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AS UNIVERSIDADES E SEU O CONTEXTO HISTÓRICO DE FORMAÇÃO E ENSINO

2 A DOCÊNCIA UNIVERSITÁRIA E OS ELEMENTOS COSTITUITIVOS DA FORMAÇÃO

2.1 AS UNIVERSIDADES E SEU O CONTEXTO HISTÓRICO DE FORMAÇÃO E ENSINO

As universidades configuram-se em um espaço formativo, nas quais os indivíduos passam a adquirir conceitos e desfazer-se de (pré) conceitos e são estimulados a desenvolver o pensamento crítico e dialético. Tal afirmação é possível, porque as universidades, de acordo com Zabalza (2004), são instituições formativas em que se constituem as identidades profissionais, com o intuito de formar sujeitos capacitados para atuarem nas diversas áreas do conhecimento, com

criticidade, aptos a posicionarem-se frente às questões socioeconômicas e políticas presentes no mundo globalizado.

O cenário no qual esta pesquisa foi desenvolvida é a universidade, que, no mundo ocidental, luta para manter-se com seus objetivos formativos permanentes. Em uma perspectiva macrossocial, que procura enxergar a complexidade do sistema educacional, a universidade é, segundo Chauí (2003, p. 5), “[...] uma instituição social e como tal exprime de maneira determinada a estrutura e o modo de funcionamento da sociedade como um todo.” Neste mesmo pensamento, acrescentamos que, para Zabalza (2004, p.09), a universidade “é considerada um espaço de tomada de decisões formativas.” Segundo o autor, ela possui uma enorme capacidade de preservar sua forma de organização estrutural e renovar-se. E busca perseverantemente fazer isso, tentando preservar sua essência educacional e seus princípios formativos.

Todavia, as universidades vêm transformando-se com o tempo, Zabalza (2004) assevera que devido as suas condições atuais de sobrevivência e funcionamento, elas vêm perdendo o foco, em outras palavras, sua essência formativa, porque, em alguns casos, passaram a funcionar como “[...] centros de produção e transferência de componentes culturais e profissionais.” (ZABALZA, 2004, p. 105). De acordo com o autor, a classificação das universidades é medida com base na quantidade de produção científica ou técnica produzida pelos professores. Esse fato observado pelo autor nas universidades influencia em questões formativas da docência, na dimensão pessoal do professor e reforça a preocupação do sentido de formação profissional com relação, também, à aprendizagem, pois “o nível de formação oferecida aos alunos que as frequentam constitui uma variável de menor importância.” (ZABALZA, 2004, p. 105).

Estas discussões, embora pareçam recorrentes, tonam-se pertinentes, porque historicamente, durante mais ou menos, nove séculos, a universidade é uma instituição que envolve apenas uma parte da sociedade. Segundo nos assinalam Santos (1999) e Masetto (1998), este fato ocorre, porque, no passado, o ensino superior era elitizado e limitado aos conhecimentos específicos que suprissem as necessidades do mercado de trabalho. Segundo Zabalza (2004) e Masetto (1998), a aprendizagem em todos os níveis graduais e a qualificação profissional em todas as áreas do conhecimento sofrem influências devido às heranças históricas de um ensino tecnicista e elitizado. Entretanto Dias (2005, p. 29) aponta que a universidade “tem sobrevivido a todas as mudanças sociais, porque ainda que erre e falhe, também tem enorme

capacidade de se superar, de se adaptar, de se transformar e de pensar o futuro.”

Nos dados históricos que são apresentados por Masetto (1998), as primeiras universidades no Brasil eram tecnicistas e isso reflete na educação e consecutivamente na formação até os dias atuais em que vivemos. Antigamente, devido à influência portuguesa e europeia, contratavam-se os profissionais atuantes no mercado de trabalho, que possuíssem maior prestígio na sociedade, para lecionar nas universidades. Masetto (1998) observou que, com a formação dos primeiros cursos superiores no País, surgiu à necessidade de ampliação do quadro de professores, de modo que abrangessem as diversas áreas de conhecimento. O autor assinala que, até a década de 1970, a exigência para o exercício do magistério no ensino superior era que os profissionais possuíssem bacharelado e sucesso em suas carreiras. O pressuposto era de que, se os profissionais sabiam desempenhar com qualidade suas atividades, incondicionalmente, saberiam ensinar. “Mesmo porque ensinar significava ministrar grandes aulas expositivas ou palestras sobre um determinado assunto dominado pelo conferencista, mostrar, na prática, como se fazia; e isso um profissional saberia fazer.” (MASETTO, 1998, p. 11).

Percebe-se que a preocupação com a qualidade da formação docente nem sempre foi exigência no mundo acadêmico, conforme assevera Masetto (1998), ao descrever a trajetória histórica da educação. Não havia uma preocupação com a qualidade da formação docente nem com as formas metodológicas ou pedagógicas de ensinar. Apenas se esperava que os alunos aprendessem um ofício. Por isso, o corpo docente era composto por especialistas de áreas do conhecimento que se faziam necessário para suprir as necessidades do mercado de trabalho. E assim se dava o ensino, segundo as observações de Masetto (1998) e Zabalza (2004).

A pedagogia universitária vem transformando-se ao longo dos anos. De acordo com Zabalza (2004), esse processo retórico de ensinar apresenta mudanças significativas. Percebemos que nas universidades os professores e seus atores estão cada vez mais preocupados com a qualidade da formação. Como aponta Zabalza (2004, p. 169), já existe uma “[...] passagem de uma docência baseada no ensino para a docência baseada na aprendizagem.” Embora este apontamento seja do ano de 2004, atualmente, notamos consideráveis mudanças de pensamento e ações pedagógicas, no Brasil. A literatura vigente no campo da pedagogia universitária aponta que uma formação docente adequada, fortalecida pela teoria e pela prática, repercute em um ensino de

qualidade e associadas a outros aspectos constitutivos formam bases sólidas que sustentam o avanço de uma sociedade.

Diante desse contexto, podemos acrescentar que a ação pedagógica é a expressão e o desenvolvimento de atos autônomos, livres e políticos. Conforme aponta Freire (2002, p. 40), o ato de ensinar que exige “liberdade e autoridade”, logo, impõe ao educador ter segurança e competência profissional. Segundo o autor, para que isso ocorra, os professores, ao exercitarem sua liberdade, assumem a responsabilidade de suas ações pela autoridade democrática, construindo uma responsabilidade acerca dessa liberdade do ser livre, do ser mais, não restringindo, dessa maneira, o saber pedagógico a um ato de transmitir conteúdos programáticos. Para que possamos alcançar uma educação e uma formação qualificada, devemos nos conscientizar que “[...] o essencial nas relações entre o educador e educando, entre autoridade e liberdades, entre pais, mães, filhos e filhas é a reinvenção do ser humano no aprendizado de sua autonomia.” (FREIRE, 2002, p. 58). Diante dessa visão, Freire (2002, p. 25) entende que a ação pedagógica “[...] não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” Isto posto, discutimos na próxima seção sobre alguns aspectos que envolvem a formação docente no exercício do magistério com ênfase no âmbito universitário.