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Preço em dólar da tonelada de minério de ferro (novembro 1999 a abril de 2020)

1.6. AS TEORIAS, OS MÉTODOS E SEUS PROCEDIMENTOS

O presente trabalho compreende alguns problemas relacionados à questão mineral e barragens de rejeitos, sob o prisma do tempo histórico, considerando o presente e o devir. Para

tal, não podemos desconsiderar o passado e suas lições, esses fatores representam

intencionalidades dentro das noções de verticalidades e horizontalidades, noções a serem

exploradas ao longo do trabalho. Foram utilizados fundamentos de duas áreas do conhecimento - a economia ecológica e a geografia humana. Além disso, buscou-se unificar em um modelo que possa sintetizar o metabolismo socioeconômico e ecológico, além de considerar as mais diversas noções, funções, conceitos e categorias analíticas.

Com base nos crimes corporativos da Samarco S.A. (2015) e Vale S.A. (2019), representando o tempo histórico que norteará o devir, criamos uma estrutura em que, apesar de não constituir a totalidade espacial, auxilia na compreensão em grande amplitude dela. Dessa maneira, a totalidade nunca é alcançada, sempre existirão elementos desconsiderados, entretanto, torna-se um desafio reflexivo a sua busca por ter a capacidade de quebrar paradigmas e por se constituir em um processo de significação e de representação.

Com o objetivo de buscar alternativas para que outros crimes corporativos não ocorram, mas cientes de que irão ocorrer, pretende-se pensar soluções em suas tratativas, contemplando todos os elementos espaciais envolvidos. Diante de tamanho desafio, a proposta visa o estudo de um projeto pertencente ao maior parque mineral do Brasil, o Complexo Grande Carajás, localizado no Estado do Pará, tendo como base de estudos a mina do Projeto Salobo e sua barragem Mirim.

Ressaltamos que alguns empreendimentos dessa região, como a S11D, devido ao grau de pureza do minério local, a forma de produção se mantém parcialmente a seco, não exigindo, a princípio, barragens de rejeitos, diferindo sobremaneira aos métodos do Estado de Minas Gerais. Mesmo os empreendimentos que possuem barragens de rejeito mineral no Estado do Pará, os métodos de alteamento são mais seguros, por não adotarem o método a montante em seus projetos. A atual tecnologia e os custos de produção das empresas mineradoras do Brasil, na grande maioria dos casos, optam por barragens de rejeitos. Não há perspectivas de não utilizar mais barragens na mineração, o que pode ocasionar problemas futuros para grande parte do ecossistema amazônico, no caso do Complexo Grande Carajás. Mais cedo ou mais tarde, as mineradoras explorarão os minérios de pureza inferior, produzindo e reproduzindo barragens de rejeito cada vez maiores (tamanho e capacidade de armazenagem).

O escopo é definido pela questão mineral do país, cujo objeto a ser analisado será a barragem Mirim, do Projeto Salobo. Nesse caso, analisaremos duas perspectivas temporais. Para a primeira visa compreender como alguns elementos espaciais (o Estado e suas instituições, as firmas e a sociedade) reagiriam a seguinte pergunta: rompeu, e agora? Em devir,

a segunda perspectiva devemos compreender os cenários de abandono da mina, ou falência da empresa, buscando identificar mecanismos para que os passivos ambientais e de sofrimento social não recaiam para a sociedade em rugosidades espaciais. O Projeto Salobo e sua área de influência pode ser mais bem compreendido nas figuras 1.4, 1.5 e 1.6.

Figura 1.4 - Projeto Salobo e sua barragem de rejeito.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura 1.6 - Projeto Salobo e sua relação com o Rio Tocantins.

Buscando atender aos objetivos da pesquisa, respondendo à hipótese apresentada, o trabalho foi dividido em três seções teóricas e uma empírica:

1) Fundamentos centrais da economia ecológica (escala global).

2) A questão mineral: da geografia humana à economia ecológica (escala nacional). 3) Mineração e as barragens de rejeito: sociedade de risco, gestão de risco e a

desengenharia (escala nacional).

4) Aplicação do modelo proposto ao Projeto Salobo: da totalidade ao local (escala local).

Enríquez (2010, p. 54) analisa as estratégias para a gestão de recursos exauríveis como o conceito de recurso mineral, sendo dinâmico, chegando à constatação de que os recursos não são, ou seja, eles se tornam. Esses recursos podem ser elásticos e inelásticos, variando conforme as respostas dos sistemas de ações e às condições tecnológicas, econômicas, sociais e políticas. Por outro lado, “[...] a reprodução dos recursos não renováveis não está assegurada e localmente se esgota, daí a necessidade de se introduzir uma dimensão temporal na análise”, uma vez que o que é extraído hoje não estará disponível amanhã (ENRÍQUEZ, 2010, p. 54).

