que a sociedade não tem condições de enfrentar esse imenso desafio de manter uma criação de empregos, escolas e hospitais. Enfim, a sociedade brasileira não tem como atender a essa demanda provocada por essa imensa maioria da população brasileira.

13 14 15 16 17 18 19

V.Exa. acaba de registrar uma das lacunas, um dos problemas que angustia a massa da população em nosso País. E o que é mais grave? É que essa população tem crescido na base periférica da ação.

O pobre fica cada vez mais pobre em virtude dessa dramaticidade, dificuldade de conseguir um emprego, uma educação para seus filhos, a fim de que possa corrigir essas distorções dentro da sociedade brasileira.

Versão do revisor 1

2 3 4

Em 1970, o Brasil conquistou o tricampeonato de futebol. A canção da época, “noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração...”, fez com que esse número ficasse bem fixado na memória da população.

5 6 7

Em 2002, somos 180 milhões de habitantes. Nasceram, aproximadamente, 90 milhões de pessoas em apenas 32 anos, ou seja, a população brasileira praticamente duplicou.

8 9 10 11

É evidente que o País não tem condições de enfrentar o imenso desafio de gerar empregos e criar escolas e hospitais. Enfim, não tem como atender à demanda provocada pelo aumento da população brasileira.

12 13 14 15 16 17

V.Exa. acaba de registrar uma das lacunas, um dos problemas que angustia a massa da população. E o mais grave é que a população tem crescido na base periférica. O pobre fica cada vez mais pobre em virtude da dificuldade de conseguir emprego, de proporcionar educação a seus filhos. Desse modo, continuam as distorções na sociedade brasileira.

Versão da supervisão 1

2 3 4 5 6

Em 1970, o Brasil conquistou o tricampeonato de futebol. A canção da época — “noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração” —, fez com que esse número ficasse bem fixado na memória da população. Em 2002, somos 180 milhões de habitantes.

Nasceram, aproximadamente, 90 milhões de pessoas em apenas 32 anos, ou seja, a população brasileira duplicou.

7 8 9 10

É evidente que o País não tem condições de enfrentar o imenso desafio de gerar empregos, criar escolas e hospitais. Enfim, não tem como atender à demanda provocada pelo aumento da população brasileira.

11 12 13 14 15 16

Sr. Presidente, V.Exa. acaba de registrar uma das lacunas, um dos problemas que angustia a massa da população. E o mais grave é que a população tem crescido na base periférica. O pobre fica cada vez mais pobre em virtude da dificuldade de conseguir emprego, de proporcionar educação a seus filhos. Desse modo, continuam as distorções na sociedade brasileira.

Versão da Coordenação

1 2 3 4

Em 1970, o Brasil conquistou o tricampeonato de futebol. Uma canção da época, “noventa milhões em ação, pra frente Brasil do meu coração...”, fez com que esse número ficasse bem fixado na memória de nossa população.

5 6

Em 2002, estamos com 180 milhões de habitantes. Nasceram, aproximadamente, 90 milhões de brasileiros em apenas 32 anos; a

7 população praticamente duplicou.

8 9 10 11

É evidente que a sociedade não tem condições de enfrentar o imenso desafio de manter a criação de empregos, escolas e hospitais.

Enfim, a sociedade brasileira não tem como atender à essa demanda da imensa maioria da nossa população.

12 13 14 15 16 17

V.Exa. acaba de registrar uma das lacunas, um dos problemas que angustia a população em nosso País. E o que é mais grave? Essa população tem crescido na base periférica da ação. O pobre fica cada vez mais pobre em virtude da dramaticidade, ou seja, a dificuldade de conseguir emprego, educação para seus filhos, a fim de que se possa corrigir essas distorções dentro da sociedade brasileira.

O Texto 5 representa, de maneira bastante significativa, como a intervenção tanto do taquígrafo quanto do revisor pode alterar o sentido do pronunciamento parlamentar. Na linha 2, da versão do taquígrafo, o verbo “haver” contribui para provocar o efeito de sentido de que naquela época – 1970 – existia uma canção, cujo trecho é citado, dentre tantas outras, e que esta canção fez com que o povo fixasse um número – esse – que não se pode, com a leitura até aí, identificar com certeza qual seja – 1970, tricampeonato, noventa milhões? –. Observe-se que a informação sobre que número é esse só é resgatada no parágrafo seguinte.

