4 PARÂMETROS DE QUALIDADE DO MEC
4.1 Normas como parâmetros de qualidade na educação brasileira
4.1.1 As principais normas de habilitação institucional – EaD
A legislação é um movimento dinâmico, por essa razão vivencia constantes ajustamentos e aperfeiçoamentos. No campo da política regulatória, em virtude do contexto que impulsiona as políticas de ensino superior, a EaD encontra-se literalmente “no olho de um furacão”, sendo bombardeada por inúmeras normas, em um verdadeiro processo de emendas de atos normativos: atos novos para reparar as lacunas dos atos anteriores, revogações totais e parciais, a ponto de quem precisa trabalhar com as normas deve monitorar e acompanhar sistematicamente os órgãos do MEC.
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O processo de credenciamento institucional para oferta da EaD é recente, assim como também é recente sua penetração no ensino superior no país. Por conseguinte, as normas para essa área também.
O cenário pós LDB tem um lapso temporal em torno de um ano sem a regulamentação do artigo 80 que prevê a oferta da EaD. O primeiro ato, o Decreto nº 2.494/1998 é publicado em 10 de fevereiro de 1998 (BRASIL, 1998a), limitando-se a listar os níveis e as modalidades de ensino, e que poderiam ser ofertadas na forma de regime especial, endossando a flexibilidade, definindo a vigência de 5 anos para o ato credenciatório. O decreto subsequente, o Decreto nº 2.561, de 27 de abril de 1998 (BRASIL, 1998c), limitou-se a modificar a redação dos arts. 11 e 12, que consistia basicamente em delegar as funções regulatórias aos entes federados. Assim, cada ente ficou com as prerrogativas já asseguradas na Constituição Federal e LDB, referente à atuação conforme sua área de competência, pois o decreto apenas as estendeu para o ensino a distância. Não seria nenhum exagero afirmar que os dois decretos ‘quase nada’ acrescentaram ao que já estava expresso no artigo da LDB, a não ser, a oficialização do credenciamento das instituições e autorização dos cursos que já existiam, abrindo, assim, a possibilidade para ampliação da modalidade.
Complementando o primeiro Decreto, publica-se em 7 de abril de 1998, a Portaria Normativa n.º 301 (BRASIL, 1998c), na qual nota-se, implicitamente, a presença dos primeiros parâmetros para o processo de credenciamento da EaD. Os quais estão expostos no Quadro 1.
Quadro 1 – Primeiros Parâmetros para o Credenciamento EaD
Fonte: elaborado pela autora.
PORTARIA 301/1998
Art. 2º Determina os critérios para concessão do credenciamento Parâmetros Captados
I – breve histórico que contemple localização da sede, capacidade financeira, administrativa, infraestrutura, denominação, condição jurídica, situação fiscal e parafiscal e objetivos institucionais, inclusive da mantenedora;
II – qualificação acadêmica e experiência profissional das equipes multidisciplinares - corpo docente e especialistas nos diferentes meios de informação a serem utilizados – e de eventuais instituições parceiras; III – infraestrutura adequada aos recursos didáticos, suportes de informação e meios de comunicação que pretende adotar;
IV – resultados obtidos em avaliações nacionais, quando for o caso; V – experiência anterior em educação no nível ou modalidade que se proponha a oferecer.
I – Identificação institucional e administrativo-gerencial; II – Projeto de curso; III – Qualificação do corpo docente; IV – Equipe Multiprofissional e de suporte técnico; V – Material didático; VI – Parcerias; VII – Avaliação; VIII – Suportes informacionais e comunicação; IX – Capacidade financeira; X – Regularidade Fiscal.
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Na portaria normativa em tela, verifica-se a preocupação do MEC em definir padrões para os processos regulatórios da EaD, assim como no Decreto nº 2.494/1998 (BRASIL, 1998a). Porém, faltaram parâmetros quanto às condições e especificidades relativas aos polos de apoio presencial.
A Portaria Normativa 301/1998 (BRASIL, 1998b) delegou as funções de regulação à SESu, SETEC e SEED, subordinando a concessão do ato credenciatório à avaliação da comissão de visita in loco, fundamentada nos critérios definidos na própria portaria. Além dos parâmetros introduzidos pela citada portaria, no processo de credenciamento, conforme o art. 9º da Portaria n.º 640 (BRASIL, 1997a), também serão observados os “padrões, critérios e indicadores de qualidade, estabelecidos pela SESu/MEC, ouvida a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação”.
O inventário normativo da EaD é extenso, portanto, a abordagem será breve e centrada nos demais decretos reguladores do artigo 80 da LDB e, nos decretos com os dispositivos voltados às funções de regulação, supervisão e avaliação do sistema federal de ensino e nas normas que disciplinam o funcionamento do sistema eletrônico do MEC: o e-MEC, por fornecer visão geral do desenho da política regulatória do ensino superior a distância.