A modelagem metodológica econômico-ecológica é levantada por Romeiro (2010), nela temos duas características fundamentais, além dos modelos conceituais e dos modelos realísticos. Os modelos conceituais fornecem um entendimento geral do comportamento de um dado sistema. Já os modelos realísticos têm por objetivo avaliar diferentes proposições de política, consistindo no desafio do presente trabalho, pela ótica do realismo. Dessa forma:

Os três atributos de um modelo que permite avaliar a eficiência da ferramenta da modelagem econômico-ecológica são o realismo (simulação de um sistema de maneira qualitativamente realista), a precisão (simulação de um sistema de uma maneira quantitativamente precisa) e generalidade (representação de um amplo intervalo de comportamentos sistêmicos com o mesmo modelo). Nenhum modelo poderá maximizar simultaneamente estes três atributos e a escolha de qual deles é mais importante dependerá dos propósitos fundamentais para o qual o modelo está sendo construído (ROMEIRO, 2010, p. 16)

Conforme Romeiro (2010), as questões de interdisciplinaridade, a abordagem econômico-ecológica tem três requisitos fundamentais:

1) Profundo conhecimento das disciplinas envolvidas;

2) Identificação e estruturação adequada do problema a ser investigado;

3) Entendimento mútuo entre os pesquisadores sobre as escalas e os propósitos da ferramenta da modelagem.

Dentro da perspectiva da economia ecológica, outra teoria conhecida como trocas ecológica e economicamente desiguais apresenta um caráter secundário. Os principais nomes que tratam da teoria em questão são os economistas, Luiz Augusto de Queiroz Ablas, Elmar Altvater, e Joan Martínez Alier. O conceito clássico de troca desigual é definido como:

O conceito de troca desigual, intercâmbio desigual ou troca não equivalente designa as transferências indiretas de valor que podem se dar nas relações de intercâmbio entre dois possuidores de mercadoria - empresas, regiões ou países. A troca desigual é o mecanismo econômico de exploração da força de trabalho e empobrecimento, social e ecológico, de setores e países. Pode-se distinguir dois tipos: a troca econômica e a troca ecologicamente desigual. A troca economicamente desigual é atribuída aos diferenciais de produtividade e de salários entre os intercambiantes: se o diferencial de salários for superior ao da produtividade, a troca é não equivalente [...] (MONTIBELLER, 1999, p. 98)

Por outro lado:

O outro tipo é a troca ecologicamente desigual. Esta é mais propriamente considerada por alguns economistas ecológicos, principalmente Joan Martínez Alier e Elmar Altvater. Através do conceito de troca ecologicamente desigual é levantado o problema de que os preços praticados no mercado não levam em conta o desgaste ambiental (degradação do meio exaustão de recurso) havido no local da produção da mercadoria (MONTIBELLER, 1999, p. 98).

Milton Santos (1926-2001) será tratado em seguida, utilizando vários dos seus conceitos e métodos para buscar unificar a economia ecológica e a geografia humana. Compreender as

horizontalidades e verticalidades; as estruturas, processos, funções e formas; rugosidades espaciais; noção de totalidade espacial; os eventos; elementos espaciais; estruturas espaciais; sistemas de objetos e sistemas de ações são elementos chaves para compreender a forma como

esses empreendimentos atuam nos territórios, bem como os conflitos por eles gerados.

Fechando o referencial teórico, trataremos da história da mineração no Brasil, considerando as questões técnicas, jurídicas e políticas embutidas em sua estrutura, processo, função e forma, sob um olhar relacionado ao objeto de pesquisa, barragens de rejeito de mineração. Os riscos e vulnerabilidades desses empreendimentos serão expostos dentro da

sociedade de riscos de Ulrich Beck (1944-2015), eles são elementos ocultados deliberadamente

pelos sistemas de ações, e com isso, criam-se sistemas de objetos fabricados com alto potencial destrutivo.

Dito isso, é fundamental compreender como as firmas e os mercados realizam seu gerenciamento de risco, e como estão sendo arquitetadas os planos de fechamento de mina, para que não criem passivos ambientais e do sofrimento social no porvir. A desengenharia é apresentada como uma provocação relevante, não apenas para o setor mineral, mas para todos os complexos industriais, dando novos contornos ao modelo proposto (Figura 3.16).

