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3.2 – As movimentações subversivas pelos estados brasileiros

indicaram a participação deste nas ações subversivas de março de 1938. Em 03 de maio de 1938, Filinto Müller disse aos jornalistas que até aquele momento não existiam indícios que Salgado havia participado das atividades subversivas de seus antigos partidários em março de 1938. Dessa maneira, não se justificaria a “adoção de qualquer medida das autoridades contra o chefe da extinta Ação Integralista”, tampouco a sua “ausência”.369

3.2 – As movimentações subversivas pelos estados brasileiros

No estado do Rio de Janeiro, segundo declarações do delegado auxiliar José Picorelli, desde a instauração do Estado Novo o integralismo e seus elementos de destaque violavam a lei, aliciando elementos para uma conspiração, fazendo propaganda subversiva e ocultando armamento.370 Como resultado das diligências iniciadas após o carnaval de 1938, e intensificadas a partir de 10 de março, confiscaram-se nos núcleos do Sigma espalhados pelo estado do Rio de Janeiro “metralhadoras, fuzis, mosquetões, facas, grande quantidade de bombas de dinamite e granadas de mão, cerca de 15.000 balas, inclusive as do tipo Dum-Dum”.371 No interior do estado, os maiores focos de irradiação do movimento partiam dos municípios de Paraíba do Sul, Campos e Petrópolis, estando todos os Camisas-verdes fluminenses em 10 de março de 1938 de “sobreaviso, à espera do momento oportuno”.372

No município de Paraíba do Sul foi “descoberto o reduto secreto dos conspiradores”, o que resultou na prisão destes e na apreensão de armas, munições e farto material de propaganda doutrinária.373 Ainda nesse município, na localidade de Bemposta, as autoridades policiais encontraram um depósito subterrâneo cheio de dinamites, espoletas, detonadores, balas chanfradas, cartuchos para rifles e várias armas de diferentes calibres.374 Em Campos, “um ponto de concentração de adeptos do Sigma”, registraram-se várias prisões e apreensões de armas e munições, estando os

369 As autoridades nada apuram contra o Sr. Plínio Salgado. O Jornal, Rio de Janeiro, 03 maio 1938;

Atividades subversivas do integralismo. Correio Paulistano, São Paulo, 04 maio 1938.

370 As diligências da polícia do estado do Rio. Diário Carioca, Rio de Janeiro, 20 mar. 1938.

371 Frustrada uma tentativa de subversão da ordem. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 18 mar. 1938; Vai

ser apreendido todo o arsenal dos conspiradores. O Jornal, Rio de Janeiro, 18 mar. 1938.

372 A articulação do movimento nos estados. O Jornal, Rio de Janeiro, 19 mar. 1938. 373 Diligências e prisões em Paraíba do Sul. O Jornal, Rio de Janeiro, 19 mar. 1938.

374 A situação – descoberta uma conspiração integralista. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 19 mar.

145 integralistas locais “a pique de entrar em ação”, ocupando “as posições que lhes haviam sido designadas” com um grupo próximo a uma ponte de comunicação, armados até os dentes, “à espera de novas ordens”.375

Em Petrópolis, as investidas policiais também tiveram como consequência a apreensão de um grande número de armas, munições e prisões.376 No assoalho da casa de um importante integralista local foram encontradas 40 bombas de dinamite, 3 mil espoletas, 38 detonadores, 15 metros de estopim, sete caixas de balas para revólver, 85 balas de pistola automática, 65 cartuchos de espingarda, 4 morteiros e 1 espingarda de dois canos.377 No entanto, a descoberta policial que recebeu maior destaque foi o plano de assalto ao Palácio Rio Negro, residência de verão do Presidente da República.378 Para tal tento, os Camisas-verdes de Petrópolis dispunham duma planta estrutural do prédio do palácio, a qual indicava detalhadamente os portões de entrada que poderiam ser utilizados num ataque, assim como rotas de fuga no caso de um fracasso.379

Também foram apreendidas pela polícia no estado fluminense 60 mil fichas de adeptos do Sigma, uma grande quantidade de documentos e 18 caixotes contendo material de propaganda. Dentre todo esse material apreendido, além dos “planos sinistros” dos integralistas, recebeu destaque um questionário enviado aos chefes de todos os núcleos do país sobre o número de automóveis, postos de gasolina, casas de armas, agências de correios e telégrafos, postos telefônicos, estações de rádio, represas hidráulicas, usinas de energia elétrica, estabelecimentos fabris, a capacidade de armamentos dos Camisas-verdes, assim como o número de “células comunistas identificadas no município”.380 Segundo o Diário de Notícias, este questionário marcaria a preparação do “campo para o êxito da fracassada revolução”.381

