• Nenhum resultado encontrado

AS POLÍTICAS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ACRE

CAPÍTULO 3 - O ESTADO DO ACRE E AS POLÍTICAS DE FORMAÇÃO PARA OS

3.3 AS POLÍTICAS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ACRE

Como já mencionado, no decorrer dos anos de 1990, em nível federal, foram

adotadas políticas públicas que impactaram o quadro da educação no país, bem como as

decisões e opções dos governos estaduais, no tocante a formação dos professores. Em termos

de propostas políticas e discursos, o governo do Acre é um aliado do Governo Nacional, tanto

da gestão anterior, sob o mandato do Presidente Luís Inácio Lula da Silva (2002-2010),

quanto da gestão atual. Dessa forma, pode-se afirmar que as políticas educacionais para a

formação de professores, no Acre, mantêm relação direta e proporcional com as políticas de

formação no Brasil.

Considerando que o marco de análise deste trabalho vai de 2007 a 2013, vale

destacar que esse período compreendeu dois diferentes governos, o de Arnóbio Marques de

Almeida Júnior (Binho Marques) - (2007- 2010) e o governo de Tião Viana (2011 aos dias

atuais).

Antes de ser eleito como governador, Binho Marque foi Secretário de Educação

(1999-2006) durante os dois mandatos de seu antecessor, Jorge Viana (Frente Popular/PT).

No segundo mandato deste, acumulou o cargo de vice-governador e a direção das secretarias

de Educação e de Desenvolvimento Humano e Inclusão Social (2003-2006). Esse grupo

político se mantém no poder executivo até os dias de hoje, com o atual governador Tião

Viana, (reeleito em 2014), ex-senador da República e irmão do antigo governador do estado,

Jorge Viana. Seu projeto de governo, principalmente no que tange às ações voltadas para a

educação, mantém a continuidade e a consistência das reformas e políticas implementadas na

década anterior, pelos dois governos que o antecederam. A reeleição do governador do Acre,

Tião Viana, nas eleições de 2014, garantem, à Frente Popular

23

, duas décadas seguidas no

comando do estado.

Nesse período, os governadores do estado implantaram a maior parte da

infraestrutura e dos arranjos institucionais necessários ao fortalecimento das políticas sociais

no combate à desigualdade. Para tanto, modernizaram a gestão pública estadual,

proporcionaram melhoria salarial e implementaram algumas políticas para a capacitação de

seus servidores.

No projeto estratégico da Frente Popular para o estado, definiram-se como

prioridades da educação: I- implementação do programa de valorização dos profissionais,

com a melhoria dos salários; II- criação do programa de qualificação profissional, com a

formação de nível médio e superior, os professores de todos os municípios; III) criação de

padrões básicos de funcionamento das escolas, com a adequação dos espaços físicos,

conforme o nível de atendimento às necessidades de cada faixa etária; IV- a construção e a

reforma das escolas; V- execução do programa de alfabetização de jovens e adultos; VI-

maior oferta de vagas para o ensino médio em todos os municípios do Estado; VII-

23 A Frente Popular do Acre (FPA) é composta por 13 legendas: o Partido Social Democrata Cristão (PSDC), Partido Republicano Brasileiro (PRB), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Trabalhista Nacional (PTN), Partido Pátria Livre (PPL), Partido Republicano da Ordem Social (PROS), Partido Republicano Progressista (PRP), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido Social Liberal (PSL), Partido Humanista da Solidariedade (PHS), Partido Ecológico Nacional (PEN), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

implementação do programa Asas da Florestania, para comunidades de difícil acesso; VIII-

Estabeleceu os princípios da gestão democrática nas unidades de ensino da rede estadual e a

criação de uma política de autonomia financeira com a descentralização de recursos para as

escolas (Lei nº. 1.513/2003); IX- criação do programa de certificação das competências dos

gestores escolares; X- organização de novos currículos que estabeleceram as capacidades e

conteúdos para cada componente curricular e série; XI- instituição do Sistema Estadual de

Avaliação da Aprendizagem Escolar – SEAPE.

Nas propostas dos governos da Frente Popular, podemos encontrar as categorias:

Igualdade, justiça social, direitos humanos, cidadania e inclusão social. Cabe, portanto, no

momento da avaliação das políticas de formação de professores para o campo, analisar a

presença dessas categorias na constituição do perfil e nas condições de trabalho dos docentes

do estado.

Quando a Frente Popular assumiu o governo do estado, o Acre enfrentava graves

problemas no campo da formação docente. O quadro da rede estadual, em sua grande maioria,

era constituído por professores com formação em nível médio regular, ensino médio com

habilitação para o magistério e ensino fundamental completo e incompleto. Esse cenário levou

a Secretaria de Educação a implantar um sistema de formação que somava mais de quarenta

projetos voltados, tanto para a formação inicial, quanto para a formação continuada.