Após essa pesquisa bibliográfica e constituição do modelo, foi realizado o levantamento dos documentos pertinentes a todo o processo de licenciamento do Projeto Salobo. Nesse ponto, a ênfase, em termos gerais é no levantamento histórico e características do empreendimento relacionados a barragem Mirim. O método utilizado foi o estudo de caso qualitativo que tem como base uma metodologia de investigação, de forma interpretativa, não descartando possíveis contribuições por parte do pesquisador.

O estudo de caso de acordo com Goode e Hatt (1968, p. 421), tem como característica um método que compreende a realidade social utilizando um conjunto de técnicas de pesquisa em suas investigações sociais “[...] como a realização de entrevistas, a observação participante, o uso de documentos pessoais, a coleta de história de vida”. Godoy (2010, p. 119), destacou que este tipo de estudo busca “[...] a compreensão de um particular caso, em sua idiossincrasia, em sua complexidade”. Além disso, para ele o estudo de caso não se refere a uma escolha metodológica, mas a uma decisão por um determinado objeto a ser estudado, que pode variar, sendo: pessoa (indivíduos), programas, instituições, empresas, grupos de pessoas, entre outros.

Devido a proposta apresentar vários agentes sociais envolvidos, esperamos interpretar os efeitos que decorreriam no curto prazo e em devir, referente ao rompimento do objeto de estudo, barragens de rejeitos minerais; compreendendo com isso, seus efeitos em profundidade, e por isso busca uma análise holística e intensiva dos fatos. Para tal, a escolha desse método se dá pelo modo de investigação empírica do fenômeno, que não pode ser isolado de seu contexto, de forma a buscar sua interpretação, dando a liberdade ao pesquisador para contribuições e proposições; em nosso caso, o modelo proposto como um novo instrumental analítico. Isso se dá, devido:

O estudo de caso estar centrado em uma situação ou evento particular cuja importância vem do que ele revela sobre o fenômeno objeto de investigação. Essa especificidade torna o estudo de caso um tipo de pesquisa especialmente adequado quando se quer focar problemas práticos, decorrentes das intrincadas situações individuais e sociais presentes nas atividades, nos procedimentos e nas interações cotidianas. (GODOY, 2010, p. 121)

O entendimento do estudo de caso como método de pesquisa pode ser simplificado pela proposta que Godoy (2010), tendo caráter particularista, heurístico, descritivo e indutivo. “O estudo de caso deve estar centrado em uma situação ou evento em particular [...]”, sendo ideal para problemas práticos, “[...] decorrentes das intrincadas situações individuais e sociais presentes nas atividades, nos procedimentos e nas alterações cotidianas” (GODOY, 2010, p. 122). O rompimento de uma barragem de mineração é derivado do modelo mineral vigente,

predador e explorador, em que o Estado se omite das suas funções, permitindo as firmas fazerem o que quiserem em seus territórios. Ela representa o Estado, invariavelmente ela é o Estado, com isso, sua inação produz e reproduz os mais diversos problemas espaciais e cria, além disso, riscos e vulnerabilidades nos territórios, por meio de processos de supressão e exclusão, incorrendo no efeito derrame.

A característica de estudo de caso heurística se dá, de acordo com Godoy (2010), pelo auxílio na compreensão e descoberta de novos significados para o objeto de estudo, criando significados que tendem a ocorrer e leve a pensar o fenômeno sob uma investigação detalhada das informações. Os “[...] procedimentos descritivos estão presentes tanto na forma de obtenção dos dados, quanto no relatório de disseminação dos resultados”, no qual se deseja obter uma “[...] descrição completa e literal do que está sendo estudado” (GODOY, 2010, p. 121).

Devido ao problema de pesquisa, rompimento de barragem de rejeitos, o estudo de caso torna se viável considerando o problema investigatório que estamos propondo analisar. Analisamos a situação do rompimento de uma barragem de mineração, na mina do Projeto Salobo, sob as lições aprendidas (ou não) dos crimes corporativos da Samarco S.A. (2015) e Vale S.A. (2019). Portanto, o desafio é oferecer subsídios com base em três elementos espaciais (Estado, Firma e Sociedade), com o objetivo de minimizar e mitigar estes impactos no curto prazo. Parte do estudo será de caráter conceitual de teorias já estabelecidas, buscando criar um modelo baseado em uma visão ética de longo prazo, ou seja, em devir, nos valendo dos

elementos espaciais faltantes (infraestrutura e ambiente natural) por constituírem as rugosidades espaciais e a capacidade de suporte, pelo prisma da sociedade de risco.

