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No item anterior, apresentamos os principais conceitos que estruturam a Teoria da Aprendizagem Significativa. A seguir, mostraremos como essa teoria pode fundamentar estratégias de ensino e de aprendizagem que se apoiem nas tecnologias digitais. Buscamos um elo entre a assimilação de significados, proposta por Ausubel (2003), e a tecedura entre o ser humano e as tecnologias de informação que tem se estabelecido em nosso tempo, abordada por Lévy (1999) e Prensky (2007).

Inicialmente, estabeleceremos uma diferença entre Tecnologia, Tecnologias de Informação e Comunicação e Tecnologia Digital.

Para alguns autores como Morin & Silva, o desenvolvimento da agricultura e da escrita e a descoberta do fogo podem ser considerados marcos do início do desenvolvimento tecnológico. Mais precisamente, segundo Amílcar Herrera (sem data) apud Barbosa (2003, p. 989),

la Tecnologia puede definirse como el conjunto de instrumentos, herramientas, elementos, conocimientos técnicos y habilidades que se utilizan para satisfacer lãs necessidades de la comunidad y para aumentar su dominio sobre el médio ambiente.

Outras percepções que se tem sobre o conceito de tecnologia são semelhantes à de Costa (2006, p. 1):

A tecnologia se constitui de um processo que transmite conhecimentos, habilidades e invenções que são emanados do intelecto humano de que o ser humano se vale para aplicação na área científica, industrial, empresarial e outros fins, beneficiando a produção de bens e de serviços.

Como vemos, existem diferentes definições e ideias sobre o conceito de tecnologia, o que nos faz inferir que se trata de um conceito amplo e que inclui os conceitos de Tecnologia da Informação e Comunicação, tecnologia digital e seu opositor, tecnologia analógica.

Como Tecnologia da Informação e Comunicação, é possível considerar desde antigas pinturas rupestres aos modernos produtos da informática. Sobre o conceito de tecnologia digital não se tem um consenso, mas podemos notar que as ideias se dividem em duas correntes: uma faz maior menção aos processos, aos códigos e às funções, estabelecidos através dos números. A outra se relaciona ao computador, como: “(...) recursos disponíveis na web (blogues, sites informativos e interativos, chats, salas de aula virtuais, realidade aumentada)” (BARROS, et. al. 2011, p.8). Em nosso trabalho, toda vez que nos referimos à tecnologia digital, estamos tratando do conceito presente nessa segunda corrente.

Quanto ao vínculo entre a aprendizagem significativa e as TIC, ele se estabelece pela interação tácita entre a estrutura cognitiva do aluno e o conteúdo de aprendizagem. E como esse processo é muito abstrato, as TIC podem funcionar como interfaces que,

como materiais potencialmente significativos, auxiliam o aluno na aquisição e retenção de conceitos elaborados e considerados científicos pela comunidade acadêmica.

Para auxiliar o aluno a identificar os conceitos prévios, o professor pode problematizar o conteúdo, ou seja, perguntar, questionar, por em dúvida. Essa é uma estratégia mais eficaz do que oferecer informações prontas. Alguns professores utilizam ambientes virtuais educativos, como blogs, plataformas de ensino, objetos de aprendizagem, sites particulares ou financiados por terceiros, para ampliar o tempo e o espaço de interação com seus alunos, como, por exemplo, Santos, Otero e Fanaro (2000); Albuquerque e Moita (2009); Coutinho e Bottentuit Junior, (2007) e Rezende e Ostermann (2004). Essas ferramentas também podem auxiliar o professor a sondar os conhecimentos de seus alunos, para conseguir que eles expressem suas ideias, interajam e participem de uma aprendizagem colaborativa.

Mas, o que fazer quando o conhecimento prévio do aluno expressar uma visão errônea do fenômeno estudado? Esse conhecimento pode, de alguma forma, servir como ponto de partida para a aprendizagem?

Não raras vezes, nossos conhecimentos prévios bloqueiam a nossa aprendizagem. Certa vez, perguntei aos meus alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA): “Por que não vemos as estrelas durante o dia?” Alguém respondeu que é porque as estrelas são astros naturalmente noturnos. Expliquei que, na verdade, a intensidade da luz solar oculta o brilho das demais estrelas. Alguns dias depois, verifiquei em avaliação que o aluno permanecia com a mesma concepção equivocada. Minha explicação não encontrou sustentação na estrutura cognitiva daquele aluno, que já tinha uma explicação significativa para ele, mas errada. Eu poderia, ao invés de ter dado a minha explicação, ter questionado a do aluno: Por que a “estrela d‟alva” aparece muitas vezes, mesmo ainda não sendo noite? Seria interessante ter um simulador que mostrasse o surgimento ou desaparecimento do sol e, consequentemente, o brilho das estrelas, evidenciando que elas já estavam lá mesmo quando não as vemos.

É difícil modificar o significado que temos sobre determinado conceito. Só abrimos mão de certo conhecimento quando percebemos falhas em sua lógica. Então, é preciso que o professor procure controverter o conhecimento falso que o aluno apresenta. Porém, ainda mais importante do que conhecer as ideias prévias dos alunos é

saber manipulá-las. Dessa forma, o entendimento dos estudantes sobre os fenômenos naturais se torna válido e deve ser tratado com atenção. Em muitos casos, podem ser usados como ponto de partida para que se alcancem os objetivos desejados.

Tanto na necessidade de fazer o aluno se expressar e demonstrar o que conhece, a forma como conhece e, até, o que desconhece, quanto na necessidade de buscar sua predisposição e motivação para aprendizagem, as TIC podem nos auxiliar. Assim, elas encontram lugar na aprendizagem significativa como importantes organizadores prévios e como materiais potencialmente significativos, prestando-se a identificar as ideias prévias dos alunos e sua manipulação.

De acordo com Moran (2008), quando os alunos fazem pontes entre o que aprendem intelectualmente e as situações reais, sua aprendizagem será mais significativa, viva e enriquecedora. Para isso, as escolas, juntamente com os professores, precisa organizar, em seus currículos e cursos, atividades integradoras da prática com a teoria, do compreender com o viver, o fazer e o refletir, e as universidades devem procurar formar professores aptos para trabalharem nessas novas perspectivas.

Veremos a seguir que as tecnologias digitais, além de estarem de acordo com a Teoria da Aprendizagem Significativa, podendo auxiliar na sondagem da estrutura cognitiva dos aprendizes e na abordagem do conteúdo, permitem que se ampliem os locais, o tempo e os conteúdos de aprendizagem.

3.3 Tecnologia digital de informação e comunicação e novas possibilidades de