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PARTE 2: ESTUDO CIRCUNSTANCIADO

4. As metas curriculares para o 9º ano

As metas curriculares são documentos “nos quais estão definidos de forma consistente os conhecimentos e capacidades essenciais que os alunos devem adquirir nos diferentes anos de escolaridade ou ciclos e nos conteúdos dos respetivos programas curriculares”. 59

As metas curriculares de inglês para o 2º e 3º ciclo, já homologadas e a entrar em vigor no ano letivo de 2014/15, na sequência das demandas do Conselho da Europa, apresentam, de forma estruturada, os saberes fundamentais da língua inglesa que os aprendentes deverão dominar no final de cada ano de escolaridade.

Elaboradas com base nos programas do 2º e 3º ciclo de 1997; no QECR; no Portfólio Europeu de Língua-Educação Básica 10-15 anos, publicado pelo Conselho da Europa/Ministério da Educação em 2001, e nos documentos de revisão do PEL; no Quadro ALTE, da Associação de Examinadores de Línguas da Europa, o documento tem como finalidade o desenvolvimento da competência comunicativa do aluno, e aponta para uma aprendizagem, que sendo consolidada gradualmente, incide na compreensão, interação, e expressão oral e escrita, sem negligenciar o domínio sociocultural e gramatical.

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4.1. Os domínios de referência no domínio da oralidade

No âmbito da oralidade, o objetivo é preparar o aluno para situações de receção e interação em que deverá ouvir e compreender para interagir, primeiro na sala de aula com o professor como seu interlocutor. Trata-se de processo de compreensão, que se quer faseado e gradual, inicialmente a partir situações de comunicação elementares, entre o professor da língua e o aluno, passando, pouco a pouco, para os meios áudio e audiovisuais. O desenvolvimento da competência de interação impõe ao professor, a criação de condições de interação onde o aluno possa desempenhar um papel cada vez mais interventivo na conversação, tenha a possibilidade de iniciar e gerir os diálogos em língua inglesa. Do ponto de vista da produção oral, espera-se que o aluno adquira e demonstre uma autoconfiança progressiva na abordagem de conteúdos familiares e do interesse do próprio.

A aquisição de uma competência pluricultural facilitadora do desenvolvimento do aluno como ser social de um mundo globalizado, onde a língua inglesa assume relevância colossal para o efeito, como demonstramos no capítulo I, na primeira parte deste relatório, sobrepõe-se a exploração de áreas de interesse dos alunos ao estudo de conteúdos obrigatórios a abordar. A aprendizagem da competência gramatical, inerente ao estudo de qualquer língua, deve processar-se de modo regular, transversalmente e em contexto comunicativo na justa medida em que se vão explorando os domínios de referência escolhidos para cada ano.

4.2. As metas e os seus objetivos no âmbito da comunicação oral

Da análise que fizemos do documento do Ministério da Educação, procuramos conhecer melhor os objetivos e descritores de desempenho estabelecidos para o 3ºciclo sobretudo as indicações mais diretamente ligadas à comunicação oral, e em particular as que se referem aos alunos do 9º ano, alvo de observação para o nosso estudo de caso.

Procurando evitar alguma confusão subjacente aos termos “objetivos” e “descritores de desempenho” o normativo demarca claramente o sentido de cada um destes conceitos. Assim, define “objetivos” como o conjunto de conhecimentos e as capacidades que os aprendentes devem atingir no termo de cada ano, e designa os

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procedimentos que os alunos deverão ser capazes de operacionalizar para alcançarem os objetivos instituídos como “descritores de desempenho.”

No que se refere ao final do terceiro ciclo, que compreende três anos de escolaridade sendo o 9º o terminal, os alunos supostamente no nível B1+, conforme se indica no documento supracitado, devem ser capazes de cumprir os requisitos que apresentamos na figura 15: Objetivos Desempenhos 1. Compreender os discursos orais produzidos de forma clara.

o Seguir conversas do dia-a-dia;

o Seguir orientações detalhadas, mensagens e outras informações (planos de viagem, boletins

meteorológicos);

o Seguir uma apresentação breve e bem estruturada;

o Seguir o essencial de programas dos média sobre temas atuais ou de interesse cultural, como talk

shows; documentários, notícias.