O instrumental utilizado parte do ensaio teórico de Barcelos e Mota (2018), por intermédio de duas perspectivas temporais, analisamos as barragens de rejeito pelo prisma da economia ecológica. Nesse ensaio, os autores utilizaram em princípio, três análises temporais: i) tempo ((P) representando os períodos passados (fase colonial e pré-industrial); ii) tempo (A) representando o período atual; e iii) tempo (F) representando os períodos futuros, de gerações do porvir, sem histórias, que herdaram as nossas rugosidades espaciais. A Figura 1.7 apresenta a visão geral considerando as três temporalidades relacionadas com o setor extrativo mineral.

Fonte: Barcelos; Mota (2018, p. 8).

Considerando que no tempo (P) está direcionado a meados do século XVII à XIX. Nesse período, o Estado de Minas Gerais era grande exportador de riquezas minerais, com projetos de mineração artesanal, mas que impactaram os territórios, cujo tempo (A) herdou suas condições do colonialismo ao período pré-industrial4. No tempo (A), a forma de extração é industrial, de grande escala, com alto impacto socioambiental e com riscos e vulnerabilidades desconhecidos. O tempo (F) herdará o espaço construído pelo tempo (A), momento que pode não haver extração, cujas rugosidades espaciais do tempo (A) podem se materializar em tragédias no porvir caso não houver tempo hábil para a resiliência ecológica5.

Com relação ao tempo (F) devemos resgatar a crítica de Romeiro (2010) a respeito dos trabalhos do Howarth e Norgaard (1995). No esquema analítico convencional o altruísmo é uma espécie de mito, visto seu postulado sobre o comportamento humano, torna complexa a garantia de que as gerações presentes serão benevolentes com as futuras. Howarth e Norgaard (1995) consideram que a atitude da geração presente, para com a futura, representa uma alocação temporal de recursos entre gerações, intitulando como laissez-faire altruísta, em que cada

4 Ressaltamos que no período colonial houve grandes impactos ambientais e sociais, no qual a produção extrativa da época praticamente esgotou os recursos do ouro na região com trabalho escravo. Todavia, para fins de análise, a época pré-industrial representou impactos ainda mais acachapantes no meio ambiente e sociedade.

5 “A resiliência pode ser considerada como a habilidade de os ecossistemas retornarem ao seu estado natural após um evento de perturbação natural, sendo que quanto menor o período de recuperação, maior a resiliência de determinado ecossistema. Pode ser também definida como a medida da magnitude dos distúrbios que podem ser absorvidos por um ecossistema sem que o mesmo mude seu patamar de equilíbrio estável. As atividades econômicas apenas são sustentáveis quando os ecossistemas que as alicerçam são resilientes” (ROMEIRO, 2010, p. 14).

geração buscará deixar uma herança para a geração seguinte. Dessa forma o modelo de gerações entrelaçadas (overlapping generations) consiste no estabelecimento altruísta da cadeia geracional, algo que Romeiro (2010, p. 19) objurga devido ao “fato básico de que as consequências dos problemas ambientais globais recairão muito mais à frente no tempo, sobre uma descendência remota de cada família”.

Percebemos assim que torna se incoerente acreditar que os indivíduos do presente irão se preocupar com descendentes tão distantes, ao menos cinco gerações à frente. Nessa sequência, o altruísmo intergeracional não faz sentido, tornando fundamental considerarmos os interesses das futuras gerações como bens públicos, com equidade intergeracional, sob a tutela e proteção do Estado e suas instituições.

Diante dessa perspectiva, Barcelos e Mota (2018) avançam em seu ensaio teórico montando um modelo de inversão temporal para o setor mineral (Figura 1.8). Nessa inversão temporal, o tempo (P) é igual ao tempo (A), ou seja, eles consideram que a barragem rompida pelo crime corporativo da Samarco (2015) tenha sido construída por volta do ano de 1606; ocasionando duas possíveis situações: i) se romper na tarde do dia 5 de novembro de 1615; ou ii) durar por um período indeterminado, vindo a se romper no tempo d(A)/d(P). A problemática consiste na compreensão de quem pagará a conta do acidente, considerando o evento como certo.

Figura 1.8 - Relação inversa temporal, onde (P)=(A) e 𝑑(𝐴)𝑑(𝑃) e o setor extrativo mineral.