Significativa foi a interferência da revisão, que tirou o verbo com efeito de sentido de existência e o artigo indefinido, substituindo-os por um artigo definido, provocando um efeito de sentido diferente: de que, naquela época, havia uma única canção. Correção esta mantida pela Supervisão. A primeira versão, a do taquígrafo, foi resgatada apenas pela sugestão da Coordenação.

Outra mudança significativa ocorreu na linha 5, em que também houve mudança na construção frasal, substituindo o verbo “estar” pelo “ser”. Ora, na língua portuguesa esses verbos não são sinônimos, ou seja, não funcionam como o “to be” do inglês. Os efeitos de sentido provocados por cada um deles em dado contexto são significativamente diferentes. Por exemplo, em “A moça é bonita”, ser bonita é uma característica intrínseca da moça; já em “A moça está bonita”, estar bonita é uma característica momentânea da moça, que não é sempre bonita. No caso do texto acima, o deputado se põe discursivamente em uma esfera alheia, separada dos “180 milhões de habitantes”, como se estivesse olhando de longe ou de cima. Ele diz “estamos com 180

milhões de habitantes” e não “somos 180 milhões de habitantes”. Desse modo, o revisor modificou o sentido do texto de forma direta, incluindo o autor do discurso no total dos 180 milhões de habitantes.

Na linha 8, ocorreu a substituição do vocábulo “sociedade” por “País”; e, na linha 10, a elisão de “sociedade”, que retoma anaforicamente “País”. A justificativa para essa mudança, feita pelo revisor e aceita pelo supervisor, possivelmente seria a responsabilidade de que o País – como Estado?10 –, e não a sociedade, tem de suprir a estrutura social com empregos, escolas, hospitais etc. No entanto, com o uso da palavra sociedade, conforme dito pelo Deputado, seria a sociedade a responsável por suprir a própria sociedade. Isso é compreensível, se considerarmos que é a “sociedade”, formada por um povo democraticamente soberano, na pessoa dos cidadãos que pagam impostos, que mantém sua própria infra-estrutura. O governo seria – ou deveria ser – apenas o representante dessa sociedade, aquele que deve administrar o dinheiro que ela lhe entrega e provê-la em suas necessidades coletivas. Desse modo, pode-se considerar que a intervenção do revisor, nesse caso, foi indevida. O mesmo pode ter pensado o Coordenador, que sugeriu que a palavra sociedade fosse mantida.

Também não se justifica a troca feita pelo revisor na linha 11. Quando o parlamentar afirma que a sociedade não atende à demanda provocada pela “imensa maioria”, o efeito de sentido gerado parece ser o de que a margem da população brasileira que necessita de “empregos, escolas e hospitais” é cada vez maior, e está enorme, muito grande em relação àquela parcela – pequena – que não necessita disso.

Além dessa mudança, o acréscimo da palavra “aumento” não agrega o efeito de sentido acima, embora corrobore a idéia inicial do texto, a de que a população está aumentando.

A intenção do orador parece ser dizer que a sociedade – que paga impostos – não consegue atender à demanda provocada pelo aumento da população, e, do modo como ele disse, é esse o efeito de sentido provocado.

10 A definição de País, segundo o dicionário Aurélio Eletrônico (Séc. XXI), é “Conjunto formado de povo e território, não chegando a constituir um Estado, por lhe faltar soberania ou governo independente.”, portanto não envolve a parte administrativa, ou seja, o Governo. Parece, no entanto, que o revisor pensou num conceito de País que se confunde com o de Estado. De acordo com o dicionário Aurélio Eletrônico (op. cit.), Estado é “Organismo político-administrativo que, como nação soberana ou divisão territorial, ocupa um território determinado, é dirigido por governo próprio e se constitui pessoa jurídica de direito público, internacionalmente reconhecida.”.