2. Manter um diálogo informal com os amigos.

o Interagir com espontaneidade em situações simples; o Iniciar, manter e terminar conversas simples com

diversos interlocutores;

o Interromper ou mudar de assunto e retomá-lo de forma coerente;

o Exprimir concordância e discordância de forma cordial;

o Debater temas diversos (música, tempos livres, livros).

3. Interagir para obter bens e serviços.

o Pedir e dar informações relacionadas com viagens; o Pedir e fazer devoluções em lojas;

o Reclamar bens e serviços em lojas.

4. Expor de forma clara e detalhada informação

recolhida em várias fontes.

o Recontar textos lidos;

o Resumir enredo de um livro/filme;

o Reproduzir informação sobre a atualidade; o Fazer uma apresentação bem estruturada sobre

assuntos estudados;

o Utilizar o registo adequado ao contexto de uma apresentação.

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5. Produzir discursos de cunho pessoal.

o Descrever reações pessoais;

o Descrever vivências, episódios e acontecimentos; o Falar sobre desejos, ambições e projetos futuros; o Dar conselhos e sugestões;

o Justificar opiniões, decisões e planos. 6. Conhecer

personalidades de destaque

relacionadas com a língua inglesa.

o Reconhecer personalidade do mundo artístico, científico e político.

7. Conhecer e debater assuntos da

atualidade.

o Reconhecer a evolução de meios tecnológicos; o Identificar transformações no modo de estar e

viver;

o Identificar questões relacionadas com a atualidade.

Figura 15:Objetivos e desempenhos para o 9º ano previstos nas Metas Curriculares-9º ano

A indicação de nível B1+, para o 9º ano, provém duma subdivisão em seis categorias – A1, A2, B1, B2, C1, C2, do QECR, efetuada pela EQUALS, em 2008. Nos termos do apresentado, o aluno neste ano de escolaridade é um utilizador independente de nível limiar. Explicando, as capacidades demonstradas por este aluno não correspondem exatamente ao perfil traçado no nível B1, da escala global dos níveis de referência descritos no quadro 1, do QECR, 2001, 2ºedição, p.49, isto é, um indivíduo capaz de:

 Compreender as questões principais, quando é usada uma linguagem clara e estandardizada e os assuntos que lhe são familiares;

 Lidar com a maioria das situações encontradas na região onde se fala a língua- alvo;

 Produzir um discurso simples e coerente sobre assuntos que lhe são familiares ou de interesse pessoal.

Assume-se, deste modo, que o aluno no final do 3º ciclo deverá revelar competências e desempenhos acima dos descriminados nesta categoria. Sumariamente,

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estamos a falar de um utilizador com capacidades muito próximas das que elencadas no nível B2.

Infelizmente, a realidade vigente nas nossas aulas espelha um utilizador, com destrezas bem aquém do nível com que aparece rotulado no normativo. Na maior parte dos casos, deparamos apenas com um pequeníssimo grupo alunos a conseguirem compreender as ideias de textos com alguma complexidade, sobre temas abstratos; a demonstrarem algum à-vontade e alguma espontaneidade com falantes nativos, a serem capazes de se exprimirem, não apenas sobre temas que lhe são familiares, mas que vão mais além, a produzirem textos sobre rubricas da atualidade, etc. Ora, a nossa curta experiência de ensino evidencia uma realidade bem diferente da indicada nas Metas Curriculares. A grande maioria dos alunos, neste ano de escolaridade, revela imensas dificuldades em situações de receção, de interação e expressão oral e escrita, demonstrando conhecimentos e capacidades que os aproximam muito mais do nível A1, pesem embora as políticas em prol do ensino da língua inglesa em tenra idade. Efetivamente, e como já dissemos, só uma pequena minoria de aprendentes corresponde ao nível definido.

Temos mencionado ao longo deste trabalho alguns dos fatores que têm afetado a aquisição da proficiência desejada e não os repetiremos sob pena de nos tornarmos enfadonhos. Seria, no entanto, pertinente e estimulante investigar, aprofundar e perceber esta indesejável verdade e, quem sabe, encontrarmos meios com vista à sua resolução, ou nessa impossibilidade, à diminuição do insucesso atual a que se assiste na aprendizagem da língua inglesa.

Não querendo comprometer-nos já com outro estudo desta natureza, pois julgamos prematuro assumir um tal compromisso sem terminar o que temos ainda em mãos, não rejeitamos a possibilidade de futuramente nos debruçarmos sobre algum destes assuntos.

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