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Foto 82 Trabalho de ve

3.4 SUJEITOS DA PESQUISA

3.4.1 As professoras

Os dados sobre as quatro professoras da pesquisa foram produzidos a partir de informações obtidas em entrevista semiestruturadas (Apêndice F). As entrevistas foram filmadas e transcritas e aconteceram ao longo da pesquisa de campo. A primeira parte da entrevista teve o objetivo de obter informações dos sujeitos quanto à formação acadêmica, jornada de trabalho, experiência profissional, formação para atuação na classe hospitalar e quanto ao tipo de leituras realizadas pelas professoras. Na segunda parte das entrevistas, que será tratada no capítulo quatro, foram abordadas perguntas envolvendo situações que aproximavam as professoras da leitura e suas concepções e práticas na hora de trabalhar a leitura com as crianças e os adolescentes no hospital. A partir das respostas, foram organizadas as tabelas, que subsidiaram a organização deste capítulo. Na pesquisa, as quatro professoras são denominadas, respectivamente, como Professora J, Professora E, Professora M e Professora C, para garantir o seu anonimato. Respeitando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, assinado pelos sujeitos, nas fotos utilizadas neste relatório de pesquisa, os rostos dos participantes estão cobertos com tarja, para garantir a preservação da identidade dos sujeitos.

As entrevistas mostram que todas as professoras pertenciam ao sexo feminino. Uma professora tinha entre 36 e 40 anos de idade, e as outras três professoras estavam com mais de 40 anos de idade. Quanto à experiência profissional, a Professora J tinha uma longa experiência no magistério, mais de 30 anos, e, depois de

aposentada, aceitou o desafio para trabalhar com crianças hospitalizadas. As Professoras E e M tinham entre oito e dez anos de experiência, e a Professora C tinha entre dois e cinco anos.

O regime de trabalho das quatro professoras era o de contrato por tempo determinado. Elas foram contratadas por meio de processo seletivo realizado pela Sedu. Seus contratos são firmados nos mesmos moldes das escolas regulares. A carga horária das professoras é de 25 horas semanais, de segunda a sexta feira, das 7 às 12h, para o turno matutino, e das 13 às 18 horas para o turno vespertino, seguindo o calendário das escolas regulares. A seleção da Sedu, para o trabalho nos hospitais, não leva em conta a experiência de trabalho no contexto hospitalar. O regime de trabalho não garante a permanência das professoras na classe hospitalar, o que dificulta a constituição de um grupo de profissionais com conhecimento maior da dinâmica e da rotina do hospital e a construção, por parte das professoras, de uma maior experiência. Uma das dificuldades que o professor sem experiência hospitalar encontra, ao chegar ao hospital pela primeira vez, é lidar com sentimentos de perda e de dor dos hospitalizados, o que nem todos conseguem superar, levando o professor à depressão e a afastamentos para tratar da saúde ou até mesmo ao desvio de suas funções, o que muitas vezes acaba por prejudicar o trabalho pedagógico nos hospitais. Segundo Amaral e Silva (2003, p. 3),

[...] para atender à clientela de alunos hospitalizados, são necessários conhecimentos sobre a rotina hospitalar, medicamentos, diferentes tipos de enfermidades, dentre outros aspectos que não constituem práticas usuais de uma professora de escola regular e nem fazem parte do currículo da formação para o magistério, habitualmente.

As professoras participantes da nossa pesquisa já haviam trabalhado na classe hospitalar. A Professora J já atuou na classe por cinco anos e as Professoras E, M e C trabalharam por dois anos. Somente a Professora J atuava apenas em um turno de trabalho, enquanto as outras três professoras trabalhavam em outras escolas, em outros turnos. As Professoras E e M prestavam serviço pela manhã na classe hospitalar e à tarde no Sistema Municipal de Ensino de Vitória. A Professora C, por sua vez, atuava na classe hospitalar à tarde e, pela manhã, no mesmo Sistema de Educação Municipal que as outras duas professoras.

Com relação à formação acadêmica, 100% das professoras possuíam licenciatura plena e, também, pós-graduação com mais de 360 horas. Observou-se, na entrevista, que uma (1) professora formou-se em universidade federal, enquanto três (3) em faculdades particulares. Quanto à participação em seminários e congressos, ficou evidenciado, na entrevista, que quatro professoras não têm formação na área de Pedagogia Hospitalar, ou seja, nunca participaram de cursos e treinamento que contribuíam para a sua formação como professora da classe hospitalar, porém participavam de seminários, palestras, congressos e de formação continuada de professores, eventos oferecidos pelo Sistema Municipal de Ensino de Vitória. Diante disso, Fonseca (2003, p.27) expressa:

A escola hospitalar tem uma ‗ecologia particular‘ e sua prática pedagógica para ser efetiva necessita de uma compreensão da realidade hospitalar, dos diversos aspectos relacionados a ela. Isto reafirma que o educador para atuar no ambiente hospitalar precisa ter uma preparação, ou melhor, uma formação adequada para atender as necessidades educacionais da criança hospitalizada.

No documento Classe hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar (BRASIL, 2002, p. 22), vemos que o atendimento aos hospitalizados tem suas especificidades. O texto do documento assinala:

O professor deverá ter formação pedagógica preferencialmente em Educação Especial ou em cursos de Pedagogia ou licenciatura, ter noções sobre as doenças e condições psicossociais vivenciadas pelos educandos e as características delas decorrentes, seja do ponto de vista clínico, seja do ponto de vista afetivo.

Para Ortiz e Freitas (2005), a práxis pedagógica do professor hospitalar está pautada no preparo pedagógico consistente, aliado a uma orientação ou formação pedagógica específica no campo da educação da classe hospitalar. Assim, a formação das professoras atende à exigência pedagógica requerida para atuação nas classes hospitalares. Porém, os Cursos de Pedagogia existentes no Espírito Santo não garantem a aprendizagem sequer das noções mencionadas na citação acima. De qualquer modo, acreditamos que essas noções seriam insuficientes, considerando a complexidade do trabalho docente no contexto dos hospitais.

As entrevistas também forneceram elementos importantes sobre como os profissionais adquiriram experiência profissional: três (3) das entrevistadas adquiriram experiência profissional em nível fundamental abrangendo da 1ª a 4ª séries, enquanto uma (1) professora, adquiriu com o ensino fundamental de 5ª a 8ª séries, trabalhando com educação de jovens e adultos (EJA). Quanto à turma em que adquiriu experiência, a Professora J trabalhou, desde sua formação, com turmas de alfabetização, as Professoras E e C com as turmas das 3ª e 4ª séries do ensino fundamental, e a Professora M trabalhou com adultos (EJA) em um presídio feminino.

No que tange às práticas de leitura mais comuns das professoras, observamos que três (3) leem sempre os jornais locais, enquanto uma (1) lê às vezes. A leitura dos jornais do País é feita sempre por uma (1) das entrevistadas, uma (1) às vezes e duas (2) nunca. Quantos aos periódicos da área de educação, duas das entrevistadas relataram que sempre leem e duas às vezes. O periódico citado pelas professoras foi a Nova Escola. A leitura de livros didáticos e livros variados sobre educação foi evidenciada por todas as entrevistadas, sinalizando pela opção de sempre. Observamos também que as quatro professoras não fazem assinatura de literatura referente à educação no contexto hospitalar e nem têm o hábito de ler trabalhos científicos, leis ou outras experiências que abordem a educação em hospital.