Essas mudanças foram mantidas pela supervisão. Já a coordenação sugeriu uma intervenção menor no pronunciamento do Deputado, mantendo “imensa maioria”, mas, de qualquer modo, por sustentar a retirada do vocábulo “provocar” em “demanda provocada”, também não se faz tão adequada. No texto do parlamentar, a “demanda”

não simplesmente existe. Para haver a demanda, nesse caso, ela é provocada por algo, ou seja, “a demanda provocada por essa imensa maioria da população” remete o leitor à afirmação anterior de que a população brasileira está aumentando rapidamente (em 90 milhões num período de 32 anos), contribuindo para a construção dos sentidos de que esse aumento acelerado é que faz com que a sociedade não possa suprir tal demanda.

Um outro comentário que parece pertinente é que, ao falar, uma pessoa não formula parágrafos, então, aquele que escreve o texto, depois de ouvi-lo, é que deve ter o trabalho de formular o texto em parágrafos bem estruturados, conforme as regras de formação de parágrafos mais usual: tópico, desenvolvimento e fechamento (ABREU, 1996). Seguindo essa idéia, pode-se considerar que o que foi formulado em três parágrafos – os três primeiros – poderia fazer parte de um único parágrafo. Isso ajudaria a entender, por exemplo, que o parlamentar usou aí argumentos que convergem para o desfecho de que a sociedade não consegue pagar por/suprir de “empregos, escolas e hospitais” uma população que cresce tanto, o que é retomado no parágrafo final. A Supervisão ainda buscou unir as idéias, mas apenas em relação aos dois primeiros parágrafos, faltou ainda concatenar o terceiro, proposta deste estudo.

Nas linhas 14 e 15, houve também interferência do revisor quanto à entonação dada pelo Parlamentar, e registrada pelo taquígrafo, em forma de pergunta “E o que é mais grave?” A pergunta inclui o interlocutor, ela o traz à construção dos sentidos do texto, interpelando-o. É como se o Deputado dissesse: há algo de mais grave ainda do que aquilo que foi dito até aqui, o que é? O locutor chama, desse modo, o interlocutor a atentar para a existência de algo bem mais grave. Em forma de afirmação, esse efeito de sentido é amenizado. Além do que, o revisor deixou incompleta a resposta, ao retirar a expressão “da ação” (linhas 15 e 16). Daí, percebe-se que a mudança na construção frasal pode levar a uma construção dos sentidos diversa da pretendida pelo autor: na versão do revisor, mantida pelo supervisor, a “base periférica”

é uma qualquer e pode se referir a diferentes fatores; na versão do taquígrafo, o efeito de sentido é que “a ação”, que é a de suprir a população – que se pode considerar

“governamental” –, tem uma base limitada e que a população cresce quase fora desse

limite, na periferia da ação, em sua extremidade marginal. Essa visão é reforçada pelo período seguinte. Registre-se que a coordenação sugeriu a manutenção da pergunta e da palavra “ação”.

Também houve modificação nas linhas finais do texto. Um período foi transformado em dois, a palavra “dramaticidade” (linhas 16 e 17) e o trecho “a fim de corrigir” (linha 18) foram retirados pelo revisor e foi acrescentada a expressão “de proporcionar”. A frase do deputado era: “O pobre fica cada vez mais pobre em virtude dessa dramaticidade, dificuldade de conseguir emprego, uma educação para seus filhos, a fim de corrigir essas distorções dentro da sociedade brasileira”. Entende-se, lendo este trecho, que o revisor tenha percebido a necessidade de que fosse feita nele algumas modificações. Essas mudanças, no entanto, poderiam ser mais discretas para não afetar o sentido construído textualmente pelo parlamentar, se feitas apenas na pontuação e mais alguns pequenos ajustes.