Destarte, o tempo (A) tem uma expressão objetiva de análise, de curto prazo, dado que a representação relativa do objetivo consiste em forma de matéria, no qual teremos o cuidado de não cair no relativismo. O tempo (F) tem suas características subjetivas, pela perspectiva em

devir, no qual buscamos uma análise normativa, considerando ainda algumas questões que estão

no arcabouço do modelo proposto.

Os resultados do trabalho foram divididos em três seções, a primeira buscou compreender como a firma (Vale S.A.) e suas instituições de apoio lidam com o gerenciamento de riscos e gestão de catástrofes, além de outras questões e categorias relacionadas ao modelo investigativo proposto. Infelizmente, a Vale S.A. não demonstrou interesse na pesquisa, sendo utilizada a visão de funcionários do IBRAM para ilustrar o elemento espacial das firmas.

Posteriormente, na segunda analisamos as instituições do Estado, bem como suas limitações, trabalhando nos três poderes (Legislativo, Judiciário e Executivo) nos três níveis (Federal, Estadual e Municipal). É dentro dessa seção que os ordenamentos do cotidiano humano (técnica, jurídica e simbólico) são constituídos, modelando e remodelando a ação humana. A empresa-sujeito ao território-objeto e território-sujeito à indústria-objeto são pontos importantes para o debate, elementos centrais para o metabolismo econômico ecológico, por conseguirem modificar o fluxo entrópico (throughput). A ação do Estado no sistema econômico, por conseguir equilibrar os ciclos ecológicos com os sistemas de produção, pode minimizar os conflitos sociais.

Por fim, na terceira seção também procuramos investigar, mediante os principais movimentos sociais que possuem relação com a questão mineral: os líderes e representantes do Povo Indígena do Xikrin do Cateté, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).

Contudo, de posse das informações coletadas apresentamos a visão de cada entrevistado, algo que não pode ser confundido com a posição da instituição, dialogando com o modelo proposto, levantando questões importantes para futuros trabalhos. Erros e omissões são de total responsabilidade do pesquisador.

A estratégia deste estudo, grounded theory, ou teoria fundamentada nos dados e informações têm sua origem na sociologia, sendo elaborada pelo Barney Glase (Universidade de Columbia) e Andelm Straus (Universidade de Chicago). O objetivo desses pesquisadores, conforme Mello e Cunha (2010, p. 242) era facilitar as descobertas “[...] dos elementos da teoria sociológica – condições estruturais, consequências, desvios, normas, processos, padrões e

sistemas – necessários para explicar a interação social”. Mello e Cunha (2010, p. 242) fundamentam que as principais características dessa metodologia são:

1) A necessidade de estar no campo para compreender a realidade dos indivíduos; 2) A importância de fundamentar a teoria nessa realidade;

3) As experiências dos pesquisadores e sujeitos evolui continuamente;

4) Os sujeitos têm o papel ativo em moldar a realidade que experimentam por meio da interação simbólica;

5) A ênfase na mudança, no processo, na variabilidade e complexidade das experiências dos indivíduos;

6) O relacionamento entre significado, na percepção dos indivíduos e sua ação.

Destarte, é uma estratégia que visa um processo contínuo e sistemático de coleta e análise de dados, gerando informações e verificando resultados, estando ligado aos pressupostos do objetivismo e subjetivismo. Mello e Cunha (2010, p. 247) salienta que “[...] não é uma teoria formal, no sentido positivista de teoria, mas uma teoria substantiva”. A diferença segundo o autor se dá pelo fato de que:

[...] a teoria formal e a teoria substantiva é que, enquanto a primeira é mais geral e aplica-se a um espectro maior de disciplinas e problemas, a segunda é específica para determinado grupo ou situação e não visa generalizar além da sua área substantiva. Outra diferença: uma teoria substantiva explica uma ‘realidade’, tornada real pelos sujeitos, e não uma verdade absoluta desprovida de valor.” (MELLO; CUNHA, 2010, p. 247-248)

Dessa forma a teoria substantiva emerge das informações e dados, complementando teorias existentes, vejamos:

[...] se não existe teoria, ou a teoria existente não explica adequadamente o fenômeno, hipóteses não podem ser definidas para estruturar uma investigação (no sentido positivista de pesquisa). [Então”...] o pesquisador, no estudo de caso, coleta quantas informações forem necessárias sobre o problema com a intenção de analisar, interpretar ou teorizar sobre o fenômeno”. (MELLO; CUNHA, 2010, p. 248)

Diante do exposto, buscamos ao longo do trabalho estruturar com rigor metodológico o