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3. Formação dos professores

3.1. As Necessidades Formativas Dos Docentes: Uma

Ser professor é um processo construtivo e permanente que nunca estará concluído. Ao longo de toda a vida o docente vai vivenciando experiências que, de alguma forma, vão alterar o seu desempenho enquanto agente de educação.

Apesar de várias mudanças terem vindo a ocorrer no nosso sistema educativo, vimo-nos a deparar com imensos problemas. O insucesso, o abandono escolar e o número crescente de alunos com necessidades educativas especiais são agora uma realidade em todas as escolas.

Cada vez se põe mais em causa a formação dos docentes. Continua-se a formar professores/educadores incutindo-lhes a preocupação de desenvolverem métodos e técnicas diversificados para responderem à diversidade de alunos com que irão trabalhar.

Barbosa (2005, p.58) defende que “um bom educador tem de ser obviamente um bom

aplicador de métodos e técnicas, mas que o desenvolvimento harmonioso das crianças com quem privar só acontecerá se o educador for, antes de mais, um bom representante da qualidade humana.”

Numa data em que se promove a reorganização curricular, em que se afirma a noção de currículo ligada às ideias de diferenciação pedagógica, de transversalidade educativa, de adequação e de flexibilidade, sendo esta relativa a um quadro de referência que estabelece orientações e competências essenciais a desenvolver, cabe à escola e ao professor/educador, enquanto construtor, executor e gestor do currículo, uma parcela muito importante na responsabilidade do que, e, como, a escola faz para que os seus alunos aprendam.

Na verdade, se ao nível da formação inicial se deve propiciar aos futuros professores a aquisição de conhecimentos e o desenvolvimento de competências inerentes à tarefa educativa, a formação contínua, que deve começar quando o docente inicia funções, tem a seu cargo a tarefa de “compaginar pensamento e ação, reformular e atualizar a preparação dos professores, questionar as práticas de ensino, identificar problemas e necessidades (…) e desenvolver novas formas de relacionamento e novos modos de trabalho” (Morgado, 2007, p. 48). Formação inicial e formação contínua assumem-se,

29 assim, como componentes nucleares do desenvolvimento profissional e da mudança ou inovação das práticas curriculares.

Impõe-se que os docentes estejam, constantemente, abertos à mudança e à diversidade, que tanto caracteriza o sistema educativo. Ser professor hoje, exige, para além da competência profissional, uma grande capacidade de entender a globalidade e a complexidade do tempo presente. É importante que os agentes educativos se consciencializem do papel relevante que desempenham ao preparar os alunos, tanto para as exigências da sociedade em que vivem, como para a sua transformação.

Zabalza (1997, p.32) refere que “A escola está cheia de diversidade. Não pode responder com uniformidade dos conteúdos e dos processos … Só a capacidade de adequar o currículo e as condições em que este se desenvolve nas escolas pode produzir soluções diferenciadas; só a existência de soluções diferenciadas e ajustamento a cada situação específica pode favorecer o processo educativo de todos os alunos.”

É crucial que o docente se consciencialize que necessita de estar em permanente formação e aprendizagem. Essa aprendizagem e progresso individual farão muito mais sentido quando desenvolvidos em contextos sociais. Daí, cada vez mais se defender a necessidade da atividade docente se desenvolver em equipa com base numa pedagogia de ajuda (professor/ aluno e sua família/ outros técnicos).

Como profissionais da educação, os docentes devem permitir que a aprendizagem contribua para a realização pessoal e profissional de cada um e, torná-la num ato de felicidade.

Barbosa (2005, p.58) defende ainda que “Todo o educador deve imprimir à sua ação uma orientação estratégica cimentada num bom conhecimento técnico e cientifico das componentes sensoriais, psicomotoras, cognitivas, afetivas, sociais e comunicativas, mas também achamos indispensável que a implementação estratégica das suas ações se faça com base num respeito muito grande pela saúde da criança, seu sexo, não ferindo nunca padrões estéticos, éticos e morais dos seus progenitores ou tutores.”

Os docentes devem, por isso, orientar a sua ação e as suas necessidades formativas em função das necessidades educativas das crianças. Os docentes de Educação Especial têm de deixar de ser vistos com professores de “métodos e técnicas”. Estes têm de trabalhar em parceria com os docentes do ensino regular e, juntos funcionarem para a construção de alunos completos.