A segunda regulamentação do art. 80 é publicada em 19 de dezembro de 2005, nos termos do Decreto nº 5.622 (BASIL, 2005b). Ao contrário do anterior, este não economizou nos detalhes referentes à oferta da EaD nos diversos níveis e modalidades de ensino e nos procedimentos básicos para os atos de habilitação institucional. Aquilo que foi esquecido veio na complementação do Decreto nº 6.303, de 19 de dezembro de 2007 (BRASIL, 2007e), conforme mencionado no estudo. Na linha de revogação dos dispositivos normativos do mencionado artigo, é divulgado em 25 de maio de 2017 o Decreto nº 9.057 (BRASIL, 2017a). No rol da regulamentação do sistema federal de ensino superior, registram-se no seu histórico os Decretos nº 5.773, de 9 de maio de 2006, e nº 9.235, de 15 de dezembro de 2017 (BRASIL, 2006a, 2017c). Esse último, além de revogar o anterior, também anulou o Decreto nº 6.303/2007 (BRASIL, 2007e).
Seguindo o caminho da adequação das normas, impulsionadas pela crescente demanda nos processos de credenciamento, o sistema de protocolo do MEC, que recepciona as solicitações dos processos de habilitação institucional, também passa por aperfeiçoamentos, evolui do sistema físico para o eletrônico. Não se encontram dados disponíveis no site do MEC sobre a mudança do sistema físico de recepção de processos de credenciamentos para o sistema eletrônico.
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Quanto ao sistema eletrônico, o Sistema de Acompanhamento de Processos das Instituições de Ensino Superior (SAPIEnS) foi instituído pela Portaria Normativa nº 323, de 31 de janeiro de 2002. Para aprimorar o sistema SAPIEnS, em 2004 foi editada a Portaria nº 4.361, de 29 de dezembro de 2004 (BRASIL, 2002, 2004e), revogando a norma anterior. A partir de janeiro de 2007, entrou em teste um projeto piloto para o sistema eletrônico para recepcionar os fluxos de processos de regulação da educação superior no sistema federal de educação. O sistema em teste era o atual sistema eletrônico – e-MEC, instituído oficialmente pela Portaria Normativa de nº 40, de 12 de dezembro de 2007 (BRASIL, 2007e). A última alteração no e- MEC foi realizada pela Portaria Normativa de 23, de 21 dezembro de 2017 (BRASIL, 2017) e, com essa nova norma, a anterior foi revogada. Retomando informação sobre o sistema físico do MEC, a Portaria nº 11, de 20 de junho de 2017 (BRASIL, 2017b) faz referência à existência de um serviço de comunicação que tramita processos físicos. Cabe informar que os processos de supervisão têm tramitação em ambiente físico.
Art. 30. Ficam arquivados os processos em trâmite, protocolados em meio físico, que tratam de alterações de endereços e de extinção de polos EaD, cujos procedimentos serão realizados pela IES diretamente no Sistema e-MEC por meio de funcionalidades específicas, nos termos dos arts. 16 e 17 desta Portaria. (BRASIL, 2017b, não paginado).
As normas centradas na habilitação institucional constituem um dos principais eixos das políticas de regulação, visando a equalizar as condições de ofertas dos cursos e programas nas unidades de ensino superior. Para isso, é necessário que as instituições se submetam aos parâmetros legais. Na prática, os atos regulatórios funcionam como sistema de acreditação oficial, uma espécie de certificação, sinalizando para a sociedade que aquela instituição atende aos padrões normativos mínimos exigidos para proporcionar ensino de qualidade. Esse fato cria laço jurídico de responsabilização entre o órgão regulador, a instituição e a sociedade, de modo que qualquer cidadão pode acionar judicialmente a instituição e o Estado (União/MEC) em relação à negligência quanto à qualidade da educação ofertada por determinada instituição. O MEC, como órgão assegurador das condições de oferta de ensino, responde solidariamente pela instituição que recebeu a tutela do Estado para funcionar. Essa permissão estatal transmite mensagem ao cidadão quanto às condições institucionais plenas para proporcionar ensino de qualidade.
Portanto, esta seção trouxe uma breve apresentação dos dispositivos legais que propiciam organicidade a EaD. São eles: o art. 80 da LDB, Decreto 2494/98, Portaria 301/98, Decreto 5.622/2005, Decreto 5773/2006, Decreto 6.303/2007, Decreto 9.057/2017 e Decreto
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9.235/2017. E o disciplinamento centrado no aperfeiçoamento do sistema de protocolo do MEC, para receber os processos de habilitação institucional. São eles: a Portaria 323/2002, Portaria 4.361/2004, Portaria 40/2007 e Portaria 23/2017.
Após breve apresentação das normas de habilitação institucional para oferta da EaD, não se pode esquecer que, de certa forma, os processos regulatórios são retroalimentados pelos Referenciais de Qualidade da EaD.