• Nenhum resultado encontrado

AS LEIS E AS FORÇAS

No documento Portal Luz Espírita (páginas 71-73)

CAPÍTULO VI URANOGRAFIA 59 GERAL

AS LEIS E AS FORÇAS

8. Se um desses seres desconhecidos que consomem a sua rápida existência no

fundo das tenebrosas regiões do oceano; se um desses poligástricos64, uma

dessas nereidas — miseráveis animais minúsculos que da Natureza só conhecem os peixes ictiófagos e as florestas submarinas — recebesse de repente o dom da inteligência, a faculdade de estudar o seu mundo e de basear suas apreciações num raciocínio conjetural extensivo à universalidade das coisas, que ideia faria da natureza viva que se desenvolve no meio por ele habitado e do mundo terrestre que escapa ao campo de suas observações?

Agora, por efeito maravilhoso do poder da sua nova faculdade, se esse mesmo ser chegasse a se elevar, acima das suas trevas eternas, a galgar a superfície do mar, não distante das margens opulentas de uma ilha de esplêndida vegetação, banhada pelo Sol ardente, dispensador de calor benéfico, que juízo faria ele das suas antecipadas teorias sobre a criação universal? Não

63

Uranógrafo: aquele que estuda o céu, os astros e o espaço cósmico; astrônomo – N. E. 64 Poligástrico: que possui vários estômagos – N. E.

baniria a elas de pronto, substituindo-as por uma apreciação mais ampla, relativamente tão incompleta quanto a primeira? Ó, homens, assim é a imagem da sua ciência toda especulativa.65

9. Pois, vindo tratar aqui da questão das leis e das forças que regem o Universo,

eu, que como vocês, apenas sou um ser relativamente ignorante, em comparação da ciência real, apesar da aparente superioridade que, com relação aos meus irmãos da Terra, me advém da possibilidade de estudar problemas naturais que lhes são interditados na posição em que eles se encontram como gente humilde, trago por único objetivo lhes dar uma noção geral das leis universais, sem explicar pormenorizadamente o modo de ação e a natureza das forças especiais que lhes são dependentes.

10. Há um fluido etéreo que enche o espaço e penetra os corpos. Esse fluido é o éter ou matéria cósmica primitiva, geradora do mundo e dos seres. As forças que presidiram às metamorfoses da matéria e as leis imutáveis e necessárias que regem o mundo pertencem a essa matéria. Essas múltiplas forças — indefinidamente variadas segundo as combinações da matéria, localizadas segundo as massas, diversificadas em seus modos de ação, segundo as circunstâncias e os meios — são conhecidas na Terra sob os nomes de gravidade, coesão, afinidade, atração, magnetismo, eletricidade ativa. Os movimentos vibratórios do agente são conhecidos sob os nomes de som, calor, luz, etc. Em outros mundos, elas se apresentam sob outros aspectos, revelam outras características desconhecidas na Terra e, na imensa amplidão dos céus, forças infinitas se têm desenvolvido numa escala inimaginável, de grandeza tal que somos tão incapazes de avaliar, como o é o crustáceo, no fundo do oceano, para apreender a universalidade dos fenômenos terrestres.66

Ora, assim como só há uma substância simples, originária, geradora de todos os corpos, mas diversificada em suas combinações, também todas essas forças dependem de uma lei universal diversificada em seus efeitos e que, pelos desígnios eternos, foi soberanamente imposta à criação, para lhe imprimir harmonia e estabilidade.

11. A Natureza jamais se encontra em oposição a si mesma. A divisa do brasão

do Universo só é uma: unidade-variedade. Voltando à escala dos mundos,

65Tal é também a situação dos negadores do mundo dos Espíritos, quando, após se haverem despojado do envoltório carnal, desdobrados às suas vistas, contemplam os horizontes desse mundo. Compreendem então o quanto eram ocas as teorias, com as quais pretendiam explicar tudo por meio exclusivamente da matéria. Contudo, esses horizontes ainda lhes escondem mistérios que só lhes serão desvendados posteriormente, à medida que, depurando-se, eles se elevam. Porém, desde os seus primeiros momentos no outro mundo, veem-se forçados a reconhecer a própria cegueira e o quanto estavam distantes da verdade – N. K.

66

Ligamos tudo ao que conhecemos e do que os nossos sentidos não captam, só compreendemos o que o cego de nascença compreende acerca dos efeitos da luz e da utilidade dos olhos. Pois então, é possível que noutros meios o fluido cósmico possua propriedades que seja suscetível de combinações de que não fazemos nenhuma ideia, produza efeitos apropriados a necessidades que desconhecemos, dando lugar a percepções novas ou a outros modos de percepção. Não compreendemos, por exemplo, que se possa ver sem os olhos do corpo e sem a luz. Quem nos diz, porém, que não existam outros meios, fora a luz, aos quais são adequados organismos especiais? Temos um exemplo disso na vista sonambúlica — que nem a distância, nem os obstáculos materiais e nem a obscuridade detêm. Suponhamos que, num mundo qualquer, os seres sejam normalmente o que só excepcionalmente o são os nossos sonâmbulos; eles, sem precisarem da nossa luz, nem dos nossos olhos, verão o que não podemos ver. O mesmo se dá com todas as outras sensações. As condições de vitalidade e de perceptibilidade, as sensações e as necessidades variam de conformidade com os meios – N. K.

encontramos unidade de harmonia e de criação, ao mesmo tempo em que uma variedade infinita no imenso jardim de estrelas. Percorrendo os degraus da vida — desde o último dos seres até Deus — fica evidente a grande lei de continuidade. Considerando as forças em si mesmas, podemos formar com elas uma série, em que o resultado é a lei universal, confundindo-se com a geradora.

A humanidade não pode apreciar esta lei em toda a sua extensão, porque as forças que a representam no campo das suas observações são restritas e limitadas. Entretanto, a gravitação e a eletricidade podem ser consideradas como uma larga aplicação da lei primordial, que impera para lá dos céus.

Assim como a criação, todas essas forças são universais e eternas — explicaremos este termo. Como pertencem ao fluido cósmico, elas atuam necessariamente em tudo e em toda parte, modificando suas ações pela simultaneidade ou pela sucessão de coisas, predominando aqui, apagando-se ali, fartas e ativas em certos pontos, adormecidas ou ocultas noutros, mas, afinal, preparando, dirigindo, conservando e destruindo os mundos em seus diversos períodos de vida, governando os maravilhosos trabalhos da Natureza, onde quer que eles se executem, assegurando para sempre o eterno esplendor da criação.

No documento Portal Luz Espírita (páginas 71-73)