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Capítulo III Segurança Interna em Portugal

1 O Sistema de Segurança Interna

1.3. As Propostas do XIX Governo Constitucional

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Apesar das insuficiências apuradas, as medidas implementadas nos anos recentes têm vindo a conferir uma maior solidez ao actual SSI. Com o objectivo de perceber as alterações que se aproximam e a sentido em que caminhamos, faremos a análise das propostas elencadas pelo Programa do último Governo Constitucional.

Conforme consta no Programa do XIX Governo Constitucional, atendendo à realidade multifacetada que abrange questões com a prevenção de riscos, o combate à criminalidade, a protecção civil ou a sinistralidade rodoviária, é necessário fazer uma definição clara e consistente de linhas estratégicas de actuação em cada um dos sectores em ordem a pôr fim a incertezas e a duplicação de objectivos e de missões, bem como, desenvolver a capacidade de olhar para esta área de forma integrada de forma a não desperdiçar recursos e reforçar a coordenação, cooperação e partilha de informação entre forças e serviços de segurança, originando economias de escala que proporcionem um maior grau de realização dos objectivos traçados.

Assim, para dar corpo à estratégia definida e com o objectivo de conseguir uma actuação do SSI mais eficiente e eficaz, as principais apostas do actual Governo passam por conseguir uma melhor coordenação, cooperação, partilha de informações e uma correcta articulação entre os “actores materiais” do SSI. Para isso, as principais medidas adoptadas são:

- promoção de medidas que proporcionem uma maior articulação, no terreno, entre as FSS, fortalecendo a rede de partilha de informações e conhecimentos;

- ampliação da presença e da visibilidade das FSS em ordem a aumentar a percepção de segurança das populações;

- racionalização da utilização dos meios disponíveis, através de um acréscimo de rigor e de eficácia no planeamento e na execução de operações;

- valorização do papel das informações nas forças de segurança;

- adopção de medidas que valorizem o papel e o estatuto das forças de segurança, envolvendo autarquias locais, Instituições Particulares de Solidariedade Social, Misericórdias e organizações não governamentais (através de parcerias público privadas);

- garantia da participação nacional efectiva nos organismos de gestão de fluxos fronteiriços (principalmente num momento em que se encontra na agenda europeia o possível ajustamento do Tratado Schengen);

- criação de mecanismos de colaboração e articulação permanentes entre os ministérios73 responsáveis pelas áreas da segurança interna (combatendo a lógica de compartimentação actual e promovendo uma actuação mais coordenada a nível interno,

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Ministério dos Negócios Estrangeiros; Ministério da Administração Interna; Ministério da Defesa e Ministério da Justiça.

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permitindo, desta forma, uma acção mais concertada nos trabalhos desenvolvidos pelos diferentes ministérios na cooperação internacional ao nível europeu);

- reforço do sistema de protecção civil intensificando o aproveitamento das sinergias decorrentes de uma actuação conjunta entre a área da segurança interna e da defesa nacional;

- combate à sinistralidade rodoviária, através da avaliação do sistema actualmente existente e reforçando, em coordenação com as instituições da sociedade civil, a aposta na prevenção e na fiscalização selectiva dos comportamentos de maior risco.

Com o objectivo de materializar as orientações estipuladas e conseguir uma melhor resposta operacional, seguindo uma linha de especialização e racionalização, eliminando as sobreposições e conflitos de competências nas diferentes actividades prosseguidas, as medidas “operacionais” adoptadas passam por:

- fortalecimento da rede de partilha de informações e conhecimentos entre as FSS, no sentido de promover a maior articulação e cooperação no terreno;

- alteração das leis orgânicas e estatutos da PSP e GNR, procurando reduzir a burocratização destas forcas;

- promoção da integração operativa do sistema de segurança interna através da completa informatização dos postos e esquadras da GNR e PSP, da ligação integral à Rede Nacional de Segurança Interna (RNSI), e do sistema de articulação entre órgãos de polícia criminal;

- promoção da simplificação e racionalização de processos, da contenção da despesa e da rentabilização dos recursos disponíveis, de forma a concentrar recursos na capacidade operacional;

- reforço da segurança comunitária com o envolvimento da sociedade civil, especialmente em zonas e comunidades urbanas sensíveis;

- requalificação de infra-estruturas e equipamentos da Administração Interna estabelecendo uma parceria com a Administração Local, tendo em vista o melhor aproveitamento de fundos comunitários.

- relativamente à política de imigração e controlo de fronteiras, reforço das parcerias internacionais na área da gestão dos fluxos fronteiriços, promovendo a luta contra a imigração clandestina e o tráfico de seres humanos. Será dada especial atenção ao reforço das relações com os Estados membros da União Europeia, especialmente em nas decisões relacionadas com o Tratado Schengen.

- reforço do sistema de protecção civil aproveitando as sinergias operacionais entre os ministérios responsáveis pelas áreas da segurança interna, justiça, defesa nacional, administração local e da saúde. Realce para a integração de meios aéreos das

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missões de prevenção e combate a incêndios florestais e o helitransporte de doentes urgentes/emergentes num único dispositivo, promovendo uma economia de escala e redução de custos.

Consideramos que a segurança, fazendo parte do núcleo das funções do Estado, deve ser prestada com elevados padrões de qualidade, uma vez que se revela essencial para a qualidade de vida dos cidadãos e para o próprio desenvolvimento do Estado.

Atendendo à importância incontornável da segurança interna na garantia do livre exercício dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos, defendemos que a evolução e adaptação do Estado às novas realidades deve ser feita de forma gradualista e progressiva, sem interrupções de eficácia, permitindo a consolidação das estruturas definidas ao longo do tempo. Neste sentido, revela-se essencial a estabilidade ao nível das políticas implementadas numa visam a longo prazo, não devendo ser alteradas em função dos ideais políticos defendidos pelos diferentes partidos que passam pelo puder, uma vez que, corremos o risco de entrar num ciclo onde se destrói para reconstruir.