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A partir de 1991 na nova realidade pós Guerra Fria, ocorreriam profundas mudanças no âmbito do relacionamento internacional, conjugadas com as modificações tecnológicas e a aceleração das transformações das relações econômicas mundiais. Nesse

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Até 1970, o Gloster continuou sendo o principal avião de Caça da FAB, utilizado principalmente em treinamento de ataques ao solo, uma vez que a função de interceptação era mínima, pois faltava uma rede de radares de maior abrangência em nosso território. Esses jatos exigiram a montagem de uma logística de combustíveis e lubrificantes, pois eram movidos a querosene de aviação, inexistente no Brasil. Ver, na íntegra, INCAR: História da Aeronáutica.

novo cenário a possibilidade da ocorrência de guerras generalizadas protagonizadas por grandes potências, liderando grandes blocos19, começou a ser descartada20.

Serão improváveis, enfim, entre as grandes potências e seus blocos, as guerras de extrema violência, de atrição (se mantidas não nucleares), sangrentas, inerentes ao mundo industrial de massa, de natureza e características similares às da Primeira e Segunda Guerras Mundiais que implicam abrangente mobilização nacional e global. Serão improváveis as guerras intensas e generalizadas que implicam mobilização nacional e de blocos (mobilização militar, econômica e psicossocial) assim como emprego de imensos exércitos, marinhas e forças aéreas [...] (FLORES, 2002, p.19). Embora países mais expressivos como China, Japão, Alemanha, França e outros que tenham papel relevante na ordem econômica e segurança mundial, o orçamento militar dedicado às forças armadas dos Estados Unidos os destacam pela superioridade bélica e os tornam a “única potência capaz de atuação intercontinental decisiva e de garantir ou comprometer seriamente a paz e a estabilidade em nível global21” (FLORES, 2002, p.20).

Nesse contexto classificado como Pós-Moderno o cenário incerto é cercado pela série de crises que se desenvolvem na sociedade, as quais, envolvem as mais diversas questões, entre elas: - econômicas, religiosas, de etnia, de gênero, narcotráfico, entre outras. As palavras de Kumar (1997), citadas a seguir, sinaliza a preocupação dos autores modernos sobre ao pós-modernidade:

Um mundo de presente eterno, sem origem ou destino, passado ou futuro; um mundo no qual é impossível achar um centro ou qualquer ponto ou perspectiva do qual seja possível olhá-lo firmemente e considerá-lo como um todo; um mundo em que tudo que se apresenta é temporário, mutável ou tem o caráter de formas locais de conhecimento e experiência. Aqui não há estruturas profundas, nenhuma causa secreta ou final; tudo é (ou não é) o que parece na superfície. É um fim à modernidade e a tudo que ela prometeu e propôs. (KUMAR, 1997, p.152)

Na citação anterior o autor ao mencionar a incerteza constatada na pós- modernidade critica a fragilidade que se estabelece no campo acadêmico. Tal constatação é explicada pela superficialidade e fragmentação com que os temas sociais veem sendo tratados, ou seja, os problemas sociais dessa era estão desconectados de um todo e de toda uma

19 Pelo fato de não ser prevista a existência de contenciosos econômicos ou imperiais, ao menos de países mais

poderosos; de movimentos populistas servidos por ideologias de esquerda ou direita conduzidos por lideranças radicais como a de Mussolini, Hitler, Stalin entre outros. (Ver, na íntegra, Flores, M.C., 2002, p.19).

20 O cenário do século XXI descrito por Flores (2002) coincide com o descrito na Politica Militar da Aeronáutica

aprovada pela Diretriz do Comando da Aeronáutica (DCA – 14-5/2008), que, por respeito ao caráter confidencial o mesmo não será citado na íntegra,

21 O autor cita que a Estratégia Nacional de Segurança norte-americana em sua a nova versão da política de

defesa de 2002, deixa claro que os Estados Unidos não permitiram que nenhuma potência se equipare ao seu poderio militar.

evolução histórica, assim, eles se apresentam como próprios da sociedade pós-moderna e cabe a ela se adaptar e sobreviver com eles.

Conscientes dos inúmeros e complexos os problemas que a sociedade pós- moderna enfrenta, os quais foram citados anteriormente por Kumar (1997) e sem a menor intenção de esgotar o assunto, limitamos-nos nas linhas seguintes a descrever aqueles ligados a defesa nacional, o que inclui a guerra na pós-modernidade, sendo ela, configurada pela incerteza, pela vulnerabilidade da segurança, pela dificuldade de identificação do inimigo potencial, pela falta de anuncio da declaração de guerra por meio de ataques inesperados.