Uma correção na pontuação poderia ser feita do seguinte modo: “O pobre fica cada vez mais pobre em virtude desta dramaticidade: dificuldade de conseguir emprego, educação para seus filhos.” Até aqui, percebe-se que o texto está coeso e coerente, mas parece que o trecho “a fim de corrigir essas distorções dentro da sociedade brasileira” não seria uma seqüência lógica para o trecho anterior. Entende-se, entretanto, que a correção das distorções adviria do emprego e da educação, citados anteriormente. A fala do deputado causa o efeito de sentido de que a situação é dramática para o pobre que, à margem da “ação”, tem dificuldade de conseguir emprego e educação, mas, se conseguir, isso contribuiria para corrigir essas distorções na sociedade brasileira. Isso foi detectado pela Coordenação, que é apenas uma sugestão, conforme se pode notar no texto, já que a versão publicada é a da Supervisão.

Percebe-se que as alterações efetivadas pelo revisor foram mantidas pelo Supervisor. Se comparada a versão do taquígrafo com a sugestão da Coordenação, verifica-se que houve a retomada de palavras do parlamentar. As modificações realizadas foram apenas para dar mais clareza e evitar as repetições, por exemplo, na linha 6, a substituição da palavra “habitantes” por “brasileiros”. As demais alterações foram todas com a mesma intenção.

Feitas essas considerações quanto ao Texto 5, e como esta análise pretende apenas mostrar que, muitas vezes, o texto é modificado discursiva e semanticamente

pelo revisor e que isso pode provocar efeitos de sentido bem distintos daqueles pretendidos pelo locutor, podemos partir para a análise do Texto 6. A intenção é a mesma e não se pretende exaustiva.

No Texto 6, a partir da linha 4, percebe-se claramente como o revisor interfere de maneira bastante direta no texto do parlamentar, principalmente com a supressão de palavras e até de expressões inteiras, com a intenção de enxugar e dar continuidade ao texto. Porém, essas alterações fazem com que as marcas características do orador se percam em detrimento dessa clareza e coesão supostamente pretendida pelo revisor.

Texto 6

Versão do taquígrafo

1 2 3 4

É preciso então ver isso. Na Suíça, que é um país desenvolvido, quando eles votam seis, sete projetos a cada legislatura, o povo acha muito, tal a alteração que se faz no sistema legislativo nacional. Aqui queremos votar a cada instante.

5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15

Fez-se uma alteração no art. 62 da Constituição brasileira com a finalidade de alterar o dispositivo que regulamentava as medidas provisórias de forma que o Governo não usurpasse tanto a função do Legislativo e não adotasse tantas medidas provisórias. Foi alertado aqui pelo PDT, através do Deputado Miro Teixeira, por mim mesmo, e outros Deputados, foi levantada a questão, que se aprovasse o art. 62 ou a Emenda Constitucional nº 32 da forma que estava, poderíamos criar uma malha de força para o Congresso, porque o Governo não perceberia, não se contentaria em mandar os projetos de lei para o Legislativo, continuaria com aquela fúria de editar medidas provisórias. Foi o que fez. Temos atualmente 35 medidas provisórias.

16 17 18 19 20 21 22 23 24

Então, a culpa deste Congresso estar obstruído não é por conta da oposição, certamente não é por conta do PDT que tem 16 Deputados em 513, não é por conta dos partidos de oposição, é por conta da base do Governo que não se entendeu, não houve entendimento na base do Governo. Ora, é preciso que o Governo compreenda que medida provisória é uma coisa que tem que ser usada dentro dos critérios de relevância e urgência. Esta que estamos votando agora, que se discute, é a prorrogação de um prazo que não precisaria ser por medida provisória em absoluto. Não havia

25 26

necessidade. O Governo extrapola de suas funções e com isso cria uma camisa de força.

Versão do revisor 1

2 3 4

É preciso ver isso. Na Suíça, que é um país desenvolvido, quando eles votam seis, sete projetos a cada legislatura, o povo acha muito, tal a alteração que se faz no sistema legislativo nacional. Aqui queremos votar novas proposições a todo instante.

5 6 7 8 9 10 11 12 13

Alterou-se o art. 62 da Constituição brasileira com a finalidade de restringir o uso das medidas provisórias pelo Governo, para que não usurpasse tanto a função do Legislativo. O PDT disse aqui reiteradas vezes que, se a Emenda Constitucional nº 32 fosse aprovada da forma como estava, poderíamos criar uma malha de força para o Congresso, porque o Governo não se contentaria em mandar os projetos de lei para o Legislativo, continuaria com a compulsão de editar medidas provisórias. Foi o que fez. Temos, atualmente, trinta e cinco medidas provisórias em pauta.

