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Capítulo 2: A arte de Governar

2.1 As vicissitudes da arte de governo

“A arte de governar está inteiramente na

capacidade de fazer-se obedecer” Michel Foucault

Em um texto de 1982, intitulado O sujeito e o poder, Foucault (1995) declara que o interesse genealógico pelo poder parte da constatação de que o sujeito moderno, em sua constituição, encontra-se intrincado em complexas lutas de poder em torno da subjetividade. No cerne dessas questões, o autor fala ao menos de três formas típicas de lutas que, grosso modo, envolvem as relações de poder no ocidente: primeiro, contra as formas de dominação típicas, por exemplo, das sociedades feudais; segundo, contra as formas de exploração semelhantes às ocorridas no século XIX; e, por último, as lutas contra as formas de sujeição, ou seja, contra o que liga o indivíduo a si mesmo, submetendo-o aos outros. Para o autor, as últimas são as lutas mais recentes e as que melhor representam o exercício do poder nas sociedades contemporâneas, um tipo que envolve, predominantemente, o governo das subjetividades8. É nesse tipo de luta que o autor passa a inserir o seu próprio discurso e as pesquisas realizadas na década de 1970.

Para Foucault (1999e), essa forma de luta intensificada nas sociedades ocidentais nos últimos anos tem seu início num período remoto da história: nas lutas que marcam os movimentos do século XV e do século XVI na Europa ocidental contra um novo tipo de poder que produziu o duplo constrangimento político característico dessa era – a individualização e totalização da vida humana. Essa nova forma de estrutura política é o Estado. É sobre essa arte de governo que o autor fala quando enfoca as lutas de poder em torno da constituição da subjetividade durante os séculos XV e XVI. Baseado na materialidade histórica das grandes economias de poder no ocidente, o autor destaca o desenvolvimento (e o entrelaçamento) de três formas de estruturas políticas modernas: em primeiro lugar, do estado de justiça que corresponde à sociedade da lei feudal; em seguida,

8 Como observa Deleuze (1992a): “É idiota dizer que Foucault descobre ou reintroduz um sujeito oculto

depois de o ter negado. Não há sujeito, mas uma produção de subjetividade: a subjetividade deve ser produzida, quando chega o momento, justamente porque não há sujeito” (Deleuze, 1992a, p. 141). Partindo dos gregos, Foucault pensa a subjetividade sob a forma de uma relação consigo e não da autoconsciência, mais de um sujeito-forma que de um sujeito substância, o qual corresponde a uma experiência artística do indivíduo que se distingue do saber e do poder, e não tem lugar no interior deles.

do Estado administrativo nascido nos séculos XV e XVI e que corresponde à sociedade de disciplina; finalmente, um Estado de governo que passa a ser definido pela massa de sua população, sendo este último instrumento guiado pelo saber econômico numa sociedade controlada pelos dispositivos de segurança, através da tecnologia da polícia e da doutrina da razão de Estado.

Foucault fala da constituição de uma arte de governo, não no sentido restrito e atual de instância suprema de decisões executivas e administrativas em um sistema estatal, mas no sentido amplo de mecanismos e procedimentos destinados a dirigir e conduzir os homens. Governar pode se traduzir pelas seguintes questões de ordem moral: Como impor um regime a um doente? Como se conduzir adequadamente com os outros e consigo mesmo? Como se moderar, como conter sua natureza? Como se educar e trabalhar na construção de sua subjetividade? Como cuidar de si? Etc. Através dessas questões, há algo que aparece nitidamente: não é o Estado, o território ou a estrutura política que se governa, mas as pessoas, indivíduos ou coletividade. Enfim, os homens é que são governados.