Neste sentido, Flores (2002) e Côrtes (2001) são autores que elucidam que as guerras pós-moderna podem acontecer de formas variadas, ou seja, simultânea, complementar ou entrelaçadamente, podem estar fundamentadas em conflitos regionais/locais, infranacionais ou internacionais, cuja emergência se associa a diversos fatores, entre os quais as disparidades sociais e regionais, problemas étnicos, problemas de integralismo nacionalista, de disputa por território ou recursos naturais, de fundamentalismos religiosos, ideológicos, culturais.

Esses conflitos, quando inspirados por motivos de fanatismo religioso, cultural, racial, entre outros, são mais graves, tanto pela situação de instabilidade gerada pelos mesmos, como pelas consequências que podem trazer, uma vez que ultrapassam os limites regionais, diante de ameaças do emprego de armas químicas, biológicas ou até nucleares.

Nesse sentido, os Estados regidos por regimes ditatoriais radicais, servidos por fundamentalismo fanático, são considerados mais perigosos para a paz do que países fortes e organizados, levando-se em conta que são reativos à ordem vigente e que, diante da incapacidade de sustentar o preparo militar convencional, são levados a atos extremos de terrorismo com uso de armas de destruição em massa, “cuja concretização se pauta pela surpresa, explica a concepção norte-americana de defesa distante mediante ataque preventivo aos países de onde ela emana [...]” (FLORES, 2002, p.23 a 24).

A possibilidade de radicalismo é mais provável em conjunturas de regimes ditatoriais passíveis de mobilização fanática e onde existe controle da mídia para mascarar a realidade do povo. Como exemplos desses Estados potencialmente perigosos podem-se citar os casos da guerra entre

[...] o Irã fundamentalista dos aiatolás e o Iraque do redentorismo fascista de Saddam Hussein nos anos 80, países onde é forte o fanatismo, de mídia controlada e apoiados na receita do Petróleo”. [...] de Caxemira (entre Índia e Paquistão, conflito territorial envenenado pelo aspecto cultural-religioso) [...] Outro, pautado pela simetria, é o conflito entre israelenses e palestinos, de raízes históricas e religiosas, potencialmente perigoso para o mundo, em particular porque pode comprometer o papel do Oriente Médio, produtor de petróleo, no perfil enérgico global (FLORES, 2002, p. 26).

Segundo o autor, na América do Sul, os conflitos irregulares se caracterizam pela baixa gravidade, e se referem a conflitos político-ideológicos internos ou, simplesmente, resultantes da criminalidade transnacional organizada, o que engloba o tráfico de drogas, de armas, contrabando, terrorismo e acontecem mais provavelmente em fronteiras precariamente controladas, como as da Amazônia, podendo se estender ao terrorismo urbano22.

Para conter esses tipos de conflitos regionais e suas possíveis consequências, em nome da segurança internacional, a tendência para o controle ou para a contenção desses conflitos é, geralmente, a ocorrência do processo de intervenção militar23.

O poder de um Estado de intervir militarmente em outro Estado ocorre sob a égide da ONU e em circunstâncias julgadas ameaçadoras à segurança internacional. Considerando que a intervenção pode, ainda, ocorrer de forma unilateral, assegura aos Estados Unidos o poder de intervir no mundo, sob o entendimento que seus objetivos são úteis para a democracia, para a paz e para progresso do mercado mundial (FLORES, 2002).

A intervenção militar ou a resistência a ela são fatores que têm influência no pensamento estratégico e no preparo militar, uma vez que comprometem a ordem internacional estruturada, baseadas em conceitos de soberania, autodeterminação e territorialidade.

A resistência à intervenção militar em países mais pobres, sem muito que perder e/ou comandados pelo fanatismo, tende a desencadear guerrilhas desgastantes e terrorismo, fato que faz o povo assimilar os motivos vitais para a segurança nacional. Já em países democráticos, as estratégias de intervenção ficam vulneráveis, a reações psicossociais e

22 Geralmente em conflitos pautados pela guerrilha, o confronto entre forças militares atuando como polícia é

tênue a distinção entre combatentes e não combatentes. Suas operações se caracterizam pela iniciativa e pela manobra furtiva e ágil, com escaramuças e ataques pontuais que tumultuam e/ou mobilizam o adversário apegado a compromisso de proteção e defesa, sejam eles urbanos, linhas de comunicação e transporte, centros de comando, controle e logístico ou outros (Ver, na íntegra, Flores, M.C., 2002, p.60).