A partir de 2000, o estado passou a implementar um plano de reformas que tinha

como objetivo investir na qualificação dos docentes da rede pública de ensino. Para tanto, a

gestão da Secretaria de Estado (SEE/AC) elaborou e executou um Plano Estratégico que

priorizava a formação dos professores, especialmente em serviço, com uma série de

programas especiais. Tais programas eram voltados, tanto para a formação dos professores

leigos, quanto para a formação inicial e continuada.

Inicialmente, foi implantado o Programa de Formação de Professores em Exercício

(Proformação), desenvolvido pelo Ministério da Educação, que oferecia um curso de

magistério, em nível de ensino médio, aos professores leigos. O Programa foi uma iniciativa

do governo federal, em parceria com estados e municípios e sistematizado pelo MEC, para a

habilitação do professor leigo. Caracterizou-se como uma ação de formação à distância, em

nível médio, com habilitação para o magistério, modalidade Normal. Esse curso teve uma

duração de dois anos, iniciando-se em 2000 e encerrando-se no final de 2001.

Ao mesmo tempo que levou aos professores sem formação específica conhecimentos

básicos das áreas de estudo do ensino fundamental, o programa congregou os conteúdos da

base nacional comum do ensino médio e os componentes da formação pedagógica, tendo,

ainda, quatro eixos integradores, um em cada módulo, em torno dos quais se articulam todas

as áreas de conhecimento. Os conteúdos foram desenvolvidos em aulas presenciais, atividades

de estudo individuais, atividades coletivas presenciais, orientadas por tutores a cada 15 dias.

O governo federalfoi o responsável pela elaboração da proposta técnica e financeira

e o estado constituiu a equipe de gerenciamento na Secretaria Estadual de Educação.

Disponibilizou pessoal e infraestrutura adequada às agências formadoras e forneceu transporte

à equipe e assessores técnicos do programa, para as visitas de acompanhamento às agências

formadoras e aos municípios.

No Acre, funcionaram dois polos de formação, sendo um localizado em Rio Branco e

o outro em Cruzeiro do Sul. No estado, 1.844 professores tiveram acesso a essa formação, nos

22 municípios, dos quais, 1.634 concluíram com êxito, perfazendo um total de 89,2% de

índice de aproveitamento. A média nacional de aprovação pactuada pelo Banco Mundial,

segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Educação do Estado, era de 85%. A

maior parcela de formandos se concentrou na região do Alto Juruá. O Proformação não era

um programa específico para o contexto rural, mas acabou voltando-se, também, para esse

contingente de professores. Aproximadamente 80% dos 1.634 professores do Proformação

atuavam no campo.

Alguns fatores dificultaram o processo de formação do docente do campo, como por

exemplo, o nível de formação dos tutores, visto que aqueles que possuíam nível superior não

queriam se deslocar para atender os professores cursistas nas localidades mais distantes, em

meio à floresta. O deslocamento dos professores cursistas, nos períodos de formação

presencial, foi dificultado pela distância de seus locais de residência e trabalho. Muitos desses

professores leigos trabalhavam em escolas rurais e em localidades de difícil acesso, algumas

delas próximas à fronteira com o Peru.

Com a implementação dessa política, o estado se aproximou da formação mínima

exigida na LDB, amenizando a questão da formação dos professores leigos. Entretanto, o

estado ainda enfrentava outro problema, ausência de professores com nível superior, para

atuar na educação básica da rede pública de ensino. Diante desse fato, o governo passou a

firmar convênio com a Universidade Federal do Acre (UFAC) e implementou vários

programas de formação inicial em serviço para os professores da educação básica.

Em consonância com a política nacional, a UFAC passou a elaborar e oferecer cursos

de licenciatura para o estado do Acre. Cabe destacar que a Universidade Federal do Acre

(UFAC) é a única instituição de ensino superior pública consolidada na formação de

professores. Isso tem imposto desafios e demandas cada vez maiores, no que diz respeito à

ampliação e oferta de vagas e à formação de profissionais qualificados para fazer frente às

necessidades do desenvolvimento econômico, social, cultural e educacional da região.

Em 2001, foi ofertado o Programa Especial de Formação de Professores para a

Educação Básica – Pefpeb, com habilitação para a Educação Infantil e Séries Iniciais do

Ensino Fundamental – Licenciatura Plena em Pedagogia, que se encerrou em 2004. O

programa foi implementado em todo o estado, na modalidade presencial, e qualificou, em

nível superior, mais de 2.800 professores que atuavam na educação infantil e anos iniciais do

ensino fundamental, das escolas das redes estadual e municipais. Nesses processos de

formação, foram atendidos, prioritariamente, os professores que trabalhavam no meio urbano,

tanto na capital, quanto nos municípios.

Em 2002, o Programa Especial de Formação de Professores para a Educação Básica

– Pefpeb destinou-se a atender os professores dos anos finais e ensino médio da rede pública

estadual e municipal em efetivo exercício. Os Cursos foram realizados em nove municípios

acrianos, num total de 37 turmas. O Programa abrangeu seis cursos em regime modular, nas

áreas de Matemática, Geografia, Educação Física, História, Letras e Biologia. O curso

encerrou em 2005 e qualificou 1.526 professores.

