• Nenhum resultado encontrado

3. O ENSINO SUPERIOR E OS DESAFIOS NA ERA DA INFORMAÇÃO

3.3. As tic’s enquanto instrumento de aprendizagem

Uma educação básica de boa qualidade continua sendo a condição mais relevante para a evolução social. É um requisito mínimo de decência social. Tanto no Brasil como em qualquer parte do mundo as condições educacionais da população tem sérias implicações nas taxas de produtividade,

no desenvolvimento econômico, na melhoria das condições de vida, na construção de uma cidadania mais participativa.

Para tanto, a educação, usando ou não computador, deverá estar voltada para a diminuição da seletividade dos sistemas educacionais, oferecendo uma sólida educação básica universalizada, melhoria na qualidade do ensino e diminuição das taxas de repetência e evasão, condição fundamental para a redução das desigualdades sociais ocasionadas pelas elevadas taxas de repetência, de evasão e analfabetismo, associadas às dificuldades de aprendizagens nas áreas de ciências, matemática e português. A baixa qualidade do ensino básico tem sido reforçadora das desigualdades sociais em qualquer parte do mundo. No Brasil, a repetência continua sendo o maior vilão responsável pelo fracasso escolar. Depois de várias repetências, o aluno, desanimado e desestimulado, abandona a escola. E até que ponto o uso dessas novas ferramentas poderão contribuir para o encaminhamento de soluções a esses problemas?

Pesquisas desenvolvidas no Brasil e no Exterior informam que escolas que utilizam computadores no processo de ensino-aprendizagem apresentam melhorias nas condições de estruturação do pensamento do aluno com dificuldades de aprendizagem, compreensão e retenção.

Colaboram, também, para melhor aprendizagem de conceitos matemáticos já que o computador pode constituir-se num bom gerenciador de atividades intelectuais, desenvolver a compreensão de conceitos matemáticos, promover o contexto simbólico capaz de desenvolver o raciocínio sobre idéias matemáticas abstratas, além de tornar a criança mais consciente dos componentes superiores do processo de escrita

O computador conectado a internet apresenta-se como um valioso e “poderoso” recurso didático que pode enriquecer e diversificar significativamente o processo de ensino e aprendizagem, o que colabora para trabalhar e desencadear as relações envolvidas nas novas formas de pensar e aprender a educação de maneira mais integrada, participativa e cooperativa.

“A revolução tecnológica concentrada nas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC’s), que possibilita a conexão mundial via rede de computadores, promove alterações significativas na base material

da sociedade, ao estabelecer uma interdependência global entre os países e modificar as relações Estado-Nação e sociedade. O uso crescente de redes como a Internet resultou na criação de uma organização social, a sociedade em rede, que permite a formação de comunidades virtuais, grupos constituídos pela identificação de interesses comuns” (CORRÊA, 2004; p.17).

A presença dos laboratórios e a aplicação da informática à educação são fundamentais para o envolvimento de metodologias que estimulem ações cooperativas e socializadoras entre alunos, professores, escola e comunidade levando progressivamente a construção coletiva dos saberes.

As diversas construções e trocas constituídas através dos acessos ilimitados estimulam e criam um embasamento sólido, proporcionando aos alunos um crescimento, postura crítica, consciência de suas responsabilidades e da importância de seu papel na sociedade. Torna os cidadãos mais integrados possibilitando sua atuação para a transformação da sociedade como um todo.

A generalização da Internet como um potente recurso a serviço da sociedade do conhecimento, está fomentando o desenvolvimento de novos cursos. Esta nova situação supõe um grande desafio para os professores. Estamos imersos em um novo marco no qual é necessário desvendar os grandes valores educacionais das ferramentas da Internet e as não menos importantes pressões comerciais que as estão impulsionando.

É preciso estudar e analisar detalhadamente como estas ferramentas impactam o processo de ensino e aprendizagem, e o quanto e como estas já estão difundidas nos processos de interação dos alunos dentro e fora do ambiente acadêmico.

Os alunos de hoje cresceram num mundo conectados à rede, e chegam ao campus universitário com altas expectativas em relação à tecnologia. Eles consideram a tecnologia como um veículo para interação social, que ocorre através dos instant messages (MSN), celulares, wikis, blogs, e grande parte deles tem seu próprio notebook.

No que se refere aos alunos especificamente, é preciso analisar o desenvolvimento do processo de aprendizagem através das TIC’s e, em

especial, os procedimentos mais adequados para o uso instrumental da Internet, ou seja, avaliar os valores didáticos mais relevantes, os cuidados e limites que estas aplicações têm no processo de aprendizagem.

Com a incorporação das tecnologias de informação e comunicação, em especial a Internet, ao processo de ensino/aprendizagem, faz-se necessária uma ação sistemática de planejamento e a implementação de novas estratégias didáticas e metodologias de ensino-aprendizagem.

A inserção das TIC’s na educação oportuniza romper com as paredes da sala de aula e da escola, integrando-a à comunidade que a cerca, à sociedade da informação e a outros espaços produtores de conhecimento.