23 Conflito que visa ao controle das causas e das consequências de problemas entendidos como de interesse

supranacional, não importando, para o propósito destas considerações, o mérito das intervenções sob a perspectiva ética, humanitária ou quanto ao direito (FLORES, 2002, p. 45).

da mídia, pois estão sujeitos à opinião pública, uma vez que a mídia tem reflexos positivos ou negativos no apoio da população, afetando a disposição dela se representar politicamente.

Outra questão a afetar o pensamento estratégico e o preparo militar de um Estado são as peculiaridades nacionais e as diferentes concepções políticas entre um país e outro. Em destaque, existe a polêmica questão da ordem interna24, que envolve o pensamento estratégico militar e compromete as Forças Armadas à medida que lhes é repassada a função de desempenhar papel de polícia para respaldar os interesses dominantes. Isto coloca a missão institucional e a identidade militar em xeque, como argumenta o autor, especificamente, no caso do Brasil.

O emprego das Forças Armadas na ordem interna não deve, porém, ser estendido à rotina da segurança pública, sob pena de acabar prejudicando-as no que se refere a sua missão precípua, a defesa nacional propriamente dita, e de compreendê-las além do razoável, numa democracia, com a condução de questões internas. Seu uso precisa ser preservado para situações bem definidas e transitórias, em que a atuação policial não basta para garantir a ordem constitucional, a ordem legal e os direitos do povo, até mesmo, algumas vezes, para situações que exigem operações especiais ou quaisquer outras tipicamente de nível militar ou que dependam de meios só disponíveis nas Forças Armadas. Em suma: entre admitir o uso rotineiro das Forças Armadas na ordem interna (como muitas vezes é aventado por autoridades públicas e pela sociedade em geral) e melhor preparar outros instrumentos do Estado legalmente vocacionados para tal missão, é com certeza mais correto adotar esta última medida, preservando o emprego da força militar para a instância que inequivocamente a exija (FLORES, 2002, p.34).

O autor reforça a ideia que a atuação militar se faz conveniente e imprescindível em diversas situações em que a força policial seja insatisfatória ou incapaz de atuar.

A estratégia militar e a preparação militar são influenciadas, ainda, pela tecnologia de que um país dispõe, o que inclui as armas inteligentes, de precisão e eficiência, que permitam ataques aos alvos de efetivo interesse militar, de modo que se consiga a destruição da capacidade de comando, das comunicações, do controle e inteligência e da defesa aérea e antiaérea do inimigo. Para que esse arsenal se torne eficaz é necessário o conhecimento da situação estratégica e operacional e dos alvos para programá-las e guiá-las. “Esse conhecimento é obtido por sistemas e instrumentos externos (satélites, aviões tripulados

24 Eventualmente ocorridos em território nacional, os conflitos internos ou guerras civis, que envolvem a questão

da ordem e segurança interna do Estado, enquadrando-se, ainda, nessas questões, as ações de natureza parapolicial, problemas que transcendem a capacidade policial como repressão ao terrorismo, drogas ou outras manifestações de criminalidade organizada (Idem).

e não tripulados, sensores diversos – eletromagnéticos, óticos, acústico, térmicos – operações de‘ inteligência’” (FLORES, 2002, p.35).

Nesse contexto ocorre uma rápida obsolescência das armas de guerra devido a rapidez da evolução tecnológica e do alto custo de modernização dos materiais bélicos pago pelo erário público. Outra alteração promovida pela tecnologia promove é a redução da especificidade dos teatros terrestre, marítimo e aéreo, o que vem aumentar a interdependência das três forças, sob risco de comprometimento da eficiência militar nos combates.25

Em suma: nas circunstâncias dos cenários de conflito mais plausíveis hoje, a tecnologia está contribuindo para superar a época das campanhas separadas, naval, terrestre e aérea, e também para incrementar a eficiência militar integrada, resultante da combinação sinérgica das três forças, mesmo no campo operacional – combinação que requer estruturas organizacionais adequadas m material e doutrinas operacionais compatíveis (FLORES, 2002, p.39).