Durante o transcorrer das investigações policiais, um fato chamou a atenção de todos aqueles envolvidos na apuração dessas movimentações subversivas: o grande número de integralistas ‘infiltrados’ nos quartéis policiais e militares, nos bancos, em órgãos públicos e jornais da Capital Federal e do estado do Rio de Janeiro. Segundo o

375 Prontos para o golpe. O Jornal, Rio de Janeiro, 19 mar. 1938.

376 O ‘complot’ integralista em Petrópolis. O Radical, Rio de Janeiro, 19 mar. 1938. 377 Material de guerra. O Jornal, Rio de Janeiro, 19 mar. 1938.

378 No estado do Rio. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 19 mar. 1938.

379 Apreensão do plano de assalto ao Palácio Rio Negro. Correio Paulistano, São Paulo, 20 mar. 1938. 380 Resultado das diligências efetuadas pela polícia no estado do Rio. Correio Paulistano, São Paulo, 20

mar. 1938; Instruções para o movimento. Correio do Paraná, Curitiba, 21 mar. 1938.

146 general Pinto Guedes, comandante da polícia militar, várias providências foram tomadas a fim de investigar os boatos sobre essa infiltração de Camisas-verdes na força policial fluminense, ficando claro para ele que “as classes armadas estavam minadas de elementos verdes capazes de trair o juramento feito perante a bandeira”.382 Cada ‘agente infiltrado’ do ‘serviço secreto’ da AIB possuía uma ficha especial, sendo encarregado de executar as ordens recebidas numa cidade, num bairro, num quartel, delegacia, repartição, quarteirão ou rua, de acordo com o seu posto no movimento e a sua colocação profissional. Assim, o integralismo conseguiria ter milhares de ‘espiões’ pelo país que “penetravam em todas as partes e exerciam vigilância a tudo”.383

Dessa forma, para as autoridades policiais, os integralistas organizaram uma vasta rede de propaganda e espionagem, conhecida como “DOPS- Departamento de Organização Política do Sigma”, a qual, através de seus ‘agentes secretos’, não só vigiava os atos desenvolvidos pelas autoridades estatais como também “distribuía boletins secretos com instruções para a ação política eleitoral e de espionagem em todo o país”.384 Ao que tudo indica, sem desconsiderar a presença de integralistas em muitas áreas da administração pública na década de 1930, seja municipal, estadual ou federal, para além da ‘existência de espiões verdes’ infiltrados na maioria das instituições públicas, e por que não privadas, e da ação dum serviço secreto de espionagem da AIB, buscava-se atribuir aos integralistas o rótulo de inimigos nacionais, demonstrando o nível da capilaridade de sua existência, presença e influência, e o perigo que tal situação representava.

Para a eficiência de tal serviço de espionagem, os integralistas faziam uso de empresas de transporte particulares. A distribuição de materiais de propaganda e a circulação das instruções do Sigma aconteciam via companhias de transporte particulares de São Paulo e do Rio de Janeiro, que através de “atividades clandestinas” realizavam um “vultoso contrabando de correspondências” para todo o país.385 Nos depósitos destas empresas foram encontrados um grande número de objetos da AIB, os quais “dava para encher vários caminhões”, desde “cartas até pacotes de café, máquinas

382 Minados todos os quartéis. Diário Carioca, Rio de Janeiro, 18 mar. 1938; Militares implicados. O

Jornal, Rio de Janeiro, 19 mar. 1938.

383 A organização do sistema de espionagem dos integralistas. Folha da Manhã, São Paulo, 19 mar. 1938. 384 DOPS – Organização de espionagem do Sigma. Correio Paulistano, São Paulo, 19 mar. 1938. 385 Apreensão de correspondência clandestina. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 21-22 mar. 1938.

