• Nenhum resultado encontrado

3. CAPÍTULO As Vagas de Calor ocorridas no período de 1981 a 2010 nas estações

3.1. Identificação das vagas de calor

3.1.1. As vagas de calor e o conforto

Através dos dados obtidos pela aplicação da fórmula HWDI, nos meses de junho a setembro, dos anos de 1981 a 2010 (30 anos), observou-se que o total das vagas de calor ocorridas em cada estação meteorológica, se distribuem de forma irregular temporal e espacialmente. No que toca à variação espacial, a estação meteorológica de Bragança, registou durante o período-amostra, um total de 26 vagas; seguindo-se-lhe as estações meteorológicas de Beja com 22, Coimbra registou 16, Lisboa 14, o Porto 10 e por fim, a estação meteorológica de Faro, foi a que menos vagas de calor obteve, com um total de 6 (quadro 3.1 e quadro 3 do Anexo IV).

Quadro 3.1 – Número total de vagas e dias por observatório

Estação Meteorológica N.º total de vagas N.º total de dias

Bragança 26 275 Porto 10 116 Coimbra 16 150 Lisboa 15 140 Beja 24 236 Faro 6 73

Tendo em conta as análises anteriormente efetuadas, para a frequência e intensidade das situações de desconforto térmico, poder-se-ia esperar que a estação meteorológica de Faro, apresentasse um maior número de vagas de calor, contudo, não é o caso. A fórmula HWDI utiliza como referência o período de 1971-00, tal como referido, e no caso concreto de Faro, a fraca ocorrência de vagas de calor está relacionada com o facto de os valores de temperatura máxima registados entre 1981 a 2010, serem de uma forma geral, inferiores às condições estabelecidas pela fórmula.

No que respeita à ocorrência das vagas de calor em Portugal, evidencia-se que estas não são esporádicas, porém, devido à sua irregularidade não se pode estabelecer um ritmo de ocorrência, conforme se observa no quadro 1 do Anexo IV.

Durante os 30 anos do período-amostra, a aplicação da fórmula HWDI registou um total de 44 vagas de calor. Destas, destaca-se um reduzido número de anos sem ocorrência de vagas de calor (30%, 9 anos) - 1982, 84, 85, 93, 94, 97, 99, 02 e 08 (quadro 1, Anexo IV). Nos restantes anos (70%), a ocorrência de vagas de calor distribuiu-se de forma irregular, podendo-se individualizar os períodos estivais de 1981 a 1992 e de 2001 a 2010, como aqueles em que se registou maior concentração da frequência de ocorrência de vagas de calor (quadro 3, Anexo IV).

Evidenciam-se os anos de 2003, 2006 e 2010, por terem atingido todos os observatórios em simultâneo. De acordo com FREITAS (2011, p.47) “a onda de calor de 2003 terá sido

a maior catástrofe natural do país em termos de perda de vidas humanas desde o terramoto de 1755 – mais de 2000 vítimas contabilizadas”. O autor (ob. cit., p.47) acrescenta que “se, a isto, se somar os efeitos das ondas de calor de 1981 e 1991, nos últimos 30 anos terá havido mais de 5000 mortos no país diretamente relacionadas com o calor extremo”.

No que se refere à frequência de ocorrência mensal, pode observar-se no quadro 3 do Anexo IV, que junho e julho registaram um conjunto significativo de vagas (40% - 12 vagas), seguidas de agosto (33% - 10 vagas). O mês de setembro registou um pequeno

número de episódios (20% - 6 vagas). Atendendo à distribuição mensal da frequência de ocorrência das vagas de calor no período em estudo, pode afirmar-se que estas, ocorrendo maioritariamente em junho e julho, poderão representar maior perigosidade para a saúde humana, pois o organismo tem de adaptar-se de forma mais brusca às elevadas temperaturas, situação que está de acordo com o preconizado por BOTELHO et.

al (2004, p.35) “admitido que ondas de calor mais tardias poderão ser menos

perniciosas, devido à progressiva adaptação, fisiologicamente falando, da população ao calor com o decurso dos meses de Verão”. Reforçando este facto, o Plano de Contingência Municipal para as Ondas de Calor da Câmara Municipal de Sintra (2011, p. 2), refere que

de um modo geral, as ondas de calor que ocorrem em junho, em Portugal Continental, encontram-se associadas a uma maior mortalidade do que ondas de calor com as mesmas características que ocorrem em agosto, sugerindo que o corpo humano já está mais aclimatizado ao calor.