Por que a conduta é um tema importante neste momento? Algumas razões mais amplas são apontadas por Gordon (1991): a erosão da ordem feudal, na qual a identidade pessoal é ancorada no status da hereditariedade e numa rede de lealdade e dependência; o impacto da Reforma, em termos de uma problematização religiosa do indivíduo e da procura por uma pastoral renovada, e o deslocamento da vida pública e privada pelas guerras religiosas. Para o autor, o desenvolvimento de uma maneira secular de reflexão sobre a ética pessoal é o resultado dessas transformações. Um dos aspectos mais importantes desse período é a profunda conexão estabelecida entre os princípios da ação política e os que dirigem a conduta pessoal. Interroga-se sobre a melhor forma de governar

uma família, as crianças, as almas e a conduta humana de forma geralmas também sobre a forma de governo especificamente político. Nesse questionamento, os princípios que devem inspirar um pai de família são também os norteadores do governo do príncipe e vice-versa.

Foucault afirma que a predominância desse tipo de questionamento que envolve o governo do Omnes et Singulatim, do todo e de cada um, está intimamente relacionada com o desenvolvimento do Estado, desde o século XVI, como nova forma política de poder. Mas o que define este duplo aspecto do governo encontra-se em outra tecnologia de poder que tem, na metáfora da condução da ovelha e do rebanho pelo pastor, os princípios de seu

exercício. Em Segurança, Território, População (2008a), curso dado no Collége de France (1977-1978), o autor realiza uma análise genealógica sobre o Biopoder, que tem seu ponto de formação no Poder Pastoral. Este é entendido como uma atividade de direção dos indivíduos ao longo de suas vidas, mas que também expande sua ação para todo o corpo social e, de forma mais específica e extraordinária, para o Estado Moderno. O tema do pastor responsável pela conduta e segurança de suas ovelhas e de seus rebanhos pode ser visto de forma ampliada apenas nas sociedades hebraicas, estando praticamente ausente nos grandes textos políticos da antiguidade grego-romana.

Nas análises de Foucault, as sociedades cristãs são destacadas como as únicas que realmente desenvolveram a tecnologia do pastorado no ocidente. Ao ampliar e propor novas relações de poder no mundo antigo, o cristianismo foi o responsável por sua generalização, embora não sem alterações e modificações. Não por acaso, à medida que o cristianismo se disseminou pelo mundo ocidental, a vontade de um Deus único emergiu como o guia orientador em relação ao futuro, substituindo o politeísmo da antiga Grécia. Isso provou uma grande mudança de percepção: o futuro da vida na terra permanecia um mistério, mas passou a ser regido por um poder pastoral que criou um novo modelo de vida, único e universal, supostamente válido para todos que se dessem ao trabalho de aprendê-lo. Com efeito, a partir do cristianismo, passou a existir uma doutrina dominante – o racionalismo moral – onde a vergonha, a culpa e o ressentimento passaram a constituir os alicerces da cultura ocidental.

Isso implica dizer que, com a soberania do monoteísmo, o cristianismo passou a ditar a verdade não só no campo da religião e da moral como também na política e na economia. Dito de outra maneira, o significante despótico tornou-se o referente único do valor de qualquer coisa: absorvendo o sentido dos outros signos que se encontram afetados de uma falta relativamente ao seu sentido. Assim, conforme explica Gil (1997), começa uma nova história do poder: pela transformação de um significante flutuante9 em significante supremo – “índice” despótico regulando os outros sistemas de signos. Porque, quer se trate de um Deus, uma Lei ou um Nome, o significante supremo permanece sempre

9 Segundo Gil (1997), o essencial do significante flutuante é manifestar a vida no que ela tem de imprevisível,

de variado e de espontâneo. Sendo assim, o significante flutuante é a presença na cultura de inventividade e de criação de toda arte, de toda poesia, de toda mítica e da estética. Aí se encontra o meio onde circula realmente o significante flutuante, ligando as potências singulares às do grupo, transmitindo as energias dos animais aos homens, dos homens à terra e ao céu.

vazio de sentido, sendo, aliás, a impossibilidade de lhe atribuir um, a própria prova da transcendência e do absoluto do seu sentido. Esse é o seu modo de funcionamento, a maneira perversa de se mostrar pleno, insuflando falhas aos outros signos. O seu vazio é a condição da presença do sentido e do domínio dos corpos. Portanto, aqueles que dispõem do poder pastoral (os fundadores da Igreja, os padres, etc.) dispõem também dos meios de adestração dos corpos, que, nessa condição, serão condenados a repetir infinitamente o rito da conformidade ao significante supremo: fazer viver na carne a presença do significante despótico. Assim, hesitarão entre um valor vazio e um pleno. Essa é a via que a doutrina da salvação ensina.