147 de escrever, espadas, livros, prospectos de propaganda do Sigma e mais uma quantidade enorme de pacotes de conteúdo ainda não identificado...”.386

Em São Paulo, apesar de todas as negativas do seu secretário de Segurança Pública publicadas nos periódicos paulistas e cariocas após 10 de março, registraram-se algumas movimentações e prisões de integralistas. Conforme o Correio Paulistano, reuniões ilegais dos Camisas-verdes paulistas continuaram acontecendo a partir da instauração do Estado Novo, sendo verificado no começo de março de 1938 um aumento considerável nos boatos referentes a eclosão de um movimento armado no estado. Esse aumento de boatos deixou as autoridades policiais atentas, e no dia 11 de março, por volta das 3 horas da madrugada, próximo à Estação Sorocabana, vários integralistas “armados e municiados” acabaram presos, os quais estariam aguardando “a senha do Rio, para iniciar o movimento”.387

Na tarde do dia 19 de março, Dulcídio Cardoso, secretário de Segurança Pública de São Paulo, conferenciou com Getúlio Vargas no Palácio do Catete, e, ao sair desse encontro, disse aos jornalistas que a notícia sobre uma tentativa de sublevação da polícia militar paulista “não tinha fundamento”.388 Segundo ele, o que as ações da polícia paulista teriam revelado era a existência de “emissários do credo verde procedentes do Rio entre as praças do 4º Esquadrão de Cavalaria”, os quais, identificados, foram rapidamente presos pelo comandante Theophilo Ferraz na madrugada do dia 11 de março.389 Após essas prisões, a força policial de São Paulo iniciou buscas e diligências em vários locais suspeitos e antigos núcleos da AIB, exercendo severa vigilância na capital e no interior do estado.390

Em Pernambuco, as autoridades policiais apreenderam todos os fichários e documentos da AIB, os quais revelaram que a “polícia secreta do Sigma” possuía uma “vasta rede de espionagem que se estendia por todo o país”. 391 Apesar das declarações do secretário de Segurança Pública desse estado que “desde fins de fevereiro que a Delegacia da Ordem Política e Social, através de seu serviço secreto, vinha colhendo informações acerca do movimento subversivo de caráter integralista que deveria

386 Serviam para as ligações e a propaganda dos integralistas. O Imparcial, Rio de Janeiro, 22 mar. 1938. 387 Conspiração integralista pretendia modificar o regime. Correio Paulistano, São Paulo, 19 mar. 1938. 388 São Paulo repele o integralismo. O Radical, Rio de Janeiro, 19 mar. 1938.

389 Em São Paulo, a polícia acompanhava ativamente os passos dos insurrectos. Folha da Manhã, São

Paulo, 19 mar. 1938.

390 Como a ordem está assegurada em São Paulo. Correio Paulistano, São Paulo, 30 mar. 391 Movimento integralista fracassado. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 21/22 mar. 1938.

148 irromper na Capital Federal e em alguns pontos do território nacional”, não se registraram conflitos ou prisões em 10 de março de 1938 no estado pernambucano.392 O único fato envolvendo integralistas nesse estado depois de 10 de março de 1938 aconteceu em 20 de março, quando “em vista dos acontecimentos verificados no país”, a sede do jornal Diário do Nordeste, supostamente um apoiador da AIB, foi fechada.393. Apesar das prisões de Camisas-verdes acontecerem em grande número na Bahia desde o começo do ano de 1938, na madrugada de 11 de março de 1938 foi registrado apenas um incidente, quando as autoridades policiais prenderam 30 indivíduos que estavam reunidos junto ao cemitério do município de Cruz das Almas aguardando a chegada do chefe de Muritiba para dar início ao levante integralista.394 No Pará, a polícia apreendeu uma grande quantidade de documentos do Sigma, dentre eles um registro de apresentação dos Camisas-verdes, propaganda da AIB, uma lista de pessoas consideradas anti-integralistas e uma planta da cidade de Belém “com assinalações em caso de revolta”. Nesse estado se verificou a presença da “espionagem verde dentro da própria repartição de polícia”, chefiada por um investigador de nome Waldoliro Pimentel, o qual era auxiliado por outros agentes de polícia.395 O antigo chefe provincial, Orlando de Almeida Correa, também foi preso juntamente com outros importantes membros do integralismo implicados na fracassada intentona.396 Conforme as previsões das autoridades policiais, as apreensões de documentos e armas, e as prisões continuariam acontecendo no Pará, pois os núcleos do interior do estado, e alguns da Capital, ainda não haviam sido vistoriados.397

Em Minas Gerais, desde o começo de fevereiro de 1938 os Camisas-verdes tinham conhecimento de que um movimento revolucionário integralista aconteceria em breve no país, apesar de não saberem precisamente a data, e que uma “pessoa de confiança” deveria sempre “ouvir a rádio na onda da Mayrink Veiga”.398 Nos dias que antecederam 10 de março, no distrito de São José da Lagoa, município de Montes Claros, houve uma tentativa fracassada de arregimentação de alguns integralistas para

392 Declarações do secretário de Segurança de Pernambuco. Jornal do Commercio, 21/22 mar. 1938. 393 Fechado o ‘Diário do Nordeste’. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 21/22 mar. 1938.