Esse cenário se associa ao revolucionário teatro constituído pelo espaço, com satélites provedores de comunicação, de controle do posicionamento (GPS) e das trajetórias dos mísseis, de inteligência primordiais a eficiência do emprego tempestivo ou até preventivo, além de instrumentos de guerra eletrônica.

Com o novo teatro de guerra os altos investimentos na dispendiosa e complexa tecnologia espacial se pautam pela preocupação de seu uso ou mesmo a negação do uso pelo adversário, devido à vulnerabilidade dos satélites. Isso acarreta a restrição de se obter tecnologia dos Estados Unidos, potência hegemônica em pesquisas aeroespaciais, ao querer controlar o desenvolvimento tecnológico em outros países.

Diante dos desafios do século XXI, “da ciberguerra, do espaço, das ameaças difusas e incertas que podem se valer da surpresa, com meios tecnologicamente modernos e armas dotadas de alta e cara tecnologia”, segundo Flores (2002, p.44), os cenários políticos estratégicos e a tecnologia que pesam hoje implicam numa revisão e nas ajustagens das influências doutrinárias das concepções tidas como clássicas, ou seja, da revisão da herança do passado, mesmo que mais recente.

25 Um exemplo que pode ser citado é a Guerra das Malvinas, em 1982, conflito em que a Argentina foi

prejudicada pela fragilidade institucional do comando unificado, devido a anacrônica tradição de autonomia entre as três forças. (Ver, na íntegra, outros exemplos de conflitos mais recentes pautados pela moderna tecnologia em Flores M.C., 2002, p. 39).

As mudanças que essas novas modalidades de guerra trazem em relação ao século passado são a formação de exércitos menores, mais profissionais, com mais poder tecnológico e mais oneroso. “[...] uma tendência ainda discreta nos países que dependem dos exércitos para o controle político interno” (FLORES, 2002, p.48).

Além da restrição no acesso à tecnologia, (o Brasil sofre com restrições orçamentárias para o preparo militar caro e abrangente, em detrimento de outras demandas nacionais), presencia-se a ausência de interesse político e social pela defesa nacional.

O quadro de profundas mudanças conjunturais vividas após no mundo pós Guerra Fria fez surgir a necessidade de revisão de certas concepções acerca do funcionamento e das estruturas dos Estados, incluindo a concepção de soberania nacional e, consequentemente, as concepções próprias das Forças Armadas. Uma vez que a evolução dos diferentes períodos de conflitos caminhou para o “Pós-Modernismo Militar” (PMM) e para a chamada “Revolução dos Assuntos Militares” (RAM), abriu-se um leque de assuntos que passaram a ser debatidos no meio acadêmico: as ameaças percebidas; a definição principal da missão das Forças Armadas; a estrutura das Forças Armadas; o perfil militar predominante, especificamente, o de comando; a postura da opinião pública em relação aos assuntos ligados à Defesa, incluindo-se a mídia; os quadros de recursos humanos tanto em relação à proporção de militares, civis e de gêneros.

Em relação à expressão Pós-Modernismo, Côrtes (2001) a explica dentro de uma cronologia que envolve diferentes contextos de conflitos assim denominados: “Período Moderno” – antes da Guerra Fria, ocorrido entre 1900 a 1945; “Período Moderno Final” – Guerra Fria, entre 1945 a 1990 e, “Período Pós-Moderno” – pós Guerra Fria, a partir de 1990. Sobre a ameaça percebida, ele explica que, durante todo o “Período Moderno”, a percepção de ameaça no mundo voltava-se à invasão inimiga do território. No caso brasileiro, como na maioria dos países semidesenvolvidos, durante quase todo o “Período Moderno Final” essa concepção de ameaça perdurou, com reflexos no período seguinte, como cita o autor:

Eventual holocausto nuclear afetaria o país por afetar todo o planeta e nem autoridades e nem o povo percebiam a guerra nuclear como ameaça dirigida ao país. Por outro lado, continuou persistindo a ameaça de invasão inimiga do território, com aumento da intensidade no período de 1969 a 1982. Além disso, havia a ameaça de conflito subnacional ou subestatal, de resto concretizada ao longo de vários anos sob a forma de guerrilhas rurais e urbanas, com ações terroristas de vários tipos. [...] O conjunto dessas circunstâncias fez com que as autoridades responsáveis por defesa nacional não estivessem preparadas para perceberem as diversas feições da nova ameaça de conflito subnacional ou subestatal no período Pós-moderno (CÔRTES, 2001, p.24).