Tal como passou a ser difundido, as principais características do Poder Pastoral podem ser assim descritas: primeiro, seu objetivo final é assegurar a salvação individual no outro mundo; segundo, além de comandar, o pastor deve também sacrificar a si próprio pela vida do rebanho; terceiro, além de cuidar de todo o rebanho, o pastor deve se ocupar de cada ovelha individualmente e por toda sua vida; terceiro, o poder do pastor engloba o saber da consciência de cada indivíduo e a capacidade para dirigi-la. Cada ovelha tem com o seu pastor uma relação pessoal de submissão e de obediência, guiada pela renúncia de si e mortificação.

A pastoral cristã mantém uma concepção agonística10 da intersubjetividade, isto é, uma ética do encontro que, na tradição grego-romana, tinha a forma da reciprocidade afetiva; porém, esse vínculo será expresso numa relação de obediência incondicional ao mestre. Com isso, o cuidado de si perde autonomia e é integrado no âmbito da pastoral. A relação entre dois sujeitos, na qual cada um participava, mediante seu cuidado de si, do cuidado do outro, transforma-se em uma relação em que o pastor, como gestor das almas, está incumbido de administrar as relações de cuidado. Junto com o exame de consciência e a confissão, a pastoral cristã conduzira o homem à constituição de relações des-cuidantes. Enfim, o pastorado no cristianismo constituiu-se numa arte de conduzir, de dirigir, de controlar, e manipular os homens, uma arte de segui-los e de empurrá-los passo a passo,

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A questão do relacionamento com o outro é uma constante na obra “O Cuidado de Si”. Foucault (1988) sublinha em numerosas ocasiões a necessidade desse vínculo intersubjetivo. Sem a presença do outro não se pode produzir nenhum autorrelacionamento satisfatório; o cuidado de si precisa do outro. A constituição do indivíduo como sujeito ético efetua-se só por meio de relações complexas com o outro. A noção de uma subjetividade coletiva, para uma forma de vida voltada para fora, o caráter reflexivo de si mesmo descrito pelo movimento de “desprender-se de si”, corresponde a essa experiência agonística da intersubjetividade.

uma arte que tem a função de se encarregar dos homens coletiva e individualmente ao longo de toda sua vida e a cada passo da sua existência. Em suma, o pastorado não coincide nem com uma política, nem com uma pedagogia, nem com uma retórica. É uma arte de governar os homens.

Mesmo não tendo sido instituído como governo político dos homens durante a Idade Média, a questão do pastorado tornou-se uma preocupação constante de todos aqueles anos. A aspiração de estabelecer relações pastorais entre os homens foi mantida durante todo o período medieval, embora sua efetividade possa ser encontrada somente no domínio religioso (monastérios, comunidades espirituais). Entretanto, nos séculos XV e XVI, a Europa ocidental presencia o desenvolvimento de uma crise do pastorado religioso que teve nos movimentos da Reforma Protestante e da Contra-Reforma seus maiores expoentes.

Esses movimentos de reforma religiosa foram alimentados pelas tensões emergentes entre os diversos pedaços ou projetos de reforma do mundo e da história, como, por exemplo, os projetos de Giordano Bruno, Calvino, Thomas More e o universo das “civilizações fechadas”, totalmente preenchidas, para não dizer entupidas, de significado e valor. Tais reformas procuraram um solo mais fundo no qual pudessem emergir formas mais livres e menos normatizadas de relação do homem com seu mundo e com Deus. É assim que a própria proliferação de reformadores religiosos no século XVI passa a sinalizar uma crise de identidade do cristianismo e exigir um novo, e supostamente definitivo, projeto de reforma. Portanto, é no encontro desses movimentos que se coloca o problema de como ser espiritualmente governado para alcançar a salvação.