394 Preparavam a revolução integralista na Bahia e em Santa Catarina. Diário Carioca, Rio de Janeiro, 24

mar. 1938.

395 Apreensão de documentos integralistas no Pará. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 28/29 mar.

1938; Reprimindo as atividades integralistas no Pará. O Jornal, Rio de Janeiro, 5 abr. 1938.

396 O que era o integralismo no Pará. O Radical, Rio de Janeiro, 6 abr. 1938. 397 Desvendando a trama integralista. O Radical, Rio de Janeiro, 29 mar. 1938.

398 Fala um dos cabeças do fracassado movimento integralista em Minas. Diário Carioca, Rio de Janeiro,

149 dinamitar uma ponte e as linhas telegráficas, o que retardaria a chegada de tropas policiais de Belo Horizonte. Em Juiz de Fora as autoridades policiais varejaram casas e prenderam “perigosos extremistas verdes” por conspiração, os quais se encontravam com “copioso material bélico e apetrechos integralistas como revólveres, fuzis, cunhetes de munições, garruchas, espingardas”.399 Até um aparelho de tortura, supostamente utilizado pelos Camisas-verdes dessa cidade, e um ferro para marcar gado com o símbolo do Sigma, empregado para “ferretear os seus inimigos” foram encontrados.400

Em Belo Horizonte inúmeras diligências policiais ocorreram após 10 de março nas sedes da AIB, as quais resultaram na apreensão de material bélico, munições, material de propaganda e “literatura de caráter subversivo”, além de prisões de elementos que estariam envolvidos nos planos de ataque aos quartéis e estabelecimentos públicos.401 Nessas buscas pela Capital mineira foram encontradas ‘Listas Negras’ de inimigos do Sigma, compostas por delegados, investigadores, deputados, comerciantes, industriais, oficiais do Exército e da Marinha, sendo que as figuras de maior destaque seriam fuziladas logo após o sucesso do levante verde.402 Entre os chefes da conspiração estavam um capitão do 10º R. I., Theodomiro Gaspar de Almeida, e um tenente da Força Pública, Erico de Oliveira Barbosa.403 Também descobriu-se a violação de correspondências nas agências dos Correios de Belo Horizonte, sendo tal ato vinculado a “uma verdadeira quadrilha de violadores, com fins políticos, servindo a interesses integralistas”.404

Na Paraíba, após 10 de março registraram-se diversas prisões de integralistas, tanto na capital João Pessoa como no restante do estado,405 principalmente dos chefes do “malogrado movimento”.406 As reuniões de elementos “graduados do Sigma” aconteciam normalmente nesse estado em janeiro de 1938, em residências e casas comerciais de seus adeptos na Capital. A identificação dos participantes de tais encontros seria, quando homens, uma gravata preta, e quando mulheres, um laço da

399 A polícia de Juiz de Fora prendeu vários elementos integralistas, copioso material bélico e documentos

comprometedores. O Imparcial, Rio de Janeiro, 31 mar. 1938.

400 Incrível. Diário Carioca, Rio de Janeiro, 10 abr. 1938.

401 O plano sinistro dos integralistas. Diário Carioca, Rio de Janeiro, 05 abr. 1938.

402 As atividades integralistas em Minas. O Jornal, Rio de Janeiro, 03 abr. 1938; Lista Negra. Diário

Carioca, Rio de Janeiro, 05 abr. 1938.

403 Os chefes da intentona. Diário Carioca, Rio de Janeiro, 05 abr. 1938.

404 Estariam a serviço do ‘complot’ integralista. O Jornal, Rio de Janeiro, 31 mar. 1938. 405 Presos diversos integralistas. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 22 mar. 1938. 406 Ramificações na Paraíba. O Jornal, Rio de Janeiro, 23 mar. 1938.