14 15 16 17 18 19 20 21 22

Então, não culpem a Oposição pela obstrução dos trabalhos nesta Casa. A culpa não é do PDT, que tem apenas dezesseis dos 513 Deputados com assento nesta Casa, nem dos demais partidos de oposição, mas da base do Governo, que não se entendeu. O Governo precisa compreender que medida provisória é para ser usada obedecendo aos requisitos de relevância e urgência. Esta que estamos discutindo agora, para prorrogar um prazo, não se justifica. Não havia necessidade. O Governo extrapola suas funções e com isso coloca uma camisa de força no Congresso Nacional.

Sugestão da Coordenação

1 2 3 4

É preciso então ver isso. Na Suíça, país desenvolvido, quando se votam seis, sete projetos a cada legislatura, o povo acha muito, tal a alteração que se faz no sistema legislativo nacional. Aqui queremos votar a cada instante.

5 6 7 8 9 10

Fez-se uma alteração no art. 62 da Constituição brasileira, que regulamentava as medidas provisórias, para que o Governo não usurpasse tanto a função do Legislativo e não adotasse tantas medidas provisórias. O Deputado Miro Teixeira, eu mesmo e outros Deputados do PDT levantamos a seguinte questão: se fosse aprovado o art. 62 ou a Emenda Constitucional n.º 32 da forma como estava, poderíamos

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criar uma malha de força para o Congresso, porque o Governo perceberia, não se contentaria em mandar os projetos de lei para o Legislativo e continuaria com aquela fúria de editar medidas provisórias. Foi o que fez. Temos atualmente 35 medidas provisórias.

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Então, a culpa de este Congresso estar obstruído não é da Oposição – certamente não é do PDT, que tem 16 Deputados em 513;

é da base do Governo, que não se entendeu. Ora, é preciso que o Governo compreenda que medida provisória tem que ser usada dentro dos critérios de relevância e urgência. Esta que estamos discutindo e votando agora trata da prorrogação de um prazo, o que não precisaria ser feito por medida provisória, em absoluto. Não haveria necessidade.

O Governo extrapola suas funções e, com isso, cria uma camisa-de-força.

Na linha 5, há a troca de “fez-se uma alteração no” por “alterou-se o”, o que modifica discursivamente o texto. Em “alterou-se o”, é como se o próprio artigo tivesse alterado a si mesmo, embora seja óbvio que um artigo não pode se modificar sozinho.

Nesse caso, perde-se a informação de que apenas uma modificação foi feita e de que alguém agiu – fez – para que essa alteração se efetivasse. Além disso, o uso de uma forma ou de outra é apenas uma questão de estilo, ou seja, não há “erro” quanto ao padrão da língua portuguesa e, portanto, não se justifica a mudança.

Ainda na linha 6, trocou-se a expressão “alterar o dispositivo que regulamentava” por “restringir o uso”. Veja-se também a inclusão de novas palavras não pronunciadas pelo orador. Na linha 7, mudança também substantiva efetivada pelo revisor foi a permuta da expressão “de forma que” por simplesmente “pelo” e, na linha 8, a exclusão de “e não adotasse tantas medidas provisórias”, o que muda o efeito de sentido no todo do período. Ao usar o verbo “restringir”, a versão do revisor já traz o efeito de sentido de que não há necessidade de adotar tantas medidas provisórias, mas a repetição, pelo parlamentar, no fim da oração serve para enfatizar a sua posição de repúdio em relação às medidas provisórias.

De qualquer modo, o estilo do orador deve ser preservado, pois essa é uma característica de autoria que funciona como marca lingüística de sua ideologia, de sua formação discursiva, de sua origem. A própria Circular nº 12/2004, exposta na subseção 4.1.3 deste trabalho, alerta para o fato de que as correções devem preservar as palavras do orador, mantendo seu estilo.

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