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ascendente efebofobia que se traduz, entre

outras discriminações,

na infantilização e na

desvalorização da

participação cívica de

raparigas e rapazes.

Esta tendência é visível, igualmente, por um lado, na eliminação quase total de pessoas adultas, de velhas e de velhos, dos materiais de ensino e, por outro, na fragilização e secundarização do papel das mulheres na sociedade, ainda que se afirme e, genuinamente, se acredite o seu contrário, como aliás fica muito claro no ponto do Programa referente ao 12º ano que, apesar de atento à igualdade de direitos e oportunidades, junta “crianças,

paquistanesa, Malala Yousafzai, o discurso da atriz, modelo e ativista inglesa, Emma Watson, nas Nações Unidas, entidade de que é embaixadora de boa vontade aquando do lançamento da campanha HeForShe, a entrevista dada pelo ator e humorista norte-americano, Aziz Ansari, a David Letterman no Late Show, em que assume a sua condição de homem feminista e o número da cantora e atriz norte-americana, Beyoncé, nos MTV Video Music Awards 2014, em que dança com a palavra Feminist como pano de fundo. Com a exceção do primeiro exemplo, os restantes integram-se num padrão recente de glamorização dos ativismos, mais recentemente também do feminismo, que tem passado pelo uso de ‘celebridades’ que ajudam a ‘vender’ uma determinada causa.25 Tendo em conta a invisibilidade real das idosos e mulheres”, num

processo de menorização que tem sido ‘normalizado’ pelos media e outros aparelhos ideológicos, logo aceite, e a que a humorista e ativista, Kate Smurthwaite (2014), reage nos termos que se podem ver no texto em caixa.

É preciso dar às alunas e aos alunos exemplos positivos de raparigas e mulheres mais, ou menos, ‘famosas’, explorando a atenção que os media se veem obrigados a dar às mulheres e ao feminismo. Exemplo disto são os vários sites que dão conta dos sucessos, dos avanços e das pequenas e das grandes lutas das mulheres, durante os últimos anos. Em 2014, por exemplo, os media de língua inglesa prestaram particular atenção a quatro momentos: o prémio Nobel da estudante e ativista

[An] undesirable effect of acting like children is that when it comes to looking after them, women are inadvertently putting themselves at the front of the queue. Feminism fail. Our foremothers were farmers, warriors, weavers and builders. They had wrinkles and pubic hair and opinions. It’s time to stop rewarding women for looking and behaving like toddlers. It’s time to grow up.

24 Kate Smurthwaite, 2014.

24 “[Um] efeito indesejável de se comportarem como crianças é que quando toca a ter de tomar conta delas, as mulheres se estão a pôr, inadvertidamente, na frente da fila. Feminism fail. As nossas antepassadas eram lavradoras, guerreiras, tecelãs e cons- trutoras. Tinham rugas e pelos púbicos e opiniões. É tempo de parar de louvar as mulheres por se parecerem e comportarem como bebés. É tempo de crescer” (Kate Smurthwaite, 2014). Disponível em http://newint.org/columns/2014/07/01/women-media/ (consultado em 30 de janeiro de 2015). Tradução da autora.

25 “This is what a feminist looks like” é o slogan estampado em t-shirts produzidas por iniciativa da “Fawcett Society” numa campa- nha de 2014 pela igualdade de direitos, dinamizada com enorme sucesso (nomeadamente institucional, já que, quer o primeiro ministro britânico, quer o líder da oposição as usaram em público) e que veio, mais tarde, a causar acesa discussão quando foram denunciadas as condições de vida e de trabalho das mulheres da Mauritânia que as fabricavam.

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mulheres e das coisas delas na educação, e independentemente das dúvidas legítimas que possam existir relativamente ao que algumas pessoas consideram ser um ‘feminismo pronto a consumir’, convirá determinar se, em Portugal, as circunstâncias descritas por bell hooks fazem sentido (ver texto em caixa). Sendo a resposta afirmativa, será proveitoso, por um lado, agarrar estes ‘15 minutos de fama’ e interesse algo ingénuos e superficiais assim gerados e, por outro lado, explorar a abordagem simples e eficiente implícita no comentário de Aziz Ansari: “You're a feminist if you go to a Jay-Z and Beyoncé concert and you're not like, ‘I feel like Beyoncé should get 23 percent less money than Jay-Z.”26 É igualmente importante apresentar às alunas e aos alunos, raparigas e rapazes, seus pares, que se destacam pelo envolvimento ativo em causas que vão das que mais facilmente reconhecem, como a dinamização de petições para a implementação de um programa nacional de educação sexual e a criação de websites para jovens, com um enfoque feminista, até às que lhes são estranhas, como

o trabalho voluntário junto de raparigas e mulheres imigrantes e as campanhas de denúncia e boicote de produtos prejudiciais à saúde pública, numa outra dimensão para além dos aditivos alimentares, como é o caso da ‘instituição’ que é a Page 3 Girl do jornal The Sun (Kira Kochraine, 2014).

