Dentre os programas de atenção básica à saúde criados na década de 90 destacam-se: o Programa de Agente Comunitário de Saúde (PACS), o Programa Saúde da Família (PSF) e
Programa de Combate às Carências Nutricionais (PCCN). O PACS atua desde o início dos anos 90 e consiste na assistência a saúde de âmbito ambulatorial e domiciliar, o PSF foi implantado pelo Ministério da Saúde no ano de 1994 e surgiu no intuito de substituir as práticas curativas e a hospitalização para dar margem a ações preventivas, e por fim o Programa de Combate às Carências Nutricionais (PCCN), criado em 1998, substituindo o Programa Leite é Saúde, tem como objetivo impor índices toleráveis de carência nutricional e incentivar a prática do aleitamento materno. (BASTOS; REYMÃO; SOUZA, 2004).
Segundo o Portal da Saúde, do Ministério da Saúde (2011), os hospitais brasileiros que se tornam referência no incentivo ao aleitamento materno, são reconhecidos através do título Hospital Amigo da Criança, ação esta idealizada em 1990, porém prioritária a partir de 1992.
O estudo realizado para a cidade de São Paulo por Victora et al (1987) apud Escuder, Venancio e Pereira (2003) deixou claro quais eram os benefícios do aleitamento materno na redução da mortalidade infantil, pois foi constatado que o índice de diarréia em crianças desmamadas precocemente era 14,2 vezes maior que em crianças alimentadas por leite materno exclusivamente, além do risco de morte por doenças respiratórias ser superior 3,6 vezes em crianças desmamadas de modo precoce.
Tomando como base esse trabalho, Betrán et al (2001) apud Escuder, Venancio e Pereira (2003) pôde estimar o quanto impactante foi o aleitamento materno na redução da TMI em países da América Latina, a partir da análise de inquéritos de 16 países, concluiu-se que a prática da amamentação poderia reduzir significantemente a mortalidade na infância.
O PACS possui um dos maiores indicadores de cobertura dentre os programas desenvolvidos pelo Ministério da Saúde, com uma abrangência de 76% nos municípios brasileiros. As Regiões Sudeste e Sul encontram-se com os menores percentuais de população atendida (Gráfico 3). Isso reduz o grau de adesão ao PACS. No ano 2000, a Região Nordeste concentrava aproximadamente 52,3% dos agentes comunitários de saúde. Segundo informações do Departamento de Atenção Básica, do Ministério da Saúde (2011), o Programa de Agente Comunitário de Saúde é hoje considerado parte do Programa Saúde da Família. Nos municípios onde só existe a cobertura do PACS, este pode ser considerado um programa de transição para o Saúde da Família. No PACS, as ações dos agentes comunitários de saúde são monitoradas por um enfermeiro/supervisor lotado em uma unidade básica de saúde.
Em Bastos, Reymão e Souza (2004) o PSF, entre os anos de 1994 e 2001 conseguiu ampliar seu grau de cobertura em 77% dos municípios no Brasil. Em 2001, foram instaladas aproximadamente 10.788 equipes, apesar desse grau de cobertura, o PSF beneficia em torno de 25% da população. As Regiões Sudeste e Sul apresentam uma menor cobertura
populacional, enquanto o Nordeste possui a maior (Gráfico 4). Os impactos sobre a mortalidade infantil visto entre os anos de 1997 e 1999 tidos pelo PSF foram: a diminuição do processo diarréico em crianças menores de 2 anos e das carências nutricionais em menores de 1 ano.
GRÁFICO 3: Proporção da População Atendida pelo PACS
Fonte: Elaboração do autor, dados do Brasil/ Ministério da Saúde (200-) apud Bastos Reymão e Souza (2004).