Considerando que a probabilidade de ocorrerem situações de maior desconforto térmico, aquando da ocorrência das vagas de calor, procurou-se no ponto seguinte, avaliar a intensidade, com que as estas atingiram as estações meteorológicas em que ocorreram durante o período estival de 1981 a 2010.

3.1.1.1. Análise da frequência e intensidade do desconforto

Considerou-se de fundamental importância, estudar de que forma as situações de vaga de calor, poderão estar relacionadas com as situações de desconforto térmico. Para tal, pelo facto das diferentes estações meteorológicas não registarem da mesma forma igual número de dias em que ocorreram vagas de calor, considerou-se pertinente fazer um estudo, ainda que de certa forma, mais geral do desconforto por elas causado, em cada uma das estações meteorológicas.

Desta forma, na estação meteorológica de Bragança, as vagas de calor encontradas distribuíram-se por um total de 275 dias e em anos diferenciados.

A análise do quadro 3.2, permite concluir que no que toca aos dias em que ocorreram as vagas de calor, os dados de desconforto às 18 UTC são bastante mais significativos do que às 06 UTC.

Quadro 3.2 – Distribuição (%) das situações de desconforto em cada classe de conforto dos índices ITH, TE e TEE, em Bragança aquando da ocorrência das vagas de calor durante o período estival de 1981 a 2010.

I ITTHH TTEE TTEEEE C Cllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC CCllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC CCllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC < <2211 91,6 2,4 <22 97 1,4 <22 99 2,8 > >==2211<<2244 8,4 25,8 >=22 <25 3 20,4 >=22 <25 1 37,7 > >==2244<<2277 0 64,5 >=25 <28 0 75,4 >=25 <28 0 58,3 > >==2277<<2299 0 2,4 >=28 0 2,8 >=28 0 1,2 > >==2299<<3322 0 3 > >==3322 0 1,9

Durante a ocorrência das vagas de calor, os períodos de desconforto, às 06 UTC, foram reduzidos, o índice ITH, registou 8,4% de situações de desconforto, TE 3% e TEE 1%. Às 18 UTC, estas vagas traduziram-se em valores de desconforto bastante elevados, o que se constata pela análise obtida, a partir de qualquer um dos índices bioclimáticos em estudo. No caso de ITH, repare-se que estas vagas de calor manifestaram desconforto em mais de metade da população, pois a classe cujos valores são maiores ou iguais a 24 e inferiores a 27 é aquela que mais ocorre (64,5%). Igualmente, os índices TE e TEE demonstraram que, os valores de sensação térmica podem revelar-se quente, para a maior parte da população, pois quer no caso de TE, quer de TEE, mais de metade dos dias em que ocorreram estas vagas de calor, se distribuem pela classe, cujos valores são superiores ou iguais a 25 e inferiores a 28. Há ainda um facto a registar nesta estação meteorológica: as situações capazes de gerar forte stress bioclimático ou situações de emergência médica ocorreram em 1,9% dos dias onde foram registadas vagas de calor, pelo que tal fenómeno obriga à procura de medidas de mitigação a fim de proporcionar ou minimizar os danos causados pelos golpes de calor na população, especialmente crianças, idosos e doentes.

Relativamente à estação meteorológica do Porto, a ocorrência de vagas de calor, distribuiu-se por um total de 116 dias com intensidade em termos de desconforto bioclimático bastante elevada (quadro 3.3). Todavia, não tão elevada como na estação meteorológica de Bragança, facto que está relacionado com a localização meteorológica do Porto, com contrastes térmicos, esbatidos pela proximidade como oceano Atlântico.

Quadro 3.3 – Distribuição (%) das situações de desconforto em cada classe de conforto dos índices ITH, TE e TEE às 06 e às 18 UTC, no Porto aquando da ocorrência das vagas de calor durante o período estival de 1981 a 2010.

