3 A TRAJETÓRIA DO BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO
3.1 O SISTEMA FINANCEIRO E A FUNDAÇÃO DO BNDES
3.1.1 As principais fontes de recursos do BNDES
Após a sua fundação, o BNDES tinha como fonte de recursos um adicional restituível sobre o imposto de renda, destinado a um fundo especial de promoção do crescimento econômico, denominado Fundo de Reaparelhamento Econômico (FRE). O fundo lograva ainda em ser uma contrapartida ao montante de recursos externos destinados à importação de equipamentos, através da Comissão Mista Brasil – Estados Unidos, além de capitalizar o BNDES, viabilizando a sua atuação. Com a extinção deste adicional em 1964, o Banco passou a receber 20% da arrecadação do imposto de renda durante 1965/66. Em 1967, em estrita obediência ao Decreto-Lei 62, de 21 de novembro de 1966, sofreu nova alteração passando a receber 10% do imposto de renda devido no exercício e em contrapartida, transferiu aos contribuintes a titularidade de suas ações.
Além de outros recursos, como o recolhimento compulsório sobre os depósitos efetuados na Caixa Econômica Federal e as reservas técnicas das companhias seguradoras, intensifica-se nessa fase o ingresso de recursos vinculados a setores específicos, como o Fundo Federal de Eletrificação (FFE)3, que era formado basicamente por recursos advindos do consumo de energia elétrica desde 1955. No período entre 1967 e 1973, o BNDES teve acesso às reservas monetárias geradas pelo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), no entanto, como os recursos transitavam pelos orçamentos fiscal e monetário, passaram a ocorrer atrasos em seu repasse.
Ainda neste período, destaca-se a Agência Especial de Financiamento Industrial (FINAME), instituída pelo Decreto 59.170, de 02/09/1966 e transformada em empresa
pública federal em 21/06/1971. Trata-se de uma subsidiária vigente do BNDES, direcionada para o financiamento e a compra de máquinas e equipamentos fabricados no Brasil e sob certas condições, para financiar a importação de bens de capital. Atualmente, o BNDES conta ainda com uma segunda subsidiária, a BNDES Participações S.A. (BNDESPAR), criada pelo Decreto-Lei 45, de 18/11/1966, que visa o fortalecimento do mercado de capitais e o apoio a projetos privados através da capitalização de empresas.
A partir de 1974, o BNDES pôde dispor de um fluxo estável de fundos de baixo custo graças às contribuições do PIS/Pasep – Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, criados, respectivamente, pelas Leis Complementares nº 7, de 07/09/1970, e nº 8, de 03/12/1970.
No ano de 1982 criou-se, através do Decreto Lei nº 1940 de 25/02/1982, o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL), motivando inclusive a incorporação do termo “social” à denominação do Banco e transformando-o em agente promotor do desenvolvimento social. Na primeira metade da década de 80, o BNDES administrou a totalidade dos recursos deste fundo, passando depois a gerir apenas uma parte, desvinculando-se completamente em 1990. Em 1986, instituiu-se o Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND), que tinha por finalidade prover recursos para realização, pela União, de investimentos de capital necessário à dinamização do desenvolvimento nacional, bem como apoiar a iniciativa privada na organização e ampliação de suas atividades econômicas. O fundo foi extinto em 2010 após sofrer diversas alterações.
O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), a principal fonte de recursos do BNDES durante um longo período, foi criado pela Constituição de 1988 (Artigo 239) mediante as contribuições do PIS/Pasep, com a finalidade de financiar o Programa de Seguro-Desemprego e de incentivar projetos para a criação de empregos. Compete ao BNDES a alocação de um mínimo de 40% dessas contribuições para aplicação em programas de desenvolvimento econômico, com critérios de remuneração que lhes preservem o valor.
Além dos fundos mencionados ainda ativos, o BNDES conta atualmente com os demais recursos: Fundo de Garantia à Exportação (FGE) – trata-se de um fundo de natureza contábil, vinculado ao Ministério da Fazenda, criado em 1997 e que tem como objetivo segurar as exportações brasileiras de bens e serviços contra riscos comerciais, políticos e extraordinários; Fundo Garantidor para Investimento (FGI) - constituído em 2009 por meio de Decisão da Diretoria do BNDES, consiste em um fundo de natureza privada administrado
pelo Banco que visa facilitar a obtenção de crédito por micro, pequenas e médias empresas, além de empreendedores individuais e caminhoneiros autônomos; Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC) - é um fundo também de natureza contábil, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e tem como objetivo assegurar recursos para apoio a projetos ou estudos e financiamento de empreendimentos que visem à mitigação da mudança do clima e à adaptação à mudança do clima e seus efeitos; Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) - constitui uma categoria de programação específica do Fundo Nacional da Cultura (FNC), vinculado ao Ministério da Cultura, e tem como objetivo o desenvolvimento articulado de toda a cadeia produtiva da atividade audiovisual no Brasil; e finalmente, o Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (FUNTTEL) – consiste em um fundo de natureza contábil, vinculado ao Ministério das Comunicações, criado para estimular o processo de inovação tecnológica, incentivar a capacitação de recursos humanos, fomentar a geração de empregos e promover o acesso de pequenas e médias empresas a recursos de capital, de modo a ampliar a competitividade da indústria brasileira de telecomunicações.
Atualmente o BNDES tem um conjunto estruturado de produtos financeiros, dos quais derivam linhas, programas e fundos. As linhas de financiamento e os programas têm regras específicas de acordo com o beneficiário, setor e/ou empreendimento apoiado, sendo as linhas de financiamento voltadas ao atendimento de demandas permanentes, enquanto os programas buscam suprir demandas específicas, com prazo, vigência e dotação previamente estabelecidos. Os fundos são fontes de recursos, estatutárias ou legais, regidos por resoluções próprias, que definem condições e procedimentos operacionais específicos. Os fundos estatutários destinam-se a aplicações não reembolsáveis.
3.2 A COLABORAÇÃO DO BNDES PARA A INFRAESTRUTURA ECONÔMICA NA