Ao usar as TIC’s para aproximar o objeto do estudo escolar da vida cotidiana, gradativamente se desperta no aluno o prazer pela leitura e escrita como representação de seu pensamento e interpretação do mundo, viabilizando a constituição de uma sociedade de escritores aprendentes.

Para alcançar o patamar de uma sociedade da leitura, da escrita e da aprendizagem, é preciso enfrentar inúmeros desafios, vários deles existentes no interior da escola. Entre estes últimos, os mais contundentes são:

- a dessacralização do laboratório de informática;

- o acesso à tecnologia de informação e comunicação por todos que atuam na escola (dirigentes, professores, funcionários, alunos e comunidade escolar);

- o uso dessa tecnologia para a compreensão de problemáticas relacionadas ao cotidiano, as quais rompem com as fronteiras disciplinares, articulam distintas áreas de conhecimento e, ao mesmo tempo, propiciam o aprofundamento de conceitos específicos e levam à produção de novos conhecimentos;

- a flexibilização do uso do espaço da escola e do tempo de aprender;

- o desenvolvimento da autonomia para a busca e troca de informações significativas em distintas fontes e para a respectiva utilização dos recursos tecnológicos apropriados a cada atividade em desenvolvimento;

- a abertura à novas formas de representação escrita que rompem com a linearidade do texto impresso.

Enfrentar esses desafios implica em uma atuação do professor no sentido de resgatar a fala do aluno, ouvi-lo, observar e ler a sua escrita, procurando apreender seu universo cognitivo, social e afetivo, sua linguagem, condições de vida, conceitos espontâneos e quadro conceitual, bem como em revelar-se ao aluno (FREIRE & SCHOR, 1986). Assim, o uso das TIC’s na escola favorece o acesso ao universo do aluno, cuja interpretação ajuda o professor a criar condições facilitadoras de aprendizagem, leitura e escrita.

CONCLUSÃO

Uma das maiores dificuldades apresentadas na utilização da mídia eletrônica é a adaptação dos conteúdos à linguagem dos meios, ou seja, obter softwares educativos adequados ao ensino informatizado e aos estudantes que o utilizarão.

A utilização da internet, como meio de informação e comunicação, acarretou uma verdadeira revolução em termos de tratamento e processamento de todo tipo de informação, oferecendo possibilidades de “linkar” materiais visuais diversos e mesmo som com mapas, sendo dado o nome de multimídia a essa possibilidade de comunicação proporcionada pelo uso dos vários meios de representação da informação, como som e imagem animada, além da imagem estática.

As novas tecnologias de informação e comunicação estão desfazendo os territórios e limites da instituição escolar, pois atualmente não se aprende apenas no prédio físico da escola, da faculdade, mas em casa ou em qualquer lugar onde se possa ter acesso às informações.

A inserção do computador nas instituições de ensino provoca uma avassaladora revolução na educação e nas relações entre pais, professores e alunos.

A multimídia passa a fazer parte de uma nova era que se insere no ensino e, o professor, aparece como um importante mediador, tendo que estimular os alunos a navegar pelo conhecimento e fazer suas próprias descobertas, utilizando-se da tecnologia de forma eficaz, como uma ferramenta que tende a somar e contribuir, cada vez mais, no processo de ensino- aprendizagem.

As novas tecnologias de informação e comunicação tem colocado recursos como o computador, a internet e todas as suas ferramentas a serviço da educação. A tendência atual é aliar tecnologia à educação e, em virtude desta nova realidade, torna-se cada vez mais necessária a implementação de uma nova cultura docente e discente nas instituições educacionais no Brasil. A aplicação das novas tecnologias na educação implica numa revolução tão

intensa nos paradigmas educacionais atuais, que poderá levar a uma evolução na metodologia do ensino presencial, caracterizando-se, portanto, numa oportunidade ímpar para as instituições de ensino e os professores repensarem a prática de ensino e aprendizagem.

A proposta pedagógica neste novo ambiente de aprendizagem deve ter como objetivo promover a autonomia e a reflexão crítica dos alunos. Mas, este novo aluno, responsável pela sua própria instrução, ainda não existe e precisa ser criado, o que demanda um grande esforço se considerarmos que uma grande mudança cultural estará em jogo neste processo.

Por esta razão, é necessário dar a importância adequada aos aspectos das tecnologias de informação e comunicação aplicadas à educação, bem como, o suporte aos alunos e professores, tendo sido este o foco principal deste estudo.

A infra-estrutura do curso no âmbito pedagógico, desenho do curso, apresentação, formas de interação e ambiente de aprendizagem, associados à qualidade do material didático, constituem a chave do sucesso para a aprendizagem dos alunos. Por esta razão é dada muita ênfase à escolha de uma linguagem adequada para a elaboração do material didático.