Tal como fora preconizado pela instituição eclesiástica, o Poder Pastoral iniciava sua desaparição, ou ao menos começava a perder sua força original. Por outro lado, as análises de Foucault sinalizam para a ampliação de sua racionalidade, através da discussão e difusão da arte de governo fora da instituição religiosa, possibilitando uma expansão generalizada da racionalidade de governo por todo o corpo social. O tema do governo dos homens trazido pelo Poder Pastoral deixa de estar restrito a uma instituição religiosa definida. O questionamento inicial sobre a maneira de como governar as almas estende-se para o âmbito geral do governo e da condução da vida em todas as suas possibilidades, um questionamento que acompanha o nascimento de novas formas de relações econômicas e

sociais e de novas estruturações políticas, num momento em que se presencia a confluência de um movimento de concentração estatal e de dispersão religiosa.

Concomitantemente, o pastorado, em suas formas modernas, estendeu-se pelo corpo social em grande parte através de uma multiplicidade de saberes e de instituições: ora no aparelho de estado, ora na polícia, em empreendimentos privados e sociedades para o bem- estar, ora na medicina e na família, fortalecendo a busca de objetivos relacionados com a vida a ser vivida cotidianamente. Em suma, no momento em que se pode falar do mundo religioso e apreciá-lo através de outras vozes, outros ângulos, o poder pastoral ganhou ainda mais força com a proliferação de uma diversidade de “tecnologias do self” dirigidas ao corpo dos indivíduos e à saúde da população. Assim sendo, diz Foucault: “em vez de um poder pastoral e de um poder político, mais ou menos ligados um ao outro, mais ou menos rivais, havia uma „tática‟ individualizante que caracterizava uma série de poderes: da família, da medicina, da psiquiatria, da educação e dos empregadores” (Foucault, 1995, p. 238).

Dessa forma, Foucault demonstra que o tema do pastorado surge cedo nas sociedades ocidentais, assumindo uma importância ainda maior ao ser incorporado e transformado pelo governo típico das estruturas políticas modernas. Nesse prisma, o autor considera o Estado Moderno como uma nova forma de Poder Pastoral que modifica e incorpora novo objetivo a sua dinâmica. Não mais um poder preocupado, primordialmente, com a salvação de um povo num outro mundo, mas que tem por objetivo assegurá-la em vida, na sua imanência e ainda neste mundo. Salvação que significa, antes de qualquer outra coisa, a saúde, o bem-estar e a segurança de toda população e de cada indivíduo. Nas relações entre o poder político ativo representado pelo Estado e o Poder Pastoral, que tem por função ocupar-se das vidas de todos e de cada um, o autor argumenta que o Estado Moderno deve ser reconhecido como um dos ressurgimentos da relação entre o poder político exercido sobre os sujeitos civis e o Poder Pastoral exercido sobre os indivíduos.

Embora Foucault fale da expansão do poder pastoral, o Estado é considerado a matriz moderna da individualização, a estrutura mais sofisticada de integração dos indivíduos. Ao enfocar o estudo de um tipo de racionalidade política individualizante e totalizante que marca as estruturas políticas modernas, o Estado passa a ser visto como local privilegiado de seu desenvolvimento e irradiação. Uma das características mais

destacadas do desenvolvimento da racionalidade de governo, específica do poder estatal, está justamente em seu caráter não espontâneo. Durante os 200 anos de formação do Estado Moderno, dois corpos de doutrina ou duas tecnologias de poder tornaram-se as principais responsáveis pela formulação e efetivação de seus objetivos e práticas: a razão de Estado e a polícia. A primeira, estabelecendo em que aspectos os princípios e métodos do governo estatal diferem das outras formas de governo; a segunda, definindo a natureza dos objetos e dos objetivos da atividade racional do Estado, além da forma geral dos instrumentos envolvidos no exercício do governo.