Em 2007, foi ofertado, aos professores do meio rural, a formação inicial por meio do

Programa Especial de Formação de Professores para a Educação Básica da Zona Rural

(Profir), que atendeu, aproximadamente, 2.389 professores. Esse programa será melhor

detalhado na seção a seguir, pois compõe o rol das políticas do Acre destinadas,

exclusivamente, aos docentes do campo.

Nos últimos anos, a SEE/AC vem ampliando a parceria com instituições

universitárias, e a formação passou a ser ofertada, também, à distância, pela UAB. Através do

Sistema UAB, o estado tem firmado parcerias com diversas Universidades Públicas do país e,

entre 2007 e 2011, já ofertou mais de 1500 vagas em cursos de nível superior, como,

Pedagogia, Administração, Artes Visuais, Teatro e Música. A adesão do Acre ao sistema

UAB, com a modalidade de Educação à Distância, traduz o esforço do Governo que, em

conjunto com as IES parceiras, tem alcançado os municípios isolados, os quais, de outra

forma, não seriam contemplados com oferta de curso superior.

Em 2013, o governo do estado lançou o Plano Estadual de Formação Docente e

ampliou a parceira com seis instituições públicas de nível superior, para oferecimento dos

cursos de Graduação em EaD: a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal do

Amazonas (UFAM), a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), a Universidade Federal

Fluminense (UFF) e o Instituto Fiocruz. Nessa modalidade de educação, são ofertados cursos

de graduação, além de cursos de especialização e aperfeiçoamento. A parceria com essas

instituições objetiva garantir, aos professores com formação de nível médio, o acesso à

educação superior, atendendo, especificamente, os que trabalham em localidades de difícil

acesso e áreas rurais, consideradas as especificidades da região. Esses programas foram,

também, estendidos aos professores da rede municipal.

No quadro a seguir, pode-se visualizar a síntese dos principais programas de

formação inicial implementados no Acre:

QUADRO Nº 07 – PRINCIPAIS PROGRAMAS ESPECIAIS DE FORMAÇÃO INICIAL (2000- 2013)

PROGRAMAS PROFESSORES

FORMADOS

DURAÇÃO

PROFORMAÇÃO – Formação de professores em Nível Médio, concluído em 2001.

1.634 02 anos

Total de professores formados em nível médio 1.634

PRÓ-SABER – Formação inicial de Professores para a Educação Básica, concluído em 2006.

4.206 04 anos

PROFIR – Formação inicial de professores rurais para a Educação Básica.

2.444 05 anos

PROEFE – Formação inicial de professores em municípios de difícil acesso24 para a Educação Básica.

1005 05 anos

UAB/ UNB – Formação à distância em Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia.

794 03 anos

UAB/ UNB – Formação à distância em Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia, 2ª edição.

1.700 03 anos

UAB/ UNB – Formação à distância em Curso de Licenciatura Plena em Música, Artes Visuais e Teatro.

330 04 anos

PARFOR – Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica

Em andamento 04 anos

Total de professores formados em nível superior 10.479

FONTE: SEE/AC (2013).

Além da política de formação inicial de professores, a formação continuada também se

constituiu ação efetiva no movimento de reformas educacionais no Acre. Dentre esses

programas, destacam-se: os Parâmetros Curriculares em Ação; Programa de Formação para

Professor Alfabetizador – Profa; Programa de Formação Continuada em Gestão Escolar –

Progestão; Programa de Aceleração de Aprendizagem; Programa de Aprendizagem Escolar –

Gestar; Programa Escola Ativa; Programa Nacional de alfabetização na idade certa – Pnaic;

dentre outros. Esses programas foram criados pelo Ministério da Educação (MEC), com

adesão do Governo do Estado do Acre, em regime de colaboração e ofertados pela equipe da

própria SEE e pela UFAC.

Devido ao isolamento ocasionado pela ausência de ligação rodoviária entre muitos

municípios e a capital, os programas de formação apresentaram dificuldades no momento de

sua execução, especialmente no que diz respeito ao acesso dos professores dos municípios aos

cursos superiores ligados à formação docente. Isso porque a grande maioria desses cursos da

UFAC está localizada na Capital e no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul.

As políticas de formação desenvolvidas no estado possibilitaram avanços no número

de professores com formação em nível superior. Tais políticas diferenciaram-se da maioria

dos programas de formação adotados por vários estados brasileiros, pela modalidade em que

foram ofertados os cursos superiores. Enquanto na maioria dos estados a formação em serviço

se deu na modalidade à distância, no Acre, os primeiros programas de formação de

professores foram desenvolvidos na forma presencial, em semestres regulares e dentro do

próprio calendário acadêmico da instituição formadora. Já nos últimos anos, a política de

formação de professores em nível superior foi adotando modelos presenciais e à distância,

ampliando-se, também, as parcerias com outras instituições universitárias (DAMASCENO,

2010).