4. A Reforma Administrativa Gerencial em Pernambuco
4.3. Implementando a reforma
4.3.2. As políticas para elevação da performance
No Quadro 4.1. estão relacionadas, o que pelo impacto na administração pública, se considera as onze principais medidas adotadas pelo governo estadual para a reversão do processo de desequilíbrio nas contas públicas, juntamente com o programa de privatização. A receita advinda da venda dos principais ativos do estado, em particular a privatização da Celpe, fora acompanhada da adoção de medidas de contenção das despesas de custeio da máquina pública, destacando-se a centralização da folha de pagamentos da administração direta e indireta do estado, permitindo uma real avaliação e controle sobre esta rubrica orçamentária. Antes de 1999 as autarquias, fundações e empresas públicas, elaboravam suas folhas de pagamentos, não havendo qualquer tipo de controle sobre tais gastos. Para reforçar o ajuste no gasto com pessoal ainda é instituído o Conselho Superior de Política de Pessoal (CSPP), composto pelos titulares das seguintes secretarias de estado: Sare; Seplandes; Sefaz; e, Secretaria de Assuntos Extraordinários; mais a Procuradoria-Geral do Estado; sob a presidência
conjunta da SARE e SEFAZ. Cabe ao CSPP avaliar toda a política de contratação e remuneração de todos os servidores públicos, estando para isso autorizada a estancar qualquer processo de aumento de salário ou contratação de pessoal que venha de encontro à política de restauração do equilíbrio financeiro do estado. Outra medida de forte impacto na cultura burocrática vigente foi à instituição dos sistemas de controle para o uso de veículos públicos, telefones, e reprodução de fotocópias. Com este sistema, os reformadores visavam mapear, e posteriormente estancar, os excessivos gastos com a utilização indevida de material público. Também foi determinada a redução de 30% no gasto de material de escritório das repartições publicas estaduais. Outra medida de grande impacto nas finanças estaduais foi à elevação da contribuição dos servidores públicos para a previdência estadual. Esta acresceu em 2% a contribuição mensal dos servidores sobre o valor da respectiva remuneração, subsídios, proventos ou pensões, exceto quando tal remuneração for inferior ou igual a R$ 200,00 (duzentos reais). Para os servidores que percebem remuneração superior a R$ 1.200,00 (um mil e duzentos reais) o valor do desconto para a previdência estadual é acrescido em 8%. Tão polêmica e impactante quanto à elevação das alíquotas de contribuição para a previdência do estado, foi o corte de 20% no número de cargos comissionados, que em 1999 atingia o número de seis mil em toda administração pública pernambucana. Somava-se a esta medida, em rejeição e impacto nas contas públicas, o corte de 25% nas despesas com locação de mão-de-obra. Estas medidas visavam enquadrar as finanças estaduais ao exigido pela Lei Camata para a participação relativa da folha de pagamentos dos estados sobre a receita tributária líquida, como parte do acordo de renegociação da dívida estadual com a União.
Quadro 4.1.
Principais Medidas Implementadas entre 1999/2001, no âmbito do Ajuste Fiscal
Instrumento Legal Foco da Política
Decreto nº 21.258 (01/01/99)
Centralização das folhas de pagamentos dos órgãos da Administração Direta, Fundações, Autarquias, e Empresas que dependem de recursos do Tesouro Estadual, na Secretaria de Administração e Reforma do Estado.
Decreto nº 21.259 (01/01/99)
Proíbe, por um ano, a realização de concurso público no âmbito da Administração Direta, Autarquias, Fundações, Empresas Públicas e Sociedade de Economia Mista.
Decreto nº 21.260 (01/01/99)
Determina medidas de controle administrativo tais como: cria o Sistema de Controle de ligações Telefônicas; Sistema de Controle de Uso de Veículos; e o Sistema de Controle de Uso de Máquinas Xerográficas. Também determina que a Secretaria da Fazenda seja consultada sobre todos os convênios a serem firmados pelos órgãos públicos estaduais.
Decreto nº 21.261 (01/01/99)
Determina o corte de 30% na despesa de material de consumo de escritório, assinaturas de jornais, revistas diários oficiais e periódicos, em relação ao valor médio mensal referente ao exercício de 1998.
Decreto nº 21.262 (01/01/99)
Estabelece a obrigatoriedade de parecer do Conselho Superior de Política de Pessoal (CSPP) sobre a repercussão financeira de proposições legislativas que disponham sobre remuneração dos servidores públicos. Lei nº 11.630
(28/01/99)
Eleva o percentual de contribuição dos servidores estaduais ativos, inativos, e seus pensionistas, a contribuição mensal para previdência social, e cria o Fundo de Aposentadoria e Pensão.
Decreto nº 21.315 (08/03/99)
Estabelece condições e procedimentos para a negociação de acordos coletivos de trabalho dos empregados das empresas públicas e sociedade de economia mista, da Administração Pública Estadual, com prévia manifestação formal do CSPP e Comissão de Controle das Estatais (CEST).
Decreto nº 21.322 (12/03/99)
Determina que a cessão de empregados, integrantes da Administração Indireta do Estado, para qualquer outro ente estatal, somente poderá ocorrer mediante celebração de convênio específico em que fique assegurado, à empresa cedente, o ressarcimento dos salários e encargos pertinentes aos empregados cedidos.
Lei Complementar nº 23 (21/05/99)
Fixa o teto para remuneração dos servidores civis e militares, ativos, inativos e pensionistas em R$ 7.000,00. Lei Complementar nº 25
(14/10/99)
Institui o Programa Estadual de Demissão Voluntária (PEDV), voltado para os servidores da Administração Direta e Indireta.
Decreto nº 21.620 (30/07/99)
Determina a Secretaria de Administração e Reforma do Estado (SARE) medidas administrativas que visem a redução de 25% na despesa com locação de mão-de-obra.
Fonte: Os Primeiros Trinta Meses da Reforma do Estado em Pernambuco – Fevereiro/2002 – Comissão Diretora da Reforma do Estado.
Ao se analisar essas ações, no âmbito do ajuste fiscal, nota-se que a necessidade iminente deste ajuste fez com que tais medidas fossem adotadas nos três primeiros meses do novo governo. A natureza dessas ações, aliada ao respaldo eleitoral que reveste todo início de legislatura, explica a implementação da parte mais “dolorosa” do programa de ajuste fiscal nos cem primeiros dias. Paralelamente, iniciou-se o processo de renegociação da dívida do estado junto a União, e o acordo com o governo federal para saneamento das contas públicas do estado, em especial a redução para 60% das fontes do Tesouro estadual, o gasto com a folha de pessoal; metas de crescimento contínuo na arrecadação do ICMS; e, metas de endividamentos para os três anos seguintes.