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2.3 CONCEITOS OPERACIONAIS RELATIVOS AO ICMS

2.3.6 Aspecto quantitativo

Aspecto quantitativo ou valorativo compõe objeto da prestação pecuniária acerca do valor a ser pago pelo sujeito passivo da obrigação (contribuinte ou responsável). Trata-se da forma cuja tributação será realizada, dividindo-se em dois institutos: a base de cálculo e a alíquota.

2.3.6.1 Base de cálculo do ICMS

Para Amílcar Falcão (1997, p. 78), base de cálculo é aquela "(...) grandeza econômica ou numérica sobre a qual se aplica a alíquota para obter o quantum a pagar." E ressalta, que “essa base de cálculo deve ser uma circunstância inerente ao fato gerador, de modo a afigurar-se como sua verdadeira e a autêntica expressão econômica”.

Desta forma, a base de cálculo tem como objetivo materializar a hipótese de incidência do tributo, que, no caso do ICMS, são as descritas no inciso II do art. 155 da Constituição Federal, ou seja, as “operações relativas à circulação de

mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior” (não grifado no original).

Cada hipótese de incidência acima descrita há de ter uma base de cálculo, bem como uma alíquota, levando-se em consideração, também, o local da operação ou da prestação e momento da ocorrência do fato gerador definidos em lei. Eduardo Sabbag (2009, p. 945), descreve acerca das possibilidades de se calcular o ICMS:

A base de cálculo pode ser:

a) o valor da operação, em se tratando de operação de circulação de mercadoria;

b) o preço do serviço, em se tratando de transporte (interurbano e interestadual) e de comunicação;

c) o valor da mercadoria ou bem importado, constante em documento de importação, convertido em moeda nacional pela mesma taxa de câmbio utilizada para cálculo do imposto de importação, e acrescido do IPI, do

IOF, do próprio II (Imposto de Importação) e das despesas aduaneiras. (Grifos do autor).

A base de cálculo, no que se refere ao ICMS, encontra-se fundamento no art. 41 da LC 87/96, e, na esfera catarinense, no art. 10 da Lei 10.297/96 (Lei do ICMS/SC) e art. 9º do RICMS/SC, tendo como regra geral, nos instrumentos normativos referidos, o valor da operação, relativa à circulação da mercadoria, ou ao preço cobrado do serviço.

Hugo de Brito Machado leciona sobre o tema:

A base de cálculo do ICMS, como regra geral, é o valor da operação

relativa à circulação da mercadoria, ou o preço do serviço respectivo. A

LC 87/96, todavia, estabelece várias normas para situações específicas. Na base de cálculo incluem-se as despesas recebidas do adquirente, ou a este debitadas, bem como os descontos condicionais concedidos, mas não se incluem os descontos incondicionais, porque evidentemente não integram estes o valor da operação. Condicional é um desconto cuja efetivação fica a depender de evento futuro e incerto, como por exemplo, o pagamento em certo prazo, sendo que o incondicional é o caso de desconto para pagamento à vista, cujo valor não integra a base de cálculo. (MACHADO, 2007, p. 395) (não grifado no original).

Esta modalidade quantitativa é um importante instrumento para a identificação jurídica dos tributos, posto distinguir-se um de outro, levando-se em consideração o fato gerador, tendo como função, além de confirmar a natureza jurídica deste, a função de quantificar a prestação do sujeito passivo, a partir do momento da ocorrência do fato gerador do tributo. (CARRAZZA, 2006, p. 242 – 243). José Eduardo Soares de Melo (2005, p. 411) menciona que a base de cálculo tem de representar a quantificação compreendida na “operação mercantil”, e na “prestação de serviços de transporte e de comunicação”, ou seja, o valor da operação mercantil (o preço, na venda) e o preço dos serviços. (grifos do autor).

Assim, a base de cálculo tem de quantificar o fato gerador, compreendido na operação de circulação de mercadoria ou prestação de serviços, com a finalidade de que sobre este fato venha a recair a tributação. (MELLO, 2008, p. 125)

2.3.6.2 Alíquota

A palavra “alíquota”, na linguagem matemática, indica a quantidade que

está contida em outra em número exato de vezes. No Direito Tributário tem sido

utilizada geralmente para indicar o percentual aplicado sobre a base de cálculo para determinar-se o valor do tributo. (MACHADO, 2008, p. 136, grifos do autor).