I ITTHH TTEE TTEEEE C Cllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC CCllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC CCllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC < <2211 69,7 0,0 <22 90,6 0,0 <22 95,5 2,1 > >==2211<<2244 30,3 27,2 >=22 <25 9,4 23,2 >=22 <25 4,5 53,8 > >==2244<<2277 0,0 72,8 >=25 <28 0,0 76,8 >=25 <28 0,0 44,1 > >==2277<<2299 0,0 0,0 >=28 0,0 0,0 >=28 0,0 0,0 > >==2299<<3322 0,0 0,0 > >==3322 0,0 0,0

Ao contrário do que sucede com a estação meteorológica de Bragança e tal como se referiu no capitulo relativo à frequência de ocorrência dos períodos de desconforto, às 06 UTC, o Porto registou maior número de dias com desconforto aquando da ocorrência das vagas de calor comparativamente a Bragança, situação que é traduzida por qualquer um dos índices em análise. Este facto resulta de que na estação meteorológica de Bragança a continentalidade favorece arrefecimento noturno diminuindo a intensidade do calor durante a madrugada.

Neste contexto, no Porto, às 18 UTC, as sensações térmicas ocorridas em virtude das vagas de calor, não ultrapassaram os 27 valores de sensação térmica, no entanto, representaram na maior parte das vezes e, no caso de ITH, sensações de desconforto, para mais de metade da população. Os valores de TE asseguram também este facto, pois a classe que segundo este índice mais vezes ocorreu, respeita a valores entre os 25 e os 28 de sensação térmica. Por sua vez TEE, onde o efeito do arrefecimento do vento se faz sentir de forma bastante notória, regista maior ocorrência de sensações térmicas que variam entre os 22 e 24.

Em Coimbra, a ocorrência de vagas de calor foi bastante maior comparativamente à estação meteorológica do Porto, estas, repartiram-se por um total de 150 dias distribuídos de forma irregular pelos 30 anos do período-amostra.

As sensações de desconforto térmico, às 06 UTC, são bastante significativas (quadro 3.4), comparativamente às estações meteorológicas do Porto e de Bragança, pois, apesar da menor da ocorrência da classe entre 24 e 27 do ITH este facto, significa que mais de metade da população sente desconforto.

Quadro 3.4 – Distribuição (%) das situações de desconforto em cada classe de conforto dos índices ITH, TE e TEE às 06 e às 18 UTC, em Coimbra aquando da ocorrência das vagas de calor durante o período estival de 1981 a 2010.

I ITTHH TTEE TTEEEE C Cllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC CCllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC CCllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC < <2211 78,6 0,0 <22 83,7 0,0 <22 86,5 6 > >==2211<<2244 16,7 31,1 >=22 <25 16,3 25,3 >=22 <25 13,5 36,3 > >==2244<<2277 4,7 42,3 >=25 <28 0,0 42,1 >=25 <28 0,0 44,2 > >==2277<<2299 0,0 23,7 >=28 0,0 32,6 >=28 0,0 13,5 > >==2299<<3322 0,0 2,4 > >==3322 0,0 0,5

Às 18 UTC, apenas o índice TEE, registou uma pequena percentagem de dias em que estas vagas não traduziram desconforto térmico (6%), provavelmente, nestes dias a velocidade do vento foi maior, em relação aos restantes, permitindo atenuar as sensações de desconforto. Contudo, nem ITH, nem TE, registaram dias bioclimaticamente confortáveis durante a ocorrência das vagas de calor, inclusivamente,

além deste facto, a intensidade com que estas vagas atingiram Coimbra, foi bastante elevada, pois um número significativo de dias apresentou sensações de desconforto acima dos 24. Apesar da menor frequência de ocorrência de valores acima dos 28, pode afirmar-se que a maior parte das pessoas sente desconforto e, estes dias podem assim, caraterizar-se como muito quentes de acordo com TE e TEE. Salienta-se que, apesar da menor frequência de ocorrência na classe cujos valores de sensação térmica são superiores a 32, estas vagas de calor originam também, de acordo com ITH, situações de emergência médica.

No caso da estação meteorológica de Lisboa (quadro 3.5) pode afirmar-se pela análise do Anexo IV, que as vagas de calor registadas nesta estação preenchem 140 dias do total dos dias observados entre 1981 a 2010 e originaram sensações de desconforto térmico relativamente elevadas, embora menos significativas que nas estações meteorológicas atrás referidas.