Já para os países desenvolvidos a “ameaça percebida”, ao mesmo tempo que parece limitar-se a atentados terroristas, existe sob a alegação de que certos países semi- ou subdesenvolvidos em processo de iminente desestabilização, possam representar ameaça aos seus interesses.

Diante desse quadro, o autor explica que entre as três categorias de missão – Defesa, Dissuasão e Gerenciamento de crises estabelecidas e aplicadas pelos centros de poder, observa-se uma ampliação significativa da concepção tradicional da terceira categoria.

Essa ampliação da concepção tradicional do gerenciamento de crises vem justificar como válido, nobre e normal o processo de intervenção através do uso de força e/ou de recursos não militares (sanções diplomáticas, econômicas, financeiras ou comerciais) em nome da proteção aos direitos humanos, proteção ao meio ambiente, apoio aos direitos dos povos indígenas etc..

[...] assumindo uma ominosa feição ao programar engajamento preventivo, intervenção humanitária e emprego de força armada em operações de manutenção, construção e/ou imposição da paz. Nessa categoria se dá a conjugação de concepções pós-modernas de defesa com as ‘causas nobres’ e ‘novidades’ jurídicas e diplomáticas. Em outras palavras essa nova maneira de conceber o gerenciamento de crises traduz o empenho dos países tecnificados26 em transformar o

intervencionismo como forma normal e legítima de atuação internacional (CÔRTES, 2001, p. 25-26).

Ao lado das “novidades” jurídicas e diplomáticas são criadas, paralelamente, e promulgadas “novas ideias” que as validam, criando-se uma base para que, o direito do exercício do mais forte ganhe endosso universal, a priori sob aval das Nações Unidas. No entanto, na falta de endosso da ONU, a estratégia utilizada recorre à persuasão da opinião pública através do emprego intensivo dos meios de comunicação de massa em nome da comunidade internacional. Como exemplos dessas “novas ideias” encaixam-se as barreiras comerciais não tributárias, como o “selo verde”, a questão da soberania limitada, o dever de

ingerência, o direito de intervenção, a interferência humanitária e outras semelhantes (CÔRTES, 2001).

Sobre às conceituações doutrinárias voltadas a Defesa e Dissuasão, Côrtes (2001) ressalta que, embora adaptadas à realidade geoestratégica pós-1990, ainda, obedecem às concepções clássicas.

Quanto à definição da missão principal das forças armadas, em relação à ameaça percebida durante o “Período Moderno”, de 1900-1945, o autor ressalta que apesar de as forças armadas brasileiras oferecerem, na primeira metade da década de 40, apoio à aliança, concretizado pela declaração de guerra às potências do Eixo em 1942, posicionando- se no combate ao inimigo no Atlântico Sul e enviando soldados da Força Expedicionária Brasileira e do Primeiro Grupo de Caça para lutar na Itália, integrados ao Exército norte- americano. Após o encerramento do conflito, já no “Período Moderno Final”, entre 1945 a 1990, a missão principal voltou a ser a defesa do território pátrio (CORTÊS, 2001).

Em relação à estrutura da força dos países desenvolvidos, o “Período Pós- Moderno” marca a formação de pequenos efetivos profissionais, enquanto no Brasil perdura um quadro de grande efetivo que incorpora, a cada ano, e em todo o país, uma quantidade de recrutas acima das necessidades das forças armadas por meio do serviço militar obrigatório. Para Côrtes (2001), numa etapa de transição para a estrutura pós-moderna é imprescindível uma reformulação do mecanismo de serviço militar obrigatório, num processo que busque adaptar a concepção de força totalmente voluntária e que, considerando as peculiaridades, venha a atender às necessidades de cada força singular.

Sobre a conceituação do novo perfil militar da oficialidade brasileira, Côrtes (2001) considera que a mesma não pode estar desvinculada da evolução política e social do país. Para Oliveira, Ludwig e Souza Filho (2010), o ensino militar brasileiro, na atualidade, é uma expressão da modernidade no contexto da pós-modernidade. Ou seja, ele se mantém baseado em antigos pressupostos desvirtuando a preparação militar do papel que terá de desempenhar no contexto das “novas missões”, principalmente as vinculadas ao gerenciamento de crises. Sobre essa questão Grubisich (2013, p. 04) escreveu:

A formação dos profissionais militares não pode estar desvinculada das questões culturais e geopolíticas externas e internas, levando em consideração sua inserção