De acordo com o Ministério da Saúde (2006), o grupo de municípios com renda mais baixa e o grupo de menor porte populacional tem coberturas de PSF maiores que as identificadas nos grupos de renda mais elevada e os de maior porte populacional. Esse comportamento pode estar condicionado pelo fato destes apresentarem interseção. Por exemplo, em 2004 a categoria de municípios pequenos tem mais da metade dos seus municípios (50,2%) na situação de renda baixa e apenas 4,4% na situação de renda elevada. No entanto, a categoria de municípios de grande contingente populacional tem na sua composição 10,9% de municípios com renda baixa e 46,6% com renda alta. O Ministério da Saúde considera um município como pobre quando o mesmo possui renda familiar per capita média menor que um salário mínimo, enquanto que os municípios considerados ricos são aqueles que apresentam renda per capita familiar média entre um e dois salários mínimos. Um município de grande porte populacional é definido como aquele que possui um número
igual ou superior a 80 mil habitantes, enquanto o de pequeno porte deve possuir população inferior a 20 mil habitantes.
GRÁFICO 4: Proporção da População Atendida pelo PSF
Fonte: Elaboração do autor, dados do Brasil/Ministério da Saúde (200-) apud Bastos, Reymão e Souza (2004).
Continuando com o Ministério da Saúde (2006) é importante notar que em 2004 enquanto um município com 20 mil habitantes necessitava de 6 equipes de PSF para abranger 100% da população, a mesma quantidade de equipes quando inseridas em municípios de 80 mil habitantes cobre apenas 26% da população, ou seja, para que o PSF possua um raio de manobra elevado em municípios grandes se faz necessária uma maior disponibilidade de recursos de caráter financeiro, organizacional e político-institucional.
Com relação ao PCCN o financiamento do Programa foi feito pelo Ministério da Saúde em 1998, através do repasse dos recursos orçamentários para os municípios, parte destes recursos tem como fim a compra de leite em pó ou fluído pasteurizado e óleo de soja, para auxiliar no processo de recuperação nutricional de crianças com 6 a 23 meses. O valor destinado a esta recuperação nutricional é estimado em R$ 180,00 por criança durante um ano. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
Ainda no Ministério da Saúde (2001) o PCCN beneficiou 92,5% de seu público alvo que é de 926.083 pessoas, até março de 2000. A população beneficiada pelo PCCN na Região Norte até março do ano 2000 foi de 105.033 indivíduos, tendo uma população alvo de
117.645 pessoas. No Nordeste até o terceiro mês do ano 2000, foram agraciados pelo Programa 462.703 indivíduos, faltando contemplar 13.405 pessoas para que a sua meta fosse atingida. Na Região Centro-Oeste do Brasil que tinha como população alvo do Programa 49.841 habitantes, o mesmo conseguiu atingir 46.089 pessoas até março de 2000. No Sudeste 82,8% das pessoas que deveriam ser atendias pelo Programa o foram até março de 2000. No Sul do País 94% das pessoas que eram habilitadas segundo o PCCN para receber sua cobertura a receberam até o terceiro mês do ano 2000 (Gráfico 5).
GRÁFICO 5: População Beneficiada pelo PCCN, 1998-mar 2000
Fonte: Elaboração do autor, dados do Brasil/Ministério da Saúde (2001).
De acordo com o Portal da Saúde, do Ministério da Saúde (2011), o Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil (PRMI), que surgiu do Compromisso para Acelerar a Redução das Desigualdades no Nordeste e na Amazônia Legal, assumido pelo ex-presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, em dezembro de 2008, tinha como meta atender oito Estados nordestinos, Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, 96 municípios e 9 Estados da Amazônia brasileira: Amapá, Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Roraima, Rondônia e Tocantins. O Ministério da Saúde ficou incumbido de reduzir, principalmente, a participação do componente neonatal na TMI dos anos de 2009 e 2010 e reduzir de modo geral a taxa de mortalidade infantil em 5%. O Pacto teve como previsão, no ano de 2009, possuir 110 milhões de reais para promover a redução da mortalidade infantil na Amazônia Legal e na Região Nordeste do Brasil, através da ampliação
de equipes de Saúde da Família (425), de leitos de Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) e Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com 2.208 e 736 unidades respectivamente, dos Bancos de Leite (22), das maternidades especializadas no Método Mãe-Canguru (110) dentre outras.
Diante da falta de dados mais precisos o PRMI não terá a possibilidade de ser avaliado quanto a seu impacto na redução da taxa de mortalidade infantil. Sugere-se que num próximo estágio dessa investigação, se incorpore informações sobre esse Programa para que assim como outros estudos venham colaborar na construção de um quadro cada vez mais completo de medidas de combate a mortalidade na infância.