150 mesma cor.407 No Ceará não registraram-se incidentes nos dias 10 e 11 de março, contudo, a Delegacia de Ordem Política e Social, depois de demoradas investigações, “iniciou a prisão de elementos suspeitos de participação na fracassada intentona integralista”.408 Em busca efetuada numa loja de Fortaleza foi apreendido farto material de propaganda, livros doutrinários, armamentos e “milhares de cassetetes de borracha, completamente novos e de fabricação estrangeira”. A tipografia onde, segundo as autoridades policiais, eram confeccionados os materiais de propaganda do Sigma em Fortaleza foi fechada.409

Do mesmo modo, no Rio Grande do Sul registraram-se inúmeras prisões de elementos conspiradores, dentre eles os antigos chefes provinciais, Dario Bittencourt e Nestor Contreiras Rodrigues, e um diretor da Rádio Farroupilha, Arnaldo Balvê, os quais “planejavam um assalto ao governo do estado”.410 As investigações policiais apuraram que a chefia da conspiração nesse estado estaria a cargo de Manoel Hasslocher, futuro governador gaúcho caso vitorioso o movimento de 10 de março.411 Na casa de Hugo Berta, um dos “chefes do Sigma”, foi apreendido o arquivo integralista com importantes documentos, os quais traziam detalhes dos planos para a tomada de vários departamentos do Estado e bancos em Porto Alegre.412

No estado do Paraná vários militares do Exército foram presos nos dias posteriores a 10 de março de 1938, os quais juntamente com “os integralistas haviam se distribuído nas posições determinadas pelos seus chefes”, seja na capital Curitiba assim como em Ponta Grossa, Rio Negro e Paranaguá, à espera do início do movimento subversivo no Rio de Janeiro. As primeiras diligências policiais para investigar tais fatos aconteceram na Capital, ainda nessa noite, espalhando-se consequentemente pelo restante do estado. Em Curitiba, o zelador do clube de futebol Britannia percebeu uma movimentação anormal em suas dependências, vindo a avisar o delegado de polícia Iracy Queiroz. Este, juntamente com os coronéis Dagoberto Pereira e Jayme de Almeida, chefe do Estado Maior da 5ª Região Militar, e o delegado de Ordem Pública, Mario Queiroz, após notificados pelo zelador do clube Britannia sobre as

407 Os integralistas da Paraíba contavam com o fracasso da intentona. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 mar.

1938; A conspiração integralista nos estados. Diário Carioca, Rio de Janeiro, 26 mar. 1938.

408 Vários integralistas presos em Fortaleza. O Jornal, Rio de Janeiro, 03 abr. 1938.

409 As atividades dos integralistas no Ceará. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 02 abr. 1938.

410 No Rio Grande do Sul, os integralistas já teriam organizado o governo. O Jornal, Rio de Janeiro, 18

mar. 1938.

411 A mashorca em Porto Alegre. O Imparcial, Rio de Janeiro, 19 mar. 1938.

151 movimentações suspeitas, organizaram “uma ação de metralhadoras”, tendo os integralistas fugido antes da chegada das autoridades policiais ao local. Apesar de não os ter encontrado na noite de 10 de março de 1938, nos dias seguintes “foram feitas numerosas prisões, entre as quais a do dentista Guilherme de Souza Paula, Erotildes Prates, tenente comissionado, expulso do Exército, e que é apontado como principal chefe”.413

Em muitos estados não acorreram movimentações de integralistas em 10 de março de 1938, porém, visando o “bom andamento do processo”, muitos destes foram presos pelo país, como no caso do Amazonas, Sergipe e Rio Grande do Norte. No Amazonas, “a polícia que seguia os passos dos que pretendiam subverter a ordem pública, realizou várias prisões”,414 e todos aqueles que exerceram “função de destaque nas fileiras do integralismo” seriam chamados a depor, mesmo sem nenhum registro de movimentação dos ex-adeptos do Sigma.415 Em Sergipe, após uma espera pela ação dos revoltosos sergipanos, a qual não aconteceu, a polícia decidiu “recolher presos os integralistas mais em evidência e alguns outros julgados necessários ao bom andamento do inquérito que mandara instaurar para apuração dos culpados ou comprometidos na tentativa de levante”.416 Em Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte, todos os chefes da extinta AIB foram chamados e “demoradamente ouvidos pelas autoridades locais”, sendo que “alguns deles foram detidos para averiguações”.417

3.3 – As movimentações subversivas em Santa Catarina: as primeiras