Quadro 3.5 – Distribuição (%) das situações de desconforto em cada classe de conforto dos índices ITH, TE e TEE às 06 e às 18 UTC, em Lisboa aquando da ocorrência das vagas de calor durante o período estival de 1981 a 2010.

I ITTHH TTEE TTEEEE C Cllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC CCllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC CCllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC < <2211 97,o 30,3 <22 100,0 33,4 <22 100,0 32,1 > >==2211<<2244 3,0 66,6 >=22 <25 0,0 63,2 >=22 <25 0,0 64,8 > >==2244<<2277 0,0 3,1 >=25 <28 0,0 3,4 >=25 <28 0,0 3,1 > >==2277<<2299 0,0 0,0 >=28 0,0 0,0 >=28 0,0 0,0 > >==2299<<3322 0,0 0,0 > >==3322 0,0 0,0

Às 06 UTC, estas vagas, apenas registaram sensações de desconforto entre os 21 e 23 em 3%, segundo os restantes índices bioclimáticos utilizados neste estudo, sensações de desconforto térmico não se manifestaram neste período horário (quadro 3.5). No caso das 18 UTC, comparativamente às restantes estações meteorológicas em estudo, estas sensações de desconforto não se mostraram tão significativas, pois os valores de desconforto observados não atingem os 28 valores na escala de sensação térmica.

De qualquer forma, apesar deste facto, no caso de Lisboa po de afirmar-se atendendo às caraterísticas da fórmula HWDI que os valores temperatura

máxima foram relativamente baixos duran te o período-amostra,

comparativamente ao período de referência a avaliar pelas sensações de desconforto térmico, traduzidas pelos índices bioclimáticos.

A estação meteorológica de Beja registou, à semelhança de Bragança e de Coimbra, um elevado número de dias com ocorrência de vagas de calor (236 dias), embora se registe a inexistência de situações suscetíveis de gerar

situações de emergência médica contrariamente aos observatórios assinalados (quadro 3.6).

Quadro 3.6 – Distribuição (%) das situações de desconforto em cada classe de conforto dos índices ITH, TE e TEE às 06 e às 18 UTC, em Beja aquando da ocorrência das vagas de calor durante o período estival de 1981 a

2010. I ITTHH TTEE TTEEEE C Cllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC CCllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC CCllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC < <2211 80,0 0,0 <22 93,7 0,0 <22 92,7 0,0 > >==2211<<2244 20,0 0,0 >=22 <25 6,3 0,0 >=22 <25 6,3 7,5 > >==2244<<2277 0,0 60,5 >=25 <28 0,0 50,1 >=25 <28 0,0 83,7 > >==2277<<2299 0,0 34,0 >=28 0,0 49,9 >=28 0,0 8,8 > >==2299<<3322 0,0 5,5 > >==3322 0,0 0,0

Em qualquer um dos índices bioclimáticos, às 06 UTC, as sensações de desconforto ocorridas, afetaram pelo menos em parte, 50% da população, no caso de ITH, podendo classificar-se estes dias como ligeiramente quentes, já que os valores de sensação térmica, variaram entre os 21 e os 25, não se registando valores iguais ou superiores a 25.

No caso da leitura horária das 18 UTC, destaca-se que as combinações de temperatura e humidade aquando da ocorrência das vagas de calor nunca resultaram em sensações térmicas inferiores a 25, segundo os índices bioclimáticos ITH e TE. No entanto, o índice TEE, demonstra o efeito moderador no vento no atenuar da intensidade das situações de desconforto, pois segundo este índice estas vagas representaram 7,5% de dias, com valores iguais ou superiores a 22 e inferiores a 25 relativamente à escala de sensação térmica.

As vagas de calor que ocorreram nesta estação meteorológica, à semelhança do que se registou em Coimbra, representaram também, embora em número menos significativo, um conjunto de dias que se podem classificar de muito quente, ocasionando forte stress bioclimático para todos o indivíduos pois segundo o índice ITH, que permite averiguar de forma mais detalhada os valores obtidos, 5,5% dos dias em que ocorreram vagas de calor, apresentaram valores bioclimáticos superiores ou iguais a 29 e inferiores a 32.

Por fim, na estação meteorológica de Faro, que foi aquela em que o número de vagas de calor foi menor distribuindo-se de forma irregular por 73 dias do total do período- amostra, mostrou a combinação dos valores de temperatura e humidade relativa que resultou num conjunto de dias com valores de desconforto pelo calor às 06 UTC, iguais ou superiores a 21 e inferiores a 24 em 18,3% (quadro 3.7) segundo ITH.

