Ruiz (2012), concetua que o termo “ONG” começou a ser utilizado na década de 1940, pela Organizações Nacionais Unidas (ONU), designando diferentes entidades executoras de projetos humanitários ou de interesse público no Brasil. A expressão criada dava referencia, principalmente, às organizações de Cooperação Internacional, essas formadas tanto por igrejas Católicas como as Protestantes, organizações de solidariedade, ou governos de vários países, como eram nominadas. Essas davam prioridade à ajuda às organizações e movimentos sociais nos países do sul, com o intuito de solidificar a democracia.
Nas décadas de 1960 a 1970 foram surgindo centros de educação popular e de assessorias a movimentos sociais, estes dando ênfase a conscientização e a transformação social.
A nominada educação popular, fundamentada no método de Paulo Freire, era no sentido organizativo para o conscientizado, e palavras de ordem como “democracia de base” e “autonomia” constituíam o eixo de seu repertório. Os grupos já existentes abandonaram práticas assistenciais filantrópicas e já os outros foram criados para incentivar a chamada “organização popular”.
A maioria desses centros de assessoria, denominadas proto-ONGs, faziam parte do campo progressista, pois eram financiadas pelas ONGs/Agências internacionais, estas denunciavam internamente as violações dos direitos humanos.(RUIZ, 2012)
Eclesiais de Base (CEBs), cujo embasamento para sua militância é buscada nos princípios da Teologia da Libertação, que denomina o povo como o principal atuante da história. Com a Teologia da Libertação, a aliança entre a igreja Católica, o Estado e as classes dominantes da América Latina foi colocada em prova, se não pela Igreja enquanto instituição, por um número significante de padres, freiras e leigos, através de suas práticas pastorais.
De acordo também com Ruiz (2012), a Teologia da Libertação começou a recomendar que o trabalho pastoral devesse ser endereçado preferencialmente às pessoas oprimidas da América Latina e passaria a ser organizado como meio de instrumento a conscientização e luta. O termo acabou sendo generalizadas, as ONGs multiplicaram e a expressão serve para designar tanto as de Cooperação Internacional, as ONGs Internacionais ou nacionais, e todas as organizações não estatais, genericamente consideradas não governamentais. O marco para a utilização do termo no Brasil, ocorreu na década de 1990, mais precisamente com a ECO-92, na Conferencia da Onu sobre o Meio Ambiente, realizada na cidade do Rio de Janeiro.
O direito internacional foi o mentor para a criação das organizações internacionais, estabelecendo princípios e regras básicas para a convivência entre os Estados. Segundo Seitenfus, foi onde surgiu os acordos com o objetivo de regularizar a situação das pessoas que detém dupla nacionalidade, avencas sobre a concessão de imunidade diplomática, sobre a extradição e a cooperação judiciária, ou sobre a delimitação de territórios contíguos. A condição destes acordos e a reciprocidade. (SEITENFUS, 2003,p.23)
O multilateralismo passou a existir após a união entre três ou mais Estados, onde estes tinham uma cooperação e com fins comuns. Tornado-se um traço importante para as organizações internacionais contemporâneas. Este se pode caracterizar-se pelo regionalismo ou pelo universalismo, podendo ser encontrado na composição dos sócios, no primeiro entende-se como o espaço físico delimitado, mesmo não sendo como principal característica vale ressaltar sua importância. Contrario de universalismos, onde as organizações não relevam a origem, organização política ou localização entre seus sócios.
Para que haja uma fixação das organizações são necessários dois elementos, de acordo com SEITENFUS (2003, p.25)
A duração por tempo indeterminado prende-se a ausência de qualquer limite temporal estabelecido no ato constitutivo, mesmo que este contenha a previsão, de forma explicita, de sua própria reforma, porem excluída, desde logo, a sua extinção. De outra parte, o caráter permanente das organizações internacionais expressa-se pela criação de um Secretariado, com sede fixa, dotada de personalidade jurídica internacional, que permite a assinatura de acordos-sede, com a aplicação do principio da inviolabilidade e com os direitos e obrigações inerentes as atividades de representação diplomática no exterior.”
Focando em institucionalização Ruiz (2012) enfatiza que esta, encontra-se em uma questão bastante complexa, por ter uma realidade de natureza internacional, na qual a essência baseia-se no sistema relacional entre os Estados, isto e, uma forte rede de relações bilaterais. Como objetivo desta prática destaca-se as condições de segurança oferecidas para os Estados.
Os estados, ao manter suas prioridades tradicionais de exercício do poder, foram de comum acordo, ao criar mecanismos multilaterais dotando instrumentos capazes de atuarem em campos abrangendo a paz e segurança internacional. Entretanto, os Estados-Membros tem uma visão diferenciada em relação às funções das organizações internacionais.
A organização, em seus acordos, expõe fatos e condutas que no futuro serão realizados e atribuir-lhe consequências, destacando entre elas, sanções internacionais. Assim e criado um espaço para a solução de conflitos e relacionamento interestatal. Com tudo o principio das organizações e um fato relevante de jurisdição das relações internacionais.
Estas provem um ganho que deve ser previsível, sem via de regra, pelas organizações internacionais, dependendo da equação de poder por elas compreendidas, mas também resulta de sua eficácia na atuação pretendida.