O que se deve entender por razão de Estado? Entre as suas diversas definições no século XVII, Foucault identifica algumas características em comum: é considerada um conhecimento perfeito dos meios através do qual o Estado se forma, se reforça, permanece e cresce; uma regra ou uma arte que permite descobrir como fazer reinar a ordem, a tranquilidade ou a paz no seio da República; é o meio mais rápido e mais cômodo de atingir a preservação, a expansão e a felicidade do Estado em todos os negócios públicos e em todos os desígnios. Em suma, o objetivo da razão de estado é aumentar a potência do Estado de maneira extensiva e competitiva.

Diferentemente das teorias políticas centradas nas tradições e costumes, a razão de estado constituiu-se como uma racionalidade autônoma não mais subordinada à ordem divina ou cosmológica, mas como uma racionalidade de princípios próprios à arte de governar o Estado. Nesse sentido, a razão do Estado rompeu com duas posições opostas: a tradição cristã e a teoria de Maquiavel. A primeira afirma que, para ser funcionalmente justo, o governo deve respeitar todo um sistema de leis humanas, naturais e divinas. A razão de Estado não se interessa por finalidades naturais ou divinas do homem. Já o problema de Maquiavel é o de saber como pode ser possível proteger uma província ou um território adquirido por herança ou conquista contra adversários internos e externos. Sua análise preocupa-se em estabelecer os laços entre o príncipe e o Estado, enquanto o problema colocado no início do século XVIII pela razão de Estado é o da existência e natureza do Estado, a tese de que o desígnio do governo passa a ser aumentar a força estatal.

Esse Estado que se deve conhecer em todas as possibilidades é também o “Estado de prosperidade”. Diferentemente de Maquiavel, que via o problema de governo nos rivais

do príncipe, Bacon, ao contrário, afirmava que o problema da razão de Estado era desenvolver os elementos da vida individual e coletiva de tal modo que possam fortalecer os interesses e riquezas do Estado. O cálculo do governo, diz Bacon, deve ter por objeto os mecanismos de produção de riquezas, de troca e de consumo. Para isso o objeto essencial do governo de um Estado deve ser a população. Governar é governar a população, e governar a população significa geri-la em profundidade, minuciosamente no detalhe. Assumindo uma importância fundamental no governo político exercido pelo Estado, a tecnologia de polícia torna-se o mecanismo responsável por desenvolver os métodos necessários à garantia de tais objetivos.

De acordo com Foucault (2008a), a polícia pode ser definida como um conjunto de técnicas que garantem que viver melhor, coexistir, será efetivamente útil ao aumento das forças do Estado. Esplendor do Estado e felicidade dos homens. A felicidade dos indivíduos torna-se uma necessidade para a sobrevivência e desenvolvimento do Estado. Portanto, a existência da polícia serve para assegurar o crescimento do Estado, e isso em função de dois objetivos: permitir-lhes marcar e melhorar seu lugar no jogo das rivalidades e das concorrências entre os estados e garantir a ordem interna por meio do bem-estar dos indivíduos. Assim, diz Foucault:

No fundo a natureza só pode nos dar o ser, mas o bem-estar nos vem da disciplina e das artes. A disciplina, que deve ser igual para todos, pois é importante para o bem do Estado que todos vivam bem e honestamente, e as artes, que, desde a queda, são indispensáveis para nos proporcionar [...] o necessário, o útil, o decente e o agradável. Pois bem, tudo que vai ser ao bem-estar, tudo o que pode produzir esse bem- estar para além do ser e de tal sorte que o bem-estar dos indivíduos seja a força do estado, é esse, parece-me, o objetivo da polícia. (Foucault, 2008a, p. 440)

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