Assim, entende-se como alíquota o percentual que é aplicado sobre a base de cálculo, com a finalidade de obter o valor do tributo sobre o qual ocorreu o fato gerador, que, no caso do ICMS, vem a representar um percentual incidente sobre a base calculada, sobre o valor que fica definido com a ocorrência do fato imponível ou fato suscetível de imposição tributária. É denominado ad valorem, posto consistir numa percentagem que vem a incidir sobre um valor (CARDOSO, 2004, p. 72, grifo do autor).

Carrazza (2006, p. 238) descreve alíquota como um percentual cujo valor mínimo e máximo é estabelecido pelo Senado Federal, conforme prevê a norma constitucional em seu § 2º, art. 155, e seguintes:

IV - resolução do Senado Federal [...] estabelecerá as alíquotas aplicáveis às operações e prestações, interestaduais e de exportação;

V - é facultado ao Senado Federal:

a) estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas [...];

b) fixar alíquotas máximas nas mesmas operações para resolver conflito específico que envolva interesse de Estados, [...];

VI - salvo deliberação [...], as alíquotas internas, nas operações relativas à circulação de mercadorias [...], não poderão ser inferiores às previstas para as operações interestaduais;

VII - em relação às operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final localizado em outro Estado, adotar-se-á:

a) a alíquota interestadual, quando o destinatário for contribuinte do imposto;

b) a alíquota interna, quando o destinatário não for contribuinte dele;

VIII - na hipótese da alínea a do inciso anterior, caberá ao Estado da localização do destinatário o imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual (MELO, J. E. S., 2005, p. 412).

De acordo com Melo, J. E. S. (2005, p. 412) as alíquotas internas são livremente estipuladas pelos Estados e pelo Distrito Federal (usualmente utiliza-se 17% ou 18% para operações em geral e, de 25% para comunicação).

No ICM as alíquotas eram uniformes para todas as mercadorias nas operações internas, interestaduais ou de exportação, de modo que, com o advento da Constituição Federal de 1988, foram ampliadas as hipóteses de incidência do

imposto, que passou a se chamar ICMS, que veio a abranger as prestações de

serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, e, quanto às

alíquotas, definiu, em seu art. 155, § 2º, inciso III, que o ICMS poderá ser seletivo,

em função da essencialidade das mercadorias e dos serviços, assim sendo, a

norma constitucional possibilitou ao legislador aplicar alíquotas variadas, diferentemente do que acontecia no antigo ICM. (MACHADO, 2007, p. 392, não grifado no original).

Assim, as alíquotas aplicáveis no ICMS, poderão ser majoradas (ou diminuídas) de acordo com a essencialidade das mercadorias e serviços (art. 155, §2º, III, CF), de modo a aplicar-se o princípio da seletividade, que será abordado no capítulo seguinte.

Pelo exposto, conclui-se, que o ICMS é um tributo de competência dos Estados e do Distrito Federal (art. 155, II, CF), sendo imprescindível para a arrecadação destes entes federados, caracterizando-se por sua não cumulatividade e seletividade. É imposto indireto, real, operando através da circulação de mercadorias e às prestações de serviços de comunicação, de modo que para incidir o imposto deverá existir mais de uma pessoa, não configurando o ICMS sobre transporte de carga própria. Tem como sujeito ativo os Estados e Distrito Federal, que a lei conferiu a exigibilidade do tributo, cabendo ao contribuinte ou responsável (sujeito passivo) o pagamento da obrigação tributária. Consoante os aspectos quantitativos, viu-se que a base de cálculo quantifica o fato gerador do ICMS, sendo a alíquota o percentual aplicado sobre a base de cálculo, com a finalidade é obter-se o valor do tributo da operação.

3 A SELETIVIDADE COMO CRITÉRIO DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE ECONÔMICA JUNTO AO ICMS EM SANTA CATARINA

Neste capítulo será abordada a aplicação do princípio da seletividade, disposto na Constituição Federal de 1988 nos arts. 153, §3º e 155, §2º, onde o primeiro diz respeito à aplicabilidade obrigatória no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), enquanto no segundo artigo, referente ao ICMS, estabeleceu- se que o imposto poderá ser seletivo em função da essencialidade das mercadorias

e serviços. (BRASIL, 2010, grifa-se)

A seletividade de que trata este capítulo diz respeito, tão somente, ao imposto sobre circulação de mercadorias e prestações de serviços (ICMS), sendo discorrido, no decorrer deste trabalho, estudo que abordará, dentre outras matérias, a obrigatoriedade ou não deste princípio constitucional, o fator essencialidade como pressuposto de aplicação do princípio, nos casos em que o ICMS será ou não seletivo, da seletividade como um meio de exteriorização do princípio da capacidade econômica do contribuinte, bem como doutros assuntos que serão discorridos, consoante leitura da legislação catarinense e seus efeitos.

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