Quadro 3.7 – Distribuição (%) das situações de desconforto em cada classe de conforto dos índices ITH, TE e TEE às 06 e às 18 UTC, em Faro aquando da ocorrência das vagas de calor durante o período estival de 1981 a 2010.

I ITTHH TTEE TTEEEE C Cllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC CCllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC CCllaasssseess 0066UUTTCC 1188UUTTCC < <2211 81,7 6,1 <22 100,0 5 <22 100,0 20,2 > >==2211<<2244 18,3 36,7 >=22 <25 0,0 36,9 >=22 <25 0,0 43,9 > >==2244<<2277 0,0 47,2 >=25 <28 0,0 51,0 >=25 <28 0,0 35,9 > >==2277<<2299 0,0 10,0 >=28 0,0 7,1 >=28 0,0 0,0 > >==2299<<3322 0,0 0,0 > >==3322 0,0 0,0

Às 18 UTC, a análise dos índices bioclimáticos, permite afirmar, que a maior parte dos dias apresentaram situações de desconforto com valores bioclimáticos a variar, entre os 24 e o 27 no caso de ITH. No caso de TE cerca de 7,1 % dos dias, classificaram-se como muito quentes para a maior parte dos indivíduos. A importância do fator moderador do vento é também um fator de peso nesta estação meteorológica no que respeita ao atenuar das situações de desconforto, pois comparativamente ao índice TE, os valores obtidos através do cálculo de TEE, permitem acentuar este facto. Segundo este índice, a maior parte dos dias, classificaram-se apenas como ligeiramente quentes, para a maior parte dos indivíduos.

Em suma, pode afirmar-se no que toca às situações de desconforto geradas pelo calor, nas várias estações meteorológicas e, durante o período em estudo, que existiram dois tipos de situações. Por um lado, aquelas que, constituíram ocorrências pontuais de maior intensidade e que, não se estendem por períodos tão longos de tempo. Por outro, aquelas, que, estão diretamente relacionadas com a ocorrência das situações de vaga de calor, que podem apresentar ou não valores mais intensos no que toca aos índices bioclimáticos em questão, mas que se estendem por períodos de tempo mais longos.

Existe hoje uma preocupação crescente, quanto à possibilidade de um aumento da frequência de ocorrência de ondas de calor associadas à “mudança climática anormal potenciada pelos humanos” (FREITAS, 2011, p. 41). A par da maior ocorrência, têm sido formuladas hipóteses vagas de calor com tendência para apresentar temperaturas mais elevadas. O supracitado autor reforça esta ideia considerando que “estatisticamente, um incremento nas temperaturas médias do ar implicará a possibilidade de ocorrência de um maior desvio, pelo que dias ainda mais quentes podem suceder-se. Novas áreas podem ser também afetadas por temperaturas extremas” (ob. cit., p.41).

Face à possibilidade de ocorrerem vagas de calor mais frequentemente e com caráter mais severo, não haverá uma única resposta, assume especial destaque a importância da precaução, pelo que qualquer Estado, nos seus diferentes níveis (local, regional,

nacional), deverá estar preparado para assegurar a correta proteção da sua população e ajustar a sua regulação face a tal risco. Assim, em face do risco, será pertinente considerar também a dinâmica social existente em cada momento e a forma como a população age, pelo que o presente trabalho dá relevância a esta situação, abordando no capítulo V, através de um inquérito aplicado a um conjunto populacional, o seu o comportamento aquando da ocorrência de vagas de calor.

Na base da ocorrência de vagas de calor estão as condições sinópticas, salientando-se o deslocamento e as caraterísticas das massas de ar que afetam as condições meteorológicas regionais. Os fatores físicos e funcionais do território determinam a intensidade e duração, à escala local, atenuando ou intensificando as condições térmicas regionais. Neste sentido, o ponto seguinte do presente capítulo aborda as causas sinópticas associadas às vagas de calor detetadas, salientando-se a necessidade de futuramente se elaborarem estudos que permitam aprofundar o conhecimento dos fatores físicos e funcionais que poderão, em cada região, atenuar ou intensificar as condições térmicas regionais.