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CAPÍTULO II. O ESTÁGIO

2. As perguntas de partida, objetivos e modelo de análise

Optámos pelo envelhecimento ativo em contexto institucional como objeto de estudo de forma a dar ênfase a uma temática que tem cada vez maior importância. O fenómeno da institucionalização da terceira idade está cada vez mais presente, daí a necessidade de diagnosticar as dificuldades e carências dos utentes, intervindo nesse sentido quando possível. O objetivo primordial é, portanto, promover a qualidade de vida dos utentes através da criação de mecanismos facilitadores do acesso às atividades culturais e recreativas e de estratégias que fomentem uma cultura intergeracional e interinstitucional.

No decurso da nossa pesquisa e de forma a facilitar o trabalho de campo realizado foram delineados alguns objetivos centrais. Em primeiro lugar, pretendeu-se proceder à caracterização do perfil sócio-demográfico dos utentes. Para a sua concretização foi necessário traçar o perfil demográfico e escolar dos mesmos bem como captar traços comuns nos perfis traçados. Em segundo lugar, pretendeu-se compreender de que forma os utentes representam a institucionalização e a sua condição de velhice. Para a prossecução deste objetivo foi importante conhecer a perceção da institucionalização entre os utentes de ambas as valências e identificar o conceito de velhice de acordo com os entrevistados. Por último, foi nosso objetivo examinar as estratégias de promoção do envelhecimento ativo entre os utentes. Neste sentido, apurámos se as ações desenvolvidas pela instituição promovem o envelhecimento ativo e tentámos perceber se existem relações de parceria entre as várias instituições e coletividades locais e a organização em causa. Por fim, com base nesse

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conhecimento, propusemos um plano de atividades com vista a inovar mas também a colmatar as falhas existentes.

Para além dos objetivos citados, a pesquisa foi orientada por um conjunto de interrogações, a saber:

I. Qual o significado do envelhecimento ativo para a instituição e para os

utentes?

Para a concretização deste propósito analisámos as representações sobre o envelhecimento ativo. Por um lado, direcionámos um conjunto de questões explícitas sobre o significado do mesmo à animadora sociocultural e à diretora técnica. No caso dos utentes as perguntas não assumiram um caráter tão direto, no entanto, incidem sobre as três dimensões do envelhecimento ativo - saúde, segurança e participação.

II. De que forma o envelhecimento ativo é promovido na instituição?

A finalidade desta segunda pergunta de partida é, em primeiro lugar, perceber os processos utilizados pelo lar em estudo para melhorar a qualidade de vida dos seus utentes. Para o efeito, foram administradas questões à diretora técnica e à animadora sociocultural que se centram nos esforços e estratégias realizadas para o cumprimento dessa finalidade organizacional. Em segundo lugar, foi tida também em consideração a opinião e avaliação dos utentes relativamente ao impacto dessas atividades no seu quotidiano.

III. Que estratégias são mobilizadas para a adesão dos idosos a estas atividades?

Pretendemos com esta questão examinar que tipo de procedimentos são utilizados no sentido de atrair a atenção e participação dos utentes nas dinâmicas e ocupações desenvolvidas. Neste domínio, foram consideradas as respostas obtidas dos testemunhos da animadora sociocultural e da diretora técnica. Em simultâneo, recorremos às informações recolhidas pelas grelhas de observação direta, em particular aquelas que incidem sobre as estratégias desenvolvidas em trabalho de campo.

IV. De que forma a participação dos utentes nas atividades é influenciada pelas

suas representações sobre a velhice e a institucionalização?

Através desta interrogação pretendemos identificar a relação existente entre a participação nas dinâmicas criadas e os significados expressos e atribuídos à velhice e à institucionalização por parte dos idosos. Assim, foram analisadas através das entrevistas, as respostas relacionadas com o tópico em causa. Também, neste caso, analisámos o conteúdo proveniente das grelhas de observação direta, na medida em que são uma fonte essencial para a compreensão de algumas situações relacionadas com a participação nas atividades.

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V. Em que medida as razões que conduziram os utentes à instituição são

atenuadas por força da sua participação nas atividades?

O objetivo desta questão prendeu-se com a necessidade de perceber se as dinâmicas desenvolvidas na instituição permitem, de alguma forma, compensar alguma carência ou necessidade que levou à institucionalização do idoso. Pretendeu-se, de igual modo, perceber a importância que essas ocupações têm atualmente na vida dos seus utentes. Analisámos, portanto, a opinião que eles têm acerca desta questão bem como as estratégias promovidas pela animadora sociocultural no sentido de colmatar as necessidades que levaram à institucionalização dos idosos ou responder apenas às componentes do envelhecimento ativo.

Nesta fase da pesquisa as interrogações de partida anteriormente apresentadas deram lugar a um conjunto de hipóteses às quais pretendemos dar resposta no final deste trabalho após uma cuidada análise dos dados.

I. As representações sobre a velhice e o envelhecimento influenciam a visão mais

ou menos positiva sobre a institucionalização.

II. A participação nas atividades de animação sociocultural promove a integração

social dos seniores na instituição.

III. Os idosos mais jovens e mais escolarizados apresentam uma maior adesão às

atividades promotoras de envelhecimento ativo.

IV. As representações sobre a velhice e a institucionalização influenciam o

envelhecimento ativo dos utentes.

A análise compreensiva segue sempre uma lógica indutiva e, portanto, do particular para o geral. O que apresentamos então é a representação hipotética do que esperávamos encontrar após a revisão bibliográfica e os primeiros contactos com o terreno. Afastando-nos de uma lógica hipotético-dedutiva, o que pretendemos com as hipóteses acima apresentadas é a construção de um “modelo explicativo potencial”, voltado para a apreensão dos significados e vivências de envelhecimento ativo em contexto de institucionalização (Guerra, 2010, p. 39).

Através da delimitação dos objetivos, das perguntas de partida e hipóteses teóricas e da própria pesquisa teórica foi possível a construção do modelo de análise que apresentamos de seguida.

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Figura 1. Modelo de Análise

Em suma, pretendemos analisar a relação existente entre as categorias acima indicadas relativas ao envelhecimento ativo, às perceções dos utentes relativas às dimensões identificadas e acerca da sua institucionalização e o efeito que estas têm na promoção da qualidade de vida dos utentes e suas consequências no envelhecimento ativo dos utentes.