30 A análise das necessidades educativas e formativas, como área de pesquisa, surgiu no final dos anos 60. Desde então, vem sendo utilizado como um instrumento fundamental na planificação e tomada de decisão na área educativa. Isto obedece a uma preocupação com a racionalização dos processos formativos e os desejos de conseguir planos mais estruturados e eficazes que respondam adequadamente às exigências sociais, na intenção de encontrar procedimentos mais eficazes na formação do professor.

Os estudos sobre as necessidades formativas dos agentes educativos estão associados às pesquisas sobre o desenvolvimento profissional dos mesmos. As necessidades formativas dos professores inserem-se num campo necessário e ainda pouco explorado nos processos da sua formação inicial e contínua.

Segundo Rodrigues e Esteves (1993), a palavra necessidade é uma palavra polissémica, marcada pela ambiguidade. Necessidade é um conceito polimorfo que se adapta a diferentes aceções segundo o seu uso pelos educadores, sociólogos, economistas ou trabalhadores sociais. Para Zabalza (1997, p.62), uma necessidade é instituída pela discrepância que se produz “entre a forma como as coisas deveriam ser (exigências), poderiam ser (necessidades de desenvolvimento) ou que gostaríamos que fossem (necessidades individualizadas) e a forma como essas coisas são de facto.” A diferença entre o estado atual de desenvolvimento e o estado desejado, entre outros fatores, determina a necessidade.

Na linguagem corrente, o termo necessidade é usado para designar fenómenos diferentes, tais como desejo, vontade, aspiração, precisando alguma coisa ou alguma exigência. A necessidade tem existência no sujeito que a sente e é fonte de motivação para desenvolver determinados tipos de atividades.

Montero, citado por Marcelo (1992, p.68) define o vocábulo necessidade formativa como “um conjunto de desejos, problemas, carências e deficiências encontradas pelos professores no desenrolar do seu ensino.

Para Blair e Large (1990, p.146) uma necessidade “define-se pela discrepância entre o que é a prática habitual e o que deveria ser a prática. Portanto, as necessidades devem ser levadas em conta em função de metas específicas.”

O conceito de necessidades dos professores é, assim, visto como algo útil, imprescindível num momento dado desejável, ligado a valores, que partindo de experiências anteriores, definem a procura de algo que falta para poder, conscientemente, fazer o trabalho docente com maior profissionalismo. As necessidades dos agentes educativos têm a sua origem na prática e estão ligadas a interesses, assim

31 que, como categoria norteadora, faz-se necessário pesquisar do professor, o seu quotidiano na sala de aula e na escola enquanto profissional e a pessoa que ele é.

Os conhecimentos que os professores têm não são só resultado do fator cognitivo. Têm também a ver com os seus interesses e com a realidade em que o sujeito se insere. O processo de “criar necessidades formativas” nos docentes, baseadas na reflexão das suas experiências e nas exigências do sistema educativo é como uma estratégia de colaboração de especialistas com professores, para ajudar a perceber e a identificar essas necessidades.

Uma necessidade é sempre uma necessidade perspetivada em relação aos indivíduos e aos seus contextos, não se deve falar de necessidades absolutas.

Na opinião de Pennington (1995) as necessidades são infinitas, não são conscientes, condições que dificultam a distinção entre “necessidades sentidas” e “necessidades autênticas”.

Segundo ainda este autor, a formação de professores é uma atividade permanente e programada, fundamentada nas necessidades reais e na perspectiva da profissão. Orientada para a formação de competências, de atitudes e de qualidades da personalidade do agente educativo. A origem das necessidades formativas não pode situar-se apenas nos agentes educativos, mas também nas instituições onde estes desenvolvem a sua atividade docente e no meio social onde a instituição escolar está inserida.

Ramalho e Nunez (2001) defendem que uma formação de professores sem direção e sem conhecimento das suas reais necessidades, não se ajusta às mudanças e à diferença, que exigem cada vez mais uma ação criadora na preparação dos professores na perspectiva da profissionalização. Muitas vezes a formação desejada não é a que está disponível para os docentes poderem frequentar. Dá-se também o caso do campo de interesses dos docentes. Muitas vezes os seus interesses não estão virados para as suas necessidades de formação.

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