Desta forma as Tecnologias de Informação e Comunicação vem ganhando cada vez mais espaço na sala de aula constituindo uma linguagem e se tornando para muitos uma forma de trabalho essencial, por proporcionar um acesso à informação e tornar viável o pensar, criar, imaginar, construir além de interferir em diversas situações; atua no trabalho em equipe e representa um suporte nas mais diferentes dimensões do ser humano, seja o pessoal, social, cultural, lúdico, cívico e o profissional.

Ensinar e aprender utilizando tecnologias exige paciência e preparo dos alunos e dos docentes. Os objetivos pedagógicos devem estar associados à uma lista de métodos agregados a atividades presenciais aos possíveis métodos associados à atividades a distância.

Uma vez que aprender se tornará uma atividade a ser prolongada por toda a vida, é preciso buscar desenvolver um ambiente que permita o compartilhamento de experiências entre os envolvidos neste processo, a fim de

criar comunidades de aprendizagem, as quais envolvam as teorias do mundo acadêmico, com a prática do mundo corporativo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABRAEAD – Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e à Distância. 2008. São Paulo: Instituto Monitor/Abed.

ALMEIDA, M. E. ProInfo: Informática e formação de professores. Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação, SEED. Vol. 2, 2000.

ALMEIDA, M. E. B. O computador na escola: contextualizando a formação de professores. São Paulo: Tese de doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2000.

ANDRADE, P. F. & Lima, M. C. M. Projeto EDUCOM. Brasília: MEC/OEA, 1993.

BEAL, Adriana. Gestão estratégica da informação - como transformar a informação e a tecnologia da informação em fator. Editora : Atlas, 2004.

BELLONI, Maria Luiza. Educação a Distância. Campinas, SP. Autores Associados, 1999.

BONINI, André Marciel. Internet e multimídia no ensino médio: avaliação prática no ensino de geografiana escola pública. Tese UNESP, 2003.

COSTA, F.A.; Ensinar e aprender com tecnologias na formação inicial de professores. Editora Ática, 2003.

DIMENSTEIN, G. O Aprendiz do Futuro. Editora Ática. São Paulo: 2005.

EBOLI, M. (2009). Universidades corporativas crescem 2.400% em dez

FAGUNDES, L.C . Informática e o processo de aprendizagem. Revista Psicologia: reflexão e crítica, Vol 5, nº 1, Porto Alegre: UFRGS. 2008.

FAGUNDES, L. Projeto de educação à distância: Criação de rede informática para alfabetização em língua, matemática e tecnologia. Porto Alegre: UFRGS/LEC. 2007.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo. Editora Paz e Terra, 1998.

KENSKI, V. (1998). Novas tecnologias: o redimensionamento do espaço e

do tempo e os impactos no trabalho docente. In.:Revista Brasileira de

Educação. Mai/Jun/Jul/Ago, 1998, n.º 8.

LÉVY, P. As Tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Ed. 38, 1999.

LIBEDINSKY, Marta. Para uma leitura compreensiva dos livros escolares. In LITWIN, Edith (org.) Tecnologia educacional: política, histórias e propostas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

LIBEDINSKY, M. Tecnologia Educacional. In. LITWIN, Edith (Org.). Tecnologia Educacional: Políticas, histórias e propostas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

MAIA, M. (2007). Educação a Distância. In: Revista GV-Executivo, volume 6 - número 5 - setembro-outubro 2007.

MAIA, M.; MEIRELLES, F. Novas tecnologias aplicadas em uma pós-

MEC – Ministério da Educação e Cultura . Universidade Aberta do Brasil

(UAB) . www.mec.gov.br.

MEC-SEED Secretaria de Educação a Distância. Referenciais de qualidade

para Cursos a distância. www.mec.gov.br

OLIVEIRA, Fatima Bayma de. Tecnologia da informação e da comunicação. Editora: Pearson, 2007.

OLIVEIRA, Vera Barros de; VIGNERON, Jacques. Sala de Aula e Tecnologias. Editora: Universitária Metodista, 2005.

PONTE, J.P.; OLIVEIRA, H.; VARANDAS, J.M.; As novas tecnologias na formação inicial de professor. Análise de uma experiência. 1998. www.educ.fc.ul.pt/docentes/jponte/artigos-por-temas.htm.

RODRIGUES, G. S. S. C. ; COLESANTI, Marlene T Muno . Educação Ambiental e as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação. Sociedade e Natureza, v. 20, p. 51-66, 2008.

SANTOS, José Antônio dos. Computador: a máquina do conhecimento na escola. Dissertação (Mestrado em Educação). Faculdade de Educação. Universidade de São Paulo, São Paulo, 1997.

SANTOS, José Antônio dos. Computador: a máquina do conhecimento na escola. Dissertação (Mestrado em Educação). Faculdade de Educação. Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.

VALENTE, J. A. ; ALMEIDA, F. J. Visão Analítica da Informática no Brasil: a questão da formação do professor. In Revista Brasileira de Informática na Educação-SBIE, no 1, 1997.

www.senac.br

Documentos relacionados