É absolutamente determinante que as nossas alunas e alunos percebam que estas raparigas e estes rapazes cresceram, lá como cá, a ouvir que o feminismo, tal como a história, morreu, que hoje há igualdade e representatividade laborais e institucionais, um “pós-feminismo que canta”. E depois, sai-se para a rua, liga-se a televisão, vai-se para a escola… Nos tempos de recessão económica e em situações que podem pôr em causa os direitos humanos, incluindo os mais básicos, que se vive (também) na Europa, uma das dificuldades das educadoras e dos educadores será a de fazer perceber, a jovens descrentes do futuro, que a liberdade de lhe aceder também é determinada em função do género e que qualquer hierarquização dos problemas e das lutas as fragilizará a todas.

26 “É-se feminista se se vai a um concerto do Jay-Z e da Beyoncé e não se ’tá numa de ‘eu cá acho que a Beyoncé devia ganhar menos 23% do que o Jay-Z” (Rebeca Zamon, 2014). Disponível em http://www.huffingtonpost.ca/2014/12/16/feminism-2014- _n_6328010.html (consultado em 30.01.2015). Tradução da autora.

27 “Quando faço perguntas […] às pessoas sobre os livros ou as revistas feministas que leram, quando lhes faço perguntas sobre as palestras feministas que ouviram, sobre as ativistas feministas que conhecem, respondem-me informando-me de que tudo o que sabem sobre o feminismo entrou nas suas vidas em terceira mão, que, na verdade, nunca tiveram um contacto suficiente- mente próximo com movimento feminista para saber o que, de facto, se passa e sobre o que é” (bell hooks, 2000: vii). Tradução da autora.

when I ask […] folks about the feminist books or magazines they read, when I ask about the feminist talks they have heard, about the feminist activists they know, they respond by letting me know that everything they know about feminism has come into their lives thirdhand, that they really have not come close enough to the feminist movement to know what really happens, what it’s really about.

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Para cativar as alunas e os alunos há muitos e variados caminhos que se poderão trilhar. Rob Pope propõe um, a que chama critical-creative re-writing, que é particularmente útil para as professoras e os professores atentos às questões de género. Este termo ‘guarda-chuva’ refere-se, basicamente, a formas de intervenção textual a que outras e outros têm chamado desde “semiotic guerilla warfare” (Umberto Eco) a “re-visioning” (Adrienne Rich) e “re-membering” (Toni Morrison), passando por “travestying” (Mikhail Bakhtin). As atividades de critical-creative re-writing podem tomar várias formas, mas assumem, habitualmente, a forma de velhas práticas textuais, hoje rotuladas de “pós-modernas”, como a imitação, a paródia, o pastiche e a adaptação. Outras hipóteses

de trabalho incluem: paráfrase, inícios e finais alternativos, prelúdios, interlúdios e poslúdios, intervenção na narrativa, adaptação de texto narrativo a texto dramático e vice-versa e hibridização, entre outras, como sugere Rob Pope (1999).

Os textos que se apresentam no fim deste capítulo são, em alguns casos, exemplos destas ‘revisitações’ mas, noutros, propostas que permitem olhar ‘de novo’ para o que, frequentemente, as alunas e os alunos entendem como óbvio, consensual e previsível, logo muito menos interessante e educativo: a juventude, a família, a maternidade, o corpo, o outro, a cidade, a cultura…

S

er professora ou professor de inglês, hoje, é, como já dito anteriormente, uma tarefa árdua que, tal como nas outras disciplinas, mas com algumas especificidades próprias, obriga a fazer escolhas que são sempre de natureza política.

Usar as “lentes do género” será mais árduo e trabalhoso, porque implicará, para além da “re-visão” de materiais de ensino mais convencionais, a pesquisa, a seleção e a preparação de materiais extra, verdadeiramente autênticos,29 o que, com a atual organização da escola e com a compreensível sedução que o manual ‘tudo-em-um’ exerce, dificultará esta escolha.

Trata-se, verdadeiramente, de tentar não perder de vista o princípio anteriormente referido, citando Eric Hawkins, e que identifica wisdom como o que de mais importante se pode ensinar, de certo modo, mais importante ainda do que o -s da 3ª pessoa do singular do presente do indicativo dos verbos, ou os plurais irregulares.

Nesse processo para tornar as