Considera-se também o elemento, soberania, onde a participação do Estado torna-se indispensável e nota-se a necessidade de uma visão coletiva das competências propostas que antes vinham de um domínio nacional, no caso de algumas culturas com uma visão primitiva, incontentável e indiscutível.
A mais complexa e avançada forma de institucionalização e refletida na delegação de competência e poderes dos Estados-Membros para um Estado alem dos limites de uma nação, ou seja, supranacional, este precisa estar apto a expor as decisões e o controle para sua aplicação.
internacional, seu voluntarismo deve ter validade por uma formalização jurídica, constatado a um tratado, implicando a importância e validade.
As organizações internacionais são associações voluntarias de Estados que podem ser definidas da seguinte forma: trata-se de uma sociedade entre Estados, constituída através de um Tratado, com a finalidade de buscar interesses comuns através de uma permanente cooperação entre seus membros. (SEITENFUS, 2003,p.27)
Assim, alguns autores relevam que uma organização internacional em suma importância advém de órgãos próprios, ou seja, instituições. Assim como Paul Reuter, ressalta que sua existência só pode ser manifestada, quando ela pode, através dos meios propostos, revelar e expor uma vontade diferente dos Estados- Membros.
Existem definições distintas entre organizações internacionais. No final da década de 80 o Brasil presenciou o surgimento de um novo modelo de organização até então inexistente. Voltadas para questões de interesse público e com a possibilidade de formular projetos, as Organizações não governamentais (ONGs) nasceram no país aliadas às ideias de cooperação global para apoiar a luta em prol da cidadania.
No que tange a caracterização das ONGs na questão jurídica, Gislaine Caresia (2006) diz que, diferentemente dos Estados e das OI- Organizações Internacionais, as ONGs Internacionais não são pessoas jurídicas de Direito Internacional Público”. Elas possuem personalidade jurídica de direito interno de um Estado qualquer que, aos lhes conceder personalidade, a elas delega poderes para prosseguir em suas atividades. A primeira característica das ONGs é tratar-se de uma entidade coletiva nacional, ou seja, regida por um direito nacional, que lhe determina o caráter de não ser uma OI.
Hertz (2004), explica que estas entidades, no âmbito internacional, são privadas, voluntárias e possuem membros individuais ou coletivos de diversos países. A formação de tais Organizações é devido à promoção de serviços específicos, como a ajuda humanitária e a assistência ao desenvolvimento, ou por causas de paz, proteção ambiental ou direitos humanos.
Para a autora Landim (1993) o conceito de ONG, particularmente no contexto brasileiro, se da no decorrer da década de 1980 onde o processo de identificação e reconhecimento de protagonismo próprio desse modelo de Organização é dividido
em diversas determinações. Menciona a descoberta de tal entidade pelos organismos de cooperação multilateral, exemplificando com o Banco Mundial, que segundo Landim, intensifica a partir dos anos 1980 programas em colaboração com Organizações não governamentais, tendo como uma das justificativas explicitadas a sua confiabilidade e eficácia. O debate que se instaura entre as entidades da rede mencionada aqui sobre a propriedade ou não (política e operacional) de se trabalhar com financiamento do Banco será, no mínimo, mais uma peça na produção do auto- reconhecimento do conjunto, peça significativa por colocar na mesa, de uma vez por todas e a partir de instâncias internacionais desse peso, o termo ONG – como se vê, prontamente adotado por quem tinha competência social para tal.
A partir desse reconhecimento e evidentes as questões que as diferenciam de outros modelos de organizações ou fundações como sendo não governamentais, não lucrativas, de não fazerem parte de estruturas maiores, não financiarem, entre outras diferenças, tais instituições começaram a ser dignas de certo valor e reconhecimento pela sociedade e se multiplicar em seus diversos âmbitos de cooperação social.
No que tange a caracterização das ONGs na questão jurídica, Gislaine Caresia (2005), diz que, diferentemente dos Estados e das OI - Organizações Internacionais, as ONGs Internacionais não são pessoas jurídicas de Direito Internacional Público. Elas possuem personalidade jurídica de direito interno de um Estado qualquer que, aos lhes conceder personalidade, a elas delega poderes para prosseguir em suas atividades. A primeira característica das ONGs é tratar-se de uma entidade coletiva nacional, ou seja, regida por um direito nacional, que lhe determina o caráter de não ser uma OI.
Para que possam atuar no Brasil, todas as organizações estrangeiras destinadas a fins de interesse coletivos definidos como aquelas que não possuem finalidades lucrativas e que desenvolvam atividades de interesse público devem ter a autorização do Ministério da Justiça.
Tal órgão detém o controle sobre as instituições, que para se instaurarem no país precisam estar em conformidade com o artigo 19 da antiga Lei n° 3.071, de Introdução ao Código Civil. Uma vez devidamente autorizadas a atuarem no Brasil, as ONGs ficam sujeitas a legislação brasileira para funcionamento.
Além desta introdução, este capítulo será dividido em duas seções: uma de caracterização das ONGs internacionalizadas, objeto de análise desta pesquisa, e
outra de análise da internacionalização em si das ONGs (motivações, barreiras, estratégias, definição de países e uso de redes de relacionamentos), foco das indagações de pesquisa.